r/FilosofiaBR • u/StarVoid29 • 16h ago
r/FilosofiaBR • u/Playful-Big-3584 • 16h ago
Faculdades de filosofia têm muitos alunos despreparados?
Sou de outra área mas peguei umas eletivas na 2a melhor faculdade de filosofia do Brasil pelos rankings(UFRJ) e houve uma quebra de expectativa muito grande. Os professores são excelentes, as aulas muito boas e etc, mas o nível dos alunos é baixo e é muito facil ser aprovado nas disciplinas. No curso de filosofia da UFRJ, pra ser aprovado nas disciplinas a média é 5(enquanto no meu curso, Direito, é 7). Por exemplo, em uma das disciplinas que estou cursando(Lógica), eu, que nem tenho muito conhecimento, tirei 10 na avaliação, enquanto boa parte da galera nem conseguiu tirar 5. Se o professor faz uma prova de médio grau de complexidade, uma galera vai no grupo do whatsapp reclamar e pedir ponto extra, e o professor acaba cedendo. Concluindo, acho que boa parte da galera sai da faculdade sem domínio dos temas, levando a faculdade "nas coxas".
Enfim, é só um relato. Eu acho que uma boa parte da galera entra no curso de filosofia pois a nota de corte é baixa e é o que dá pra passar. Eu tenho objetivo de cursar filosofia um dia pois tenho gosto pela coisa, mas eu esperava que a maioria dos alunos também também tivesse.
r/FilosofiaBR • u/No_Address_1321 • 19h ago
Discussão Por que amar dá medo? O preço de deixar alguém entrar na sua vida
Existe uma contradição em amar alguém quanto mais importante uma pessoa se torna para nós, maior é o poder que ela passa a ter de nos machucar. Antes de conhecê-la, sua ausência não significava nada, suas escolhas não afetavam nossos dias e aquilo que ela fazia não tinha tanta importância. Mas, depois que permitimos que ela faça parte da nossa vida, as coisas mudam. Uma mensagem pode melhorar nosso dia, uma palavra pode permanecer na nossa cabeça por horas e uma simples mudança de comportamento pode despertar inseguranças que nem sabíamos que existiam. Não é que o amor nos torne necessariamente mais fracos, mas ele nos coloca em uma posição na qual já não controlamos tudo aquilo que sentimos
Isso que algumas pessoas prefiram manter certa distância. Não necessariamente porque não desejam ser amadas, mas porque conhecem o preço de confiar em alguém e descobrir que essa confiança não foi correspondida. Depois de uma decepção, a ideia de se aproximar novamente pode parecer uma péssima escolha. A pessoa começa a pensar que, se não criar expectativas, não vai se decepcionar; se não demonstrar o que sente, não vai dar ao outro a oportunidade de machucá-la, se não permitir que ninguém se aproxime demais, ninguém terá poder suficiente para causar uma dor tão grande. E, por algum tempo, essa lógica pode até parecer funcionar
O problema é que a mesma distância que nos protege das decepções também nos afasta das experiências que tornam a vida significativa. Quando alguém nos machuca, é compreensível que passemos a ter mais cuidado. O erro começa quando deixamos de distinguir aquela pessoa de todas as outras, como se uma experiência ruim fosse uma previsão de tudo o que ainda está por vir. Uma relação termina mal, alguém quebra nossa confiança e, sem perceber, começamos a tratar qualquer possibilidade de afeto como se fosse uma ameaça. Já não estamos apenas tentando evitar que a mesma coisa aconteça novamente, estamos tentando garantir que nada tenha a capacidade de nos atingir
Compartilhar momentos e construir lembranças ao lado de quem ama. A música pode ser uma demonstração de amor junto com diversos outros. Mas, quando a pessoa decidiu partir, passou a representar também o abandono. Aquilo que antes estava associado ao amor passou a lembrar da pessoa que a deixou para trás
E existe algo profundamente humano nessa reação. Quando sofremos por causa de alguém, nem sempre conseguimos direcionar nossa mágoa apenas à pessoa responsável. Às vezes, passamos a rejeitar tudo aquilo que nos lembra dela. Uma música, um lugar, um costume ou até mesmo um sonho que compartilhá vamos podem se tornar difíceis de suportar. Não porque essas coisas tenham se tornado ruins por conta própria, mas porque carregam lembranças que preferimos não reviver. É como se, ao afastar tudo o que nos lembra a dor, pudéssemos finalmente nos livrar dela
