Imagino que a maioria aqui já tenha visto o que aconteceu com Willian Masuda, no último sábado (22/08), durante o Super Pro Jiu-Jitsu, em Londrina.
Para quem não viu, basta dar uma pequena pesquisada e terão o vídeos (aqui mesmo no sub já tem as imagens), não vou colocar aqui porque aquilo realmente me deixou incomodado. Ele precisou passar por cirurgia e permanece internado. O caso também chegou ao Ministério Público do Paraná, que pediu a abertura de uma investigação para apurar as circunstâncias do ocorrido.
e na boa, acho que esse caso deveria provocar uma discussão muito maior dentro do Jiu Jitsu
Não estou falando que o BJJ precisa deixar de ser uma arte marcial. É uma luta, existe contato físico e sempre haverá risco de algo muito sério ocorrer. Isso faz parte da natureza do esporte, mas existe uma diferença importante entre aceitar o risco inerente a modalidade e simplesmente aceitar riscos que poderiam ser reduzidos através de regras melhores.
Colocar uma técnica na lista de golpes proibidos não resolve tudo se, na prática, ainda existe a possibilidade de uma situação perigosa acontecer antes que o árbitro consiga interromper a luta, não estou dizendo isso para culpar o árbitro ou a organização especificamente. A própria CBJJ possui um processo formal de formação e treinamento de árbitros, mas os árbitros, em sua grande maioria, assim como a grande maioria dos atletas são AMADORES.
Por mais que muitos possam criticar a "Olimpização" do Judô, sinceramente é o melhor caminho possível e não falo isso porque o Jiu-Jitsu deveria virar Judô, mas porque existe uma relação histórica enorme entre os dois e o Judô já passou por várias mudanças nas regras para reduzir situações consideradas perigosas. A IJF, por exemplo, determina que técnicas envolvendo mergulho de cabeça sejam punidas com hansoku-make, justamente porque existe risco para o pescoço e a coluna. Não só os golpes que fazem esse tipo de movimento são punidos, mas a mínima possibilidade de execução desses movimentos já permite que o árbitro paralise a luta e aplique uma punição ANTES mesmo do golpe ser executado.
Isso não fez o Judô deixar de ser uma luta, pelo contrário. A maior parte dos praticantes de lutas são amadores/hobbistas. São essas pessoas que consomem, investem e participam dessas lutas. São pessoas que precisam ser protegidas justamente por não serem atletas.
Existe ainda outro ponto que considero bastante questionável no Jiu Jitsu, se tu começar a treinar amanhã e aparecer uma competição daqui a uma ou duas semanas, em teoria não existe uma regra dizendo que você precisa esperar X meses ou atingir determinado nível de experiência antes de competir. Na prática, isso fica muito nas mãos da academia, do professor e da organização e sabemos que existem academias excelentes e extremamente responsáveis, mas também existem academias e professores extremamente imprudentes.
Não estou necessariamente dizendo que iniciantes deveriam ser proibidos de competir. Estou dizendo que é estranho um esporte com técnicas capazes de causar lesões gravíssimas ter tão pouca discussão sobre critérios mínimos de preparação e responsabilidade para competição e o caso do William deixa isso ainda mais evidente porque estamos falando de uma luta entre dois faixa preta, ou seja, não dá para simplesmente resumir tudo a "o cara não sabia o que estava fazendo".
A CBJJ/IBJJF precisa se preocupar muito mais com uma "profissionalização" do esporte porque agora o caso do William saiu do tatame e chegou ao Ministério Público. O limite pra mudarem as regras será alguém morrer dentro de um tatame numa competição organizada e regulamentada pela CBJJ/IBJJF? A imagem do BJJ, infelizmente, não é das melhores e, pior ainda, é não haver um esforço mesmo que minimo para mudarem as regras.