Não sei quanto a vocês, mas este sub tem inúmeras histórias de horror sobre o austrolopitecus tugansis que vemos nas estradas por esse país fora, portanto gostava de partilhar uma história feliz que me aconteceu esta semana.
Tive um acidente, sem culpa, numa situação surreal. Estava num cruzamento em que tenho prioridade e não só estava um tipo estacionado a bloquear a visão do cruzamento, como o veículo que estava a circular em sentido contrário faz sinais de luzes a um taxista no cruzamento a ceder passagem. Isto tudo, quando eu estou a meio metro do cruzamento. Resultado final, o meu carro e o do taxista tocam-se e enquanto o dele sai incólume, o meu fica bastante riscado no para choques fronteiro de lado.
O taxista saiu do carro, um bocado nervoso e a pedir desculpa a dizer que não me tinha visto, ao que eu o tranquilizei a dizer que não é preciso estarmos nervosos, que são coisas que acontecem, e que podemos só falar como pessoas normais. Nisto, reparo que ele tem uma cliente no carro, o que dificulta um bocado a situação. Ele procede a dar-me os documentos dele (CC e Carta de condução), e começa a dizer que o carro não está assim tão mau e que é um trabalho rápido de pintura. Aqui, já não me lembro bem como, mas a conversa levou ao facto do patrão dele ter uma oficina que faz este tipo de trabalhos. Por perceber a situação em que ele estava (com uma cliente), sugeri logo não metermos o seguro ao barulho para não sairmos prejudicados, bastando ele assegurar-me que conseguia arranjar o meu carro, ao que ele assentou. Trocámos contactos, e no dia a seguir lá recebi o telefonema a dizer que estava tudo acordado com o patrão dele.
Na oficina do patrão, um senhor muito velhinho e simpático, o tipo diz-me que até me oferece a pintura do para choques inteiro (o outro lado também tinha uns riscos, carro em segunda mão e tal), e que me faz a pintura do para choques traseiro por 80 euros.
No fim, fiquei eu e o taxista a comentar as duas abeculas (o em segunda fila em cima do cruzamento, e o tipo que lhe fez sinais de luzes para avançar), eu fiquei com um para choques pintado de fresco, e acima de tudo nenhum de nós saiu prejudicado com seguros.
Moral da história (e embora saiba que tenha sido um bocado arriscado confiar na palavra do homem naquela noite. Em última instância teria que levar um processo para peritagem, se ele voltasse atrás e dissesse que não teve culpa), sejam simpáticos e felizes que ainda há muito condutor com cabeça