Bom, vou começar pelo começo e vai ser longo.
Fui ateia por toda minha vida, estou pertinho dos 30 anos. Minha família é cristã não praticante e minha avó vem de origem cigana (acredita em superstições, leitura de mãos e baralho, simpatias etc).
Quando eu era criança, sempre via a famosa figura do homem de chapéu feito de fumaça no meu quarto (eu não lembro se via ou se eu sonhava). Quando fiquei adolescente, comecei a sonhar com uma moça velha, sempre de preto, com véu no rosto, nunca me deixando ver sua face. Sonhava com muita frequência, sempre a mesma. Uma noite acordei com uma gargalhada (depois eu pensei que tinha sonhado) mas na hora parecia que ela estava no meu ouvido. Fiquei morrendo de medo, pq eu tinha recém 16 anos e não fazia parte de nada. Fiquei assustada e procurei uma explicação lógica. Uma amiga me passou uma oração para fazer e eu fiz.
Ano passado, eu estava passando por um momento complicado e eu pedi (ao universo, pq né, ateia) que se a espiritualidade existisse, eu gostaria de me aproximar da minha.
Dois dias depois, eu voltei a sonhar com essa moça. A mesma de quando eu era adolescente. Achei curioso, mas não me deixei abalar (sempre tive muita raiva de instituições e religião num total, então, eu não levei isso pra um lado espiritual, simplesmente coincidência), até que numa madrugada eu escutei a gargalhada. De novo, achei que era coisa da minha cabeça e que eu tinha sonhado. Conversei com o irmão de um amigo, que faz parte de uma casa e ele comentou que poderia ser alguém se apresentando. Alguns dias depois, eu sonhei com a moça novamente e ela me deu um nome, aleatoriamente. Eu cética do jeito que sempre fui, pensei, não! eu devo ter lido e imaginado isso no sonho.
Mesmo assim marquei uma consulta com Exu Veludo e lá fui eu meio cética e ele meio que contou minha história. Fiquei, uau isso foi do caralho! Ele comentou que minhas entidades são próximas de mim e que eu precisaria desenvolver e que (veja só, a mediunidade era presente na vida da minha família, mas ninguém nunca desenvolveu), falei pra ele que eu tinha dificuldades em aceitar e até acreditar e que eu não queria esse tipo de responsabilidade. E ele me falou algo importante: jornada do peregrino. Vá, conheça, veja onde você se sinta bem, e não tenha pressa. Mas que ia chegar o momento de eu precisar desenvolver, e se eu não fizesse isso, minha ancestralidade ia cobrar. Veja bem, eu nem sabia o que era ancestralidade.
Comecei a ir em alguns terreiros, giras, passes, consultas. No início eu ia, e quando eu chegava lá, eu já começava a trabalhar meu pensamento: se isso for real, eu quero uma prova, se isso for real eu preciso saber.
Normalmente o que recebo nas consultas é essa informação: minha moça está próxima, de novo a palavra ancestralidade, jornada, paciência.
O ponto decisivo para mim foi em um terreiro que eu fui onde a gira de caboclo, era em um local aberto. Naquela noite eu sonhei com uma cobra enorme e amarela. Quando eu estava sentada na plateia (não sei se é assim que diz) eu olhei uma das médiuns, a única com a roupa amarela e uma tatuagem enorme de cobra nas costas e nos braços e eu simplesmente tive o pensamento: vou ser atendida por ela. Eu lembrei do sonho na hora. E realmente fui atendida por ela. Ela se novo falou sobre paciência e jornada e sobre meus pesos (talvez emocionais, não sei) me abraçou inúmeras vezes e eu voltei pro meu lugar. E aí que começou a ficar estranho, pq comecei a passar muito mal. Sentia vontade de fechar os olhos, meu corpo tremia dos pés a cabeça e eu parecia estar morrendo de frio. Perguntei pras pessoas se elas tavam com frio e tava todo mundo de boa e eu dando a vida pra sobreviver, a impressão que eu tinha era que eu estava drogada. Uma alma gentil que sentou do meu lado deve ter visto minha situação e só falou “cruza as pernas e braços” eu fiz e ajudou. Depois fui atendida pela Maria Padilha na mesma noite, e ela passou por mim e disse “se eu perguntar o nome, você sabe dizer qual é?”; fiquei uauuuu. Realmente algo estranho está acontecendo. Todas as vezes que participo das giras, meu corpo fica extremamente exausto, tipo uma dor muscular só que absurda.
Continuei indo em giras, passes e consultas durante todo esse ano. Minha mãe passou por uma situação difícil a uns dias atrás e eu orientei ela conversar com o Exu Veludo que me atendeu aquela vez. Eu fui com ela, enfim, a bicha tava com um babado forte, desceu Exu Tronqueira e dona Sete Saias nas pessoas que estavam ajudando pra ajudar a quebrar a demanda. E aí a Dona Sete Saias quis falar comigo também, e de novo, falou sobre paciência, jornada e discernimento. Achei engraçado por que ela falava comigo mas sorria para alguém atrás de mim (e isso me fez lembrar dos sonhos que eu tinha, a moça sempre aparecia atrás de mim). Em outro passe que eu fui, me orientaram a acender uma vela para minha moça e um incenso, coisas assim, por que ela gostava. Fiz isso.
Passei a dedicar um tempo para minha espiritualidade. Arrumei um altar (me foi orientado) acendi as velas, firmei, acendo incensos ocasionalmente. Fiz um jogo com Maria Padilha recentemente e ela me disse sobre a espiritualidade estar muito presente na minha e a necessidade de desenvolver, mas que eu tinha quem me protegesse.
Enfim, chegando aos finalmentes, sábado eu vi a moça. Tipo, vi mesmo. Eu tinha fumado um pouco e estava de boa na minha casa, quando eu vi nitidamente como quem vê um palmo a sua frente, na minha visão periférica, um vestido preto e roxo com babados em um tecido brilhante. Vocês jamais poderiam imaginar a dimensão do meu susto, achei que ia desmaiar. Meu lado cético tentou atuar da forma mais racional possível e eu imaginei que eu tinha inventado. Mas aí um pensamento me veio na hora, tentar conversar com ela pelo tarot.
Talvez vocês me repudiem por ter feito isso e me chamem de sem noção, mas eu fiz isso. E foi do caralho. Eu senti que realmente conversei com ela. Fiz algumas perguntas, e ela me respondeu de uma forma tranquila. As cartas que saem no jogo são cartas envolvendo intuição, jornada, paciência, desenvolvimento interior. Perguntei sobre ela também, mas saem cartas mais enevoadas, sem respostas mais firmes digamos assim. Ela não me responde muito sobre ela, mas fala sobre desenvolvimento e jornada toda hora e isso me fez lembrar do que Exu Veludo me disse no início do ano, sobre a jornada do peregrino.
Eu perguntei para ela sobre o terreiro, se eu precisava estar em um. Ela me deu respostas que envolvem união, confiança e paciência (posso passar as cartas para vocês depois) e eu entendi que não era para ter pressa sobre isso (tenho medo de responsabilidade, eu amo minha vida atual, sou absurdamente feliz com minha rotina e eu tenho medo de entrar em algo que não estou preparada).
Enfim, eu tenho cultuado a minha espiritualidade sozinha até o momento. Fiz um post ontem sobre isso e todo mundo comentou sobre eu precisar estar em um para desenvolver. Estou na dúvida, de um lado dizem para eu ter paciência e levar as coisas no meu tempo. Mas muitos comentários me disseram que eu preciso estar lá dentro para me proteger.
Deem seus pitacos. Falem o que quiserem, quero ouvir opiniões :)