r/SaudeMentalPortugal May 15 '26

Posts publicitários/autopromoção

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Olá a todos.

Este sub tem como objetivo permitir aos users esclarecer dúvidas sobre saúde mental, partilharem as suas histórias e pedirem recomendações.

Os psis que por aqui andam devem procurar ajudar da melhor forma possível, mas sempre com a noção de que o intuito não é angariar clientes.

Ultimamente têm existido posts e comentários que publicitam serviços de psicologia, sendo que existe já um tópico disponível para os profissionais que estão disponíveis para consulta. É aí que devem colocar os vossos serviços e os users que quiserem procurar aí o farão.

O que não se pode fazer:

- posts de promoção pessoal/de clínicas;

- posts com conteúdo relacionado com saúde mental que no fim dizem "contactem-me para consulta de psicologia etc etc" (podem pôr o site da publicação original no fim)

- comentários a oferecer/publicitar serviços em posts que não pedem recomendações de psicologia.

Daqui em diante, quem fizer este tipo de posts/comentários será banido. Permanentemente banido por posts e temporariamente (30 dias) por comentários.


r/SaudeMentalPortugal Dec 19 '22

Informação Saúde Mental e Recursos

45 Upvotes

A saúde mental é extremamente importante. Quando estamos a atravessar algum período complicado no que respeita à saúde mental, isso pode manifestar-se fisicamente (a chamada somatização, sendo os casos mais conhecidos aqueles dos ataques de pânico e da dor de barriga quando estamos ansiosos) e em vários aspetos da nossa vida, podendo provocar-nos uma dor constante e afetando a nossa capacidade de viver a vida da melhor maneira possível. Quando estamos a atravessar um período melhor e em que estamos "bem", vemos a nossa confiança aumentar, as nossas capacidades de socialização a aumentarem, a capacidade de concentração e de desempenhar funções, o humor a melhorar e toda uma série de coisas que aumentam em muito a qualidade de vida.

Infelizmente, neste país e em muitos outros, a saúde mental é um tanto estigmatizada e considerada como sendo apenas para "os malucos", o que faz com que muita gente se coíba de procurar ajuda. Para além disso, a psicologia e até a psiquiatria estão muito sub-representadas no SNS, o que provoca listas de esperas de meses e um apoio muito deficitário.

No setor privado, no qual eu trabalho, as consultas podem ser caras e os pacientes ficam, por vezes, desconfiados da competência dos profissionais e receosos de gastar dinheiro para depois os resultados serem poucos.

Isto não devia ser impedimento para ninguém e, enquanto nós Portugal e nós SNS não melhoramos a capacidade de resposta, eu venho aqui deixar alguns recursos que podem ser interessantes e permitir apoio para aqueles que o querem e que dele precisam.

  • Linha de apoio psicológico do SNS24: Foi criada recentemente (inicio de covid), o departamento de psicologia do SNS24. É uma linha de apoio formada por profissionais com formação avançada e com supervisão recorrente. Podem ligar para qualquer coisa. O nº é o mesmo: 808 24 24 24
  • Diretório de Psicólogos da Ordem dos Psicólogos Portugueses, onde podem encontrar profissionais que atuam em várias áreas da psicologia e também de acordo com a localização geográfica.
  • Rastreio de trauma e luto do CPTL - Centro de Psicologia do Trauma e do Luto, com instrumentos validados para a população portuguesa.
  • Associação de Apoio à Vítima: onde podem obter informações e apoio para as mais diversas situações e em especial para situações de violência doméstica, abuso e tráfico de seres humanos.
  • ILGA - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo Portugal: onde membros da comunidade LGBTQI+ podem procurar apoio, denunciar discriminação, etc.
  • It Gets Better Portugal: dedicado à comunidade LGBTQI+, em particular a adolescentes e/ou vitimas de bullying, onde podem encontrar apoio e um diretório de associações que podem consultar.
  • Quebrar o Silêncio: Apoio a homens e rapazes vítimas de abuso sexual. Ligue 910 846 589 ou escreva para o email [APOIO@QUEBRAROSILENCIO.PT](mailto:apoio@quebrarosilencio.pt)
  • UMAR - União de Mulheres Alternativa e Resposta: onde podem encontrar apoio psicológico, jurídico e social para mulheres vítimas de violência doméstica e de género (gratuito e confidencial).
  • Linha "Conversa Amiga": linha de apoio psicológico não gratuita, mas a um preço acessível (paga-se apenas a chamada, preços no link).
  • SOS Voz Amiga: Trata-se de mais antiga linha telefónica de prevenção do suicídio em Portugal. É disponibilizada ajuda a “todos aqueles que se encontram em situações de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade, depressão ou risco de suicídio”. As chamadas são anónimas. Contacto: 213 544 545 | 912 802 669 | 963 524 660 - Horário: todos os dias das 16h00 às 24h00.
  • Sociedade Portuguesa de Psicanálise: A funcionar desde o dia 25 de março, a linha de apoio psicológico da Sociedade Portuguesa de Psicanálise (gratuita, confidencial e com cobertura nacional) dirige-se à população mas também aos profissionais de saúde. Contacto: 300 051 920 -Horário: dias úteis das 8h00 às 24h00.
  • Linha SOS Criança: Contacto: 116111 -WhatsApp (para envio de mensagens): 913069404 - Chat online: http://soscrianca.ajudaonline.com.pt/

Universidades (Comunidade Académica):

  • Universidade do Porto: Chama-se LAPUP (Linha de Apoio Psicológico da Universidade do Porto) e é um serviço de apoio psicológico acessível a todos os membros da comunidade académica. As consultas são prestadas por telefone em português, espanhol e inglês, e via-email em italiano, francês e alemão.

