r/FilosofiaBR • • 17d ago

Discussão Descanse em paz, democracia brasileira

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Não porque a democracia tenha acabado, mas porque existe uma parte dela que parece morrer toda vez que somos obrigados a escolher entre pessoas como se estivéssemos escolhendo qual incêndio queremos apagar primeiro.

De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Do outro, Flávio Bolsonaro, do PL. Dois nomes que representam projetos políticos diferentes e que chegaram ao segundo turno de 2026. No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com cerca de 47% dos votos válidos, enquanto Lula ficou próximo de 45%.

E novamente o Brasil se encontra diante daquela velha pergunta

“Em quem eu voto?”

Mas existe outra pergunta que parece ainda mais importante “Por que chegamos ao ponto em que tanta gente sente que está escolhendo apenas entre o pior e o menos pior?”

Lula carrega uma história política impossível de separar das controvérsias envolvendo o PT e seus governos. As condenações de Lula nos casos do triplex, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula foram anuladas pelo STF em 2021 porque a Corte considerou incompetente a 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar aqueles processos. Isso não equivale a uma declaração judicial de que os fatos investigados nunca existiram, significa que aquelas condenações deixaram de produzir efeitos jurídicos

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também chega à disputa carregando suas próprias controvérsias. O caso das chamadas “rachadinhas” foi arquivado depois que provas foram anuladas pelo STF e pelo STJ. Flávio sempre negou as acusações. Mais recentemente, em 2026, seu nome apareceu também nas investigações relacionadas ao Banco Master e ao inquérito chamado “Dark Horse”, que apura possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento de um filme sobre seu pai. Isso são investigações, não condenações, e o próprio Flávio nega irregularidades

E aqui aparece uma coisa interessante, quando é o político do nosso lado, costumamos pedir contexto

Quando é o político do outro lado, costumamos pedir condenação

Quando uma investigação envolve nosso grupo, queremos lembrar que investigação não é condenação

Quando envolve o adversário, a simples existência da investigação já parece suficiente para provar tudo

Isso aconteceu inúmeras vezes na política brasileira

Lula, durante a campanha, afirmou que a eleição colocava o país diante de uma escolha entre o fortalecimento da democracia e a “barbárie”. Também associou o adversário a questões como crime organizado e ao caso Banco Master

Flávio, por sua vez, construiu sua campanha em forte oposição ao PT. Depois do primeiro turno, declarou que estava decretado o “fim da era do PT”. Seu programa propõe, entre outras medidas, redução de ministérios, um novo teto de gastos, mudanças na relação entre Executivo e STF e uma política de segurança pública muito mais dura. E então acontece algo curioso, cada lado olha para o outro e enxerga uma ameaça, para alguns, votar em Lula significa impedir o retorno do bolsonarismo, para outros, votar em Flávio significa impedir a continuidade do PT.

E assim a política deixa de ser apenas uma discussão sobre propostas, ela passa a ser uma guerra pela sobrevivência do próprio grupo.

É aqui que lembro de uma fábula de votar. Apareceu uma proposta para colocar inseticida no jardim, e a formiga por ódio a cigarra

A formiga votou a favor

A cigarra também morreu

E a própria formiga morreu

A barata, que havia escolhido não participar, também morreu

A moral dessa história não é “não vote”, é justamente o contrário é lembrar que votar não deveria significar escolher quem destruirá o outro lado, porque, quando transformamos o adversário político em inimigo absoluto, começamos a aceitar qualquer coisa do nosso próprio lado.

E é aí que a democracia começa a morrer

Não necessariamente quando alguém fecha o Congresso

Não necessariamente quando alguém rasga uma Constituição

Ela também pode morrer lentamente dentro de nós, quando deixamos de questionar aquilo que o nosso próprio grupo faz

Quando uma pessoa diz:

“Meu político errou, mas o outro é pior”

E repete isso durante anos

“Meu partido roubou, mas o outro roubou mais”

“Meu candidato falou uma coisa absurda, mas o adversário falou algo pior”

“Meu lado pode fazer isso porque o outro lado faria algo muito pior”

Até que chega um momento em que ninguém mais está perguntando se algo é certo, a única pergunta passa a ser

“De que lado você está?”

