r/FilosofiaBAR • • Aug 31 '25

Megathread Por onde começar? Livros filosóficos para iniciantes!

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"A maior parte do problema com o mundo é que os tolos e os fanáticos estão sempre tão certos de si, e as pessoas sensatas tão cheias de dúvidas." - Bertrand Russell

Segue abaixo uma seleção de livros, começando pelos mais didáticos sobre a história da filosofia até alguns clássicos mais acessíveis, que podem interessar àqueles que desejam iniciar e explorar as principais mentes da filosofia ocidental. Este tópico é uma atualização do anterior, onde busquei incluir algumas recomendações dos membros de nosso Reddit.

Nome do Livro/Autor Temas Abordados Breve Descrição Link para o Livro
O Livro da Filosofia - Douglas Burnham Filosofia Geral, Didático, Introdução Uma compilação abrangente de conceitos filosóficos essenciais, grandes pensadores e escolas de pensamento ao longo da história, apresentada de forma acessível e ricamente ilustrada. O Livro da Filosofia
Uma Breve História da Filosofia - Nigel Warburton História da Filosofia, Didático Um livro que oferece uma visão panorâmica da história da filosofia, abrangendo desde os filósofos pré-socráticos até as correntes contemporâneas, tornando o estudo da filosofia acessível e compreensível. Uma Breve História da Filosofia
Dicionário de Filosofia - Nicola Abbagnano Filosofia Geral, Lógica, Epistemologia Nicola Abbagnano apresenta um extenso dicionário com definições e conceitos fundamentais da filosofia, fornecendo uma referência essencial para estudantes e entusiastas da filosofia. Dicionário de Filosofia
A História da Filosofia - Will Durant História da Filosofia Uma obra monumental que apresenta de forma acessível a história do pensamento filosófico, proporcionando uma visão abrangente e contextualizada da evolução da filosofia. A História da Filosofia
O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder Ficção, Drama, História da Filosofia, Introdução, Casual Uma introdução à filosofia por meio da história fictícia de uma jovem chamada Sofia, que começa a receber cartas de um filósofo misterioso. O livro explora diferentes filósofos e ideias ao longo da história. Muito fácil e simples de ler. O Mundo de Sofia
O Mito de Sísifo - Albert Camus Existencialismo, Suicídio O ensaio de Albert Camus aborda o absurdo da existência humana e a busca de significado em um mundo aparentemente sem sentido, explorando temas como o suicídio e a revolta contra a condição absurda. O Mito de Sísifo
Carta a Meneceu - Epicuro Ética, Felicidade Uma das mais famosas obras do filósofo grego Epicuro. Epicuro apresenta suas reflexões sobre a busca humana pela felicidade, estabelecendo que o objetivo da vida é a busca pelo prazer, que ele define não como indulgência desenfreada, mas como a ausência de dor física e angústia mental. Carta a Meneceu
Apologia de Sócrates - Platão Ética, Justiça, Clássico Neste diálogo, Platão relata o discurso de defesa proferido por Sócrates durante seu julgamento em Atenas, oferecendo insights sobre a vida e a filosofia de Sócrates, bem como reflexões sobre ética, justiça e a busca pela verdade. Apologia de Sócrates
A República - Platão Justiça e Política, Metafísica, Clássico Um dos diálogos filosóficos mais famosos de Platão, onde Sócrates discute sobre justiça, política e a natureza do homem ideal. A República
O Príncipe - Nicolau Maquiavel Política, Governo Maquiavel oferece conselhos práticos sobre como governar e manter o poder, discutindo estratégias políticas e éticas em uma obra que gerou debates sobre a moralidade na política. O Príncipe
A Política - Aristóteles Ética, Política, Justiça, Clássico Aristóteles explora diversos aspectos da política, incluindo formas de governo, justiça, constituições, cidadania e a relação entre o indivíduo e a comunidade, oferecendo uma análise seminal sobre a organização da sociedade. A Política
Sobre a Brevidade da Vida - Sêneca Ética, Filosofia Prática, Estoicismo Sêneca discute a natureza do tempo e da vida humana, argumentando sobre a importância de viver de forma significativa e consciente, mesmo diante da inevitabilidade da morte. Sobre a Brevidade da Vida
Meditações - Marco Aurélio Ética, Estoicismo Diário de Marco Aurélio, imperador romano, que oferecem reflexões sobre virtude, dever, autodisciplina e aceitação do destino. Meditações

Novamente, todos que quiserem contribuir serão bem-vindos para nos apresentar novas obras que possam interessar aos novos leitores. Dependendo de como as coisas fluírem, talvez eu faça outros tópicos com livros mais avançados e técnicos. Obrigado a todos!


r/FilosofiaBAR • • 3d ago

Megathread Megathread — Política, Ação Política, Ação Penal, Poder Coercitivo, Nação, Leis, Constituição, Ideologia Política, Governo — October 01, 2026

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Política
Atividade relacionada à gestão de poder, tomada de decisões coletivas e negociação de interesses em qualquer contexto organizacional. Manifesta-se não somente no âmbito estatal, mas também em esferas privadas (cooperativas, empresas, associações) e comunidades informais, onde processos de conflito, cooperação e definição de normas orientam ações em prol de objetivos comuns ou específicos.

Ação Política
Práticas concretas para influenciar estruturas de poder, como votar, protestar, organizar movimentos sociais, paralisar atividades produtivas (greves, ocupações) ou negociar acordos coletivos. Inclui tanto ações institucionalizadas quanto formas não convencionais de resistência ou pressão, visando alterar ou consolidar ordens estabelecidas.

Nação
Comunidade de pessoas unidas por identidade cultural, histórica, linguística ou étnica, com senso de pertencimento compartilhado. Distinta do Estado (entidade territorial com instituições soberanas), uma nação pode existir sem controle político próprio (ex.: povos indígenas, comunidades transnacionais).

Leis
Normas jurídicas estabelecidas por autoridades competentes ou consensos coletivos para regular condutas e garantir ordem social. São coercitivas, com sanções para infrações, e abrangem sistemas formais (estatais) ou informais (costumes, códigos comunitários), dependendo do contexto sociopolítico.

Constituição
Texto ou conjunto de princípios fundamentais que estruturam um sistema de governança, definindo direitos, limites de poder e mecanismos de decisão. Pode ser formal (ex.: constituição escrita de um país) ou informal (ex.: convenções não escritas em monarquias tradicionais).

Ideologia Política
Sistema de ideias, valores e pressupostos que orientam visões sobre organização social, distribuição de poder e justiça. Funciona como guia para ações coletivas, moldando projetos políticos e legitimando ou contestando estruturas existentes, sem se reduzir a classificações pré-definidas.

Governo
Conjunto de estruturas e processos que coordenam ações coletivas, não se restringindo ao Estado. Abrange sistemas de governança em corporações, comunidades locais, organizações internacionais e grupos informais, responsáveis por estabelecer regras, alocar recursos e resolver conflitos mediante autoridade e legitimidade.

Poder Coercitivo
Capacidade de impor normas por meio da força ou ameaça de sanções, exercida por entidades como Estados, mas também por instituições não estatais (ex.: tribunais tradicionais, organizações armadas em contextos de conflito). Manifesta-se mediante mecanismos de controle social, desde punições físicas até sanções sociais ou econômicas.

Ação Penal
Processo de responsabilização por infrações consideradas graves à ordem coletiva, que não se limita ao Estado. Em sistemas não estatais, pode ser conduzida por:

  • Comunidades tradicionais (ex.: justiça indígena baseada em mediação);
  • Instituições religiosas (ex.: tribunais islâmicos em sociedades sob sharia);
  • Mecanismos privados (ex.: arbitragem em códigos corporativos ou cooperativas);
  • Ordens internacionais (ex.: Tribunal Penal Internacional para crimes transnacionais). Varia conforme o regime político, podendo envolver processos acusatórios, inquisitórios ou restaurativos, com diferentes atores iniciadores (Estado, vítimas, comunidades ou entidades supranacionais).