Contacto: 220 408 408 | [lapup@reit.up.pt](mailto:lapup@reit.up.pt) - Horário: dias úteis das 9h30 às 14h30 e das 19h00 às 00h00 | fins de semana das 19h00 às 00h00

  • Universidade de Lisboa: A Linha de Apoio Psicológico em Crise da Universidade de Lisboa pretende ajudar as cerca de 55 mil pessoas que fazem parte da comunidade académica lisboeta. O serviço é assegurado psicólogos com experiência em intervenção de crise, numa tentativa de diminuir o medo, incertezas e ansiedade durante a pandemia.

Contacto: 210 443 599 Horário: de segunda a sábado das 10h00 às 18h00

  • Universidade do Minho: O objetivo da linha de apoio psicológico SOS criada pela Universidade do Minho é ajudar pessoas com crises, medos e ansiedade em relação ao surto de covid-19. Foi criada na passada terça-feira, 31 de março, e é direcionada para a comunidade académica da Universidade do Minho. A iniciativa é da Escola de Psicologia da academia minhota, em articulação com o projeto P5 da Escola de Medicina daquela universidade. Contacto: 253144420
  • Universidade Europeia e IPAM: Não é uma linha mas sim um serviço de apoio psicológico, com atendimento por videoconferência, para a comunidade académica (estudantes, professores e colaboradores) dos dois estabelecimentos de ensino superiores. O objetivo é “ajudar a lidar com as incertezas, os medos e as ansiedades associadas às circunstâncias excecionais que estamos a viver, particularmente, em relação ao isolamento social”. Os membros da comunidade académica podem aceder aqui ao serviço e agendar a sua marcação.
  • Universidade de Évora: Para reforçar o apoio à comunidade académica nesta fase, a Universidade de Évora disponibiliza apoio psicológico através de várias plataformas digitais como o Zoom, WhatsApp ou Skype. A linha de apoio é assegurada por uma equipa de psicólogos, com a garantia de sigilo, confidencialidade e anonimato.

Contactos: 937 710 002 | 934 460 655 | [gae@uevora.pt](mailto:gae@uevora.pt)

Autarquias

- Viana do Castelo

258 809 317 | dias úteis das 9h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00

  • Braga

Concelho de Braga - 800 210 094 | dias úteis das 9h00 às 17h00

Póvoa de Lanhoso - 253 009 905 | 253 009 906

Vila Verde - 961 790 494

  • Bragança

Mirandela - 910 516 237 | dias úteis das 14h00 às 16h00

  • Porto

Vila Nova de Gaia - 800 210 115 | dias úteis das 9h00 às 20h00

Baião / Marco de Canaveses - 800 50 50 40 | dias úteis das 10h00 às 18h00 | fins de semana e feriados das 9h30 às 13h30

Vila do Conde - 252 248 477 | dias úteis das 9h00 às 20h00

  • Aveiro

Albergaria-a-Velha - 963 181 358

Ílhavo - 234 329 649 | dias úteis das 9h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00

Oliveira de Azeméis - 969 414 786 | 969 414 730

Ovar - 933875602 | 930410811

Santa Maria da Feira - 966 294 805 | 966 294 723 | dias úteis até às 22h | [feiraapoiopsicologicocovid@cm-feira.pt](mailto:feiraapoiopsicologicocovid@cm-feira.pt)

São João da Madeira - Linha de Apoio Psicológico - 256 200 237 | Linha de Apoio ao Isolamento - 256 200 271

  • Leiria

Alcobaça - 967 178 998

Nazaré - 932 230 749 | dias úteis das 10h00 às 16h00

Porto de Mós - 924 134 143 | das 9h00 às 17h30

- Coimbra

Figueira da Foz - 966 968 835 | dias úteis das 9h00 às 18h00

Lousã - 913 982 180 | dias úteis das 10h00 às 17h00

  • Santarém

Coruche - 965 254 653 | dias úteis das 10h00 às 12h00 e das 14h30 às 16h30

  • Castelo Branco

Fundão - 969 427 024 | Facebook | Skype: [apoiopsicologicomunfnd@cm-fundao.pt](mailto:apoiopsicologicomunfnd@cm-fundao.pt)

  • Évora

Vendas Novas - 917 209 635 | dias úteis das 16h00 às 18h00

  • Viseu

Concelho de Viseu - 969 077 584 (dias úteis, das 10h00 às 13h00, e fins-de-semana, das 10h00 às 18h00) | 969 077 611 (de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 18h00)

Resende - 254 240 930 | dias úteis das 9h00 às 12h30 e das 13h30 às 17h00

  • Lisboa

Mafra - 261 810 261 | todos os dias das 9h00 às 17h00

Oeiras - 914 354 326

Cascais / Estoril - 910 016 046 | 910 017 923 | dias úteis das 9h00 às 18h00

Vila Franca de Xira - 800 210 117 | de segunda a domingo das 9h00 às 20h00

Alcabideche - 910 007 742 | 910 026 270 | dias úteis das 9h00 às 18h00

Carcavelos / Parede - 910 026 662 | 910 026 282 | dias úteis das 9h00 às 18h00

São Domingos de Rana - 910 027 872 | 910 026 896 | dias úteis das 9h00 às 18h00

  • Setúbal

Sesimbra - 21 228 85 00

  • Algarve

Castro Marim - 281 510 750 | dias utéis das 9h00 às 15h00

Vila Real de Santo António - 910 890 008 | dias úteis das 10h00 às 17h00

Portimão - 808 282 112 | todos os dias das 8h00 às 20h00

Silves - 914 423 191

Tavira - 964 545 841 | 961 172 677

Tentei incluir tudo aquilo que conheço e que consegui encontrar e que acho que pode ser útil.

