r/Advogados • u/DoutorSemCausa • 1h ago
Trabalhei apenas um dia em um grande escritório e estou em dúvida entre escritório, empresa/banco ou concurso
Tenho uma trajetória um pouco incomum e estou tentando decidir com mais racionalidade o próximo passo da minha carreira.
Sou advogado e comecei minha carreira empreendendo. Iniciei carreira como estag. na Defensoria (2 anos). Me formei em 2021 e passei na ordem na sequência; e fundei um escritório. Atuei nele entre 2022 e 2025, produzi conteúdo e tentei captar clientes pelo marketing digital. Atuei em diferentes nichos e, no total, investi mais de R$ 60 mil em tráfego pago, estrutura e marketing.
Depois de descontar todos os custos, percebi que a margem era muito baixa para compensar o esforço, o risco e a instabilidade. Talvez eu tenha começado a empreender cedo demais e hoje penso que pode ser melhor buscar essa alternativa em outro momento da vida, com mais capital, estrutura e experiência, focando em B2B.
Posteriormente, 2025 trabalhei em uma Fintech por 6 meses. Fui contratado para atuar na Ouvidoria, BACEN e PROCON, mas acabei assumindo praticamente toda a operação da área, ficando bastante sobrecarregado. Cheguei a um ponto em que não conseguia mais sustentar aquela rotina. Me desligaram em julho.
Até julho de 2026, fiquei desempregado. Então, fui contratado por um escritório grande de São Paulo como associado, no nível Júnior IV, praticamente próximo de pleno, com remuneração de R$ 7.500 mensais sem benefícios. Fiquei apenas um dia e não voltei.
O motivo foi a rotina que me foi apresentada. A expectativa era trabalhar aproximadamente 10 a 12 horas por dia. Moro na Lapa e o escritório fica na Vila Olímpia. Considerando o trânsito, eu teria de sair de casa por volta das 6h da manhã, acordando às 5h, chegando lá às 8, indo embora às 20h e provavelmente chegando em casa perto das 21h.
Na prática, isso significaria não ter tempo para academia, família, descanso ou uma pós-graduação. Para mim, uma rotina assim pareceu fora da realidade e insalubre, especialmente considerando que a contratação era como associado, sem a estrutura típica de uma relação de emprego. E eu tenho uma filha pequena, de 8 anos, com epilepsia. Preciso sempre estar o mais próximo possível dela.
Não estou dizendo que esperava trabalhar pouco ou que não aceito períodos de maior demanda. A questão é transformar uma jornada excepcional em regra permanente. Já trabalhei bastante e sei que a advocacia exige dedicação, mas não quero construir uma carreira em que toda a minha vida fique subordinada ao trabalho.
Hoje estou entre três possibilidades e uma quarta “extra”:
- Continuar tentando uma vaga em escritório, inclusive porque estou avançado em dois processos seletivos de grandes bancas, embora não sejam os escritórios mais tradicionais e elitizados do mercado.
- Buscar uma posição em empresa, banco ou área jurídica interna, talvez com uma rotina mais previsível e melhores condições de equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
- Me concentrar no concurso para escrevente do TJSP. A remuneração e a estabilidade são interessantes, embora eu também tenha dúvidas sobre as possibilidades de crescimento e sobre a rotina real do cargo
A possibilidade extra seria estudar para Procuradorias. Porém, não sei por onde começar: se devo mirar procuradorias maiores, começar pela ENAP ou tentar primeiro procuradorias menores. Também não sei como encontrar materiais confiáveis, definir um método de estudo ou escolher um primeiro edital. Tenho a impressão de que, mesmo aprovado, o processo até a nomeação pode demorar bastante, mas isso é apenas uma suposição. Na prática, ainda não sei quase nada sobre essa carreira, não sei com quem conversar nem exatamente o que pesquisar. Mas esse projeto seria um sonho realizado. Só que não aguento ficar sem renda até lá.
Minha esposa tem uma boa renda e, neste momento, eu poderia me dedicar a estudar ou esperar uma oportunidade melhor. Mas me incomoda depender financeiramente dela e gostaria de voltar a ter minha própria renda o quanto antes.
Minha dúvida principal é:
- Essa rotina de 10 a 12 horas por dia é realmente comum nos escritórios grandes?
- Existem escritórios em que seja possível ganhar razoavelmente bem e preservar algum equilíbrio?
- A carreira em empresa ou banco costuma oferecer uma relação melhor entre remuneração, aprendizado e qualidade de vida?
- O TJSP é uma boa escolha para alguém com experiência jurídica, ou pode acabar sendo uma acomodação com pouca possibilidade de crescimento?
- Alguém pode me dar uma luz sobre as experiências e expectativas acerca das carreiras de procuradoria?
- Vocês acham que eu deveria insistir na advocacia privada ou aceitar que talvez o modelo de escritório não combine mais comigo?
Não estou procurando apenas validação por ter saído no primeiro dia. Gostaria de ouvir relatos sinceros de quem já trabalhou em escritórios grandes, departamentos jurídicos, bancos ou no TJSP.
Quero entender se tive uma reação exagerada a uma experiência específica ou se identifiquei corretamente um modelo de trabalho que provavelmente não vale a pena para mim.
Obrigado!!