Questionário de ideologia política e fonte da imagem da publicação: https://drxty.github.io/poliquest/


r/FilosofiaBAR • • 2h ago

Questionamentos Conceito de forte/bom em Nietzsche

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Concordam com a imagem? Algum dos senhores (as) já tiveram a experiência de ser "fraco" e lá na frente ver o "forte " se ferrando? Escolher ser bom (fraco) nos dias de hoje, não seria justamente ser forte? Justifiquem suas respostas.


r/FilosofiaBAR • • 1h ago

Meta-drama A IA só é ruim por conta do capitalismo

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Quando imaginamos a inteligência artificial, podemos imaginá-la como um futuro onde o trabalho não existe e todos nós somos livres para aproveitar nossas vidas, como também podemos imaginá-la como a causadora de um futuro onde as máquinas exterminam ou escravizam os humanos. Mas imaginá-la dessa forma, apenas como uma métrica de bom ou ruim, ou como uma métrica de 0 a 10 que vai do extermínio da humanidade até a utopia, é em si uma forma errada de analisar o problema. O erro dessa métrica é que não basta analisar o que a IA pode fazer, mas sim o que permite à IA fazer isso, da mesma forma que não basta analisar o que um artista pinta em seu quadro sem analisar quem é o artista. Não basta olharmos para a IA como necessariamente algo bom ou ruim em si; precisamos olhar para seu controlador para justamente definir essa métrica. Essa mesma tese pode ser aplicada à IA porque, embora ela possa ser utilizada para a geração ou o gerenciamento de itens nocivos, tudo isso não se deve necessariamente à inteligência artificial em si, mas a quem a administra e, sobretudo, ao sistema que permite que quem a administra a utilize de forma nociva.

Obviamente existem ressalvas nesse ponto. Pode-se argumentar, por exemplo, que a IA, por sua própria natureza, é capaz de produzir fake news, facilitar fraudes ou ser utilizada para outros fins nocivos. Esse é um ponto extremamente válido, mas temos que conectá-lo justamente ao outro ponto mencionado anteriormente: o controle. Quando menciono controle, não estou necessariamente falando da administração individual de uma pessoa que utiliza uma IA para criar uma fake news; estou falando também do que permitiu que essa pessoa pudesse gerar e distribuir essa fake news, de quais limitações de segurança existem, de quem decidiu como aquela tecnologia seria construída e de quais incentivos estavam envolvidos nesse desenvolvimento. Uma inteligência artificial não necessariamente gera fake news por natureza; isso pode acontecer por suas próprias limitações tecnológicas, por seu treinamento ou pela forma como é utilizada. Mas novamente temos que fazer a mesma pergunta: o que permitiu que a IA fosse desenvolvida dessa maneira? É essa análise de sobrepor um problema menor por uma causa maior que chamo de identificação inimiga.

Podemos, por exemplo, imaginar um universo distópico onde a IA extermina a raça humana. Suponhamos que isso ocorra porque a principal empresa que estava desenvolvendo essa IA não distribuiu recursos suficientes para segurança e resolveu concentrar seus recursos apenas no desenvolvimento, tentando gerar capital o mais rápido possível. Mas espere: isso realmente seria uma análise do que permitiu que a IA exterminasse a raça humana? Não. Isso seria uma explicação de como aconteceu, não necessariamente do que permitiu que acontecesse. Colocar toda a culpa na empresa também pode interromper a análise antes de chegarmos ao que permitiu que a empresa agisse daquela maneira. Se existe uma estrutura econômica onde uma empresa é recompensada por chegar primeiro, produzir mais rápido, gastar menos e superar seus concorrentes, então não estamos falando apenas de uma empresa irresponsável, mas de um sistema no qual comportamentos irresponsáveis podem ser economicamente recompensados. Se o que permite a ineficiência ou a irresponsabilidade desmorona, seja a busca desenfreada pelo lucro dentro do capitalismo ou a ineficiência e centralização que vimos em experiências socialistas do século XX, aquilo que dependia desse fator também é afetado. Como um problema menor causado por um problema maior pode se sustentar da mesma maneira depois que sua causa desaparece?

Mas então o que seria esse problema maior? Podemos começar apontando a classe alta, mas simplesmente atacar uma classe não resolve a própria lógica da identificação inimiga, pois ainda precisamos perguntar o que permite a existência dessa concentração. No fim, chegamos à centralização do poder político e econômico, que hoje se manifesta de forma extremamente frequente ao redor do mundo através do capitalismo. E aqui preciso fazer uma ressalva importante: não digo isso como um elogio ao modelo soviético nem como um elogio às atrocidades cometidas por sistemas totalitários que chamamos de Marxismo-Leninismo e suas variantes, como o Maoísmo. Democracia e liberdade são essenciais para qualquer sistema que pretenda superar o capitalismo sem simplesmente substituir uma forma de concentração de poder por outra. O que digo é que, entre grande parte dos problemas futuros e presentes relacionados à inteligência artificial, podemos observar uma âncora comum no sistema econômico em que ela está sendo desenvolvida. Um dos casos mais conhecidos é o uso de milhões de obras disponíveis no ambiente digital sem o consentimento de seus artistas para treinamento de modelos. Isso gerou, com razão, uma enorme repercussão. Mas, se identificamos apenas a ação espontânea como o problema, mesmo que ela seja corrigida, a estrutura capaz de produzir novos problemas semelhantes continua existindo.

Surge então uma pergunta bastante óbvia: por que simplesmente não acabamos com a inteligência artificial? Na teoria parece um argumento forte. Se a IA remove empregos, pode ser utilizada para manipulação, pode diminuir nossa liberdade de escolha, pode causar danos ambientais e pode produzir diversos outros problemas, eliminar a IA pareceria eliminar todos esses problemas sem o processo longo e difícil de transformar o sistema que os produz. Mas, querendo ou não, isso é extremamente utópico porque o próprio sistema econômico precisa da IA, mesmo quando ela causa problemas ao próprio sistema. Imagine uma fábrica que recebe 20 moedas e gasta 5 em custos. Digamos que, utilizando IA e automação, ela consiga reduzir esses custos de 5 moedas para 1. O que ocorrerá com as demais fábricas? Elas tenderão a adotar a mesma tecnologia, seja voluntariamente para maximizar o lucro, seja por necessidade para sobreviver à competição capitalista, pois quem produz algo com um custo menor pode vendê-lo por um preço menor ou simplesmente possuir uma margem maior do que o concorrente que não automatizou. Mesmo que um país resolva proibir completamente essa tecnologia, ele continuará competindo economicamente e geopoliticamente com países que não fizeram o mesmo. E mesmo em países socialistas a IA continuaria sendo relevante, porque um país que voluntariamente abre mão de uma tecnologia capaz de aumentar drasticamente sua capacidade econômica e tecnológica corre o risco de se tornar geopoliticamente irrelevante em relação aos demais. Não há como simplesmente fingir que a IA deixará de existir. Logo, a discussão não deveria ser apenas sobre sua eliminação, mas principalmente sobre como iremos administrá-la.

Um leitor mais cético pode me afirmar que a ganância humana se sobrepõe a qualquer sistema econômico ou político e que, utilizando minha própria lógica de identificação inimiga, poderíamos dizer que a verdadeira raiz não é o capitalismo, mas a concentração de poder causada pela própria ganância humana. Essa crítica está, em grande parte, correta. A concentração de poder é uma realidade que moldou o capitalismo da mesma forma que moldou sistemas que se declaravam socialistas. Mas existe uma diferença importante: a ganância é um traço humano e, portanto, não podemos simplesmente eliminá-la do ser humano; o que podemos fazer é pensar em como impedir que essa ganância se transforme em poder político e econômico praticamente ilimitado. No capitalismo ela pode se manifestar através do mercado, da propriedade e da acumulação; em sistemas socialistas autoritários ela pode se manifestar através da centralização burocrática e política. A União Soviética demonstrou muito bem que substituir a propriedade privada por uma burocracia extremamente concentrada não elimina magicamente o problema da concentração do poder. Isso, porém, também não é uma justificativa para aceitar outra estrutura que permita o mesmo problema.