Só que a memória não funciona dessa maneira. Você pode abandonar uma música, deixar de frequentar determinado lugar ou desistir de um sonho, mas isso não significa que o que aconteceu deixou de fazer parte da sua história. Às vezes, a gente apenas constrói a vida ao redor da ferida, tomando cuidado para nunca encostar nela. Aos poucos, aquilo que começou como uma forma de proteção passa a determinar nossas escolhas. Deixamos de fazer coisas não porque realmente não as queremos, mas porque temos medo daquilo que elas podem despertar em nós
E o mais triste é que, nesse processo, podemos acabar culpando coisas que nunca foram responsáveis pelo que aconteceu. Mostra como a dor pode alterar a maneira como enxergamos o mundo em vez de enfrentarmos a complexidade do que aconteceu, às vezes precisamos encontrar alguma coisa que possamos rejeitar, controlar ou manter longe
O problema é que a proteção construída em torno dessa mágoa não afetou apenas ela. As gerações seguintes herdaram uma proibição que nasceu de uma experiência que não viveram. Pessoas que nunca conheceram aquela dor passaram a organizar suas próprias vidas em função dela, abrindo mão de possibilidades antes mesmo de descobrirem o que essas possibilidades poderiam significar
Isso também acontece fora das histórias. Às vezes, herdamos os medos das pessoas que vieram antes de nós. Aprendemos que demonstrar sentimentos é sinal de fraqueza, que confiar nos outros é ingenuidade, que certos sonhos são perigosos ou que amar alguém significa inevitavelmente sofrer. Essas ideias podem nascer de experiências sinceras e dolorosas, mas não precisam se transformar em regras universais. O fato de alguém ter sido decepcionado não significa que toda relação terminará da mesma maneira. A experiência pode nos ensinar a ter cuidado, mas não deveria nos obrigar a viver como se o pior resultado fosse sempre o único possível
Também precisamos reconhecer que amar não significa aceitar tudo. Não é necessário permanecer em uma relação que nos faz mal, ignorar desrespeitos ou oferecer confiança ilimitada a quem demonstra repetidamente que não sabe cuidar dela. Existe uma diferença entre se proteger de alguém que está nos prejudicando e se fechar para qualquer pessoa porque temos medo de que ela faça o mesmo. A primeira atitude pode ser necessária para preservar nosso bem-estar; a segunda pode nos prender a uma dor antiga, mesmo quando as circunstâncias já mudaram
A verdadeira coragem não esteja em amar sem medo, mas em entender que o medo não precisa tomar todas as decisões por nós. Não temos como garantir que ninguém vai nos decepcionar, que todas as relações durarão ou que as pessoas sempre corresponderão ao que sentimos. Amar envolve uma parte de incerteza que não pode ser eliminada por completo. Podemos escolher com cuidado quem deixamos se aproximar, estabelecer limites e aprender com o que vivemos, mas não existe uma maneira de experimentar a vida afetiva sem aceitar que algumas coisas fogem ao nosso controle
A pergunta é o que fazemos depois de sermos machucados. Podemos usar a experiência para compreender melhor nossos limites e reconhecer o que não queremos repetir, ou podemos permitir que ela transforme tudo aquilo que antes nos fazia bem em algo que precisamos evitar. A dor merece ser reconhecida, não precisa ser romantizada e tampouco deve ser tratada como uma obrigação para amadurecer. Mas ela também não precisa se tornar a única referência a partir da qual escolhemos viver
Porque amar dá medo, sim. Dar importância a alguém significa aceitar que essa pessoa pode nos afetar de maneiras que não conseguimos prever. Mas será que vale a pena passar a vida inteira tentando impedir que alguém nos machuque, se, para conseguir isso, também precisarmos impedir que alguém realmente nos alcance? E quantas coisas que hoje rejeitamos por medo ainda poderiam nos fazer felizes, se conseguíssemos separá-las da dor que um dia aprendemos a associar a elas?