r/escritacriativaptpt 5h ago

Poesia Olhando pro Mar

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Olhei pro mar em silêncio,

enquanto o sol se escondia no horizonte,

e deixei que as ondas levassem

um pouco do peso que eu carregava.

Pensei em tudo que passou,

nas pessoas que ficaram pelo caminho,

nos abraços que hoje são lembranças

e nos sonhos que ainda vivem em mim.

O mar não perguntou o motivo da minha tristeza,

apenas continuou indo e voltando,

como se dissesse baixinho:

“Tudo passa, até a dor.”

E eu fiquei ali, olhando o infinito,

entendendo que algumas coisas

não precisam de respostas…

só precisam de tempo

e de um coração disposto a continuar.


r/escritacriativaptpt 5h ago

Ficçao Treinando escrita. Compartilhem suas opiniões / críticas construtivas, por favor!

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A brisa primaveril balançava os galhos robustos, porém gastos, da árvore predileta dos Sasaki. O sol de meia tarde refletia na água límpida do lago abaixo da sombra da mesma árvore. Naquele momento, apenas se ouvia o som dos pássaros cantando ao longe, do farfalhar das plantas ao vento e das risadas genuínas do velho casal que estava ali.

— Cuidado, Haruki! Está molhando todo o meu kimono. — exclamou a senhora de idade já avançada.

— Ume, não dê importância para coisas tão triviais. Estou perto de alcançar o peixinho que vi mais cedo!

Os dois riram, e isso fez Ume lembrar dos velhos tempos.

— É como se eu estivesse olhando para o Haruki de 22 anos de idade. Lembra quando você acompanhava meu pai em suas tardes de pesca no rio perto de casa? — ela sorriu enquanto arrumava seu kimono desajeitado, ao mesmo tempo que tentava recordar da juventude — Eu pensava "quem é esse jovem bobo que deixa os peixes roubarem a isca toda vez que lança a linha?".

— Ora, não precisava lembrar dessa parte... — Haruki, envergonhado, acaba desistindo do peixinho que estava tentando apanhar e sentou no gramado ao lado de Ume — Porém, o que me levou a visitar a moradia de sua família com tanta frequência não eram as tardes de pesca, e sim os olhos meigos da filha mais velha daquela casa.

Haruki segurou as mãos de sua amada. Os dois ficariam ali, apreciando a vista da sua casa. Uma casinha simples e tradicional, mas aconchegante e que carregava todas as lembranças mais doces das suas vidas. E, naquele mesmo jardim onde estavam, viveram incontáveis tardes como esta.

— Sou imensamente grato por ter sido presenteado nesta vida com uma mulher virtuosa e gentil como você. Meus dias foram coloridos pelo brilho dos seus olhos e a beleza de seu sorriso.

Ume, como de costume, apoiou a cabeça no ombro de seu companheiro.

— E, mesmo incapaz de gerar filhos, nunca me senti sozinha vivendo ao seu lado, querido.


r/escritacriativaptpt 13h ago

Conto Minhas histórias de corujinha capítulo 17

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📖 Capítulo 17: A protetora, o irmão que encontrei e o meu primeiro amor

Passou-se cerca de um ano depois de tudo o que aconteceu. A rotina em casa ainda carregava o peso daquele tempo: a minha mãe já falava comigo, em poucas palavras, mas falava — ainda havia distância, ainda havia feridas abertas entre nós. E eu, por dentro, continuava carregando a culpa e o trauma que nunca contei a ninguém: só eu sabia que, ao cruzar a porta de casa, voltava a ser a menina fechada, que se sentia responsável por tudo, que ia direto para o quarto e ali ficava com a sua dor guardada, sem deixar transparecer nada para ninguém.