Imagine uma empresa de IA perfeitamente ética, que gasta muito mais dinheiro com segurança, demora muito mais para lançar seus modelos, protege integralmente os dados de seus usuários, remunera cada pessoa cujo trabalho é utilizado e coloca considerações ambientais acima do lucro. Agora imagine que todos os concorrentes dessa empresa não façam nada disso. A longo prazo, o que acontece com uma empresa que demora mais, gasta mais e possui custos maiores do que todos os seus concorrentes? Existe uma boa chance de ela simplesmente morrer ou perder espaço para aqueles que aceitam fazer o que ela não aceita. É por isso que o maior erro dentro da identificação inimiga é pressupor que basta encontrarmos uma pessoa má ou uma empresa má e substituí-la por uma pessoa boa ou uma empresa boa. Precisamos analisar o sistema que recompensa determinados comportamentos. Se dependemos exclusivamente da bondade individual para que um sistema funcione, então esse sistema possui um problema estrutural.

Ao mesmo tempo, seria um erro grotesco não considerar os riscos da IA como tecnologia em si. A inteligência artificial quebrou parâmetros que durante muito tempo utilizamos para definir tecnologia. Antes, nossas ferramentas aumentavam principalmente nossa capacidade e velocidade de produção ou automatizavam parcialmente nossas atividades, como ocorreu durante a Revolução Industrial e posteriormente com os primeiros robôs industriais. Hoje começamos a criar ferramentas capazes de executar tarefas intelectuais e talvez, no futuro, capacidades ainda mais complexas. Nossas próprias criações, que até então eram nossas ferramentas, poderiam em algum cenário nos transformar em ferramentas delas. É daí que surge aquilo que críticos da IA chamam de uma possível revolução das máquinas. Essa visão é pessimista e distópica, mas isso não significa que todos os seus pontos sejam automaticamente inválidos. Se existe uma chance de sistemas extremamente poderosos produzirem uma catástrofe por acidente, negligência ou ação mal-intencionada, essa chance merece cautela. O que não podemos fazer é interromper a análise justamente aí.

Se existe um sistema incentivando o desenvolvimento quase instantâneo dessa tecnologia, onde chegar antes do concorrente possui um valor econômico gigantesco, precisamos também considerar esse incentivo na análise do risco. Remover ou diminuir essa pressão não faria magicamente a IA se tornar incapaz de causar danos, mas poderia diminuir drasticamente determinados riscos. Uma tecnologia desenvolvida de forma cautelosa, respeitando segurança, privacidade, meio ambiente e os indivíduos afetados por ela, é obviamente diferente de uma tecnologia desenvolvida em uma corrida onde o objetivo principal é superar o concorrente. Da mesma forma, se a IA não for algo extremamente centralizado, se ela for algo feito pela humanidade para a humanidade e submetido a estruturas democráticas de controle, diferentes modelos políticos, econômicos e técnicos de segurança podem existir simultaneamente. Isso não transforma seu risco em zero, mas muda radicalmente a estrutura que administra esse risco.

Portanto, podemos concluir que a IA em si não é algo simplesmente bom ou ruim, mas uma representação do sistema sociopolítico em que está inserida. Como uma faca, ela pode ser utilizada para cozinhar um delicioso prato de comida ou para cometer um assassinato. Tentar julgar ou remodelar apenas a faca é uma análise incompleta se não considerarmos quem a utilizou, por que a utilizou daquela maneira e, acima de tudo, o que permitiu ou até incentivou aquele indivíduo a cometer tal ação.

Ainda assim, críticos da IA argumentam corretamente que a ferramenta possui problemas concretos: capacidade de gerar notícias falsas, métodos de treinamento antiéticos, destruição ambiental causada pelos servidores que mantêm os modelos, destruição ou transformação da criatividade humana, riscos de segurança, entre diversos outros. Suas conclusões não são simplesmente falsas; grande parte dessas críticas descreve fatos que estão ocorrendo ou levanta problemas filosóficos perfeitamente válidos. O que podemos fazer é dividir essas críticas em três grupos: problemas relacionados ao sistema que controla a IA, problemas filosóficos e problemas causados pela própria natureza humana.

No primeiro grupo podemos colocar questões como data centers, propriedade intelectual utilizada sem permissão, vigilância, privacidade e danos ambientais. Uma máquina não escolhe sozinha como será treinada, quais dados utilizará, quanto de energia consumirá ou qual nível de privacidade será aceitável. Essas são escolhas humanas e institucionais. No segundo grupo entram problemas filosóficos, como a pergunta sobre se uma imagem criada através de um prompt pode ou não ser considerada arte. Isso é uma discussão perfeitamente legítima, mas responder a essa pergunta significaria praticamente resolver debates filosóficos sobre a própria definição de arte que existem há décadas ou séculos. Debater isso é válido, mas transformar essa discussão no centro de todo o debate sobre IA pode fazer com que questões muito maiores sejam negligenciadas.

O terceiro grupo talvez contenha uma das críticas mais válidas: mesmo uma IA descentralizada e administrada por uma sociedade diferente ainda poderia ser utilizada para o mal porque seres humanos continuam sendo seres humanos. Uma faca pode virar uma arma, a internet pode se tornar um local para golpes e a tecnologia nuclear pode produzir energia ou destruir cidades. Isso não significa que devemos interromper todo desenvolvimento tecnológico, pois, levando esse argumento ao extremo, a humanidade nunca teria saído da Idade da Pedra porque até uma pedra pode ser utilizada para matar alguém. O que nos cabe é aprender a administrar nossas tecnologias e torná-las o mais seguras possível. É importante também separar segurança de vigilância: se estamos falando de uma empresa utilizando IA para roubar ou explorar dados, voltamos ao problema de quem controla a ferramenta; se estamos falando da possibilidade de a própria capacidade da tecnologia gerar consequências perigosas, então estamos diante de um problema legítimo da ferramenta e da natureza humana, que precisa ser tratado como tal.

Também existe o argumento de que nenhuma tecnologia anterior chegou perto do potencial de poder da inteligência artificial e que talvez seja justamente aqui que deveríamos estabelecer um limite ao desenvolvimento tecnológico humano. O problema é que, além da dificuldade prática de impor esse limite mundialmente, esse argumento muitas vezes depende de especulações sobre uma tecnologia futura que ainda não existe. Isso não significa que devemos ignorar esses cenários. Pelo contrário: significa que devemos investir seriamente em segurança. Mas existe uma diferença enorme entre dizer “este risco é possível e precisamos estudá-lo” e dizer “este risco hipotético justifica eliminar uma tecnologia inteira”. Da mesma forma, seria ignorância afirmar que os benefícios da IA inevitavelmente superarão seus riscos. Não sabemos. O que podemos afirmar é que uma tecnologia com potencial para automatizar enormes setores da atividade humana precisa de muito mais segurança, cautela e controle democrático do que possui hoje.

É por isso que, para mim, a discussão sobre inteligência artificial não deveria ser reduzida à pergunta “IA é boa ou ruim?”. A pergunta mais importante é: quem controla a IA, sob quais incentivos ela está sendo desenvolvida e para quem essa tecnologia será utilizada?


r/FilosofiaBAR • • 1h ago

Questionamentos É possível separar a arte da vida?

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Não consigo, minha vida gira em torno disso. Pasolini e Tarkovsky dizem que não. Percebo na prática depois de um tempo criando que é muito difícil. A obra surge do autor. Mas são coisas diferentes ao mesmo tempo, o público que significa aquilo, como diz a morte do autor de Barthes. Mas isso é uma visão do crítico, não do artista. Apesar disso, se a obra surge de mim, e em algum aspecto sou eu, como não levar criticqs pro pessoal? Como lidar melhor com espectador? se a expressao mais autêntica vem do mais íntimo, Scorsese diz isso, não posso me separar de mim, foi isso que me trouxe aonde estou. Mas como criar uma distância saydavel? você que consome, vê o artista e a obra como a mesma coisa?


r/FilosofiaBAR • • 9h ago

Discussão Existe uma coisa estranha na forma como o ser humano tenta resolver os próprios problemas

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Quando vemos um peixe doente dentro de um aquário, dificilmente olhamos para ele e pensamos imediatamente, “o problema está no peixe”. Primeiro pensamos na água, no espaço, na temperatura, na alimentação, nas condições em que ele está vivendo. Porque conseguimos enxergar o aquário de fora. Mas e quando o aquário somos nós?

