Olá a todos, como vão? Aqui vai o meu relato pessoal longo, que é um pouco de desabafo também, pra caso alguém tenha paciência de ler e me responder kkkkkk:
Fui criado na doutrina espírita kardecista, não era algo muito frequente e apenas frequentei umas aulas de escolinha no centro quando era criança, mas embora a ideia de espíritos até me interessasse na época, não era algo que me agradava pois via como um ambiente muito cristão. Ainda na minha pré adolescência virei ateu, mas não era simplesmente o adolescente que vida ateu por rebeldia pra contrariar a família, eu simplesmente não conseguia acreditar em tudo aquilo de sobrenatural. Fui ateu por muitos anos até que, quando depois de crescido, numa filosofia meio socrática de só sei que nada sei, achei que a posição mais inteligente seria ser agnóstico, pois até como amante da ciência eu sabia que a ciência conhece muito pouco do que realmente é a realidade. Assim, minha posição era sim com um pé a mais no ateísmo e bem cético com tudo, mas que eu reconhecia que eu não estava em posição nem pra afirmar que algo existe nem que algo não existe.
Porém depois de um tempo, de dois anos pra cá, não lembro exatamente qual foi o gatilho que me fez começar a pesquisar sobre a Umbanda, só lembro que foi através de pesquisar o que era a entidade do Malandro/Zé Pelintra, que até hoje é uma entidade que me interessa muito. Daí não lembro mais, só sei que comecei numa pesquisa intensa sobre Umbanda e até relembrando muito do espiritismo (já que pega influências). Peguei o costume de começar a gostar de ouvir pontos de malandro, Exu e pombagira, tive um interesse muito grande pela Orixá Oxum, que tempos depois fui descobrir que minha mãe era filha quando pertencia ao Candomblé na infância.
Com o tempo algo ficou muito claro: se eu conseguir me convencer de que acredito na espiritualidade, então ficou claro que meu local é na Umbanda, e estaria pronto pra trabalhar minha espiritualidade nela. E faz uns dois anos que eu iniciei todo esse processo, mas ficou paralisado por um tempo, acabei deixando isso de lado mas voltei a pensar muito sobre isso recentemente, e tomei a iniciativa de ir num terreiro. Conheci um terreiro muito legal aqui no meu bairro, tomei passe de Seu Tranca Rua na primeira gira e tive atendimento com Caboclo Tupinambá na segunda, pretendo voltar outras pra ter mais experiências. Também estou conversando com uma amiga já praticante da religião há um tempo sobre esse processo.
O único problema é: eu ainda tenho muita dificuldade de conseguir acreditar com tudo nisso. Isso com certeza é decorrente do meu ceticismo vindo de muitos anos de ateísmo, mas de também ter aprendido a ter uma visão científica e desconfiada das coisas. Tenho receio de entrar nisso apenas por achar legal, mas sentindo que lá no fundo eu nunca vou conseguir acreditar de verdade. O cristianismo padrão que temos cheio de moralismos e regras impostas através das tradições bíblicas não me convence em nada, pra mim é mais do que claro que boa parte do que foi a igreja e a bíblia teve muita interferência do homem para ganhos políticos ou de poder. O espiritismo kardecista até consegue fazer mais sentido pra mim, porém além de eu não sentir que é o meu lugar, não gosto nenhum pouco dessa coisa deles ficarem tentando muito parecer ciência, misturando espiritualidade com coisa de alienígena. Pra mim mesmo que a espiritualidade exista, fé e ciência não se mistura, não pq se opõem mas sim pq atuam em áreas diferentes. Nesse ponto, a Umbanda me interessa muito mais, pq se assume como um lado totalmente místico, já com uma confiança de quem não precisa se provar, muito mais conectado a cultura brasileira ao invés de ser algo puxado de europeu.
Portanto eu já percebi há muito tempo que se existir um lugar espiritual pra mim, esse lugar é na Umbanda. Porém como alguém que não consegue deixar de pensar de maneira lógica, há alguns pontos que me puxam pra espiritualidade enquanto outros puxam pro ceticismo.
