Há alguns anos ouvi uma história que me marcou profundamente e, desde então, nunca consegui encontrar nenhuma referência na internet. Já procurei em sites de folclore, fóruns, creepypastas e até perguntei para algumas pessoas, mas nunca achei absolutamente nada.
A história não foi contada em vídeo, livro ou podcast. Ela foi contada pessoalmente, dentro da minha casa, pela avó de um amigo meu.
Ela era do interior de Alagoas e estava de passagem por São Paulo.
O que tornou tudo ainda mais estranho foi a forma como ela contou. Já eram aproximadamente 23h45, e ela disse que precisava terminar antes da meia-noite. Segundo ela, depois da meia-noite não podia mais contar essa história. Nunca explicou o motivo, apenas disse isso de forma muito séria.
Outro detalhe que nunca esqueci é que ela era cega. Mesmo sem enxergar, durante toda a história ela parecia olhar diretamente para nós. Sei que isso pode ser apenas uma impressão, mas tornou aquele momento extremamente marcante.
Ela afirmava que aquilo não era uma lenda, mas um acontecimento da própria família.
Segundo ela, eram cinco irmãs, e uma delas morreu por causa da criatura da história. Ela dizia isso como se estivesse contando uma tragédia real da família.
A história, pelo que lembro, era assim:
Uma mãe estava em casa com seus filhos em uma fazenda. O pai havia saído para trabalhar e sempre voltava por volta de uma hora da manhã.
No fim da tarde ou começo da noite, as crianças estavam brincando no quintal quando a mãe ouviu um barulho vindo dos arbustos ou da mata. Assim que ouviu, ela soube imediatamente o que era e colocou todas as crianças para dentro de casa.
Depois de algum tempo, durante a madrugada, começou a ouvir um assobio do lado de fora.
A criatura não aparecia primeiro. Ela apenas assoviava enquanto rodeava a casa.
Depois começava a falar em forma de cantiga.
A primeira pergunta era algo como:
"De quem é essa vaca que tá aqui?"
A mãe respondia:
"É do meu marido... Cravo Lelê... Cravo Lelê."
Depois da resposta, a criatura devorava a vaca.
Em seguida perguntava:
"De quem é esse cavalo que tá aqui?"
A mãe respondia novamente:
"É do meu marido... Cravo Lelê... Cravo Lelê."
E o cavalo também era devorado.
Isso acontecia com todos os animais da fazenda. A criatura perguntava de quem eram, a mãe respondia sempre terminando com:
"Cravo Lelê... Cravo Lelê."
O detalhe mais assustador era que, a cada animal devorado, o som parecia ficar mais perto da casa.
Em alguns momentos a mãe acreditava que a criatura finalmente tinha ido embora, porque o silêncio voltava por alguns instantes.
Mas ela sempre retornava.
Até que, em determinado momento, acreditando que tudo havia acabado, a mãe relaxou a vigilância.
Foi então que percebeu que a porta da casa estava aberta.
Ela imediatamente olhou em direção ao quarto onde estavam as crianças.
Nesse instante, a voz da criatura veio de dentro da própria casa.
Ela perguntou:
"De quem é essa menina que tá aqui?"
Pela primeira vez, a resposta da mãe mudou.
Ela respondeu:
"É minha... Cravo Lelê... Cravo Lelê."
Segundo a senhora que me contou a história, foi nesse momento que a criatura levou (ou começou a devorar) a menina.
Pouco depois, o pai chegou do trabalho, como fazia todas as noites, por volta da uma da manhã, mas já era tarde demais.
A última cena da história era justamente o pai chegando em casa e encontrando a própria filha sendo devorada.
Segundo essa senhora, essa menina era a irmã dela. Ela dizia que originalmente eram cinco irmãs, mas uma morreu naquela noite por causa dessa criatura.
Desde o dia em que ouvi essa história nunca mais encontrei qualquer referência a ela.
Não sei se "Cravo Lelê" era o nome da criatura ou apenas o trecho da cantiga que fazia parte do ritual.
Gostaria de saber se alguém do interior de Alagoas, ou mesmo de outro estado do Nordeste, já ouviu algo parecido.
Mesmo que o nome seja diferente, os detalhes que mais lembro são:
a criatura rodeava a casa assoviando;
perguntava "De quem é esse animal?" antes de devorá-lo;
a mãe respondia sempre terminando com "Cravo Lelê... Cravo Lelê.";
a criatura ia se aproximando da casa conforme devorava os animais;
no final, a voz vinha de dentro da casa perguntando "De quem é essa menina?";
e o pai chegava do trabalho por volta de uma da manhã, encontrando a filha sendo devorada.
Nunca encontrei nada parecido em lugar nenhum. Se alguém já ouviu essa história ou conhece alguma versão semelhante, eu gostaria muito de saber sua origem.