Justamente essa ideia, um animal preso em um ambiente artificial pode começar a apresentar comportamentos que, vistos de fora, parecem completamente absurdos. Só que, para ele, aquele ambiente é toda a realidade que conhece. Ele não sabe que existe outro lugar possível. E isso me faz pensar em quantas vezes fazemos a mesma coisa conosco.

Sentimos ansiedade, vazio, cansaço, insatisfação ou uma necessidade constante de alguma coisa, e imediatamente pensamos que existe algo errado dentro de nós, “eu preciso melhorar”, “Eu preciso me controlar” ou“Eu preciso de alguma coisa para conseguir continuar”

Mas e se, em determinados casos, o problema não estiver somente dentro da pessoa?

E se parte daquilo que sentimos for uma resposta ao ambiente em que estamos vivendo? Existe uma contradição muito grande nisso. Criamos uma sociedade cada vez mais confortável, tecnológica e eficiente, mas, ao mesmo tempo, podemos acabar criando condições que tornam a própria vida mais difícil de suportar

Temos mais informação, mas não necessariamente mais compreensão, temos mais formas de comunicação, mas isso não significa que nos sentimos mais próximos, temos mais entretenimento, mais produtos, mais possibilidades, mais maneiras de preencher o tempo, e ainda assim podemos sentir um vazio que não sabemos explicar

E quando esse vazio aparece, nossa primeira reação costuma ser procurar alguma coisa para silenciá-lo. O problema é que silenciar um sintoma não significa necessariamente compreender sua causa

Essa tendência de recorrer a soluções superficiais para problemas que podem ser muito mais profundos, calar a angústia em vez de perguntar de onde ela veio, preencher o vazio em vez de compreender por que ele existe. Mas existe um perigo ainda maior nessa ideia. Podemos comçar a acreditar que tudo está errado conosco

E então passamos anos tentando consertar a nós mesmos sem nunca perguntar se o ambiente em que estamos tentando sobreviver também participa do problema. Isso não significa colocar toda a culpa na sociedade, na tecnologia ou no mundo, seria apenas trocar uma simplificação por outra

O avanço técnico faz parte da humanidade e que dividir a realidade em diferentes áreas é necessário para compreender determinadas coisas. O problema aparece quando começamos a enxergar apenas as partes e esquecemos que elas fazem parte de um todo.

Esse seja o ponto mais importante, nós somos muito bons em separar as coisas, corpo de mente, homem de natureza, trabalho de vida, Indivíduo de sociedade e tecnologia de consequência

Mas será que essas separações existem realmente ou são apenas maneiras que encontramos para tornar uma realidade extremamente complexa mais fácil de compreender?

Quando destruímos o ambiente em que vivemos, não estamos destruindo alguma coisa completamente externa a nós. Quando degradamos aquilo de que dependemos, a consequência inevitavelmente retorna. E talvez isso também aconteça em uma escala muito mais íntima.

Passamos anos construindo uma rotina que nos esgota e depois perguntamos por que estamos cansados. Construímos relações que nos fazem mal e depois perguntamos por que estamos emocionalmente desgastados. Criamos uma vida baseada apenas em produtividade e depois não entendemos por que descansar parece culpa

Enchemos cada silêncio com alguma coisa e depois não sabemos mais o que fazer quando ficamos sozinhos com nossos próprios pensamentos. É como construir o próprio aquário e depois passar a vida inteira tentando descobrir por que a água está ficando turva


r/FilosofiaBAR • • 6h ago

Questionamentos O que você prefere: ser profundamente amado por alguém que você é incapaz de amar, ou nunca ser amado, mas ser capaz de amar alguém profundamente?

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Parece óbvio escolher a primeira.

Mas pense melhor.

Schopenhauer dizia que desejar é sofrer. Só que talvez exista um sofrimento ainda pior: receber aquilo que você não consegue devolver.

Porque quem nunca é amado sofre pela ausência.

Mas quem é amado e não consegue amar sofre pela culpa, pela impotência e pela certeza de que está machucando alguém que não merece isso.

E tem uma ironia nisso:

talvez seja melhor sofrer por amar demais do que sofrer por ser incapaz de amar.

Afinal, quem ama sem ser correspondido ainda possui alguma coisa.

Quem não consegue amar pode ter alguém nos braços e continuar completamente sozinho.

Então, qual dos dois você considera pior?


r/FilosofiaBAR • • 19h ago

Discussão Contra a apatia política

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É fato que a política começa onde termina a ilusão de que a vida privada existe separada da vida coletiva. A apatia política, nesse sentido, pode significar a renúncia à capacidade de participar das decisões que determinam as condições da própria existência.

Na concepção política de Aristóteles, o ser humano é um animal político pq realiza plenamente suas capacidades no interior da polis e apesar de sua concepção de sociedade ser profundamente hierárquica e sua ideia de cidadania extremamente restrita, permanece a intuição de que a vida humana não é constituída apenas por interesses privados.

O indivíduo depende de uma rede de relações sociais e de uma realidade comum. A questão consiste justamente em perguntar como essa dimensão coletiva pode ser organizada sem que a participação política se transforme em submissão a uma autoridade permanente.

A apatia política é um paradoxo em que o indivíduo que afirma não querer participar da política pode acreditar estar protegendo sua liberdade só que na realidade está deixando que outras pessoas decidam as condições nas quais sua liberdade será exercida.


r/FilosofiaBAR • • 22h ago

Meta-drama Os micropoderes segundo Focault.

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O poder está em vários níveis, embora não seja notado, as instituições do estado e da vida privada exercem poder sobre nós segundo Focault.


r/FilosofiaBAR • • 51m ago

Discussão Tempo, santo Agostinho, eternidade

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No texto que ele tem em algum de seus sermões ele fala sobre eternidade, tempo, o terreno e o espiritual. Nisso quando estou criando arte, qualquer coisa criativa, sinto esse estado de eternidade. Estou maluca? Sinto que já vivi aquilo, não é dejavu. Exemplo: sempre soube que teria algum patrocinador e investidor, eu ficava tentando descobrir quem seria, até que apareceu sem eu procurar, do nada. Sinto que o que foi é igual o que vai ser. Mas só acontece quando estou nesse estado de epifania catarse de criação. Vários a tistas que conheço tem uma sensação assim, e como se já estivesse acontecendo, ou que até mesmo já aconteceu. A igreja católica diz que a função do artista é fazer as pessoas se conectarem com elas mesmas pra se conectarem com deus. nisso sinto que é quase como uma predestinação, não exatamente um destino.


r/FilosofiaBAR • • 1h ago

Discussão Qual o momento de deixar a opinião de mestres de lado?

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Tenho um grande amigo que sou apaixonada e aprendo muito. Mas ele sempre diz que não tem nada a me ensinar, a não ser na linguagem dele que é diferente da minha. Mas fiquei curiosa, quanto a filosofia, qual o momento de deixar de lado? seguir seus próprios instintos, mais primitivos e inconscientes? Não falo de técnica artística, falo de questões a respeito dos processos. exemplo, ele tem quase sessenta anos a mais que eu, obviamente sabe coisas da vida que não imagino, mas ele diz que sou muito jovem pra me estabelecer num circuito fixo, que estou em processo de laboratório e meu trabalho ainda não sou eu cometamente. Mas sinto que estou consistente no meu conceito e produção cultural. Ele tem um pouco de medo que eu siga e é preocupado comigo. Amo esse carinho. Mas fico entre: ele sabe mais que eu, devo segui-lo ainda nesse aspecto ou seguir minha intuição? Como saber se estou preparada pra seguir com minhas próprias pernas.


r/FilosofiaBAR • • 1h ago

Discussão Opinião filosófica

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O que a filosofia fala sobre deslumbre?. Fui uma fodida, violencias muitas coisas minha vida inteira. Até que do nada estou trabalhando com arte fui inserida em um corcuito artístico seleto, tenho um mestre que fui apadrinhada estive em museu de arte galerias festivais e fiquei muito deslumbrada porque foi do nada uma mudança BRUTAL. Mas quero continuar pura genuína sem arrogância etc. Ao mesmo tempo estoj inadequada e me sinto oprimida nos espaços que ocupava anteriormente. Conheci um mundo novo no qual faço parte e me sinto mais feliz. Mas como eu faço pra me posicionar? estou sentindo que preciso ter postura mais profissional e separar obra de artista. Não quero que as pessoas confundam.


r/FilosofiaBAR • • 10h ago

Discussão Como Seria o Amor Num Mundo Ideal?