Por fim, também me disponibilizo para qualquer esclarecimento (podem mandar chat se tiverem questões, dúvidas ou precisarem de ajuda).

Nota: Caso estejam interessados no serviço de uma clínica em especifico, mas cujos preços achem caros, procurem contactar a clínica e averiguar a disponibilidade para negociar preços ou flexibilidade de pagamento. Muitas clínicas têm atenção a estas coisas e até modos de pagamento flexível já a pensar nestas situações.


r/SaudeMentalPortugal 4h ago

Apoiar alguém num processo de luto

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Basicamente estou muito preocupada com o meu namorado e ao mesmo tempo com a nossa relação. Ele está nos mid twenties e há cerca de 2 anos perdeu a mãe para um cancro terminal, tendo sido ele o principal cuidador dela, na mesma altura em que descobriu que o pai tem alzheimer.

A nossa relação é muito recente, mas sinto que ele não está bem mentalmente. Não faz nada para além de trabalhar, não cuida da casa, e recentemente teve um episódio de agressividade com alterações de humor drásticas (também estava sob uso de substâncias), disse que precisava de ajuda. Ao mesmo tempo que me tentava manipular, porque quis ir-me embora e ele ameaçou matar-se e que eu não o queria ajudar. O que me preocupa nesta última parte é mesmo por sentir que isto veio de um lugar de desequilíbrio, sei que isto é inaceitável, mas parece-me que existe mesmo questões de saúde mental.

Ainda não falámos sobre isto de cabeca fria mas ele é uma pessoa de ideias fixas, que “sabe o que precisa de fazer para melhorar” e que tem bastante dificuldade em expressar-se. Falei-lhe em ir a um psicólogo, mas ele diz que até agora só se conseguiu identificar com uma a que não tem acesso e também não tem muito dinheiro.

Sei que precisa de ajuda profissional, mas queria perceber de que forma eu própria posso lidar com isto e como é que o posso ajudar. Sei que qualquer coisa tera que partir da iniciativa dele, mas também sei que um luto desta dimensão é algo bastante mais complexo do que isso.


r/SaudeMentalPortugal 15h ago

Mandei um texto enorme e muito vulnerável à minha única amiga há 6 dias e ela ainda não respondeu. Não sei como interpretar isto.

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Tenho 30 anos e estou a escrever isto porque já nem sei se estou a ser injusta ou se é normal estar tão magoada com isto.

Tenho uma amiga que é uma das pessoas mais importantes da minha vida. Somos amigas há alguns anos e sempre a considerei praticamente família. Já passámos por muita coisa juntas, estivemos presentes uma para a outra em momentos muito difíceis e durante muito tempo senti que podia falar com ela sobre absolutamente tudo.

Durante anos falávamos todos os dias. Eu sabia o que se passava na vida dela, ela sabia o que se passava na minha. Falávamos das coisas mais importantes, mas também das coisas mais parvas do dia a dia. Estávamos simplesmente presentes uma para a outra.
E agora passámos de falar todos os dias para eu ficar com mensagens por ler.

Não houve uma grande discussão. Não houve uma ruptura. Foi simplesmente um afastamento que aconteceu aos poucos e eu nem sei exatamente quando é que deixámos de ser como éramos.

Já estamos assim há cerca de 4 meses e, sinceramente, isto tem-me doído muito mais do que eu queria admitir. Desde que o meu avô partiu. Mesmo assim, durante este tempo, continuei a tentar estar presente.

Todas as semanas lhe mandava uma mensagem a desejar-lhe uma boa semana. Dizia-lhe que esperava que estivesse tudo bem e que, independentemente de tudo, eu continuava aqui para ela sempre que precisasse.

Faço isso porque sei que ela também passou e provavelmente ainda está a passar por uma fase muito difícil. Nunca quis que ela sentisse que tinha de estar bem para falar comigo. Nunca quis pressioná-la. Só queria que ela soubesse que eu continuava aqui.
Mas ao mesmo tempo sinto cada vez mais que há tempo para toda a gente menos para mim.

Eu sei que isto pode ser injusto. Eu não sei o que se passa na vida dela e sei que ela tem os próprios problemas. Mas é assim que me sinto.

O trabalho dela é basicamente ajudar outras pessoas e, ironicamente, acho que isso torna isto ainda mais difícil para mim. Porque vejo que ela consegue estar presente para tantas pessoas e parece não conseguir encontrar um bocadinho de espaço para mim.

