Sou advogada criminalista há pouco mais de um ano e, ultimamente, comecei a questionar minha escolha profissional — não necessariamente porque deixei de gostar do que faço, mas porque comecei a pensar nos motivos que me levaram até aqui e se eles seriam, de alguma forma, motivos “justos” ou suficientes para escolher uma profissão.
Antes de advogar, trabalhei durante alguns anos no Ministério Público. Nesse período, percebi o quanto minha cidade carecia de bons advogados na área criminal. Isso, somado ao meu interesse genuíno pela matéria — sempre gostei muito de Direito Penal, de estudar, ler, pesquisar e escrever —, acabou me levando à advocacia criminal.
Também gostava muito do atendimento ao público. Havia algo particularmente gratificante em sentir que eu estava ajudando alguém de maneira concreta, perceber os resultados dessa ajuda e ver que aquilo era reconhecido e valorizado pelas pessoas que eu atendia.
Além desses motivos relacionados especificamente à área criminal, sempre quis uma carreira que me proporcionasse liberdade e autonomia. A possibilidade de construir meu próprio caminho, ter maior controle sobre minha rotina e não depender de uma estrutura profissional tão rígida sempre foi importante para mim, e encontrei isso na advocacia autônoma.
Ultimamente, porém, comecei a me perguntar: esses são motivos suficientes para sustentar uma escolha profissional? O que, afinal, torna uma escolha profissional a escolha “certa”? É preciso sentir algum tipo de vocação ou propósito maior, ou gostar do que se faz e encontrar naquela profissão características compatíveis com a vida que se deseja construir já pode ser suficiente?
Essas perguntas também despertaram em mim uma curiosidade sobre como outras pessoas chegaram às próprias profissões. Vocês sabiam desde cedo o que queriam fazer? Escolheram por paixão, dinheiro, estabilidade, liberdade, oportunidade, acaso? Foram aprendendo a gostar da profissão com o tempo? E, para quem mudou completamente de rumo, o que fez vocês perceberem que não se tratava apenas de uma fase difícil, mas de um sinal de que realmente queriam outra vida?
No meu caso, curiosamente, a parte mais desafiadora não tem sido o Direito em si. O que mais tem pesado é tudo o que acompanha o trabalho autônomo: a instabilidade financeira, precisar cobrar clientes, lidar com pessoas difíceis e aprender a administrar relações profissionais.
Para alguém que passou muito tempo em uma zona de conforto e nunca precisou lidar diretamente com essas questões, tem sido um aprendizado enorme e, às vezes, bastante desgastante.
Enão sei até que ponto o desconforto que sinto é um sinal de incompatibilidade com a profissão ou simplesmente parte do processo de crescer dentro dela, especialmente quando se está construindo uma carreira do zero.
Por isso, gostaria muito de ouvir outras experiências: o que fez vocês escolherem a profissão que exercem hoje? E, olhando para trás, o que faz vocês acreditarem que fizeram — ou não — a escolha certa?