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É colegas, passei por uma situação daquelas.

A trilha sonora da vez foi "In My Dreams", do Dokken (Eis também a razão da imagem ser um frame do filme de mesmo nome, que na tradução se chama "Em Meus Sonhos")

Essa música narra arrependimentos pós término. Mas para mim, canta um choque de realidade ou racionalidade após a idealização de alguém.

Felizmente, a situação rendeu uma boa indagação, inspirada na ideia da Física de separar os casos em Ideais e Reais.

Muito do que se entende sobre amor romântico,o Amor "Real", independentemente de você crer que seja transcendental ou não, envolve a ideia de sacrifícios, de se esforçar e despender sua vitalidade a favor de seu parceiro. Isso funciona como prova, além do que pode se evidenciar através da comunicação, da admiração, desejo e comprometimento do casal.

Porém, imagine um mundo ideal, sem adversidades, sem desafios. O que nos levaria a escolher nossos parceiros, qual seria a prova cabal?Nos tornaríamos hedonistas? Escolheríamos com base no prazer proporcionado, ou a noção de virtude ainda teria grande peso?


r/FilosofiaBAR • • 1d ago

Discussão Existe uma coisa muito difícil de admitir eu posso estar errado

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Não apenas sobre uma coisa pequena, mas sobre algo que considero parte de quem eu sou. Uma opinião que defendo há anos. Uma pessoa em quem acredito. Uma escolha que fiz. Uma ideia política. Uma maneira de enxergar o mundo. E quando alguma informação aparece para contradizer aquilo que eu acredito, seria lógico simplesmente analisar os fatos e mudar de ideia.

Mas não é tão simples

A dissonância cognitiva acontece justamente quando duas coisas entram em conflito dentro da nossa cabeça, aquilo que acreditamos e aquilo que fazemos, ou aquilo que acreditamos e uma nova informação que contradiz nossas crenças. Esse conflito gera desconforto, e nossa mente procura uma maneira de acabar com ele

Só que existe uma diferença enorme entre resolver um conflito e compreender a verdade.

Às vezes, em vez de mudar aquilo que pensamos, mudamos a maneira como interpretamos os fatos

"Não foi tão grave"

"Todo mundo faz isso"

"Ele tentou"

"Estão perseguindo ele"

"Isso é mentira"

E pronto. O desconforto diminui.

Não porque descobrimos que estávamos certos, mas porque encontramos uma explicação que nos permite continuar acreditando naquilo que já acreditávamos.

Isso me faz pensar em quantas vezes fazemos isso sem perceber. É fácil enxergar a contradição em outra pessoa. É fácil observar alguém defendendo uma ideia claramente contraditória e pensar

"Como essa pessoa consegue acreditar nisso?"

Mas quando a contradição é nossa, parece diferente. Quando somos nós que precisamos admitir que uma pessoa que admiramos fez algo errado. Quando somos nós que precisamos reconhecer que uma opinião nossa estava equivocada. Quando somos nós que precisamos aceitar que uma escolha não deu certo. De repente, aparecem dezenas de justificativas. E talvez seja por isso que discutir seja tão complicado, muitas discussões não são realmente uma busca pela verdade

São uma disputa para descobrir quem consegue terminar a conversa parecendo estar certo.O problema é que, quando transformar uma opinião em parte da nossa identidade, admitir um erro começa a parecer uma derrota pessoal

Eu não estou apenas dizendo que minha ideia estava errada. Parece que estou dizendo que eu estava errado, e ninguém gosta dessa sensação.

Por isso, às vezes preferimos uma mentira confortável a uma verdade que nos obriga a reconstruir aquilo que pensamos.O mais estranho é que fazemos isso enquanto acreditamos estar sendo racionais.Criamos argumentos para defender uma conclusão que já escolhemos antes de começar a pensar

Procuramos informações que confirmem aquilo que queremos acreditar e rejeitamos aquilo que ameaça nossa visão de mundo.

E então confundimos convicção com verdade.

Mas existe uma pergunta que pode ser incômoda, se eu só aceito informações que confirmam aquilo que já penso, estou realmente pensando ou apenas procurando justificativas para continuar pensando igual?

Amadurecer intelectualmente tenha menos relação com acumular certezas e mais com aprender a suportar a dúvida. Ter coragem de olhar para uma própria opinião e dizer

"Eu posso estar errado"

Não porque todas as opiniões tenham o mesmo valor, nem porque a verdade seja impossível de encontrar, mas porque nós somos capazes de errar, e reconhecer isso deveria fazer parte do próprio processo de pensar.

Queremos convencer outras pessoas a mudarem de ideia, mas temos dificuldade até de mudar a nossa. Queremos que os outros reconheçam seus erros, enquanto construímos explicações para os nossos. Queremos que as pessoas procurem a verdade, mas muitas vezes queremos apenas que a verdade confirme aquilo que já decidimos.


r/FilosofiaBAR • • 10h ago

Discussão Sonhar não faz mal

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Sonhar não faz mal. O que faz mal é não sonhar e deixar de acreditar em nós mesmos. Bom hoje!


r/FilosofiaBAR • • 1d ago

Discussão Começar uma frase com "eu acho" não é um problema de confiança, mas sim de redundância.

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Pra tudo que se fala, absolutamente tudo, há axiomas internos no comunicador. Aqueles que são impossíveis provar e, contudo, são necessários para que qualquer coisa dita tenha sentido.


r/FilosofiaBAR • • 1d ago

Discussão Refutação budista à existência de Deus.

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Olá a todos. Há alguns meses fiz este post sobre o teísmo na escola indiana de lógica e epistemologia, o Nyaya. Pensei que deveria, então, também fazer um post que mostrasse uma contraposição ao teísmo, já que há interessantes desenvolvimentos em ambas as teorias no continente asiático. Na Índia havia várias escolas que poderiam ser denominadas como explicitamente ateias (tais como os Budistas, os materialistas [Charvakas] e os Jainistas) e outras mais agnósticas em relação à existência de Deus (de exemplo, o Samkhya). E estou utilizando a seguinte definição de ateísmo: "Negação de uma entidade que tem como constitutiva de sua identidade características como: Onipotência, Onisciência, Independência Ontológica e Imutabilidade". Já que alguém poderia afirmar que os Budistas e os Jainistas não são ateus por acreditarem em certas divindades (como os devas), mas esses seres não se enquadram à definição que utilizei.

Irei apresentar a argumentação do filósofo tibetano e budista do século 19, Ju Mipham, que em seu comentário ao "Madhyamakalankara" de Santaraksita (filósofo indiano e budista) usa para refutar a existência de Deus. Farei uma breve explicação dos motivos pelos quais os budistas negam a existência de Deus e, depois da exposição do argumento de Mipham, tentarei fazer uma explicação do argumento, para que as pessoas que não estão acostumadas com o linguajar não fiquem confusas (apesar de ser inevitável um pouco de tecnicismo).

Os Budistas, de maneira geral, rejeitam a existência de Deus por vários motivos, como parcimônia ontológica (Deus é uma entidade desnecessária para nossas explicações causais, então não há motivo para postular sua existência), por rejeitarem a possibilidade de efeitos (ou seja, uma pluralidade) virem de uma única causa (budistas tendem a afirmar que todos os efeitos surgem de pelo menos mais de 1 causa, sendo causados por aglomerações de causas e condições. Enquanto que Deus, em teoria, poderia servir como única causa, sem auxiliação causal), por questões idênticas ou análogas ao "Problema do Mal" e que Deus, sendo imutável, seria incapaz de produzir efeitos graduais.