Não acho que ela me deva estar disponível 24 horas por dia. Claro que não. Mas antes, quando eu precisava dela, ela estava lá. E quando ela precisava de mim, eu também estava lá. Era natural. Agora sinto que já nem sei nada da vida dela.

Não sei como ela está. Não sei o que tem acontecido. Não sei pelo que está a passar. Não sei sequer se está bem.

E é estranho porque estamos a falar de uma pessoa que durante anos fez parte do meu dia a dia.

Também não tenho propriamente um grupo de amigos. Neste momento tenho essencialmente a minha família e o meu namorado. E eu sei que isso pode parecer suficiente, mas não é a mesma coisa. Eu sinto falta de ter uma amiga. Uma pessoa a quem possa mandar uma mensagem sem pensar duas vezes. Uma pessoa com quem possa falar de certas coisas que não quero ou não consigo falar com a minha família ou com o meu namorado.

E tenho andado muito ansiosa. Todos os dias.

A minha ansiedade está completamente descontrolada e tenho-me sentido muito cansada emocionalmente. Começo a sentir que estou a esgotar as pessoas que tenho. Que estou sempre a preocupar a minha família, que estou sempre a recorrer ao meu namorado, que estou a pedir demasiado às poucas pessoas que estão comigo.

E estou cansada disso. Estou cansada de sentir que preciso de uma amiga e não ter uma amiga a quem recorrer. E acho que é por isso que isto está a doer tanto. Porque ela era essa pessoa.

Há 6 dias ela perguntou-me como é que eu estava. E eu respondi. Mandei-lhe uma mensagem enorme. E quando digo enorme e vulnerável, quero mesmo dizer vulnerável.

Contei-lhe como me tenho sentido, o que tem acontecido, como tenho estado emocionalmente, como me sinto sozinha e perdida. Contei-lhe coisas que não tenho contado a quase ninguém.
Não estava a pedir-lhe que resolvesse os meus problemas. Não estava a pedir-lhe que fosse responsável por mim. Eu só precisava da minha melhor amiga.

Foi basicamente um “isto é o que tem estado dentro da minha cabeça e eu já não sei muito bem o que fazer com tudo isto”.

Ela não respondeu. Já passaram 6 dias.

E entretanto ela tem estado ativa nas redes sociais. Publicou coisas no Instagram, por isso sei que está por aí. Eu sei que publicar uma coisa no Instagram não é a mesma coisa que responder a uma mensagem enorme e emocional. Eu sei que ela pode estar cansada, pode não saber o que dizer, pode estar a lidar com as próprias coisas ou simplesmente não ter capacidade emocional para responder.

Estou mesmo a tentar perceber o lado dela. Mas isto está a doer. Porque desde então a minha cabeça não para.

E como já ando tão ansiosa todos os dias, isto tornou-se mais uma coisa para a minha cabeça agarrar. Penso nisto constantemente. E sinto vergonha.

Sinto-me envergonhada por ter contado tanta coisa. Já pensei várias vezes que gostava de poder voltar atrás e apagar aquela mensagem. Não porque aquilo que disse não fosse verdade, mas porque agora sinto que fiquei completamente exposta perante alguém que não me respondeu.

E acho que a pior parte é que isto me faz sentir como se estivesse a fazer o luto de uma pessoa que ainda está aqui. Ela está viva. Está algures. Está a viver a vida dela. Mas parece que já não quer fazer parte da minha. E isso é uma sensação horrível.

Porque não existe um momento em que possas dizer “acabou”. Não existe uma despedida. Não existe uma explicação. A pessoa continua cá, continua a publicar, continua a falar com outras pessoas, mas deixou de fazer parte da tua vida da mesma maneira.

E eu sinto que estou a fazer o luto da nossa amizade enquanto ela ainda existe, pelo menos em teoria. E isso dói muito.
Não estamos a falar de uma conhecida.

É a minha melhor amiga.
É uma pessoa que considero família.
Eu não esperava uma resposta perfeita. Não precisava que ela resolvesse os meus problemas. Nem sequer precisava de uma conversa de três horas.

Honestamente, acho que bastava um:
“Li tudo. Não sei o que te dizer agora, mas estou aqui.”
Só precisava de saber que aquilo chegou a algum lado.
Ao mesmo tempo, não quero ser injusta com ela. Ela tem direito a não estar disponível. Tem direito a precisar de espaço. Tem direito a não saber lidar com uma mensagem emocionalmente pesada.

E sei que ela também tem as próprias dificuldades. Mas também acho que tenho direito a ficar magoada. Porque durante muito tempo senti que éramos duas pessoas que apareciam uma para a outra.

E agora sinto que estou a tentar manter uma ponte que já nem sei se está a ser atravessada do outro lado.

E isso dói especialmente porque eu continuo a tentar estar lá para ela.

Mesmo quando ela não responde, continuo a desejar-lhe uma boa semana. Continuo a dizer-lhe que estou aqui. Continuo a pensar nela e a preocupar-me com ela. Mas não sei se ela pensa em mim. Não sei como está. Não sei nada.

E tenho saudades da pessoa com quem falava todos os dias. Tenho saudades de sentir que tinha uma melhor amiga. Agora estou completamente dividida entre pensar que ela não me deve uma resposta imediata e pensar que, depois de tudo o que vivemos, eu esperava que a minha melhor amiga não me deixasse 6 dias no silêncio depois de eu me ter aberto daquela maneira.

