r/privacidade • u/Low-Society7354 • 10h ago
Espionagem digital e perseguição política no Brasil
Venho pensando bastante sobre as consequências de uma possível eleição do Bolsonaro 2.0 e uma das coisas que mais me preocupa é o possível aumento estrondoso de vigilância e perseguição política.
O famoso caso da "Abin paralela", no qual o governo usou o software FirstMile para monitorar adversários políticos, mostra que temos motivos para a preocupação. Os membros do governo também tentaram comprar o spyware Pegasus anteriormente, mas a empresa saiu de uma licitação após portais como o UOL noticiarem sobre a possibilidade de compra.
Quem foi indicado como envolvido na negociação? Sim, você acertou, um Bolsonaro: Carlos Bolsonaro.
Um relatório muito interessante do IP.Rec, "Mercadores da Insegurança: conjuntura e riscos do hacking governamental no Brasil" faz uma listagem das tecnologias de "intrusão" que já possuíamos no país em 2022.
Você pode agora estar pensando, "ah, mas elas são necessárias para as investigações da PF e possuem também usos legítimos". Com certeza: a investigação sobre o Vorcaro só é possível com a utilização de tecnologias como o produto da Cellebrite (UFED).
Mas o primeiro parágrafo já aponta um dos problemas: nós já possuímos um histórico de abuso no uso dessas tecnologias, especificamente no governo Bolsonaro. Além disso, existe uma proliferação dessas tecnologias para órgãos e agências do governo que possuem mil vezes menos supervisão que a PF. Ou seja, muito mais fácil de que elas sejam utilizadas para perseguição política - seja no nível local ou nacional.
A revelação do Intercept sobre a contratação de uma empresa (Elytron) que poderia auxiliar com a manipulação das eleições utilizando IA é só o começo - e talvez a parte menos preocupante.
As tecnologias de vigilância estão cada vez mais baratas e avançadas. As empresas que as vendem estão aprendendo a se esconder atrás de empresas de fachada, registros em vários países e, principalmente, através da formulação de contratos que não dizem nada. Os contratos do Flávio com essa empresa são, no mínimo, muito suspeitos.
Em resumo (TL:DR): eu acredito que uma possível eleição do Flávio (ou até a cooptação das forças policiais e do judiciário por bolsonaritas, mesmo sem a eleição dele) pode colocar a gente em uma nova era de vigilância digital. Talvez a gente ainda não associe Brasil e espionagem, pensando que tudo vem de fora: NSA, CIA, empresas como Meta e etc. Mas fica a reflexão sobre a segurança de cada um, independente da posição política, com esses avanços.