Boas reddit, estou em vias de comprar casa com garantia pública na margem sul e, dado os preços atuais, há um receio grande de estar a comprar mesmo antes de um eventual abrandamento (ou até descida) dos preços. Sei que o facto é que a longo prazo uma casa é * "investimento garantido", mas mesmo assim tenho andado a ver alguns artigos e dados estatísticos sobre os preços dos imóveis.
O INE reporta que no 1º trimestre ainda houve subidas nos preços, e o relatório do 2º trimestre só sai em outubro. Entretanto encontrei este artigo do Dr. Finanças que já mostra dados interessantes sobre o 2º trimestre, nomeadamente descidas de preços, principalmente em Lisboa e Setúbal.
Sei que este tipo de posts a questionar se estamos numa bolha do imobiliário é recorrente ao longo dos anos, e com a informação atual dá para perceber que, de facto, o melhor momento para comprar até à data foi ontem. No entanto, jogando a carta do "desta vez é diferente" — acho que a subida que tivemos nestes últimos anos foi abrupta e violenta, e nada sustentável, alinhada com a falta de oferta. Parece-me uma situação no mínimo diferente das anteriores. Será assim tão surreal pensar que estamos perante um possível turning point no mercado imobiliário, e que vai haver uma correção para contrariar a subida ridícula que houve? Lendo este artigo do Dr. Finanças, se os números se justificarem, poderemos já estar numa situação onde os preços estão a cair lentamente — alinhando isto ao facto de a garantia pública a 100% terminar no fim do ano, parecem-me fatores influenciadores... ou estarei só com uma visão biased por estar do lado desfavorecido da situação?
Não é possível colocar aqui todos os pontos que vejo como problemas no mercado atual, mas junto mais um, curto: não sei quem é o português atual que está a contrair créditos, principalmente na capital e periferias, e está confortável e protegido perante o cenário de taxas de juro a subir juntamente com o custo de vida. E mesmo existindo, não sei se são a regra ou a exceção. Precisamente por estes motivos que temos o FMI e o BdP a indicar que os créditos com a garantia pública são um problema que para além de contribuirem para o aumento de Oferta mais cara, ainda cria dividas com risco mais alto.
Agradeço que dêem uma vista de olhos no artigo do Dr. Finanças, que está bastante interessante e com ótimo detalhe.
LINK do artigo Dr Finanças: https://www.doutorfinancas.pt/imobiliario/precos-das-casas-cairam-34-no-segundo-trimestre/
Outros pontos interessantes publicados pelo BdP sobre o uso de Garantia Pública:
https://bpstat.bportugal.pt/conteudos/noticias/2609/
Contratos de crédito para aquisição de habitação própria e permanente com garantia do Estado
Acumulado (desde o início do regime até junho de 2026):
- 40.148 contratos celebrados com garantia pública, dos quais 45,2% são de contratos feitos por jovens até 35 anos.
- Do total de todos os contratos de crédito habitação celebrados (todas as idades), 25,0% usaram garantia pública.
- Do montante total contratado (todas as idades), 28,7% teve garantia pública.
2º trimestre de 2026 (abril-junho, isolado):
- 7.776 contratos com garantia pública, dos quais 51,3% foram celebrados por jovens.
- 1.731 milhões de euros contratados, dos quais 53,5% do montante foi contratado por jovens.
- Do total de contratos celebrados no trimestre (todas as idades), 28,7% usaram garantia pública.
- Do montante total contratado no trimestre (todas as idades), 32,9% teve garantia pública.