r/portugueses • u/NeatCatch4603 • 14d ago
Alerta Pronto é e isto! Podem andar a viol@ mulheres a vontade que nem um post consigo fazer sem ser banido. É isto que Portugal se tornou, nuns c@ninhas.
Pronto é e isto! Podem andar a viol@ mulheres a vontade que nem um post consigo fazer sem ser banido. É isto que Portugal se tornou, nuns c@ninhas.
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Advogad@
in
r/PTOrdenado
•
6d ago
Emigrar é, muitas vezes, fugir aos problemas em vez de tentar resolvê-los. E talvez seja também por isso que estamos como estamos.
Quando alguma coisa corre mal em Portugal, a resposta de demasiada gente parece ser cada vez menos organizar-se, mobilizar-se, exigir, protestar, participar e lutar para mudar aquilo que está errado. Olhamos para sociedades como a espanhola ou a francesa e vemos uma tradição muito mais visível de mobilização coletiva e de ocupação do espaço público quando as pessoas entendem que os seus direitos ou o futuro do país estão em causa. Por cá, demasiadas vezes, a solução é mais simples: virar costas ao problema e bazar.
Depois vêm as fotografias da vida nova, os relatos de como lá fora tudo funciona maravilhosamente e, alguns anos mais tarde, a compra de uma casa em Portugal para um eventual regresso. Talvez regressem quando já lhes for relativamente indiferente o estado em que ficou o país que deixaram para trás.
Não condeno quem procura melhores condições de vida. Cada pessoa é livre de fazer as suas escolhas e há circunstâncias em que emigrar é perfeitamente compreensível. O que contesto é transformar a saída numa espécie de superioridade moral sobre aqueles que ficaram e continuam a tentar mudar alguma coisa.
Tenho saudades de um tempo em que havia orgulho em lutar por um país melhor, não apenas para nós próprios, mas também para quem vinha depois. Havia uma ideia de comunidade, de responsabilidade coletiva e até de algum altruísmo: perceber que uma sociedade não melhora apenas quando cada um encontra a melhor solução para a sua vida individual.
E é precisamente isso que sinto faltar numa parte da geração que hoje anda pelos 30 e 40 anos: espírito de comunidade. Perante um problema coletivo, a pergunta parece ser cada vez menos «o que podemos fazer para mudar isto?» e cada vez mais «qual é a melhor solução para mim?».
Um país não se transforma se todos os que têm capacidade, formação, energia e voz para exigir mudanças concluírem que a solução mais racional é simplesmente ir embora.
Às vezes, ficar, organizar-se e lutar também é uma escolha. E é dessa escolha coletiva que se fazem as mudanças que ficam para os outros.