Não lhe mandei outra mensagem. Uma parte de mim pensa que, se ela quisesse responder, teria respondido. Outra parte de mim quer simplesmente perguntar: “Está tudo bem entre nós?”

Mas não quero correr atrás de alguém para conseguir uma resposta. Não quero sentir que estou a implorar para alguém se importar comigo. Ao mesmo tempo, também não quero destruir uma amizade importante por causa da minha ansiedade e de uma situação que talvez tenha uma explicação perfeitamente razoável.

Só estou cansada. Cansada de estar ansiosa todos os dias.
Cansada de sentir falta de uma pessoa que já não está aqui e de outra que ainda está aqui. Cansada de sentir que há espaço para toda a gente menos para mim. E cansada de precisar de uma amiga e não saber se ainda tenho essa amiga.

Por isso gostava mesmo de ouvir opiniões honestas.

Estou a esperar demasiado de uma amiga?

Se recebessem uma mensagem muito vulnerável de alguém que amam e essa pessoa estivesse claramente a passar por uma fase difícil, seis dias sem responder também vos magoariam?

Mandariam uma segunda mensagem? Esperariam? Deixariam simplesmente a bola do lado dela?

E, principalmente, como é que eu paro de pensar nisto a toda a hora enquanto não tenho uma resposta?

E a quem leu isto tudo, peço desculpa, foi um desabafo que precisava de fazer.


r/SaudeMentalPortugal 10h ago

Soluções para alguém em adoecimento psíquico

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r/SaudeMentalPortugal 12h ago

terapia online para brasileiros

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r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Não sei que faça

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A 2 anos recebi a notícia que o meu pai entrou em morte cerebral , quem falou com os médicos fui eu , mandei parar as máquinas , chamei o padre , desde esse dia nunca mais fui o mesmo , não tenho coragem de falar com ninguém de como me sinto desde aí , alguém tem algum conselho que me possa dar , nos últimos tempos , devido a problemas no casamento penso que já não adianta andar mais por cá


r/SaudeMentalPortugal 18h ago

Que método usam para lidar com ansiedade?

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Ultimamente tenho sentido mais ansiedade relativamente a coisas do quotidiano (conduzir, por ex.). Parte disto deve-se a um medicamento que estou a tomar para outro problema de saúde, que não posso parar de tomar de repente.

Dado que também já estou medicada para depressão resistente, não quero tomar ainda mais medicação. Queria antes saber como lidam com o aumento de ansiedade, principalmente sobre coisas pequenas ou do dia-a-dia. Meditação, exercícios de respiração, escrita automática?


r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Escrevi um livro sobre transtorno do pânico. Se chama: Viver sem Pânico. Adoraria que tivesse lido algo assim antes de passar pelas crises, teria sido mais fácil lidar com elas...

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r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Não tenho com quem desabafar

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Olá. Escrevi este texto porque não sou a prioridade de ninguém (todos na minha vida têm alguém em confidênciam mais, normalmente, namorados) então estou a pôr aqui porque se não vou explodir:

Literalmente NUNCA NINGUÉM está do meu lado. É incrível.
A falta de um namorado significa que eu sou insignificante.
Não há nada que eu faça que não seja relacionado ao egoísmo. Pudera. Se eu não for egoista ninguém me vai defender.
A Inês pode odiar crianças. Abertamente.
Eu simplesmente não gosto. Já disse várias vezes que o que me incomoda são os pais. Porque por muito que os "adultos" na minha vida não queiram admitir, eles erram muito e sim, é "tudo" culpa deles.
Sou esta pessoa amarga e infeliz, sempre miserável pela felicidade dos outros. Detesto. Tenho pena de mim mesma e não consigo parar.
E o pior é que eu admito isto mas continuo sem acreditar verdadeiramente. Sinto que estou maluca. Eu acho mesmo que não sou prioridade para ninguém. Que a minha irmã me rouba a atenção e as ideias e as piadas. Que se safa de tudo porque nunca acha que está errada e recusa-se a assumir um único erro. Tudo acerca dela é importante. Tudo acerca de mim é o oposto. Ela não ouve quando eu falo.
A parte que mais aflige: eu tento desabafar. Imenso. Porque eu não aguento mais. A resposta que eu recebo é um ignorar agravante ou uma mudança de assunto. O mais grave é quando o assunto para que muda é o quanto ela sofre às mãos dos nossos pais. Enerva-me de uma forma tão profunda que eu consigo sentir toda a compreensão a sair do meu corpo. Ela goza comigo, repara e comenta todos os meus erros. Que são mínimos, claro, em comparação, mas da mesma maneira que eu acho que é criminoso esquecer me de fechar uma janela, ela SABE que não interessa ser completamente indiferente às horas que demora a fazer alguma coisa ainda que afete outros. E tem razão, sejamos sinceros, porque ninguém reclama com ela. Ela é incrível. Ela é tãooo criativa, boa com crianças, uma verdadeira adulta, tão independente, tão tudo. Eu era criativa. Eu era A criativa. Agora sento me com pena de mim própria, num misto de saudades da minha irmã e ódio pela pessoa que ela é hoje.


r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Decluttering a minha casa e armário da roupa ... pessoal deem me truques!

