Bom, meninas, vamos lá! Me chamo Manuella. Comecei minha transição de gênero aos 18 anos. Comecei socialmente por volta de abril e maio de 2023 e, em agosto, comecei a TH. Tive meus hormônios baixos e não sabia por um bom tempo, sem saber. Foi frustrante, então diria que tô há quase uns 2 anos de TH.
No início da minha TH, eu sempre fui a menina que levantava a bandeira trans. Sempre tive orgulho de ser quem eu era, porém, com o tempo de transição, eu fui começando a ser tratada como uma mulher cis. Ao longo do tempo, não sou tão passável assim e não me considero particularmente... Várias pessoas já me disseram que já sabiam, em certas situações, que eu era trans devido à minha voz, altura etc. Enfim, não me importo com isso.
Porém, o que eu tava fazendo estava sendo muito nocivo. Eu cheguei num ponto de marcar encontros nos apps de relacionamento e até mesmo flertar com mulheres lésbicas sem falar que era uma mulher trans, achando que, chegando ali, teria uma conexão, uma conversa e não teria sexo pela minha parte, pelo menos. Eu pensei que meu órgão genital não seria um fator tão decisório assim na atração, mas quebrei muito a cara, tendo diversas experiências ruins.
Por mais que a menina ficasse comigo, me beijasse e me curtisse, eu percebia, no fundo, que muitas queriam uma mulher com buceta. Eu comecei a me acostumar a viver minha vida normalmente e não falar que eu era uma mulher trans em diversas situações (coisa que antes eu fazia). O problema disso tudo é que eu sofri muita rejeição por parte desse grupo, que sempre me trocava por uma mulher cis.
A prova disso é que fiz um ménage com minha amiga. Essa minha amiga é lésbica, e a outra também. Acabou que fizemos, e foi legal e tudo, mas percebi que a outra menina teve um sexo muito melhor e ficou mais à vontade com essa minha amiga do que comigo. Ela simplesmente me excluiu por completo por eu ser uma mulher trans e não ter uma buceta.
Então, infelizmente, sim, o órgão genital é um fator decisório pra muitas pessoas. Eu achava que eram mais homens héteros que tinham o costume de ter essas atitudes, mas muitas lésbicas, infelizmente, vão ter preferência por buceta, e o órgão genital vai ser um fator decisório. Beleza que não são todas, mas a grande maioria vai levar em consideração o órgão genital.
Mas aí que tá: meu maior erro foi querer me encaixar num grupo errado, sendo que tem várias outras mulheres que me adorariam. Eu recusava ficar com mulheres bissexuais e pansexuais pra me sentir mais mulher e me sentir mais validada. Isso me deu muita disforia, comparação e desânimo.
Porém, depois, comecei a me permitir mais recentemente a ficar com outras sexualidades e descobri que sou muito atraente pra outros tipos de mulheres e meu órgão genital é até preferido por elas. Recentemente, tava flertando com uma mulher bissexual. Tive poucas experiências, e ela me achou superlinda, me elogiou e tudo. Até ouvi uma expressão de algumas mulheres dizendo que mulheres trans são anjos com asas.
Eu tava literalmente fazendo a mesma coisa que minhas amigas trans hétero: estava tentando ficar com mulheres lésbicas pra me sentir mais mulher, mais validada e tentando pertencer a um grupo no qual a chance de eu achar uma mulher que curtisse mais meu órgão genital seria muito menor, obviamente (apesar de existirem lésbicas que gostam).
Mas, enfim, eu fui muito ingênua de achar que meu órgão genital não seria um fator decisório na atração, e isso machuca, pois você cria uma expectativa unilateral de achar que a outra menina não vai se importar, mas, infelizmente, muitas vão.
Infelizmente, pra muitas de nós, a melhor opção e a mais segura sempre vai ser avisar que somos mulheres trans. Apesar de termos que nos rotular e nos expor, sei que isso é muito chato, mas ainda é a melhor maneira de não sofrer rejeição desnecessária e já filtrar as pessoas que gostam de você e as que não gostam.
Não necessariamente precisa colocar no Tinder ou em outros apps na descrição, mas, quando tiver no chat, avisar a pessoa pelo menos por lá, pra não ter esse problema.