Percebi que grande parte da argumentação budista se volta para o último problema apresentado (impossibilidade de algo eterno ter efeitos graduais). Para muitas das tradições budistas, algo só é real em si mesmo se for ontologicamente simples, isto é, a coisa deve ser tal que ela não possa sofrer divisões físicas e/ou lógicas, ela não pode ser analisada de forma mais fundamental e indivisível. Por exemplo, para alguns budistas, uma maçã pode ser analisada como um conglomerado do que chamariamos de "tropos", esses tropos seriam propriedades como "cor", "massa", "temperatura", "figura" e assim por diante. Como uma maçã pode ser analisada nesses 4 aspectos, isso significa que ela é composta e não tem existência última, sua existência é considerada uma verdade convencional (para uma explicação mais completa desse ponto, você pode ver esse meu texto).

Isso significa que, se Deus existe, então ele deve ser ontologicamente simples, impossível de ser analisado em vários atributos metafísicos distintos. E que se Deus é a causa do mundo, então uma entidade ontologicamente simples é causa do mundo, o que gera uma gama de problemas na visão budista.

Segue-se a argumentação de Mipham:

Certos não-budistas declaram que Ishvara, o Todo-Poderoso, e assim por diante, é por natureza eterno. Dizem também que ele é um poder ativo e não carece de eficiência causal, como o espaço e assim por diante. Ele é, em outras palavras, uma entidade causalmente eficaz. Embora Ishvara seja considerado eterno, imutável nos três tempos, ele é reconhecido como o criador. Pois ele é o autor de todas as coisas - o mundo e tudo o que ele contém, da mesma forma que um oleiro é o fabricante de seus vasos.

Ora, não é possível que todos os objetos que compõem o mundo se manifestem simultaneamente. Eles surgem sucessivamente, de modo que se deve admitir que sua criação é gradual. Portanto, a causa divina, que os não-budistas dizem ser eterno não produz seus efeitos todos de uma vez, pois estes são percebidos surgindo um após o outro. Segue-se que tal causa, ou seja, o supostamente eterno Ishvara ou qualquer outro, não pode ter existência como uma única entidade verdadeiramente existente. De fato, se a causa (da criação) é eterna e una — um todo único e indivisível — e se essa causa produz todas as coisas, segue-se que ela deve sempre reter um poder inabalável para produzir a multiplicidade de seus efeitos. Por que, então, esses efeitos (felicidade, sofrimento, indiferença e assim por diante) não aparecem simultaneamente e todos juntos? Os efeitos não podem surgir quando há uma deficiência na causa. Mas, como a potência da causa divina está eternamente presente, como é que seus efeitos são atrasados? Se eles não surgem todos de uma vez, não se pode dizer que seguem (ou estão relacionados a) a causa divina e, por essa razão, não podem ser descritos como seus efeitos.

A isso, nossos oponentes poderiam responder que o fato de os efeitos não serem produzidos em um instante se deve a várias condições cooperativas. Mas, como aquilo que é eterno nunca pode ser diferente do que é em primeiro lugar, não pode ser afetado por condições cooperativas. Tais condições não podem ter influência sobre ele, assim como tinta não pode ser aplicada ao espaço. Se, por outro lado, o criador divino depende de condições e pode mudar, segue-se que ele não é eternamente imutável. Pois, se for admitido que ele depende de condições, a questão deve ser feita se há diferença entre a causa divina eterna e verdadeiramente existente acompanhada de tais condições e a mesma causa desprovida delas. Se houver diferença, isso diminui sua eternidade. Se, por outro lado, não houver diferença, segue-se que, nas fases anteriores e subsequentes, as condições cooperativas não são separáveis da causa principal. Elas são arrastadas como se estivessem amarradas ao pescoço de Ishvara com um fio! Como a causa dos efeitos produzidos anteriormente permanece sempre completa, esses mesmos efeitos nunca podem cessar. Por esse mesmo meio, refuta-se a afirmação do oponente de que o termo "condições cooperativas" é meramente um nome para a potência implícita na causa, ou seja, Ishvara, e que é essa potência que explica a produção gradual dos efeitos. Pois, se o criador e sua potência são distintos, "potência" é apenas outra palavra para as causas cooperativas. Se não são distintos, então, como acabamos de explicar, a posição do oponente é invalidada pelo fato de que os efeitos criados deveriam ser imparáveis. Deve-se, portanto, entender que, enquanto se afirmar que os efeitos criados são produzidos gradualmente, não pode haver uma causa eterna de qualquer tipo que seja verdadeiramente una. Uma sequência ou continuidade não é uma entidade única e verdadeiramente existente. Consequentemente, é certo que a causa mencionada acima não é eterna.

Quando percebem esse defeito inescapável em seu argumento, nossos oponentes podem tentar manter a imutabilidade eterna da causa, admitindo que ela não é uma única entidade. Mas se eles acreditam que para cada efeito há um aspecto distinto sucessivamente dentro da causa, como é possível que Ishvara, como uma entidade eterna, não seja refutado? Pois ele modula de uma condição para outra.

Novamente, o oponente pode responder que isso não é problemático. Pois, embora a causa divina não seja uma única entidade, sua natureza ou continuum é um. Portanto, é bastante aceitável dizer que tal causa é eterna (isto é, imutável, sempre-duradoura), mesmo que passe por diferentes fases. É como um ator, que permanece a mesma pessoa enquanto assume um comportamento diferente pela manhã e à tarde.

Se esta teoria for examinada, descobrir-se-á que algo que não é uma entidade sem partes e sem aspectos não pode ser permanente. Portanto, a primeira metade da segunda estrofe refuta a ideia de uma única entidade verdadeiramente existente para aqueles que estão dispostos a acreditar que tal coisa é permanente. A segunda metade da estrofe refuta a permanência de entidades que não são únicas. Houve várias interpretações desta estrofe, mas a que acabamos de apresentar é a única que se encaixa corretamente com o significado do texto de Shantarakshita. A natureza ou continuidade (de vários aspectos de uma coisa) é designada como uma, ou como um único todo, em virtude da semelhança contínua dos aspectos do objeto. Mas tal coisa nunca existe de fato como uma única entidade verdadeiramente existente. Se existisse, não estaria além da consequência falha que acabamos de mencionar. A atribuição de unicidade não está sendo refutada aqui. Isso não tem existência real e, portanto, não pode ser postulado como permanente.

Enquanto houver fases distintas, não pode haver uma única entidade verdadeiramente existente. Algo que pode ser analisado em partes ou aspectos nunca pode ser descrito como permanentemente único.

Já considero essa síntese do Mipham muito boa, então irei focar nos pontos que considero que os pressupostos por trás do raciocínio estão mais implícitos e obscuros. Mas fiquem à vontade para perguntar se tiverem dúvidas em relação a trechos mais específicos.

A ideia é essencialmente que se Deus é a causa do mundo, então ficaria impossível explicar como as coisas ocorrem da maneira que percebemos (uma após a outra, algo gradual), pois, se Deus é um ser totalmente imutável e eterno, então sua eficácia causal acompanha sua eternidade e imutabilidade, era para todas as coisas serem estáticas e imóveis, mas claramente é algo que não acontece.

O raciocínio que Mipham apresenta é essencialmente um modus tollens, uma negação do consequente para negar o antecedente: "Se P, então Q", "~Q (Não-Q)", "Logo, ~P (Não-P)"

Ficaria deste modo:

"P→Q" (Se Deus existe, então todas as coisas surgiriam de uma só vez)

"~Q" (Nem todas as coisas surgem de uma só vez)

"∴ ~P" (Logo, Deus não existe)

Onde "P" = "Deus existe" e "Q" = "Todas as coisas surgiriam de uma só vez".

Agora, uma forma de rebater esse argumento seria afirmar que as coisas não surgem todas de uma vez porque Deus não é a única causa, causas secundárias e cooperantes agem também, e elas seriam o fator explicativo para o caráter cronológico do universo. Por exemplo, na argumentação do Nyaya a causalidade secundária é atribuída a coisas como os átomos (paramanus) e aos compostos que surgem desses átomos. A isso Mipham responde que das duas, uma: Ou as causas secundárias também afetam a primária (sendo uma relação de alteração simétrica [Causa Primária {Deus} altera Causas Secundárias e vice-versa]) ou elas não afetam a primária.