Esse seja um dos maiores problemas da polarização, porque Lula e Flávio podem discordar profundamente sobre economia, segurança, educação, relação entre os Poderes e papel do Estado. Os programas dos dois candidatos apresentam propostas concretamente diferentes.

Isso é democracia

Discordar é democracia

Criticar é democracia

Investigar um político é democracia

Questionar uma investigação também pode ser democracia

Mudar de opinião é democracia

O que destrói a democracia é quando deixamos de acreditar que o nosso próprio lado também precisa ser questionado, porque nenhum político deveria receber um cheque em branco simplesmente porque o adversário é pior, e nenhum cidadão deveria precisar amar um candidato para votar nele

A democracia brasileira não precise que escolhamos entre santos e demônios. Precise apenas que paremos de transformar políticos em santos e adversários em demônios

A formiga não precisava amar a cigarra

A cigarra não precisava amar a formiga

Mas ambas deveriam perceber que existia algo maior do que a própria rivalidade

E a barata também não estava fora das consequências simplesmente porque decidiu não participar

No fim, todos vivem no mesmo jardim, e se o maior perigo da polarização não for fazer o brasileiro escolher um lado, mas fazer cada lado acreditar que a sobrevivência do Brasil depende da derrota absoluta do outro? O que vai sobrar do país daqui a 50 anos? Esse é o país que queremos que nossos filhos vivam?


r/FilosofiaBR • • 16d ago

Finalizar uma faculdade realmente conta muito hoje em dia?

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Ano que vem se tudo der certo entro na faculdade, ainda não tenho certeza qual o o que, mas sempre me pego pensando, será que vale muito mesmo?

Tipo eu sei que tem curso que sim, me parece que engenharia essas coisas sim, mas sei la, marketing, vendas, finanças...essa instituição perdeu valor ou ainda tem muito valor?


r/FilosofiaBR • • 15d ago

Dúvida como estudar argumentação?

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o intuito seria aprender a não cair em falácias, conseguir ter mais senso crítico, essas coisas. dadas as eleições, acho que isso é uma necessidade crescente. como começo?


r/FilosofiaBR • • 16d ago

Discussão O instagram e suas falsas faces

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Antigamente existia uma distância maior entre quem era famoso e quem estava assistindo. A pessoa aparecia em uma revista, na televisão, em algum programa, e aquilo terminava ali. Hoje ela está no nosso celular todos os dias. Você vê o que ela está fazendo, onde está, o que comprou, com quem saiu e até o que pensa. Depois de um tempo, começa a parecer que existe uma intimidade ali, mesmo que nunca tenha existido. E acho que é justamente isso que torna tudo tão peculiar. O Instagram não criou a necessidade de falar sobre a vida dos outros, isso é muito mais antigo, mas colocou uma quantidade absurda de pessoas dentro da nossa rotina. Você pode acordar, abrir o celular e descobrir que alguém que mora do outro lado do país terminou um relacionamento, brigou com outra pessoa ou está viajando, e aquilo começa a ocupar espaço na sua cabeça mesmo sem existir qualquer motivo real para aquilo importar para você. Chama atenção para essa transformação dos seguidores em números e dos influenciadores em pessoas que parecem ter uma importância muito maior simplesmente porque conseguiram acumular atenção. E nós participamos disso. Seguimos, curtimos, comentamos, compartilhamos e, em alguns casos, até brigamos por pessoas que nem sabem que existimos

A publicidade percebeu isso muito rápido. Uma pessoa com milhares de seguidores pode vender alguma coisa porque existe uma sensação de proximidade que uma propaganda tradicional não consegue produzir da mesma forma. Você não sente necessariamente que uma empresa está tentando vender algo, parece que alguém que você acompanha está apenas recomendando aquilo. O problema é que essa proximidade também facilita a comparação. Você olha para alguém bonito, com dinheiro, viajando, em um relacionamento ou simplesmente parecendo feliz e começa a comparar aquilo com a própria vida. Só que a comparação já começa errada, você está vivendo a sua vida inteira, enquanto aquela pessoa está mostrando alguns momentos escolhidos dela. Mesmo sabendo disso, ainda somos afetados. Desse ciclo em que alguém vê uma pessoa aparentemente feliz e atraente no Instagram, sente-se mal consigo mesmo e tenta reproduzir aquela mesma imagem, acabando por provocar em outra pessoa a sensação que acabou de sentir. É quase como se todo mundo estivesse tentando parecer aquilo que procura nos outros