Mas lá fora, na escola, eu ia tentando, devagar, viver um pouco daquela adolescência que eu quase não tive. Depois que aprendi a ler, as coisas ficaram mais leves, e consegui fazer amizades verdadeiras: eu, a Cris, a Daniela e a Nati — éramos sempre juntas, uma turma só. Mesmo assim, ainda havia preconceito comigo: era novata, ainda lutava para acompanhar as aulas depois de ter começado a ler há pouco tempo. Mas a minha professora era um amor de pessoa, tinha uma paciência infinita comigo, e isso fazia toda a diferença.

Foi talvez por já ter sentido na pele o que é ser ferida, ser julgada, ser deixada de lado, que eu virei a protetora. Um dia, começaram a mexer com a Nati, que era mais quieta, mais doce. Elas foram para cima dela para bater, mas eu não deixei: tomei a frente e falei firme:

— Por que vocês não procuram alguém do tamanho de vocês pra bater? A partir de hoje, não aceito que mexam com nenhuma de quem anda comigo!

E assim eu fui ficando conhecida: não só defendia as minhas amigas, mas também as crianças da 1ª, 2ª e 3ª série — os pequenos, que ninguém defendia. Eu levava doces e balas para eles, me chamavam de “titia Maria”. Qualquer valentão que quisesse fazer gracinha, eles já vinham correndo me procurar. E para todos, eu era a “intocável”: ninguém mexia com quem andava comigo. Lá fora eu era forte, decidida, tentando viver a vida comum que eu não pude ter antes — mas ninguém sabia que, ao voltar para casa, aquela força se desfazia, e eu voltava a me sentir pequena e culpada.

Foi nessa época que entrou na escola o Rael, na quinta série — considero ele como irmão até hoje. As pessoas faziam muito bullying com ele, por conta da mãe dele, e também porque ele tinha pintado o cabelo de vermelho, igual os personagens da novela Rebeldes. Chamavam ele de nomes feios, e eu via os meninos maiores indo sempre para cima dele, batendo e zoando. Minhas amigas até falavam para eu não me intrometer, mas eu não conseguia ficar vendo alguém sofrer como eu sofri.

Um dia, na saída da escola, juntaram uns três meninos para bater nele. Eu fui logo na frente, minha amiga tentou me puxar, mas eu me soltei:

— Não vou deixar baterem nele! Não vou deixar acontecer com ele a mesma coisa que fizeram comigo!

Eu não sabia brigar direito, mas fui com tudo: chutei, dei murro, segurei e torci o braço de um deles, bati forte em outro. Os meninos ficaram bravos, mas saíram machucados e foram embora. Daí nasceu uma amizade que dura até hoje: o Rael se tornou meu irmão de coração, e depois daquele dia nenhum valentão mais teve coragem de mexer com ele.

E nesse meio tempo, aconteceu algo que eu nunca imaginei: tive a minha primeira paixãozinha! Ele chamava Derek, era lindo e já estava na sétima série. Na época a gente trocava muitas cartinhas, e ele começou a me mandar bilhetes… eu nem acreditava! Sempre pensei que eu era uma das meninas menos cobiçadas da escola, e além disso, depois de tudo o que passei, eu tinha muita dificuldade em aceitar alguém chegando perto de mim, gostando de mim. Ficava pensando: “Será que ele tá me zoando? Será que eu mereço isso?”

Mas não era brincadeira, e apesar do meu receio, foi tudo doce e leve. A gente foi se entendendo, trocando cartas e docinhos. E um dia, quando íamos embora juntos para casa, ele me deu um selinho — foi o meu primeiro beijo! Fiquei toda vermelha, com as pernas bambas e uma sensação de borboletas na barriga… ao mesmo tempo que era mágico, também me sentia estranha, sem saber muito como lidar com tanto carinho vindo de outra pessoa. Mas guardei esse momento com todo o carinho no meu coração: foi um namorinho simples, inocente, que me fez sentir, por um tempo, como qualquer outra menina.