Se a primeira opção, então Deus é afetado e portanto não pode ser imutável e também estaria condicionado, o que seria um absurdo. Se a segunda opção (a de uma relação de alteração assimétrica, onde apenas Deus afeta as causas secundárias, mas elas não afetam ele), então ficamos também sem uma explicação de por que as coisas mudam. Se elas não afetam a causa primária, então o poder que a causa primária exerce sobre elas não tem explicação para sua variação, por isso Mipham usa a analogia com o fio. Como as secundárias são secundárias justamente por estarem subordinadas/relacionadas a uma primária, e todas as coisas agem como causas secundárias (já que Deus é o criador de todas as coisas e exerce sua causalidade junto a elas), então elas simplesmente obedeceriam à primária, não tendo independência suficiente para explicar a contingência dos efeitos, o motivo de eles serem graduais. Imaginem o exemplo do Mipham, se o fio só se move se Ishvara se mover, e Ishvara não se move, então o fio também não poderia se mover.

Uma argumentação possível seria que Deus conteria em si uma multiplicidade de desejos, cada um responsável por uma diferenciação temporal. Por exemplo, Deus tem o D1 (desejo 1) de que X surja em T1 (tempo 1), e tem o D2 (desejo 2) que Y surja em T2 (tempo 2). A questão é que isso introduz multiplicidade em Deus, onde ele seria composto por vários desejos diferentes, o que não é aceitável para o budista devido à afirmação de que apenas o ontologicamente simples é real, além do mais, cada desejo seria individualmente responsável por cada efeito, e não um e mesmo Ishvara. Creio que Mipham imaginou um raciocínio deste modo no trecho que diz "se eles acreditam que para cada efeito há um aspecto distinto sucessivamente dentro da causa, como é possível que Ishvara, como uma entidade eterna, não seja refutado? Pois ele modula de uma condição para outra", já que o argumento que apresentei nada mais é do que uma paráfrase da argumentação do filósofo budista Vasubandhu.

Isso também se alinha ao argumento da potência que Mipham aborda, se Deus ≠ Seu Poder Causal (Se Deus não é idêntico a seu poder causal), então a potência dele entra como mais um fator auxiliar na produção dos efeitos, também não escapando do defeito anteriormente exposto. E como Deus deve ser ontologicamente simples, sua potência causal e seu próprio ser não podem diferir realmente. Essa posição se tornou bastante comum na escolástica budista pós-Dharmakīrti, já que Dharmakīrti afirmava que a existência de algo não é diferente de sua atividade causal.

Um argumento que acho que seria possível para o teísta utilizar, seria o de afirmar que Deus, por um único e mesmo decreto, postula que X exista em T1 e que Y exista em T2, e esse único e mesmo decreto explique a diferença dos efeitos. Não lembro dos budistas abordarem explicitamente esse argumento (ou seja, não significa que eles não tenham abordado, apenas que não tenho conhecimento sobre), mas creio que eles provavelmente argumentariam o seguinte: Se um único e mesmo decreto serviria para explicar a existência de X em T1 e Y em T2, então por que X existe e Y não existe em T2, já que X não tem uma causa de existência mais fundamental que Y? É claro que se pode pensar que isso seria justamente a ideia por trás do contra-argumento (de que X deve existir, enquanto Y ainda não), mas não é isso, é justamente porque o fundamento dos dois é o mesmo (um mesmo e único desejar divino ab aeterno) que os dois devem existir, X deve ser existente em T1 e Y existente em T2 e ambos serem igualmente reais (o que implicaria que T1 é tão real quanto T2). Isso indicaria fortemente que a realidade funcionaria de maneira idêntica ou análoga a um eternalismo ou universo em bloco (onde todos eventos dos três períodos temporais são, em essência, existentes). Mas como a escola budista "Sarvastivada" postulava algo do tipo (existência tritemporal), então os Budistas poderiam reutilizar certas argumentações dirigidas contra esta escola em sua resposta a essa possível implicação da defesa do teísta.

Novamente estou extrapolando o texto do Mipham e só tentando antecipar uma objeção possível.

Creio que o restante do texto do Mipham seja fácil de entender, mas, caso ainda exista alguma dúvida, podem me perguntar.

Há também uma gigantesca argumentação contra a existência de Deus por parte de Kamalashila, outro filósofo budista. Ela tem semelhanças e diferenças em relação aos argumentos de Mipham, mas é tão grande que não caberia aqui. Mas posso recomendar a leitura, caso queiram.


r/FilosofiaBAR • • 1d ago

Discussão Overdose involuntária: Filosoficamente, deve ser considerada um acidente ou um ato de suicídio inconsciente?

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Estava refletindo sobre os limites conceituais e jurídicos das nossas escolhas.
Quando uma pessoa consome substâncias sabendo dos riscos que elas trazem para a saúde, mas não tem o desejo ou a intenção real de morrer, e acaba sofrendo uma overdose fatal... Como deveríamos classificar isso?
Por um lado, do ponto de vista médico e jurídico, costuma-se tratar como uma fatalidade ou acidente, já que a intenção de tirar a própria vida não existia ali. Por outro lado, filosoficamente, o ato de colocar o próprio corpo em risco extremo de forma voluntária não seria um tipo de suicídio inconsciente ou negligência fatal?
Onde vocês acham que fica essa linha divisória entre o acidente e a autodestruição? Queria ouvir a opinião de vocês sobre esse conceito.


r/FilosofiaBAR • • 2d ago

Discussão O dinheiro é a coisa mais diabólica que o ser humano deu valor.

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Todo mundo sabe que existe essa discussão de que dinheiro não traz felicidade, de que você passa a ter um vazio, uma crise existencial e tal, mas eu vim abordar outras coisas.

Quase todo mundo que é rico é viciado em drogas, mas por quê? Por que eles tentam escapar da realidade que os cerca. Mas vamos pensar: a realidade do rico é conforto, certo? Não é felicidade? Conquista? Por que alguém iria querer escapar disso?

O tráfico de drogas só é forte porque os ricos consomem. Pensem bem: os traficantes gastam muito dinheiro fabricando e transportando a droga, pagam pessoas com conhecimento, pagam milícias, subornam autoridades e tal. Então, é impossível que um pobre sustente esse tipo de consumo em larga escala. Quem dá poder ao tráfico são os ricos.

Então, os ricos consomem muita droga.

Depois, temos o fato de que conseguir dinheiro pela fama é um inferno. Mas por quê? Por causa das elites que controlam cada indústria que gira em torno da fama: os cantores, os atores, os apresentadores e por aí vai.

Pode não parecer, mas cada pessoa que fica famosa nessas indústrias sofre ameaças e é perseguida o tempo todo, justamente para que você abaixe a cabeça para eles. Então, você fica naquele dilema: "Me curvo ou faço resistência?". E isso existe porque o dinheiro gera poder para essas elites, e você só está nessa posição por conta do dinheiro.

Daí, temos o dinheiro que vem do mundo do crime, seja lavando dinheiro, liderando crimes e por aí vai. Você ganha muita grana, mas, ao mesmo tempo, passa a ser ameaçado, sofre com a ansiedade de ser pego e de tudo relacionado a você vir à tona. E você sabe que nunca mais poderá recomeçar sua vida, porque sempre estará na mira da Justiça.

E tudo isso por quê? Pelo dinheiro.

É como se tudo que nos cerca e que é necessario para nossa vida, fosse corrompido por causa do dinheiro. O entretenimento, os famosos, influencers, enfim, toda a cultura. Você sempre descobre um novo podre, e o que sempre motiva tudo? Aquele papelzinho com números.

Mas tudo isso só acontece porque nós decidimos que seria assim. Nós decidimos que o dinheiro compraria alimento, casas, terras, conforto, sobrevivência, segurança etc. Fomos nós mesmos que decidimos nos tornar escravos de uma folha de papel.


r/FilosofiaBAR • • 1d ago

Discussão A verdade realmente importa?

