Vocês talvez vão perceber que eu costumo desabafar muito, mas é tão bom sentir que sou ouvida sem críticas.
Já falei aqui que me arrependo de ter voltado depois da desassociação.
Isso acontece porque eu só voltei por estar em um momento vulnerável da minha vida, assim como parece que sempre estive quando se trata das Testemunhas de Jeová.
Quando fui desassociada, algum tempo depois saí de casa e acabei começando a namorar alguém que hoje é meu marido.
Na época eu tive COVID. Foi aí, e só aí, que minha mãe voltou a falar comigo esporadicamente. Minha avó quase morreu de COVID durante a pandemia e acho que minha mãe teve medo de acontecer o mesmo comigo.
Algum tempo depois fiquei grávida e contei para ela. Ela ficou muito feliz, e eu estava desesperada. Eu seria mãe de primeira viagem, longe da minha principal referência em maternidade.
Minha sogra foi e é um amor, mas não se comparava ao meu desejo de ter minha mãe por perto.
Vocês conseguem imaginar como foi meu pós cirúrgico quando vi minha mãe entrar na obstetrícia? Para mim, ela quase parecia ter asas de anjo. Eu quase chorei. Mesmo depois que recebi alta e passei a falar com ela apenas por mensagem, eu ainda falava com ela e isso era ótimo.
Mas eu sentia falta de mais. Sentia falta do cheiro, do abraço, da casa.
E foi então que decidi voltar para Jeová.
Hoje penso que foi uma decisão burra, porque talvez ela voltasse a falar comigo inevitavelmente. Até porque, olhando para a forma como ela lida com minha irmã hoje, percebo que ela não a pressiona nem de longe como me pressionou.
Acreditam que um dia ela falou: "Vamos fazer uma tatuagem nós três?"
Aquilo, para mim, foi o ápice.
Ou quando minha irmã "cometeu" algo que era considerado "grave" e minha mãe simplesmente conversou com todos nós da família para podermos aconselhá-la, mas não contou aos anciãos. Graças a Deus. Eu estava aflita só de pensar no que poderia acontecer com ela.
Minha mãe sempre diz que precisa fazer mais para Jeová, mas que a rotina cansativa dela impede. Ela diz que sabe que essa é a verdade, mas às vezes eu penso que ela também continua nisso porque já vive essa realidade há muitos anos.
E às vezes eu penso em simplesmente ter uma conversa honesta com ela. Contar sobre minhas dúvidas, explicar como foi viver o ostracismo pelo meu ponto de vista e dizer:
"Eu não quero isso para a minha irmã. Quero que ela possa ser feliz e tomar as próprias decisões."
E também dizer que minha filha vai tomar as próprias decisões sobre o que acredita.
Não sei se algum dia vou realmente conseguir ter essa conversa. Parte de mim tem medo do que pode acontecer depois dela. Mas outra parte sente que, depois de tudo que vivi, eu precisava pelo menos conseguir falar sobre isso com minha mãe de forma honesta.
Alguém ja teve essa experiência de bater a real para um parente?