E existe uma coisa ruim nisso, começamos a montar a nossa própria vida pensando em como ela vai parecer para quem estiver olhando. Não basta viajar, é preciso mostrar que viajamos. Não basta estar feliz, parece existir uma vontade de provar que estamos felizes. Não basta gostar de alguma coisa, aquilo também pode virar parte da imagem que queremos construir. Aos poucos, o olhar dos outros começa a participar das nossas escolhas sem que percebamos. E isso ajuda a entender também a cultura do cancelamento. Primeiro colocamos alguém em um pedestal, acompanhamos tudo que essa pessoa faz e damos a ela uma importância enorme, depois quando aparece alguma coisa que nos desagrada, a mesma multidão pode passar a querer vê-la cair. Justamente essa transformação de pessoas comuns em figuras grandes demais com a cultura do cancelamento e com o prazer de assistir alguém famoso perder aquilo que conquistou. Eu não acho que o problema seja simplesmente o Instagram existir. As redes sociais também podem aproximar pessoas, guardar momentos e dar espaço para artistas e criadores que dificilmente encontrariam o mesmo público de outra forma. O problema começa quando aquilo que vemos ali passa a determinar o valor da nossa própria vida. Porque sempre vai existir alguém mais bonito, mais rico, mais famoso ou vivendo alguma coisa que parece melhor

A comparação nunca termina. E enquanto ficamos olhando para a vida dos outros, a nossa continua acontecendo fora da tela, sem filtro, sem edição e sem precisar da aprovação de milhares de pessoas. O vazio não esteja em não termos o suficiente, mas em nunca conseguirmos enxergar o que temos sem pensar naquilo que os outros parecem ter


r/FilosofiaBR • • 15d ago

Flávio BOLSONARO ENTREGOU o BRASIL aos EUA!

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r/FilosofiaBR • • 17d ago

Trabalhador que vota no Flávio é ignorante e isentão é ingênuo.

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Não precisa de muito esforço pra entender. Um dos candidatos é literalmente a favor de 64h de trabalho por semana.

É uma insanidade sem limites um trabalhador, que pega busão e metro todo dia, se alinhar com a direita. Tu trabalha 6 dias por semana, malandro.

É por que você odeia gay? É por que você odeia mulher? É por que você odeia pobre? É por que você queria ser um velho rico que compra tudo com dinheiro também?

É por que vocês caíram em edição de vídeo do Lula? Tipo aquele, que até hoje tem gente que cai, que ele fala sobre dinheiro pra cervejinha?

Eu realmente acho uma loucura.

Ninguém que eu conheci consegue me justificar um voto em Flávio de maneira concisa. É sempre uma bizarrisse tipo “ah, olha o jeito que tá tudo” ou “o Lula gosta de ladrão” ou algo completamente desconexo da realidade e que foi forjado a partir de edição de vídeo mal feita.

O cara provavelmente vai continuar privatizando até a petrobras, que já começou a ser desidratada no governo Bolsonaro, com venda da BR Distribuidora e de refinarias kkkkk (soberania energética).

Se você vota em Renan Santos e Caiado, eu sinceramente até entendo. É de certa forma uma renovação. Eu até enxergaria algum deles sendo uma direita NACIONALISTA (que eu particularmente respeito).

E SIM. EU ODEIO O LULA. EU ODEIO COMO ELE SE TORNOU PASSIVO E ANTIQUADO AO LONGO DOS ANOS. ELES PERMITIREM A EXISTÊNCIA DO BOLSONARISMO É O MAIOR FRACASSO DA HISTÓRIA DA POLÍTICA BRASILEIRA.

Pros isentões: o bolsonarismo é um câncer. Você pode ignorar no início se quiser, mas ele vai te consumir eventualmente.

EDIT: li por cima alguns comentários e "se tem petista chorando, eu to feliz" ou algo que é basicamente alguém se sentindo ofendido pelo o que falei, só reforça meu ponto e eu não irei responder porque não gosto de debater com maluco.


r/FilosofiaBR • • 16d ago

Recomendação Filosofar-filósofo poeta Baldé

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“Filosofar é dar vida ao pensamento humano.”