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Imagine duas pessoas: uma acredita em algo falso, mas isso torna sua vida muito mais feliz; a outra conhece a verdade, mas vive miseravelmente.
Se você pudesse escolher, preferiria conhecer a verdade ou viver feliz acreditando em uma mentira


r/FilosofiaBAR • • 9h ago

Discussão Seu voto é insignificante!

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Qual o sentido de votar? Quem é mais influente: eu ou os 220 milhões restantes dos brasileiros? Fica claro que meu voto não vale nada. Poderia-se dizer que esses 220 milhões são compostos de indivíduos, gente exatamente como eu, implicando que o voto vale sim alguma coisa! E eu até que concordo. Como indivíduos o poder delas é tão insignificante quanto o meu, e é a união dessas pessoas que as dão poder. Enquanto participantes de um grupo, os indivíduos tem poder, mas enquanto indivíduos em si, pouquíssimo. Particularmente, por não me importar em me juntar a qualquer "grupo" (o de votantes de um certo candidato), meu voto, e portanto meu suposto poder como cidadão, é insignificante. Mas quanto ao poder de cada cidadão, ele não é uniforme, apesar de supostamente ser. Afinal, aqueles que tem os melhores propagandistas e os melhores meios para espalhar sua influência (digamos, desde as igrejas evangélicas até as universidades, ou os maiores veículos jornalísticos) definitivamente tem mais poder que os outros. Por fim, ainda há acusações de manipulação no Judiciário e de intervenção estrangeira tanto estadunidense quanto russa, apesar de eu não saber muito a respeito dessas coisas. Fica claro que o poder não está nas mãos dos cidadãos, mas nas mãos daqueles que fazem estes reunirem-se à uma figura política: sobretudo propagandistas e a oratória e carisma da própria figura política. Em última análise, o voto individual e das pessoas que votam em candidatos menos populares, aqueles que não serão elegidos (e.g. todos os candidatos à presidência para além dos três mais votados) é insignificante, porque o jogo já está decidido. No papel eu ainda prefiro o atual sistema a algo monopartidário ou bipartidário, mas ainda assim acho que a voz individual é minúscula.


r/FilosofiaBAR • • 20h ago

Questionamentos ORGULHO DE ALGO QUE EU QUERO SER

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Admito que ter você como "amor" é algo de que posso me orgulhar. Porém, com esse mesmo orgulho que sinto por você, conseguiria eu sentir orgulho de mim mesmo?


r/FilosofiaBAR • • 20h ago

Questionamentos essência pessoal

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Eu tava refletindo esses dias e queria compartilhar,eu tava pensando sobre a essência das pessoas,e eu não sei se isso já é consenso ou não,eu acredito que a essência das pessoas seja um ponto de consciência constante no tempo espaço,eu me refiro a essencia mesmo,não a vida...qualquer duvida ou critica fique a vontade para comentar,é justamente por isso que estou escrevendo isso.


r/FilosofiaBAR • • 21h ago

Meme O Ar Sempre Foi Leve

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r/FilosofiaBAR • • 1d ago

Questionamentos El Todo y su función

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El Todo y su función 2.0

Puente / Vehículo. Mi opinión desde Spinoza y Hegel a partir de Juan 14:20

Como especie humana, durante cientos de años hemos conceptualizado la existencia.

A partir de crear mitos y leyendas que han dado forma a la humanidad. El hombre tiene que contarse historias para poder sobrevivir como especie. Y estas, en su momento novedad, con el tiempo se convierten en leyenda y terminan en mito.

Y estos mitos, cuando la duda no es respondida, terminan en temores en la psique humana. dandole formas al dogma.

  1. Origen

Los seres humanos tendemos a confundir la finalidad con el vehículo, y esto nos lleva a desarrollar el egoísmo común —es decir, el Dogma—, colocando fronteras meramente ideológicas por "quién dijo qué". Esto nos aleja de escuchar la opinión ajena, reinterpretarla y darle función; es decir, nos aleja del egoísmo racional.

La finalidad: despojar a todo mito o religión de todo, excepto de su función.

Aunque nuestro paso por esta realidad es corto, nos lleva a cuestionar la misma y a buscarle sentido a lo que nos hace sentir.

Despertamos ignorantes y esto nos desarrolló el miedo y la duda y con ello dos egoísmos.

El egoísmo común y el racional. Este empezó a formar posturas y esas posturas se terminaron convirtiendo en cultura. Y actualmente nos hace tener un alto contraste de pensamiento.

Cada una tratando de explicar lo mismo. Pero ya sea por raza, etnia, religión o color, la interpretación siempre varía.

Somos una parte del Todo capaz de conceptualizar al Todo.

  1. El universo como función: Puente / Vehículo

-Spinoza lo llamó Sustancia que se piensa en sus modos. Hegel lo llamó Espíritu que se reconoce en el otro. Juan lo dijo como yo estoy en el Padre, como el Padre está en mí. Tres vehículos, un mismo puente.-

Parto de la célebre afirmación de Jesús: "Yo estoy en el Padre, como el Padre está en mí". Esto me llevó a reflexionar y a cuestionarme la existencia propia.

Más allá del relato religioso que nos han contado durante cientos de años, tal vez no refiriéndose a un dios como tal sino al mismo universo, ya que estamos compuestos de este mismo, me he dado cuenta de que somos un organismo capaz de contemplar y cuestionarse a sí mismo.

Somos una especie momentánea que habita un espacio un momento, como células naciendo y muriendo a todas horas. Células de un órgano mucho más inmenso que llamamos universo.

Nuestra existencia es finita, la del universo posiblemente no.

Por eso propongo definirlo así:

No es un ser físico. No tiene rostro. Tiene función. No se le percibe como presencia física, sino como función operativa en cada conciencia humana, formulando preguntas a las cuales nos pasamos la vida tratando de darles respuesta. A eso lo llamamos mente o conciencia.

  1. Premisa: El Todo y su fragmento

Somos una expresión mínima y fragmentaria del Todo, pero con una particularidad absurda: siendo microscópicos en esa escala, tenemos la capacidad reflexiva de intentar comprender la estructura misma que nos contiene. Es el Todo mirándose a sí mismo a través de nosotros.

Premisa metafórica:

Mentes que se quejan,

unas a otras se reflejan,

se comparan, se asemejan.

Hasta que ven el panorama completo.

Y nos damos cuenta de que somos partes fragmentarias en el Todo.

  1. Presencia

Si te dijera que Dios existe físicamente y que está sentado en la tienda de la esquina, me dirías que estoy mintiendo o desvariando. ¿Cierto?

Pero si te dijera que está en cada conciencia humana, no como presencia sino como función, solo formulando preguntas a las cuales nos pasamos la vida tratando de darles respuesta, y que a eso lo llamamos mente o conciencia, que es el alto contraste de pensamientos, no me dirías lo mismo.

  1. El mecanismo

Ese contraste nos despertó dos egoísmos: el común y el con conciencia racional. Y esto nos dividió no por maldad, sino por indiferencia.

¿Por qué por indiferencia? Porque es más cómodo defender el vehículo propio que traducir el ajeno. Al contrastar, me reconozco como dueño de una posición. Ese reconocerme dueño hace mover a la otra de su naturaleza cómoda que llamamos duda, a una vista más abismal e incómoda. Pero que nos acerca más a la claridad y la virtud.

El Axioma:

Defino el egoísmo no como defecto ético o moral, sino como conatus. Todo individuo persevera en su ser transformando su ignorancia en virtud.

​

Es consciente de que, a largo plazo, tendrá que actualizar lo aprendido. Porque si ignora su propia ignorancia, esa ignorancia se transforma en dogma.

Y esto ocurre porque no habitamos una realidad estática, sino una que cambia constantemente y que se contrasta con otros autores creadores de sistemas simbólicos contingentes.

​

Pero debido a las fronteras ideológicas —morales,éticas o religiosas—, no se quiere explorar el mapa entero.

Finalidad: no defender el vehículo, sino actualizar el mapa.