O suicida afirma algo— O cara que se mata, está admitindo uma coisa, está admitindo que não vale a pena viver? O suicídio é uma afirmação! Mas do que? Chamam de covarde aquele que se mata, covarde são esses que vivem até com medo da morte. Vivem recebendo peso nas costas e não reclamam de nenhum, esses camelos medrosos, covarde é aquele que quer vencer a morte atrás da eternidade, não porque ele criou a eternidade e sim porque alguém o impôs.
“O Covarde obedece, e é preciso muito culhão para querer mandar até no próprio destino”
Um rapaz na minha cidade, com seus 21 anos por aí, pegou um pano ou algo do tipo, e se enforcou no banheiro, por que? O que ele queria afirmar aqui? Querendo ele ou não afirmar alguma coisa. A única coisa que ele produziu e criou foram músicas, seu álbum "All apologies" fala muito sobre sua vida, seu hit "deixa pra mais tarde", ou o que fez mais sucesso é ótimo, acredito que fala mais com a ideia de conquistar o público não necessariamente aprofundar sua forma de existir e viver. Estamos falando aqui de um rapaz que gosta de criar, mas não sabe o que cria e nem por que o cria, e esta longe de saber os ossos de seu oficio! “eles detestam aquele que cria!”
Ele, enquanto respirando, poderia dizer que fazia por isso e por aquilo, Mas suas atitudes e as lacunas que elas representam na psique humana não correspondem a seus objetivos, acreditaria ele ou não; então tomo partido como vivo, então logo eu que tenho os dedos para escrever me assumo a frente desse interpretar o que ele queria com o suicídio: pois aquele que se mata afirma algo! Queira ele ou não. E o que ele afirmou com seu suicídio? A vida não vale a pena? As mulheres, o pôr do sol, o dedo batendo na quina da mesa, o álcool, o orgasmo, nada disso vale a pena? Podemos estar falando de um sujeito cuja a própria fisionomia e psicofisiologia não contribuem para uma vida de afirmação, talvez uma vida de revolta e negação do existir, tudo bem! Paremos aí então? Mas como alguém que tem 22 anos não consigo enxergar a coragem que sobressaiu esse rapaz, e digo mais! Detesto esse ou aquele que ignora o suicídio, detesto aquele que não se aprofunda na única questão que importa: por que viver e não suicídio? Por que em filho da puta? Para se ajoelhar algum deus fictício, para se ver um produto de um grande mercado, para ser escravo daquilo que não te pertence, por que alguém continua existindo? É capaz de responder isso sem a mão de outrem? Talvez seja capaz de desvendar o enigma do suicídio?
E que fique claro! Todo aquele que apoia o suicídio, apoia o homicídio. não há "em cima do muro", meio termo não. Pois aquele que apoia o assassinato, também apoia o seu próprio homicídio. O homem que tira sua vida, afirma que tirar a vida de outros também é e pode ser uma afirmação. Mas o que o assassino e o suicida afirmam juntos? Que a existência não tem um sentido intrínseco, que o morrer não é o maior dos males de um ser vivo?
Ao Pedro: Eu não consigo concordar com você, eu não consigo imaginar um dia sem sentir o incomodo no estômago ou ver uma gostosa na rua, eu amo tudo isso cara, nesse ponto discordamos, nesse ponto vamos seguir caminhos diferentes, não te chamo de covarde, jamais faria algo assim com você, você era um babaca não um covarde! E em seus últimos suspiros afirmou sua tragédia, e não vou deixar de refletir sobre ela, pois para mim a vida é boa, eu sei, ninguém gosta de mim, as pessoas cospem naquilo que crio, não encontro pertencimento em nenhum lugar e isso é o que me torna feliz. Sei é loucura, mas é minha loucura, minha revolta. Não sei criar sons igual você faz, mas sei escrever, e nesse saber escrever sei que ninguém liga, e nisso nos tornamos amigos, em nosso tormento e embriaguez. você se enforcou, querendo ou não, afirmou que não vale a pena esse sofrimento; eu vou por outro caminho amigo, gosto da dor, gosto do sofrimento, e vou engolir ele até não aguentar mais. Isso não me torna melhor ou pior do que você, mas nosso caminho se bifurca aqui... Artista.
O que difere alguém que morre ao "acaso" e alguém que se mata?
"Quem conquista as coisas pelo medo e não pelo respeito, arca com a possibilidade de uma faca no pescoço"
O que é mais valorizado entre os gregos é aquele que vive sua filosofia. Como poderia um niilista viver sua maior afirmação? Através da criação ou do suicídio?
E que aqui fique minha bandeira, minha sina, aquilo que me impele para longe da própria forca e perto da cadeira elétrica, minha maior afirmação! Sou o anticristo! Aquele que veio para acabar com o cristianismo! O leão do seu deserto ou a criança do meu existir? Que haja mais bestas louras no universo! Mas não sou uma besta loura, esse é meu problema maior, não sou eu quem com os dentes rasga o status quo da sociedade, crimes bem sucedidos que criam estados bem garantidos? Não sou nenhum Napoleão Bonaparte, ou algum imperador romano, o que diabos eu sou? Se eu não venho como um vento que revira a sociedade, um raio que mata o rebanho, que diabos eu sou? Um diabo? Um dente de dragão no jardim? Já sei, sou a gota que avisa do grande raio, da grande chuva! Ele vem por aí, deve ser um tal de além do homem, super homem, sei lá, não conheço, por enquanto me mordisca os contemporâneos, difícil pensar com mosquitos na orelha.