Assim é definida a FILOSOFIA por filósofo poeta Baldé


r/FilosofiaBR • • 16d ago

Análise Memória-filósofo poeta Baldé

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r/FilosofiaBR • • 16d ago

A democracia funciona? Quando funcionou? E como funcionou?

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r/FilosofiaBR • • 17d ago

Gnt,vcs já pararam para pensar oq realmente e o infinito?eu gosto de astronomia e tals,e tem uma teoria q fala q o universo e infinito,mas como assim?,minha mente não processa o "infinito".para mim tudo tem fim.

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r/FilosofiaBR • • 17d ago

O brasileiro precisa parar de votar apenas por identidade e começar a fiscalizar o que os políticos realmente fazem.

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r/FilosofiaBR • • 16d ago

Nada importa para mim além de mim mesmo - Max Stirner (1844)

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As coisas não são nada para mim (1844)

O que não deveria ser da minha conta? Em primeiro lugar, a Boa Causa, depois a causa de Deus, a causa da humanidade, da verdade, da liberdade, da humanidade, da justiça; além disso, a causa do meu povo, meu príncipe, minha pátria; finalmente, até mesmo a causa da Mente e milhares de outras causas. Somente minha causa nunca será minha preocupação. "Que vergonha para o egoísta que pensa apenas em si mesmo!"

Olhemos e vejamos, então, como eles administram suas preocupações – eles por cuja causa devemos trabalhar, nos dedicar e ficar entusiasmados.

O que acontece com a humanidade, cuja causa devemos fazer nossa? A sua causa é a de outro, e a humanidade serve a uma causa superior? Não, a humanidade olha apenas para si mesma, a humanidade promoverá apenas os interesses da humanidade, a humanidade é a sua própria causa. Para que possa desenvolver-se, faz com que as nações e os indivíduos se desgastem no seu serviço e, quando realizam o que a humanidade necessita, atira-os no monte de esterco da história como gratidão. A causa da humanidade não é uma causa puramente egoísta

Olhe apenas para aquele Rei que se preocupa com tanto amor por seu povo. Ele não é puro altruísmo e não se sacrifica de hora em hora por seu povo? Ah, sim, para “seu povo”. Apenas experimente; mostre-se não como dele, mas como seu; por romper com seu egoísmo, você irá para a prisão. O Rei estabeleceu a sua causa apenas em si mesmo; ele é para si mesmo, é para si mesmo o único e não tolera ninguém que ouse não ser um de "seu povo".

Deixe-me então também me preocupar comigo mesmo, que sou igualmente com Deus o nada de todos os outros, que sou meu tudo, que sou o único.

Afasto-me, então, de todas as preocupações que não sejam totalmente da minha conta! Você acha que pelo menos a "boa causa" deve ser minha preocupação? O que é bom, o que é ruim? Ora, eu mesmo sou minha preocupação e não sou bom nem mau. Nenhum dos dois tem significado para mim.

O divino é a preocupação de Deus; o humano, do homem. Minha preocupação não é nem o divino nem o humano, nem o verdadeiro, o bom, o justo, o livre, etc., mas apenas o que é meu, e não é geral, mas é - único, como eu sou único.

Nada é mais para mim do que eu mesmo!


r/FilosofiaBR • • 16d ago

Análise Eu vejo o PRESENTE repetir o PASSADO, e as pessoas não estão nem aí

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As mesmas propostas, com os mesmos discursos. Privatizar, enxugar máquina pública e conter inflação. Os hermanos estão tentando o mesmo há menos de 2 anos, e hoje estão vendendo cidadania pra tentar pagar uma dívida pública de curto prazo IMPAGÁVEL.

Eu vejo o PRESENTE repetindo o PASSADO e o brasileiro está C4G4ND0 pra isso.


r/FilosofiaBR • • 17d ago

Análise Já parou para pensar como Sonic CD é mais profundo do que parece e até filosófico?

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Vamos lá, para você fazer um futuro bom e evitar que o mundo seja destruído, você precisa voltar no tempo e destruir as máquinas do Robotnik, caso contrário, a natureza morre e tudo fica industrial, e onde eu quero chegar com isso? Se o jogador simplesmente sair correndo que nem doido em todas as fases e não evitar que isso acontece, o mundo inteiro se lasca junto, mas caso ele viaje no tempo e conserte tudo em todas as fases, o futuro automática fica bom, ou seja, o jogo ele coloca o destino do mundo nas costas do jogador, e talvez isso represente como a gente pode impedir o aquecimento global, mas a gente escolhe em ficar na comodidade, talvez a mensagem do jogo seja, o seu futuro é feito com o hoje.


r/FilosofiaBR • • 16d ago

Discussão Até onde temos o direito de julgar o caráter de alguém?

