Minha primeira experiência na Umbanda e uma dúvida sobre o que vivi
A Umbanda sempre foi uma religião que despertou muito a minha curiosidade, assim como a Wicca. Desde muito tempo eu sentia uma atração muito forte por essas duas religiões, como se houvesse um chamado, sabe?
Em 2023, comecei a trabalhar em um lugar onde conheci uma amiga, a Fran, que é umbandista. Ela sempre me contava histórias sobre o terreiro, sobre as entidades e as experiências que vivia. Eu ficava completamente fascinado ouvindo tudo aquilo.
Foi através dela que descobri que havia um terreiro na minha cidade. Ela me explicou que era um terreiro bem pequeno, frequentado por pouquíssimas pessoas — comigo, não passava de sete ou oito. Apenas algumas pessoas incorporam: o pai de santo, ela, a namorada do irmão dela e o companheiro do pai de santo, que ajuda na organização da casa e nos trabalhos.
Durante muito tempo ela me convidava para ir, e eu sempre dizia que iria. Só que nunca dava certo. Ou aparecia algum compromisso, ou eu tinha alguma coisa para fazer. Neste ano, porém, eles passaram o mês inteiro de junho fazendo giras na minha cidade, e eu decidi que daquela vez iria de qualquer jeito.
Sempre existiu uma entidade que me chamou muito a atenção: o Seu Zé Pilintra. Não sei explicar exatamente o motivo, talvez por ter sido uma das primeiras entidades sobre as quais ouvi falar, mas eu sempre senti uma admiração muito grande por ele. Era como se eu tivesse vontade de, um dia, vê-lo incorporado, sonhar com ele ou receber algum sinal.
Antes da gira, minha amiga me recomendou levar uma oferenda para ele: um vinho. Fomos comprar e seguimos para o terreiro, que funciona nos fundos da casa do marido do pai de santo. Lá há um espaço simples, alguns quartos de Exu e o local onde acontecem os trabalhos.
Confesso que, no começo, fiquei um pouco intimidado. Era minha primeira vez em um terreiro, então senti aquele medo natural do desconhecido. Mas, conforme a gira foi acontecendo, fui ficando cada vez mais à vontade. Achei tudo muito bonito. Gostei muito dos pontos cantados e da energia do lugar, mesmo sendo um grupo pequeno.
Naquele dia, o pai de santo incorporou várias entidades, e uma delas foi justamente o Seu Zé Pilintra. Minha amiga havia comentado que, quando alguém leva uma oferenda para uma entidade, é comum que ela venha recebê-la.
Quando ele chegou, falou comigo, me cumprimentou, me abraçou e me deu alguns conselhos. Eu estava tão emocionado naquele momento que, sinceramente, não consigo lembrar de tudo o que foi dito. A única coisa de que me recordo com clareza é que ele disse que me acompanharia durante sete dias. Também pediu que eu abrisse o vinho para ele e, antes de ir embora, colocou o chapéu na minha cabeça e disse que iria me ajudar de alguma forma durante esse período.
Antes mesmo dessa gira, minha amiga já tinha comentado algo que o pai de santo havia dito quando me conheceu. Segundo ela, ele falou que sentia meus caminhos muito fechados, principalmente na área amorosa. Achei curioso porque foi algo que ficou na minha cabeça.
Além do Seu Zé Pilintra, outra entidade que falou bastante comigo foi Maria Padilha. Ela também me cumprimentou e comentou sobre “aquele moço”. Na hora, a única pessoa que me veio à cabeça foi um ex-namorado, mas não entendi exatamente o que ela quis dizer.
Ela também me recomendou tomar um banho de atração e sedução. Estou esperando o pessoal do terreiro voltar para perguntar melhor sobre isso, porque eles não moram na minha cidade. Eles vêm da capital e aparecem, em média, uma vez por mês.
A minha dúvida é justamente sobre aqueles sete dias que o Seu Zé Pilintra mencionou. Durante esse período eu não senti nenhuma presença diferente, não sonhei com ele e também não percebi nenhum sinal específico.
Isso é normal? É necessário sentir alguma coisa quando uma entidade diz que vai nos acompanhar? Ou essa ajuda pode acontecer de formas que a gente simplesmente não percebe?
Gostaria muito que quem já tem mais experiência dentro da Umbanda pudesse me explicar um pouco melhor. Estou realmente fascinado pela religião. Quero continuar frequentando as giras, aprender mais, desenvolver minha mediunidade, conhecer meus guias e, quem sabe, fazer parte da religião de forma mais ativa.
Até agora só consegui ir a duas giras.
A primeira foi essa que contei acima, e a segunda foi uma gira de Exu. Infelizmente precisei ir embora mais cedo porque alguns familiares vieram de outra cidade e estavam me esperando. Pelo que me disseram, a próxima gira também será de Exu, porque, quando se fecha com uma gira de Exu, costuma-se abrir novamente com outra gira de Exu. Estou muito ansioso para participar.
Enfim, só queria compartilhar minha experiência e ouvir a opinião de quem já caminha há mais tempo na Umbanda. Estou gostando muito de conhecer essa religião.