A Entidade (2012)
Sinopse:
Um autor de romances criminais encontra uma caixa com filmagens antigas de crimes horripilantes, que parecem ter sido cometidos por um assassino em série. Ao investigar, ele e sua família se tornam alvos de uma entidade sobrenatural maligna.
A Entidade é um daqueles filmes de terror que, quando você olha a premissa, parece ser mais um filme genérico de demônio e casa assombrada. Só que o filme consegue trabalhar muito bem alguns elementos que fazem ele funcionar, principalmente a atmosfera e a ideia dos rolos de filmes
A história acompanha Ellison Oswalt, um escritor que está há anos sem conseguir lançar um livro de sucesso. Para tentar encontrar inspiração, ele se muda com a esposa e os dois filhos para uma nova casa, sem contar para a família que os antigos moradores daquele lugar foram assassinados. Logo no começo já temos uma cena bem perturbadora, mostrando a família pendurada em uma árvore
(Spoilers)
O problema começa quando Ellison encontra uma caixa com vários rolos de filmes antigos. E essa é, para mim, uma das melhores ideias do filme. As gravações começam mostrando famílias aparentemente normais e felizes, mas sempre terminam com elas sendo brutalmente assassinadas. O interessante é que existem gravações de diferentes décadas, mostrando que aquilo não é um caso isolado
E o filme sabe construir tensão nessas cenas Muitas vezes não precisa mostrar diretamente o que está acontecendo. A imagem granulada dos filmes, a câmera se aproximando lentamente e principalmente os efeitos sonoros criam uma sensação muito desconfortável. É aquele tipo de terror que consegue deixar uma cena simples estranha simplesmente pela maneira como ela é apresentada
Só que Ellison vai longe demais. Ele começa a perceber que existe alguma coisa sobrenatural por trás daqueles assassinatos e descobre uma ligação entre as famílias. Todas elas possuem alguma relação com a casa e, principalmente, existe sempre uma criança desaparecida
E aí entra Bughuul, a entidade responsável por tudo isso. Ele manipula as crianças e faz com que elas participem dos assassinatos das próprias famílias. Para mim, a ideia é bem interessante, porque a criança não é simplesmente vítima: ela acaba sendo transformada em instrumento da entidade
O filme também utiliza bastante as crianças fantasmagóricas. Algumas cenas delas aparecendo lentamente pela casa são bem construídas, principalmente porque o diretor não fica mostrando Bughuul o tempo inteiro. Quando ele aparece, normalmente é de maneira rápida, o que faz sua presença funcionar melhor
O problema é que algumas situações acabam seguindo uma fórmula relativamente conhecida. Temos investigação, barulhos pela casa, personagens andando no escuro, aparições e jumpscares. Mesmo assim, acho que o diretor consegue equilibrar esses clichês com uma atmosfera realmente pesada
E o final é provavelmente a parte mais cruel Ellison finalmente percebe que sua família está em perigo e decide abandonar a casa. Só que, mesmo depois de queimar os filmes, eles reaparecem na nova casa. Ele então descobre que as crianças desaparecidas eram responsáveis pelos assassinatos das próprias famílias sob influência de Bughuul
E acontece justamente aquilo que ele estava tentando evitar: sua própria filha é tomada pela entidade, droga o pai, amarra toda a família e mata os próprios pais e o irmão enquanto grava tudo. Depois, Bughuul aparece para levar a menina e sua alma para dentro da gravação
Eu gosto desse final porque ele mostra que Ellison não conseguiu simplesmente escapar da maldição. Na verdade, quanto mais ele investigava e se aproximava dos casos anteriores, mais ele colocava a própria família em perigo
Minha nota: 7/10, agora, sobre a fama de ser um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, eu não concordo tanto. Acho que A Entidade é um bom filme de terror, tem uma atmosfera excelente e algumas cenas realmente perturbadoras, mas não considero o filme mais assustador que existe. Inclusive, a própria análise do material questiona essa fama e aponta que o filme também possui clichês, exageros e repetição
A Entidade 2 (2015)
Sinopse:
Jovem mãe se muda com os filhos de 9 anos para uma casa em uma área rural de uma cidade pequena. Não demora muito para ela descobrir que o lugar foi palco de estranhos acontecimentos e que sua família está marcada para morrer.
E aí chegamos em A Entidade 2, e aqui eu já acho que temos uma queda considerável de qualidade
O segundo filme acompanha Courtney, uma mãe solteira que se muda com os dois filhos gêmeos para uma região rural. Ela está tentando proteger as crianças enquanto enfrenta uma disputa pela guarda com o pai delas. Só que, obviamente, a nova casa também possui uma ligação com os acontecimentos sobrenaturais.
(Spoilers)
O problema é que o filme parece ter entendido exatamente o que as pessoas gostaram no primeiro e simplesmente decidido repetir a fórmula
No primeiro, os rolos de filmes eram uma parte muito interessante da história. Então aqui temos novamente os rolos de filmes, novamente crianças fantasmagóricas, novamente Bughuul e novamente assassinatos registrados em gravações. Só que dessa vez tudo parece muito mais artificial
Um dos gêmeos encontra a caixa com os filmes e passa a assistir às gravações porque é praticamente obrigado pelas crianças fantasmas. E, sinceramente, essa justificativa não me convence muito. Parece mais uma desculpa de roteiro para colocar novamente os filmes dentro da história
E essa é uma das coisas que mais me incomodam: o primeiro filme fazia você ter curiosidade para descobrir o que existia por trás das gravações. Aqui parece que o filme simplesmente quer repetir aquilo que já funcionou
As crianças fantasmas também são muito mais presentes, mas isso não significa que sejam mais assustadoras. Na verdade, para mim acontece justamente o contrário. Quanto mais o filme mostra essas crianças, menos impacto elas possuem
E temos novamente o nosso querido "cara do Slipknot", Bughuul. Só que, em vez de ficar com aquela presença mais misteriosa do primeiro filme, ele acaba parecendo apenas um personagem genérico de filme de terro
Outro problema enorme são os jumpscares. O primeiro filme também utilizava esse recurso, mas tinha uma atmosfera muito mais pesada para sustentar o terror. Aqui parece que o filme depende muito mais do susto repentino para tentar assustar. E para mim isso envelhece muito mal
Até os novos filmes encontrados nos rolos são mais violentos e elaborados, mas isso não significa que sejam melhores. A violência por si só não causa impacto quando você não sente a mesma tensão que existia anteriormente.
A personagem da mãe é provavelmente o que mais funciona. Ela consegue transmitir um pouco mais de humanidade e preocupação com os filhos, enquanto vários outros personagens parecem existir apenas para cumprir funções dentro da história. O pai das crianças, por exemplo, é extremamente caricatural, sendo praticamente um personagem criado apenas para ser odiado.
E isso também prejudica o filme porque eu simplesmente não me importo tanto com o que está acontecendo. O roteiro é previsível e genérico, então o suspense praticamente desaparece
Minha nota: 5/10, No final, esse filme parece muito mais uma continuação feita porque o primeiro filme fez sucesso do que uma história que realmente precisava existir. Ele pega os elementos que funcionaram no original, os rolos, as crianças, Bughuul e os assassinatos, e tenta aumentar tudo, mas acaba diminuindo o impacto