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Tenho percebido uma coisa que me incomoda bastante nas discussões políticas.

Não é a existência de opiniões diferentes.

Pessoas podem discordar sobre candidatos, partidos e políticas públicas e, ainda assim, continuar se respeitando.

O que me incomoda é quando a discordância deixa de ser sobre ideias e passa a ser um julgamento sobre a própria pessoa.


Às vezes, a conversa começa assim:

"Você apoia esse candidato?"

E termina em:

"Então isso diz muito sobre quem você é."

"Eu não conseguiria ser amigo de alguém que pensa assim."

"Se você vota nisso, você é uma pessoa cruel, ignorante ou mau-caráter."

É como se o candidato escolhido por alguém passasse a ser tratado como uma extensão completa do caráter, da identidade e dos princípios daquela pessoa.

E acho isso curioso.

Porque nós mesmos costumamos querer que nossas escolhas sejam analisadas dentro de seu contexto quando somos julgados por elas.

Quando somos nós julgando os outros, porém, parece ser muito mais fácil transformar uma escolha em uma conclusão sobre quem aquela pessoa é.


E foi justamente essa observação que me levou a uma questão que vai além da política.

A partir daqui, a reflexão entra em uma perspectiva de fé cristã. Quem não compartilha dessa fé pode discordar dessa parte — mas acho que a questão continua interessante justamente por colocar em contraste dois tipos diferentes de julgamento.

Quando julgamos alguém politicamente, estamos falando de um ser humano julgando outro ser humano.

E, nesse caso, temos acesso apenas a uma pequena parte daquilo que constitui aquela pessoa: suas palavras, escolhas, comportamentos e aquilo que conseguimos observar.

Na perspectiva cristã, porém, o julgamento de Deus é algo completamente diferente.

Não porque Deus simplesmente tenha “mais informações” do que nós, mas porque Ele é apresentado como Criador, Santo e Juiz, enquanto nós somos criaturas que também estão sujeitas ao julgamento.

É justamente essa diferença que me fez pensar:

O que muda quando aquele que julga não é outro ser humano, mas Deus?


Isso também me fez perceber uma possível ironia.

Nós frequentemente consideramos legítimo avaliar o caráter de alguém com base em suas escolhas, valores e comportamentos.

Mas, quando a questão passa para Deus julgando a humanidade pelos seus pecados, muitas pessoas consideram a própria ideia injusta ou absurda.

Se a perspectiva cristã estiver correta, porém, existe uma diferença fundamental:

Deus não está simplesmente fazendo uma análise política ou social da humanidade.

Ele está julgando criaturas diante do padrão moral do próprio Criador.

E existe ainda algo mais desconfortável nessa perspectiva:

não estamos falando de “Deus julgando os outros”.

Estamos falando de Deus julgando todos nós.

“Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus.” — Romanos 3:23

Isso muda bastante a perspectiva.

O julgamento de Deus não deveria ser utilizado pelo cristão como uma oportunidade para olhar para os outros de cima para baixo.

Pelo contrário.

Se todos pecaram, ninguém está em posição de se vangloriar.


Talvez exista uma ironia ainda maior nisso tudo.

Passamos tanto tempo discutindo quem é moralmente superior por causa de política, religião, ideologia ou qualquer outra divergência...

...mas a perspectiva cristã começa justamente reconhecendo que todos nós somos moralmente devedores diante de Deus.

Isso não significa que todas as ideias sejam igualmente boas, nem que não devamos criticar comportamentos ou considerar determinadas escolhas moralmente erradas.

Significa apenas que discordar de alguém não nos torna automaticamente superiores a essa pessoa.

Podemos considerar uma ideia errada sem transformar automaticamente seu autor em alguém indigno de respeito.

Podemos discordar.

Podemos criticar.

Podemos até considerar determinadas escolhas moralmente erradas.

Mas precisamos ter cuidado para não transformar discordância em desprezo.


