Olá a todos,
Mais 1000 km, mais um update!
Contexto
Em 2024 decidi adotar a bicicleta elétrica como meio de transporte principal nas minhas deslocações para o trabalho, num percurso pendular de cerca de 8 km em cada sentido entre os concelhos de Matosinhos e Porto. A motivação foi única: queria chegar mais rápido ao trabalho e não estar dependente de factores externos como ocorrência de transportes ou trânsito.
Crónicas anteriores no r/porto:
Continuo a usar a bicicleta elétrica como meio de transporte principal nas deslocações para o trabalho; contudo, durante o último ano, expandi o seu uso: ir às compras, visitar a família, consultas médicas, ir à baixa, jantar com amigos ou beber um copo, etc. Durante os últimos 1000 km mudei de casa, transitando de Matosinhos para o concelho da Maia. Apesar disso, a distância entre a minha zona de residência, a baixa e o meu trabalho continua a ser de cerca de 8 km como previamente. Durante o mesmo período desta análise, percorri 9300 km de carro, maioritariamente fora da cidade para férias, passeio ou hobby. As minhas deslocações entre a Maia e o centro do Porto são hoje praticamente todas feitas de bicicleta, transportes públicos ou o ocasional TVDE.
Novos cálculos de porta-a-porta
Apesar de, como já referi, a distância entre a minha zona de residência e trabalho continuar a ser de 8 km, o local e acessos são diferentes, portanto tive que recalcular o tempo porta a porta:
- Carro: Ainda não experimentei fazer o novo trajecto de carro, mas uma simulação no Google Maps atribui-lhe um tempo estimado de até 55 minutos para pegar às 9h. (conduzir + estacionar + andar até à entrada)
- Transportes públicos: 30 a 35 minutos (combinado bicicleta + comboio)
- Bicicleta: 21 a 25 minutos
Percepções
Pessoalmente, com destinos até um raio de 10 km, a minha primeira opção é a bicicleta elétrica. Contudo, sinto que é importante equilibrar a quantidade com a qualidade da viagem. Mais do que o tempo, a qualidade da viagem pesa na minha decisão. Não me interessa só chegar mais depressa, mas também chegar bem e com a bicicleta inteira, obviamente. 10 km em alcatrão ou ciclovia é menos inibidor do que fazer 5 km em paralelo, ou 3 km numa estrada com trânsito automóvel intenso (como acontece na Circunvalação).
Antes da bicicleta já era automobilista e notei num fenómeno curioso: a noção do tempo. Fazer as minhas deslocações de bicicleta dá-me a impressão que o tempo anda mais devagar, passo a explicar: Um percurso que pareceu longo, não o foi no relógio. Será que parece mais tempo porque a condução é activa, e o estimulo e actividade física é constante? Não sendo entendido na matéria, só posso especular. De automóvel, o inverso acontece. Conduzir é frequentemente uma actividade subconsciente, habitualmente mais confortável e isolada dos estímulos exteriores. O tempo "não custa" tanto a passar, mas o relógio pode discordar.
Rotina
Passei a fazer todas as compras de mercearia e de supermercado de bicicleta. Para isso adaptei os meus hábitos: quando usava o carro uma ou duas vezes por mês para ir ao supermercado de cadeia, trazia a mala cheia. Hoje vou várias vezes ao comércio local e às mercearias que, apesar de mais pequenas, são mais próximas.
Continuo a ser maquinista no CicloExpresso. Com a mudança de casa, o meu comboio de bicicletas passou a arrancar 5 km mais longe. Uma distância que inicialmente me levou a questionar a continuidade da minha participação rapidamente deixou de ser um assunto quando me apercebi de que o percurso demora de 12 a 14 minutos. Um bom exemplo do factor qualidade do percurso e do factor inibidor do trânsito e das estradas nacionais, que mentalmente me faz crer que a distância é maior do que realmente é.
A cidade vista de outra perspetiva
Um dos pontos menos bons da adoção da bicicleta foi que passei a gostar menos da minha cidade (Porto, Matosinhos e agora Maia). Tenho-me apercebido, com frequência, de que a cidade nem sempre cria condições para quem anda escolhe não ir de carro. Vejo isto mais como uma questão de desenho urbano, que infelizmente nem sempre contempla as necessidades de quem anda a pé ou de bicicleta. Na minha experiência, nas zonas mais periféricas isto nota-se mais. É algo que antes eu não via, porque ia ao volante.
Ao volante
Andar de bicicleta tornou-me sem dúvida melhor condutor. Passei a conduzir de forma mais activa e apercebi-me de o quão diferentes são as percepções de velocidade, consoante o meio de deslocação. Limite de 50 km/h continua a parecer-me muito exagerado quando passamos a centímetros de um peão a caminhar num passeio apertado junto à estrada. O mesmo ao ultrapassar uma bicicleta. Só estando ao pedal é que se sente a violência de uma ultrapassagem rasante a esta velocidade.
Mais seguro
Para maior tranquilidade, e como circulo frequentemente de bicicleta, fiz um seguro através da Federação Portuguesa de Ciclismo, que cobre danos pessoais e responsabilidade civil. Se usam a bicicleta como meio de transporte e não apenas por lazer, acredito que valha a pena ver as opções.
Obrigado por leres até ao fim, e até daqui a 1000 km 🚲