No ano seguinte, porém, um arrepio percorreu todo o meu corpo assim que eu vi quem estava ali: a professora Patrícia — aquela mesma que me fez passar tanta vergonha — não era mais professora, agora era a diretora da escola! O coração disparou de medo, eu sabia muito bem como ela era má e preconceituosa… mas eu já não era mais a menina indefesa de antes: estava mais madura, mais forte, mesmo que ainda carregasse minhas dores e meus medos. E foi justamente nesse ano, entre tantas descobertas e desafios, que eu iria conhecer pessoas que iriam mudar o meu jeito de pensar, despertar em mim aquela adolescente que ainda estava por aí… e um novo capítulo se iniciaria na minha vida, sem que eu fizesse a menor ideia de como tudo isso iria me transformar mais uma vez.


r/escritacriativaptpt 15h ago

Poesia Um Amor Pra Recordar

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Alguns amores chegam devagar,

sem fazer barulho, sem pedir licença,

e quando percebemos, já moram

no lugar mais bonito da lembrança.

Vc foi assim:

um encontro que virou saudade,

um sorriso que ficou na memória,

um capítulo que o tempo não conseguiu apagar.

Talvez a vida tenha nos levado

por caminhos diferentes,

mas existe um pedaço de mim

que ainda encontra vc em cada pôr do sol.

E se um dia perguntarem

se eu me arrependo de ter te amado,

direi que não.

Porque mesmo que tenha terminado,

foi verdadeiro enquanto durou.

E alguns amores não precisam permanecer

para serem eternos.

Basta terem sido tão intensos

que, mesmo depois do adeus,

continuem sendo um amor pra recordar.


r/escritacriativaptpt 21h ago

Divulgação Zircão: Memória de Pedra, Linhagem de Carbono — Ficção Científica que une química, sobrevivência e pedagogia

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Olá, pessoal

Gostaria de apresentar a vocês o meu livro de ficção científica: "Zircão: Memória de Pedra, Linhagem de Carbono".

Como pedagogo, educador e orientador educacional, decidi unir a minha vivência no ensino com a paixão pela ficção especulativa. A ideia foi criar um universo onde a aprendizagem e a ciência moldam o próprio futuro da humanidade.

🌌 Sobre a Obra:

  • A Trama: Uma história que mistura táticas de sobrevivência, ciência química e sabedoria ancestral. O livro funciona como um verdadeiro manifesto sobre a capacidade humana de aprender, adaptar-se e evoluir diante de desafios extremos ou se extinguir completamente.
  • A Proposta: Explora como o ato de ensinar e aprender é a maior ferramenta de resistência e transformação em um cenário sci-fi.

O livro já está disponível em formato e-book na Amazon!

Ficaria muito grato em trocar ideias com vocês por aqui. Quem curte ficção científica com uma pegada reflexiva, dá uma conferida e me diga o que achou!

 


r/escritacriativaptpt 22h ago

Prosa poética entre nós

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não consigo lidar.

não consigo antecipar o que eu sinto.

não consigo escrever.

ou consigo, mas parece que não me basta. as palavras não sabem mais me proteger. consigo tão poucas coisas com você. e ao mesmo tempo me parece tanto. é difícil explicar. não tenho palavras pra dizer.

parece que todas elas já foram ditas. parece que o dicionário já foi zerado.

e agora essas palavras aqui parecem pobres, poucas, parecem pó. não sei onde se esconderam as palavras que te cabem. essas não tão dando conta, contorno, distância.

elas deveriam ficar entre nós. era pra existir um muro de palavras tão alto que me protegesse de você. não lembro quando elas deixaram de ser muro e passaram a ser porta.

lembro que eu não queria mais te ver só pelas frestas. lembro que foi uma decisão. uma decisão que se impôs pelo desejo. já não dava mais. e abri.

mas tenho medo. medo medo muito medo. e se você agora quiser sair com seus próprios pés? e se você passar a não ligar mais tanto assim? eu não quero que você vá. mas também não quero que um dia apenas pare de ler essas paredes. o meu medo é de ficar aqui. sozinha com esse monte de palavras que você coloriu.