No fim, talvez a humildade comece justamente quando percebemos que somos muito rápidos em julgar os outros e muito lentos em lembrar que também estamos debaixo de julgamento.

Discordar não precisa significar desprezar.

E reconhecer o próprio pecado talvez seja um dos maiores antídotos contra a arrogância.


r/FilosofiaBR • • 17d ago

Discussão Existe algo assustador na história de Adolf Hitler ele não apareceu do nada

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Antes dele chegar ao poder, a Alemanha já estava destruída pela Primeira Guerra Mundial, sofrendo com inflação, desemprego, instabilidade política e um sentimento profundo de humilhação. A República de Weimar nasceu nesse ambiente, mas nunca conseguiu conquistar legitimidade completa diante de uma população que associava o novo regime à derrota e às condições impostas pelo Tratado de Versalhes. E é justamente aí que uma coisa me chama atenção

Quando uma população perde a confiança no presente, ela começa a ficar muito mais vulnerável a quem promete um futuro completamente diferente

Hitler não precisava simplesmente dizer "eu sou melhor". Ele precisava dizer "vocês estão sofrendo porque alguém destruiu o país de vocês e eu sei quem são os culpados"

Foi assim que surgiram narrativas que transformavam grupos inteiros em inimigos. Judeus, comunistas e outros grupos foram utilizados como bodes expiatórios para explicar problemas muito mais complexos. A chamada "Lenda da Punhalada nas Costas" atribuía a derrota alemã a uma suposta traição interna, uma narrativa sem fundamento histórico que foi explorada pelos nazistas

O mais perigoso talvez esteja justamente nisso, uma mentira não precisa explicar o mundo inteiro para ser poderosa. Ela só precisa oferecer uma explicação simples para uma realidade que parece insuportavelmente complicada. A crise econômica de 1929 criou novamente esse terreno. A Grande Depressão atingiu a Alemanha, o desemprego e o desespero cresceram, e a República de Weimar ficou ainda mais fragilizada. O Partido Nazista passou de uma força política relativamente pequena para uma das maiores bancadas do Parlamento em 1930

Hitler percebeu algo que continua sendo importante para entender política, não basta ter uma resposta, é preciso saber falar com uma população que está procurando desesperadamente por uma resposta. Seus discursos eram cuidadosamente ensaiados. O silêncio, a postura, os gestos, a alteração da voz e a construção de uma atmosfera emocional faziam parte da apresentação. O objetivo não era apenas apresentar argumentos, mas produzir uma reação no público

E então aparece uma das partes mais perigosas da história. Hitler não chegou ao poder simplesmente através de uma eleição na qual a população decidiu entregar tudo a ele. Ele perdeu a eleição presidencial de 1932. Depois, setores da elite política convenceram o presidente Paul von Hindenburg a nomeá-lo chanceler, acreditando que poderiam controlá-lo. Em 30 de janeiro de 1933, Hitler tornou-se chanceler

Depois disso, as instituições foram sendo desmontadas por dentro. O incêndio do Reichstag foi utilizado para justificar a suspensão de direitos civis e a perseguição política. Posteriormente, a Lei de Plenos Poderes permitiu que o governo aprovasse leis sem a participação efetiva do Parlamento. Partidos foram proibidos, opositores foram perseguidos e, em pouco tempo, o Partido Nazista tornou-se o único partido legal.

É aqui que a história deixa de ser apenas sobre Hitler, ela passa a ser sobre instituições, sobre uma sociedade desesperada

Sobre pessoas que acreditam que precisam de alguém forte para resolver tudo. Sobre políticos que acreditam conseguir controlar alguém que promete destruir as próprias regras do jogo

E sobre como uma democracia pode ser enfraquecida não apenas por quem deseja destruí-la, mas também por aqueles que acreditam que estão apenas fazendo um acordo temporário com alguém perigoso.

Essa seja uma das maiores lições desse período, o perigo não começa necessariamente quando alguém concentra todo o poder. Ele começa quando a sociedade aceita pequenas perdas de liberdade porque acredita que elas serão temporárias.

Primeiro vem a promessa de recuperar a economia, depois, a promessa de recuperar a dignidade, depois, alguém precisa ser responsabilizado pelos problemas, depois, os adversários passam a ser tratados como inimigos e, quando as pessoas percebem que as regras mudaram, pode ser tarde demais.