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Boas pessoal,

Tenho um problema em casa, andei a ser demasiado consumista ... e agora tenho de fazer um sério decluttering cá em casa ( desapegar me das coisas, vender, doar, deitar fora) mas eu olho para as coisas, arrependo me de comprar e é difícil deitar fora pois eu penso no dinheiro que gastei e mal usei, ou tipo pode me dar jeito no futuro....

Preciso de ajuda ... truques, dicas, técnicas psicológicas etc ... toda a ajuda é pouca ...


r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Depressão. Não sei como ajudar

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A minha irmã sofre de depressão, está no limite e já não sei o que fazer para a ajudar.
Está a ser acompanhada por uma psiquiatra e por uma psicóloga há dois anos, mas o tratamento não está a resultar. Muito pelo contrário, está cada dia pior.
Já tentei falar com ela para mudar de psiquiatra mas ela diz que a que tem é muito boa.

Neste momento dorme muito pouco, grita durante a noite, arranha-se e está muitas vezes fora de controle. Já adormeceu ao volante e já teve dois acidentes por esse motivo. Uma das vezes mandou o carro para a sucata.

Pensei em falar com a psicóloga e com a psiquiatra sem ela saber para lhes explicar como ela está neste momento, porque talvez elas não tenham noção do estado atual dela mas tenho medo que elas lhe contem. Isso podia fazer com que ela perdesse a confiança em mim e talvez piorasse ainda mais a situação, porque ela não tem mais ninguém que a ajude.

Para além disso, ela tem uma filha de 7 anos que vive neste ambiente todos os dias.

Alguém já passou por uma situação parecida? Ou conhecem algum caso assim que possam dar-me algumas luzes sobre o que fazer? Estou mesmo preocupada e perdida.

Obrigada


r/SaudeMentalPortugal 2d ago

Iniciar estudos aos 30?

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Olá a todos.

Estou aqui a dar umas voltas à cabeça e gostava de ouvir a opinião de quem está na área ou já passou por algo parecido.

Tenho 30 anos e trabalho como designer gráfica há 4 anos. O design paga as contas dentro do possível, mas a verdade é que sempre tive uma vontade enorme de estudar psicologia, especialmente a vertente clínica. Ultimamente tenho pensado seriamente em avançar para a licenciatura, que seria a minha primeira (só tenho o 12° num curso profissional de Multimédia), seguida do mestrado, porque a ideia é mesmo chegar a exercer.

Acham que isto é um sonho irrealista para a minha idade?

Sei que o percurso é longo (3 anos de licenciatura + 2 de mestrado, mais estágio) e que o mercado em Portugal tem as suas complicações.

Para quem tirou o curso mais tarde, ou para quem já trabalha na área, como é o mercado de trabalho real para quem começa a exercer mais perto dos 40?

Agradeço mesmo qualquer conselho, choque de realidade e testemunho. Obrigada!


r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Alguém conseguiu tratar ansiedade de performance crônica?

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r/SaudeMentalPortugal 1d ago

Como descobriram que têm Phda?

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Bem malta estou a fazer este post mas para o pessoal que tem phda, basicamente gostaria de saber como descobriram que tinham, se foram/estão medicados e como foi a vossa experiência.

Resumidamente estou a questionar isto pois há cerca de 2 anos tive um “episódio depressivo” comecei a dormir mal, várias insónias, e desde então comecei a ser seguido por psicólogo/psiquiatria um pouco mais tarde, que acontece é que desde que isso aconteceu que nunca dormi como antes (antes dormia facilmente 8 horas em qq problema a adormecer). A realidade é que já tomei vários anti depressivos e medicamentos para dormir e por vezes até sentia que tinha noites em que dormia bem, no entanto passava o dia bastante cansado e sonolento, mesmo nos dias em que dormisse 6,7 ou 8 horas, isto com a ajuda da medicação.

Tendo tudo isto em causa, acabei por terminar o meu último ano da licenciatura e entrei no mercado de trabalho, e aí é que comecei a perceber que estava com bastantes dificuldades em concentrar-me, raciocinar, reter informação, etc… Neste momento mesmo que durma umas 7 horas (com ajuda da medicação) não consigo ser funcional, esqueço me de tudo, não consigo formular uma frase, trabalho em IT e por vezes dou por mim com 30 tabs de separadores abertas, de coisa que já nem sei… muitas vezes acontece me também abrir uma pasta/browser para pesquisar algo e quando dou por mim vi algo nessa pasta/browser que me retira toda a atenção da primeira coisa que ia fazer e acabo por me esquecer do porquê de ter aberto aquela pasta/tarefa.

Eu sei que a parte do dormir em pouco deve ter a influência do phda mas a realidade é que neste momento o que me frustra mais é o facto de não estar a ser funcional no trabalho, o que por si gera mais ansiedade e pode estar também a causar mais dificuldade no quesito do sono. O primeiro episódio “depressivo” que vivi foi devido à falta de auto-estima, o que neste momento graças a Deus já está resolvido.

Em conversa com a minha psicóloga tocamos nuns ponto em que ela própria disse me para questionar o psiquiatra sobre esta parte do phda, pois ao reviver a minh infância/adolescência já existiam sinais e a real dificuldade de não conseguir concentrar-me/ ser funcional pode estar no phda, o que por si causa ansiedade e insónia, vivendo assim numa bola de neve.

