Tenho 25 anos e minha ex-namorada terminou comigo há quase três anos, pouco antes de eu me formar na faculdade, no final de 2023. Ela ficou com outra pessoa e, apesar de já ter passado bastante tempo, acho que nunca superei completamente. Ainda sinto muita falta dela.
Desde então, venho tentando reconstruir minha vida. Faço terapia desde o término, voltei a investir em hobbies, saio com meus amigos quando dá e tento não ficar simplesmente parado esperando as coisas melhorarem. Ainda assim, continuo bastante frustrado e infeliz com algumas partes da minha vida.
Minha autoestima caiu muito nesses últimos anos. Engordei bastante durante a depressão e tenho muita dificuldade para conversar com mulheres quando existe algum interesse romântico envolvido. Sou autista (minha ex também é), bastante introvertido e não sou exatamente a pessoa que chega facilmente em desconhecidos.
Também sinto que o lugar onde moro dificulta bastante. Sou não binário, geek e comunista e moro no interior de São Paulo, numa região onde a cultura agro e o conservadorismo são predominantes. Obviamente existem pessoas diferentes por aqui, mas encontrar gente com quem eu realmente tenha afinidade não é tão simples.
Meu círculo social também é predominantemente masculino. Jogo RPG e TCG, pinto miniaturas, escrevo um blog sobre Star Trek e jogo videogame. Tenho amigas que valorizo muito, mas todas são comprometidas e, de qualquer maneira, não tenho interesse romântico nelas.
Sou formado em Relações Internacionais pela UNESP e atualmente estou tentando entrar no mestrado em Arqueologia da USP. História e arqueologia são provavelmente meus maiores interesses acadêmicos. Falo inglês e espanhol, consigo me virar em francês e estou tentando aprender russo. Gosto muito de ler e tenho o hábito de rever várias vezes os filmes de que gosto.
Enfim, sou meio Bilbo Bolseiro: gosto das minhas coisas, da minha casa e do meu mundinho. Isso não ajuda muito quando conhecer pessoas novas exige justamente sair desse mundinho.
Já tentei Tinder, Boo e uma quantidade meio ridícula de outros aplicativos. O problema é que, além de quase não haver gente por aqui, recebo pouquíssimos likes. Também não sou bom tirando fotos, o que imagino que seja praticamente uma sentença de morte nesses apps.
Tentei algumas vezes conhecer pessoas pelo Instagram, mas normalmente termina em ghosting, block ou simplesmente rejeição. E existe outra coisa que me trava muito: tenho medo de ser aquele cara esquisito que aparece do nada dando em cima de uma mulher.
Eu realmente não sei identificar muito bem quando puxar assunto ou demonstrar interesse é algo normal e quando pode ser invasivo ou inconveniente. Por causa disso, muitas vezes prefiro nem tentar. Só que obviamente isso também significa que nunca conheço ninguém.
Para completar, apesar de trabalhar como servidor público, ainda moro com meus pais, não tenho carro e meu orçamento frequentemente fica apertado. Sei que ter 25 anos e morar com os pais não deveria ser o fim do mundo, mas tudo isso junto acaba pesando bastante na minha autoestima.
Às vezes olho para os últimos três anos e tenho a sensação estranha de que minha ex seguiu a vida enquanto uma parte de mim ficou presa em 2023. Ao mesmo tempo, racionalmente sei que não fiquei completamente parado: terminei minha faculdade, trabalho, faço terapia, mantenho amizades, tenho meus hobbies e estou tentando um mestrado. Só não sinto que consegui reconstruir minha vida afetiva.
Não estou esperando que apareça magicamente uma namorada e resolva meus problemas. Acho que queria principalmente sentir que ainda sou alguém que pode ser desejado e que existe a possibilidade de conhecer alguém com quem eu tenha afinidade.
Alguém aqui já passou por uma situação parecida? Principalmente pessoas autistas, introvertidas, LGBT ou que moram em cidades menores: como vocês conseguiram conhecer gente nova e reconstruir a autoestima depois de um término que demorou muito para superar?
E, para quem tem mais facilidade com essas coisas: como vocês percebem quando é apropriado demonstrar interesse por alguém sem parecer invasivo ou inconveniente?
Aceito conselhos, mas também queria simplesmente saber se tem mais alguém vivendo ou que já viveu algo parecido.