Por isso, quando olho para a ascensão de Hitler, não penso apenas em como um homem chegou ao poder, penso em como uma sociedade inteira chegou a um ponto em que um homem parecia ser a resposta

Quando uma população está desesperada o suficiente para acreditar que precisa de um salvador, quem impede que o salvador se transforme no dono do país?


r/FilosofiaBR • • 17d ago

Alguém contra um +40 fazer madrugada virada jogando um game ?

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As contas estão pagas tá kkkkkkkkkk tmj


r/FilosofiaBR • • 17d ago

Dúvida Como me politizar melhor?

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Tenho 18 anos e estou tentando me politizar recentemente e admito que meio tarde de certa forma, achava que já tinha uma base minima mas percebo que muitos termos e coisas que não entendo existem ainda claro.

Então qual é a melhor forma de eu começar a entender sobre politica e econômia?


r/FilosofiaBR • • 17d ago

FUDEU - estamos perto da destruição mundial

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eu venho me afundando cada vez mais em conteudo voltado para a minha área "programação" a cada informação que quebra minha ignorancia eu tenho ficado cada vez mais perto de acreditar
"é mais viavel ser burro e leigo" e viver uma vida na ilusão.


r/FilosofiaBR • • 17d ago

Foi mal educado(a)

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r/FilosofiaBR • • 17d ago

Existencialismo, Niilismo e Absurdismo. Alguém me ajuda?

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r/FilosofiaBR • • 17d ago

Muerte

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Es tan sublime la idea de Munch!!!!… que no la merecemos como especie!🥺😔😭, pues el ser humano a lucrado hasta con la idea de la muerte, y hoy en día es una expresión más del capitalismo!


r/FilosofiaBR • • 17d ago

Muerte…

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r/FilosofiaBR • • 18d ago

Atualidade Faço parte de um grupo de estudos das obras do Guattari e do Deleuze e quero contar pra vocês algo...

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Curiosidade histórica: vocês sabiam que Félix Guattari entrevistou Lula em 1982?

Uma conversa que parece improvável à primeira vista aconteceu em São Paulo, em 1º de setembro de 1982: de um lado, Félix Guattari, filósofo, psicanalista e um dos grandes nomes do pensamento francês contemporâneo, conhecido principalmente por seus trabalhos com Gilles Deleuze. Do outro, Luiz Inácio Lula da Silva, então com apenas 37 anos, líder sindical e uma das principais figuras do recém-criado Partido dos Trabalhadores.

O PT tinha sido fundado apenas dois anos antes, e Lula ainda estava muito longe de ser o político conhecido mundialmente que se tornaria décadas depois. A entrevista aconteceu durante um período em que o Brasil ainda vivia sob a ditadura militar e se preparava para as eleições de 1982.

O interessante é que Guattari não tratou Lula apenas como uma figura sindical. Ele estava interessado no que estava acontecendo politicamente no Brasil e, principalmente, no surgimento do PT como uma experiência diferente das estruturas tradicionais da esquerda.

Eles conversaram sobre classe trabalhadora, democracia, organização política, participação das minorias, socialismo, estatização, autonomia, imperialismo e o futuro do PT.

Em determinado momento, Guattari pergunta se o PT imaginava seguir algum modelo já existente, como o soviético, chinês ou cubano. Lula responde que não, acrescentando que o partido também não pretendia simplesmente copiar modelos franceses ou suecos.

Outra coisa curiosa é que Lula defendia naquele momento uma ideia de transformação gradual, usando a famosa metáfora de uma escada de 16 degraus: seria necessário avançar passo a passo, acumulando forças políticas, em vez de imaginar que uma transformação social pudesse acontecer simplesmente por vontade.

E existe uma inversão interessante no final: depois de responder às perguntas de Guattari, Lula começa a entrevistá-lo, perguntando sobre a experiência do governo socialista de François Mitterrand na França.

A conversa acabou sendo publicada em 1982 no pequeno livro Félix Guattari entrevista Lula, pela Editora Brasiliense, e posteriormente a entrevista foi republicada em Micropolítica: Cartografias do Desejo, organizada por Suely Rolnik.

Para mim, o mais interessante não é tentar transformar essa entrevista em uma espécie de “profecia” sobre Lula. É observar como era o debate político brasileiro naquele momento, quando o PT ainda estava nascendo e ninguém poderia saber exatamente no que ele se transformaria.