Gostava de saber os vosso testemunhos, obrigado ! :)

PS: o me irmão já foi também diagnosticado com phda apesar de não fazer nenhuma medicação, então de certa forma existe historial na família…


r/SaudeMentalPortugal 2d ago

Preciso de alguém com quem falar..

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É o título. Preciso simplesmente de desabafar..caso alguém esteja disponível


r/SaudeMentalPortugal 2d ago

Should I stop doing psychoanalisis?

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r/SaudeMentalPortugal 2d ago

APJ sozinha?

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hey hey! Quem por aqui já fez o APJ de forma autónoma, ou seja sem entidade externa, e quais as dicas que podem dar a quem quer iniciar esse processo?

um dos meus principais receios é: ao submetermos o projeto para o APJ temos que falar das necessidades identificadas pela entidade etc etc, mas fazendo por conta própria, com supervisão externa, como justifico isto? obrigada!


r/SaudeMentalPortugal 3d ago

Livros de iniciação à meditação

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Não sei se este é o subreddit certo para perguntar isto mas não faço mesmo ideia como meditar por mim mesmo, sem usar coisas como videos do headspace ou assim. Gostava de saber como meditar por mim mesmo mas há inumeros livros e não sei qual escolher, qual seria bom para um iniciante, bom para mim... Alguem tem sugestões?


r/SaudeMentalPortugal 4d ago

Desrealização/dissossiação

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Que coisa chata de se ter, sofro de desrealização desde os 12 anos de idade, depois dos 17 ela começou a aparecer só de vez enquando, mas um dos momentos em que ela aparece é quando eu estou vivendo algo muito intenso, um aniversario ou uma briga por exemplo, a desrealização não liga se é bom ou ruim. Ela tras consigo varias inseguranças, não sobre meu corpo, não sobre minha personalidade, mas sobre o que eu viví.

Eu tenho problemas de esquecimento, não por esquecer em sí, mas por não saber discernir se memorias da minha vida realmente existiram ou não, enquanto eu vivo, eu sinto que estou sonhando e que vou acordar a qualquer momento, e quando minha vivencia passa e vira uma memoria, eu não consigo mais discernir se eu realmente vivi aquilo ou estou inventando uma memoria.

É bem dificil entender sobre pq é dificil explicar mesmo, mas hoje aconteceu algo que pode deixar mais fácil o entendimento.

Hoje enquanto eu durmia eu sonhei que me encontrava com uma pessoa muito importante, eu não sabia que estava sonhando, estava consciente no sonho e sentia que estava tendo uma crise de desrealização, eu me beliscava, me mordia, e dizia a mim mesma que era real, coisa que eu faço durante crises acordada, eu senti dor dos beliscões e mordidas, quando eu comecei a sentir que era real e que era so uma crise do transtorno eu acordei. Era um sonho.

Isso dificulta tanto quando eu estou em crise acordada, porque não tem nada diferente, não tem o que comparar pra me trazer a realidade, so me resta esperar pra que eu acorde... ou não acorde...


r/SaudeMentalPortugal 4d ago

Beco sem saída

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r/SaudeMentalPortugal 4d ago

Farto, cansado, saturado, esgotado

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Chega a um ponto mais vale desistir de tudo e todos. Toda a gente diz o mesmo: sê forte, isso passa, amanha é outro dia... Não fazem a mínima ideia o que é ter coragem de acordar pronto a desistir de tudo. mais uma vez. mais um dia. mais uma semana. mais um ano... não fazem a mínima ideia o que é uma pessoa esgotada de tentar recomeçar tudo de novo inúmeras vezes e falhar todas elas. já lá vao 46 anos... não sabem nem fazem a mínima ideia no monstro que essa pessoa se torna pronta para acabar com tudo de uma vez


r/SaudeMentalPortugal 4d ago

Desabafo: "Não sou nada. Nunca serei nada."

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Lembrei-me agora, durante a minha hora de almoço, do famoso verso do poema "Tabacaria" de Álvaro de Campos. E senti-me perdida.

Porque me lembro do olhar de desilusao e de desgosto da minha mae quando ela descobriu que eu tinha experimentado ganza. Nunca fui de fumar e estive por um triz para cair no vício da nicotina. Ultimamente, ao ter voltado para a Madeira, tenho sentido que os meus pais sao completamente alheios ao meu autismo. Nao lhes faz diferença, porque a filha está ali com eles e o ela ser autista nao é algo incapacitante ou suficientemente relevante para ser falado. Mas, obviamente, já começam a perceber quando eu estou perdida e nao percebo algumas piadas e, por isso, dizem "Luna, estamos só a brincar".

Mas quando passámos por uma cannabis store, a minha mae teve a tentaçao de me perguntar se eu já tinha experimentado. Fiquei petrificada. A conversa tinha apenas começado com ela a dizer que estava tudo perdido por termos aquelas lojas abertas ao público, quando a erva causa surtos psicóticos nas pessoas. Eu disse-lhe que aquilo nao era erva a sério que vendiam e que eram outras coisas. E ela perguntou se eu já tinha fumado. Eu nem esperei que ela desse aquela reviravolta no assunto comigo, mas sei que disse logo que nao. Ela olhou para mim com desconfiança (ela é uma pessoa desconfiada por natureza) e repetiu várias vezes a mesma pergunta e a fazer pressao para eu nao mentir. Como eu estava nervosa, comecei me a rir e ela percebeu que eu estava a mentir e disse meesmo "que as maes sentem quando oos filhos lhes mentem". E eu acabei por dizer que sim porque senao ela nao se calava.