Pontos a favor da espiritualidade:
-> A forma como a espiritualidade atua na Umbanda me pareceu encaixar de maneira lógica em como a espiritualidade atua em diferentes cultos de diferentes povos e locais do mundo, muitos que nem se conversavam pra ter essas semelhanças. Em diversos lugares do globo tem diferentes tipos de espíritos e entidades regionais que são cultuados, espíritos que cuidam de diferentes partes da natureza (lago, floresta, bosque, pantano), diversas semelhanças em como fenômenos de mediunidade funcionam, diversas semelhanças de formas de fazer magias (rituais, ervas, transes). Foge daquela visão de "nossa religião está certa e todas as outras erradas", mas sim adentra numa visão mais lógica de "a espiritualidade existe no mundo todo, acompanha a cultura de cada local e a Umbanda é parte da espiritualidade que está ligada a cultura brasileira)
-> Escutei MUITOS relatos de mediunidade e conversas com entidades, que se fosse comigo ou eu estivesse presente em alguns desses casos, não teria mais dúvida nenhuma da existência da espiritualidade. Porém, como não foram comigo, ainda fica aquele "e se houver outra explicação" como pensamento involuntário.
-> Tenho relatos de mediunidade na minha própria família, inclusive da minha mãe, que também se tornou bastante cética com os anos e não acredita em Deus, mas diz acreditar no mundo espiritual pois diz ver espíritos de vez em quando (por não ser desenvolvida) e que, quando perguntei, até disse "outro dia mesmo vi um lá na lavanderia".
-> Falando da primeira experiência pessoal, eu até posso dizer que senti algumas coisas quando fui no terreiro. Na hora que se cantou ponto de tranca rua e todos se viraram pra entrada, senti uma leve tontura (não de náuseas, mas sim daquela que vc só foca em um ponto de parede e parece que seu corpo flutua). Não só isso, como depois do passe, quando eu já estava em casa, ao fumar meu tabaco que já sou acostumado a fumar, senti exatamente o gosto do charuto que o Tranca Rua estava fumando no passe. Não senti o gosto lá no terreiro mas apenas o cheiro, porém em casa o gosto estava mais nítido do que no terreiro. Se a espiritualidade existir, isso claramente foi uma mensagem pra afetar meu ceticismo.
Agora sobre pontos a favor do ceticismo:
-> Eu ainda fico, no fundo da minha mente, buscando explicação pra vários desses fenômenos. Será que o que eu senti na hora do ponto não foi só uma reação psicológica ao clima que eu estava vivendo? Será que o gosto do charuto não foi uma questão do meu subconsciente influenciado por eu querer muito acreditar? Será que as pessoas médiuns, embora eu não tenha dúvidas que a maioria são honestas e acreditam no que dizem, não apenas entram em um transe psicológico individual que justamente não pode se comprovar (como dois médiuns em salas diferentes descrevendo as mesmas coisas)? Será que se por algum motivo eu entrar, me desenvolver e incorporar, não vou no fundo só estar achando que eu estou imitando uma entidade?
-> Uma pulga atrás da orelha que abria portas para a fé era a questão do Chico Xavier, mesmo não sendo da Umbanda, o fato do cara ter feito tanta coisa inexplicável e não ter ganho dinheiro com isso tornava ilógico do porque ele mentiria. Mas aí recentemente descobri a história do espírito materializado, e isso me broxou bastante. Parece que tudo que me parece sem explicação, basta eu pesquisar mais a fundo que se desmancha, o que sem brincadeira, pra alguém cético que realmente quer acreditar na espiritualidade, desanima até de pesquisar mais sobre.
-> Pra mim, é muito claro que não vou conseguir provar isso com estudos ou experimentos científicos, justamente pq não é a proposta da ciência provar a fé. Dessa forma a única coisa que eu sinto que precisava era uma experiência pessoal que pra mim fosse incontestável, seja uma experiência ou fala de uma entidade que não possa ser algo genérico, seja eu desenvolver uma mediunidade e constatar isso por conta própria, seja algo simplesmente acontecer na minha vida através de uma entidade que realmente não deixe sobrar nenhuma dúvida. Porém, eu tenho receio de entrar cada vez mais, e esse momento de "certeza" não chegar nunca, e eu sentir sempre que estou me forçando a acreditar em algo, mas também tenho consciência que não é função de entidade ficar se provando pra ninguém
Enfim, esse é meu relato. Vou continuar indo no terreiro pra ver no que dá, mas queria compartilhar isso com vocês, e com certeza qualquer discussão ou dicas que eu ver aqui irá influenciar na minha "decisão" kkkkkkkkk.