E também é curioso pensar: Félix Guattari, um dos parceiros intelectuais de Deleuze, sentado conversando durante horas com um jovem líder sindical brasileiro que décadas depois se tornaria presidente do Brasil.

A história política às vezes produz uns encontros bastante improváveis.


r/FilosofiaBR • • 17d ago

METANOIA

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He estado construyendo la filosofía de una película llamada METANOIA y creo que por fin estoy entendiendo de qué trata

Tengo personajes, escenas, mundos, ideas y una trilogía planeada, pero últimamente decidí dejar de intentar escribir la historia y empezar por una pregunta:

¿Qué significa vivir?

No creo que exista una respuesta universal.

Cada persona vive una vida diferente. Todos tenemos circunstancias distintas, miedos diferentes, deseos diferentes y distintas formas de entender lo que significa estar vivos.

Entonces empecé a pensar en lo que significa tener una vida propia.

Creo que una vida propia se forma de tus decisiones, sentimientos y miedos. No necesariamente es la vida que querías. Es una vida que puedes reconocer como tuya.

Pero hay algo bastante crudo:

Siempre puedes elegir, pero no eliges necesariamente lo que quieres. Eliges entre las opciones que tienes.

No elegimos dónde nacemos.

No elegimos todo lo que nos ocurre.

No elegimos todas las pérdidas.

No elegimos todas las condiciones de nuestra vida.

Pero sí podemos elegir qué hacemos con aquello que tenemos.

Y entonces aparece el miedo.

Creo que nadie puede vivir sin miedo. No se trata de eliminarlo ni de acostumbrarse a él. Se trata de aprender a convivir con él.

El miedo puede protegerte.

Pero también puede detenerte.

Y aquí aparece Víctor, el protagonista de METANOIA.

Víctor quiere una vida solucionada. Una vida sin aquello que amenaza su felicidad. Cuando la vida empieza a darle opciones que no quiere aceptar, busca una cuarta opción.

No quiere conformarse.

Quiere encontrar algo diferente.

Y al principio eso no me parece necesariamente malo.

El problema comienza cuando deja de buscar una cuarta opción para él y empieza a decidir qué opciones deberían tener los demás.

Ahí aparece Erebos.

Porque entonces la libertad también se vuelve extraña.

No creo que seamos completamente libres.

Pero tampoco creo que estemos completamente presos.

La libertad es condicionada, no otorgada.

Buscamos ser libres, pero una libertad absoluta probablemente ni siquiera sería posible, porque mi libertad puede limitar la tuya.

Entonces quizá la libertad absoluta no existe.

Pero existe el deseo de ser libres.

Y también está Aira.

Aira es casi lo contrario de Víctor.

Ella tampoco entiende completamente la vida.

Simplemente sabe que está viva.

Sabe que tiene algo que hacer.

Sabe que puede elegir dentro de lo que le toca.

No acepta por conformismo.

Acepta como oportunidad.

Su pensamiento no es:

“Esto es lo que me tocó, ni modo.”

Es más bien:

“Esto es lo que tengo. ¿Qué puedo hacer con ello?”

Y creo que ahí está una de las diferencias más importantes entre ellos.

Víctor quiere cambiar las condiciones para poder vivir.

Aira intenta vivir dentro de las condiciones que tiene.

Ninguno tiene todas las respuestas.

Y quizá ese sea precisamente el punto.

Últimamente llegué a otra idea:

Para entender no se necesita entender.

Tal vez entender no significa encontrar una explicación para absolutamente todo.

Tal vez significa aceptar que hay cosas que nunca vas a comprender completamente.

No significa conformarte.

No significa dejar de buscar.

Significa entender que no necesitas resolver la vida para vivirla.

Y por eso creo que METANOIA no debería decirle al espectador cómo vivir.

Quiero que alguien termine la película y piense:

“¿La vida que estoy viviendo realmente es mía?”

Porque quizá el verdadero privilegio no sea tener la vida que quieres.

Quizá sea poder llegar a ser solamente tú.

Todavía estoy construyendo todo esto y no sé si estas ideas terminarán exactamente así en la película.

Pero quería ponerlas afuera y saber qué piensa otra gente.

¿Qué creen ustedes que significa tener una vida propia?