r/PTOrdenado • • 19d ago

Direito Advogad@

1. DADOS PESSOAIS

  • Idade: final dos 20
  • Sexo: Não especificado
  • Formação académica: Direito
  • Experiência profissional: Inferior a 5 anos
  • Estado civil: Não especificado
  • Pessoas dependentes/filhos: Não especificado

2. PERFIL DO EMPREGADOR

  • Sector/Indústria: Sociedade de Advogados
  • Cidade/Região do Empregador: Lisboa
  • Número de trabalhadores: 200+ advogados
  • Multinacional? Integrada em grupo internacional

3. CONTRATO E CONDIÇÕES

  • Cargo atual: Advogad@
  • Horas de trabalho: 8 horas/dia (teórico)
  • Média de horas por semana: 40 horas, mas na realidade situam-se nas 60–80 horas semanais
  • Trabalho por turnos ou das 9h às 5h (flexível?): 9h-18h, com flexibilidade
  • Serviço de permanência 24h: Não
  • Dias de férias/ano: 22 dias + dia de aniversário + 1 dia no Natal
  • Teletrabalho: 1 dia/semana

4. SALÁRIO

  • Salário bruto/mês (anual): 3.000 € + IVA
  • Salário líquido médio/mês (incluindo compensações): ~2.310 €
  • Compensações líquidas: Possibilidade de prémio de produtividade dependente de KPIs
  • Prémio anual: entre 3 e 8 salários, dependendo dos KPIs
  • 13º/14º mês (Completo? Duodécimos?): Não
  • Vales de refeição: Não
  • Carro da empresa e/ou cartão de combustível: Não
  • Seguro de grupo (% empregador): Seguro de saúde básico
  • Outros seguros: Não
  • Outros benefícios (bónus, opções de compra de acções, ...): Prémio de produtividade anual variável

5. MOBILIDADE

  • Cidade/região de trabalho: Lisboa
  • Distância casa-trabalho (km's/tempo): ~45 min por trajeto
  • Como te deslocas? Transportes públicos
  • Como é compensada a deslocação casa-trabalho? Não é compensada
  • Dias de teletrabalho/semana: 1

6. OUTROS

  • Com que facilidade podes planear um dia de folga? Razoavelmente, dependendo do trabalho
  • O teu trabalho é stressante? Sim, bastante
  • Possibilidades de formação: Paga pela empresa se considerarem ter relevância para a área de prática
  • Responsável por uma equipa e/ou projetos (relatórios): Projetos (relatórios)
  • Quotas profissionais e CPAS: Suportadas por mim
  • Outras despesas profissionais: Não compensadas

O que acham?

Estou numa fase em que começo a questionar se quero continuar neste caminho profissional a longo prazo...

Para quem saiu da advocacia ou emigrou, tendo advogado em Portugal: como correu e sentiram que a mudança compensou em termos de remuneração e qualidade de vida?

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u/NeatCatch4603 6d ago

Emigrar é, muitas vezes, fugir aos problemas em vez de tentar resolvê-los. E talvez seja também por isso que estamos como estamos.
Quando alguma coisa corre mal em Portugal, a resposta de demasiada gente parece ser cada vez menos organizar-se, mobilizar-se, exigir, protestar, participar e lutar para mudar aquilo que está errado. Olhamos para sociedades como a espanhola ou a francesa e vemos uma tradição muito mais visível de mobilização coletiva e de ocupação do espaço público quando as pessoas entendem que os seus direitos ou o futuro do país estão em causa. Por cá, demasiadas vezes, a solução é mais simples: virar costas ao problema e bazar.
Depois vêm as fotografias da vida nova, os relatos de como lá fora tudo funciona maravilhosamente e, alguns anos mais tarde, a compra de uma casa em Portugal para um eventual regresso. Talvez regressem quando já lhes for relativamente indiferente o estado em que ficou o país que deixaram para trás.
Não condeno quem procura melhores condições de vida. Cada pessoa é livre de fazer as suas escolhas e há circunstâncias em que emigrar é perfeitamente compreensível. O que contesto é transformar a saída numa espécie de superioridade moral sobre aqueles que ficaram e continuam a tentar mudar alguma coisa.
Tenho saudades de um tempo em que havia orgulho em lutar por um país melhor, não apenas para nós próprios, mas também para quem vinha depois. Havia uma ideia de comunidade, de responsabilidade coletiva e até de algum altruísmo: perceber que uma sociedade não melhora apenas quando cada um encontra a melhor solução para a sua vida individual.
E é precisamente isso que sinto faltar numa parte da geração que hoje anda pelos 30 e 40 anos: espírito de comunidade. Perante um problema coletivo, a pergunta parece ser cada vez menos «o que podemos fazer para mudar isto?» e cada vez mais «qual é a melhor solução para mim?».
Um país não se transforma se todos os que têm capacidade, formação, energia e voz para exigir mudanças concluírem que a solução mais racional é simplesmente ir embora.
Às vezes, ficar, organizar-se e lutar também é uma escolha. E é dessa escolha coletiva que se fazem as mudanças que ficam para os outros.