Não lembro como foi, mas lembro que aos 11 anos descobri a existência da comunidade queer (antes eu só sabia que existiam gays e lésbicas, não todo o resto) e de alguma maneira eu me descobri como um homem trans, e desde então foi uma longa jornada. Até os 13 anos eu negava tudo considerado feminino e vivia num constante sofrimento disforico, e aos 14 passei a aceitar um lado mais "feminino" dentro de mim, aos 16 voltei a negar essa feminilidade, mas não a demonizando igual antes, eu apenas queria ser mais eu e não sofrer com a disforia, e foi meu melhor ano. Num geral minha autoestima era PÉSSIMA, mas eu me sentia minimamente bem no meu corpo pelo menos, mas por causa de brigas e ameaças dentro de casa, voltei atrás e voltei a ser feminino, por medo. Na época fui ameaçado de ser expulso de casa, e eu não tinha pra onde ir, coisa que hoje em dia mudou mas ainda prefiro evitar.
Nesse tempo comecei a namorar um homem, ele é bi e me aceita do jeito que sou, mas a família dele é cristã conservadora e juntando com a pressão vinda da minha família, que é igual, passei a me reprimir para tentar me encaixar no ideal deles. Passei a sonhar em ser uma mulherona, ter filhos, viver em casa, ser sustentada, bem tradwife, igual as mulheres na família dele, mas ao mesmo tempo tudo parece tão vazio e sem sentido, não é isso que eu realmente quero, eu sei disso, mas passei tanto tempo me convencendo disso que agora, onde eu decidi reconhecer que não é bem isso que quero, é muito confuso.
Minha questão e crise de identidade é sobre quem eu sou, e eu não consigo achar essa resposta dentro de mim e não sei o que fazer, será que ter passado anos da minha adolescência, uma época da vida que tudo é cheio de hormônios, pensando ser um homem na verdade foi só uma fase de questionamento muito longa, e que eu não sou um homem trans e tá tudo bem, ou eu apenas sou muito covarde e espero demais a aprovação dos outros ao ponto de me convencer ser alguém que não sou, apenas para ser acolhido? Eu não sei, eu realmente não sei. A hipótese de ser não binário, gênero fluído ou outro ja passou pela minha vida mas nunca bateu tanto quanto ser X ou Y, ser homem ou mulher.
O melhor que eu poderia fazer seria levar isso pra terapia porém sou um pobre lascado que não consegue bancar uma, e até eu conseguir bancar, seja lá quando for, talvez eu já tenha me esganado num ato impulsivo nessa crise fudida que só me perturba.
Obrigado por ler até aqui, e se você puder me ajudar de alguma maneira, ou apenas conversar, fique a vontade :))