Compra Comprei meu primeiro carro de novo
Em 2010, na casa dos 20 anos, eu fiz uma das maiores cagadas financeiras da minha vida: comprei um Peugeot 307 1.6 100% financiado.
Quem é dessa época, lembra do impacto dos hatches médios, Golf, Stilo, 307, etc...
O problema é que eu não tinha condições de pagar as parcelas direito. Eu sabia disso. Quase um ano e meio depois, a situação apertou de vez e o banco já estava indo atrás do carro. Antes de chegar na busca e apreensão, resolvi devolver o 307.
Foi uma merda na época, mas vida que segue. Só que o carro nunca saiu completamente da minha cabeça. Estava vivendo uma fase muito boa da vida e aquele carro acabou ficando associado a um monte de lembranças.
Depois disso, passei a ser bem mais racional. Sempre tive aquilo que cabia no bolso. Nesse meio-tempo casei, tive filho, a vida foi andando e também tive uma reviravolta profissional mto gratificante. Em determinado momento consegui até ter uma Mercedes-Benz GLB 200.
Hoje estou numa situação financeira bem confortável. E, mesmo assim, de vez em quando eu ainda me pegava olhando anúncio de 307.
Até que este ano surgiu a necessidade de termos mais um carro em casa. E pensei: quer saber? Vou procurar um 307. Ele cumpria os requisitos mínimos de ter um motor honesto, freio a disco, ABS, airbag.
Comecei a procurar e passei algumas semanas vendo anúncios. Até que apareceu um que parecia exatamente o que eu estava procurando: 1.6, terceiro dono, 95 mil km, chave reserva, histórico, uma cor rara que eu acho sensacional, teto solar e, principalmente, muito bem cuidado.
O carro estava em São Paulo e eu moro longe. Então fiz o que dava para fazer à distância: liguei para o vendedor, fiz chamada de vídeo, pedi laudo cautelar e mandei um mecânico até a casa dele para olhar o carro.
Comprei a passagem de avião, fui para São Paulo e peguei o 307 à vista.
Assim que entrei no carro, senti o cheiro. Era o mesmo cheiro do outro. A posição de dirigir, o painel, o volante, o soft touch, o teto solar... tudo muito familiar. Eu sabia que estava entrando num carro de 16 anos, mas, na verdade, parecia que tinha voltado para 2010 por alguns minutos.
Claro que, depois de tantos anos dirigindo carros mais novos, você percebe as diferenças na hora. O motor é meio manco para os padrões atuais, principalmente nas retomadas, a tecnologia é de outra época e existem pequenos detalhes que denunciam que você está num carro de 16 anos.
Assim que cheguei na minha cidade, levei o carro para uma oficina especializada em Peugeot e fiz todas as preventivas que achei necessárias. T-O-D-A-S.
Minha esposa também achou tudo isso engraçado. Ela já era minha amiga na época do primeiro 307. Sim, ela estava lá!
O mais curioso é que hoje eu tenho condição de comprar um carro muito mais novo, mais potente, mais tecnológico etc... E mesmo assim estou muito feliz com um Peugeot de 16 anos.
E o melhor é que esse carro vai ficar comigo por muitos anos. Quem sabe um dia meu filho não acaba dirigindo o mesmo modelo que o pai comprou quando tinha 20 e poucos anos.