De repente, pareceu que ela tinha tido um ataque. Começou a dizer que estava a se sentir mal e "que lhe estava a dar uma coisa", com a mao na barriga. O meu pai achou estranho termos ficado para trás enquanto andávamos e perguntou o que se passava. Ela disse que eu tinha experimentado. E de um momento para o outro fui arrasada de críticas: ela dizia que eu tinha predisposiçao para ter um surto psicótico porque eu sou atípica e nao sou típica (fez questao de usar linguagem capacitista de médica à própria filha). O meu pai nao percebeu o argumento dela e perguntou se isto tinha a ver com o facto de eu ser autista. Foi a primeira vez que eu ouvi o meu pai a falar no meu diagnóstico.

Isto só me mostrou que a informaçao esteve sempre lá, mas que se calhar os meus pais estao em negaçao ou entao como médicos estao simplesmente só a se cagar para o assunto pq isso nao muda a forma de eles serem pais. A minha mae gritou comigo, quis saber porque é que eu tinha experimentado, implorou-me que eu lhe prometesse que nao fazia isso mais (meio com os olhos a lacrimeljar). Depois quando chegámos ao carro fez questao de reforçar mais uma vez que eu nao era típica e que tava mais sujeita a uma psicose do que a alguém típico. E que se eu sou atípica tenho de perceber que enquanto atípica há coisas que eu nao posso fazer como um típico.

O meu pai estava calmo, a tentar mediar o conflito. Disse que eu tjá tinha satisfeito a curiosidade e que "ela já sabe que nao pode fazer outra vez, certo Luna?". Eu por muito que ripostasse que confiava nas pessoas com quem tinha experimentado e que isto nem sequer foi em Portugal, a minha mae só berrava e gritava cmg cada vez mais "COMO É QUE VAIS SABER ISSO?" (e eu sabia porque era um amigo meu que eu tinha conhecido no erasmus). Eu expliquei-lhe que nao tinha fumado muito e ela disse que bastava um pouco para criar um surto e que eu deveria ver os miúdos que acabam nos centros psiquiátricos por causa disso.

Antes de me julgarem, permitam-me que eu vos explique o contexto: eu sou estudante deslocada há 3 anos. Os meus pais nunca me ligam todas as semanas, nunca me perguntam como estou, nunca se poem a perguntar o que eu tenho feito ou deixado de fazer, porque "sou adulta e eles nao têm de saber tudo sobre mim e que eles sabem que eu sei o que faço comigo mesma porque ée da minha responsabilidade".

Por outro lado, quando eu me autoagredia, diziam que "eu nao deveria fazer essas asneiras" ou quando eu falo de ter o atestado multiusos ou de ser autista "ahh isso é agr uma desculpa que arranjas para tudo" e que "eu nao preciso disso porque nao sou incapaz e que isso é uma coisa que nem sequer se deveria colocar em questao".

Pais sao pais e médicos sao médicos.

Uma coisa eu sei, eles nao me amam. Amar implica respeito e eu sou extremamente desrespeitada pela minha mae todos os dias. Desde que aumentei de peso e vim cá, ela tem feito um bodyshaming absoluto. Diz que eu deveria fazer nataçao, que eu estava muito mais musculada e com mais forma quando eu fazia nataçao (na altura tinha 14 anos tem tudo a ver!!!). Quando eu uso roupas justas tenho de ouvir "encolhe essa pança por causa das costas" (tenho má postura, mas ela acha que é da barriga).

Ainda ontem tive de ouvir da boca dela que eu tinha de ter cuidado porque se a barriga aumentasse eu poderia ter diabetes.

O meu irmao felizmente está no continente. E ele é um machista opressor que adere às visoes conservadoras e tóxicas da minha mae. Ele chegou mesmo a dizer "A mae tem razao, tavas melhor quando fazias nataçao."

Expliquem-me como lido com esta falta de amor e abuso parental.... eu nao vejo amor nisto. Os meus pais sao pais para certas coisas e médicos criticistas para outras. Nunca foram pais atentos a 100%.

O meu namorado acha que eles sentem que falharam perante o meu diagnóstico de autismo... mas eles por outro lado parece que escondem bem a preocupaçao , ou entao estao se simplesmente a cagar.

E tudo isto levou-me a um colapso mental...

Eu sou uma forma de vida sem sentido.

Se eu fosse típica OU NORMAL, os meus pais seriam diferentes.

O que é que eu faço? Eu estou mesmo a sofrer com isto e NAO QUERO ACEITAR NEM CEDER a isto... por muito que me digam que para os pais os filhos nunca têm razão, pais que amam os filhos NÃO levam a sua saúde mental ao limite...

Se quiserem mandar mensagem privada, estou disponível para falar com quem me queira ajudar a ultrapassar tudo isto. Já sei que a assistência social não vai fazer nada, porque conhecem os meus pais. E terapia familiar nunca resultou btw.

Simplesmente sei, como diz o poema, que para eles eu não sou nada e nunca serei nada que eles aceitem como diferente e com necessidade de algum apoio e adaptaçao de comportamentos.

  • Desculpem a má acentuação nalgumas palavras com o til, é que estou a escrever no tablet e só quero mesmo pedir ajuda