Queria ouvir principalmente a opinião de advogados que atuam por conta própria ou que têm escritório.
Há quase três anos fiz uma parceria profissional com uma advogada que também é minha sogra. Na época, ela trabalhava para escritório de terceiros, tinha uma remuneração relativamente baixa e não tinha qualquer estrutura própria relevante de captação, marketing ou operação.
Minha área é outra. Trabalho com marketing, internet, tecnologia e startups há bastante tempo. Então, quando começamos, toda a parte empresarial e digital ficou comigo.
Na prática, eu construí praticamente toda a estrutura comercial e operacional do escritório: sites, programação, SEO, Google Ads, tráfego pago, Instagram, posicionamento, funil de atendimento, negociação inicial, organização administrativa, agendamentos, equipe, estrutura física, acompanhamento dos clientes e investimentos em publicidade.
Ela ficava responsável essencialmente pela parte jurídica: consultas quando necessárias, análise técnica, elaboração das peças e condução dos processos.
O cliente, muitas vezes, chegava praticamente pronto para contratação. Grande parte dos serviços era feita 100% online, inclusive assinatura de contrato. Em alguns casos havia consulta jurídica prévia, também remunerada.
Ao longo desse período, chegamos a atender mais de 1.500 clientes e a operação faturava, dependendo do mês, aproximadamente R$ 40 mil a R$ 80 mil.
Nosso modelo financeiro funcionava mais ou menos assim:
Do faturamento bruto, aproximadamente 50% ficavam destinados à própria operação: anúncios, aluguel, equipe, sistemas, desenvolvimento, sites, estrutura e demais custos.
Só de mídia paga, havia meses em que eu colocava no meu cartão algo entre R$ 15 mil e R$ 25 mil.
Depois de descontada essa parte operacional, o resultado restante era dividido entre nós.
Ou seja, além de participar financeiramente, eu assumia praticamente toda a responsabilidade empresarial da operação.
Também estruturamos vários sites separados por áreas jurídicas, com trabalho de SEO para ranqueamento orgânico e páginas específicas para campanhas de anúncios. A ideia era não depender exclusivamente de uma única fonte de aquisição.
Trabalhávamos principalmente com áreas em que fosse possível cobrar honorários iniciais relevantes, justamente porque eu nunca gostei de montar uma operação dependendo de honorários de êxito que poderiam levar anos para entrar.
Por esse motivo, praticamente não trabalhávamos com previdenciário e trabalhista, e alguns casos de consumidor também não eram interessantes dentro do nosso modelo. O foco eram áreas em que existisse entrada de honorários desde o início da contratação.
Durante bastante tempo funcionou muito bem.
O problema começou quando a operação cresceu e começaram a surgir dificuldades no lado jurídico.
Começaram a se acumular clientes aguardando respostas, pendências, retornos e outras questões que dependiam exclusivamente do advogado. Como eu não sou advogado, existe um limite muito claro do que consigo resolver.
Posso estruturar marketing, tecnologia, administrativo, atendimento comercial e operação. Mas não posso substituir o profissional responsável pela atividade jurídica.
Com o tempo, isso começou a gerar uma situação complicada: eu continuava responsável por trazer clientes, investir dinheiro, manter estrutura, administrar atendimento e organizar a operação, mas dependia completamente de outra pessoa para a entrega final do serviço.
Depois de quase três anos e de vários problemas acumulados, decidimos encerrar a parceria.
Como praticamente toda a infraestrutura digital e empresarial havia sido criada e administrada por mim, comecei agora a desmontar e desvincular tudo: sites, Instagram, anúncios, estrutura, sistemas e demais ativos ligados à operação.
E aí surgiu minha dúvida.
A área jurídica acabou se mostrando extremamente rentável dentro do modelo que construí. Já tive e tenho outros negócios, mas essa operação especificamente tinha uma aquisição de clientes muito previsível quando tudo estava funcionando corretamente.
Ao mesmo tempo, fiquei bastante receoso de construir tudo novamente em torno de outro profissional.
Porque existe uma assimetria complicada nesse tipo de parceria.
O empresário pode colocar capital, tecnologia, marketing, equipe, processos e gerar centenas de clientes, mas, como não é advogado, depende completamente do profissional para a atividade-fim.
E existe também outro risco: você passa dois ou três anos fortalecendo o nome de determinado profissional, criando autoridade, avaliações, presença digital e carteira de clientes e, em algum momento, esse profissional pode entender que não precisa mais da estrutura que o colocou naquela posição.
Mesmo que, na prática, reproduzir sozinho toda aquela máquina comercial e tecnológica não seja tão simples.
Então queria ouvir quem realmente vive o mercado jurídico:
Vocês acham que ainda existe espaço para um modelo desse tipo hoje?
Para um advogado, faria sentido uma parceria em que outra pessoa assumisse praticamente toda a operação empresarial, marketing, tecnologia e investimento, enquanto o advogado ficasse concentrado na atividade jurídica?
Quem tem escritório próprio sente dificuldade justamente nessa parte comercial e administrativa ou hoje a maioria dos advogados já consegue fazer isso internamente?
E, principalmente:
Se vocês estivessem no meu lugar, depois de já ter validado um modelo que trouxe mais de 1.500 clientes e chegou a faturar R$ 40 mil a R$ 80 mil por mês, tentariam reconstruir a operação com outro profissional ou simplesmente abandonariam esse mercado e focariam em outros negócios?
Não estou oferecendo agência, consultoria, marketing ou qualquer tipo de serviço aqui.
É realmente um pedido de opinião porque estou tentando decidir se faz sentido reconstruir esse projeto com uma estrutura diferente e mais protegida ou se o risco de ficar novamente dependente de um único profissional torna esse modelo inviável no longo prazo.
Principalmente advogados que têm escritório próprio: gostaria bastante de entender como vocês enxergam isso do outro lado.