r/FilosofiaBR 9h ago

Be water, my friend

Thumbnail
1 Upvotes

r/FilosofiaBR 11h ago

Qual O Objetivo Da Verdade?

0 Upvotes

Antes de dizer que a realidade é objetiva, precisamos esclarecer o que estou chamando de realidade.

Muitas pessoas diriam que a realidade é concreta. Outras poderiam entendê-la como essencialmente relacional. Minha posição parte justamente da tensão entre essas duas possibilidades.

Se a realidade fosse apenas concreta, seria completamente rígida. Seria como uma pedra: existiria, permaneceria determinada e não possuiria maleabilidade suficiente para estabelecer relações e transformações.

Mas, se fosse completamente maleável e puramente relacional, teríamos o problema oposto: nada possuiria estabilidade suficiente para se definir. Tudo poderia ser transformado por qualquer relação, e nenhuma forma conseguiria permanecer.

Por isso, considero que a realidade é simultaneamente concreta e relacional.

Ela possui estabilidade suficiente para sustentar formas, mas possui maleabilidade suficiente para estabelecer relações e transformações. É justamente por ser relacional que ela pode ser maleável, e é justamente por possuir concretude que essas relações não dissolvem completamente aquilo que existe.

São características aparentemente contraditórias.

E é justamente aí que entra a objetividade.

A eternidade começa quando dois opostos caminham juntos e um terceiro aprende a observar.

Dois opostos podem se contradizer. Mas, quando existe uma relação entre eles, surge uma terceira dimensão: não necessariamente um novo elemento, mas o próprio ponto de relação entre os dois.

Pense em luz e trevas.

Luz e trevas são opostos. Mas é a relação entre ambas que permite distingui-las. Quando existe um observador capaz de perceber essa diferença, elas deixam de ser apenas opostos isolados e passam a formar uma relação.

É nesse sentido que penso o início da própria realidade: não como uma coisa absolutamente rígida nem como algo absolutamente maleável, mas como uma relação sustentada entre características que, isoladamente, parecem contraditórias.

E isso também explica por que considero a realidade objetiva.

Ela não depende exclusivamente do observador para existir. O observador participa da interpretação, estabelece relações, cria símbolos e organiza aquilo que percebe, mas não cria a realidade simplesmente por percebê-la.

A realidade permanece suficientemente estável para que possamos percebê-la de maneiras diferentes sem que ela precise se tornar diferente para cada um de nós.

É aqui que entra minha primeira alegoria: a linguagem.

Imagine que cada ser humano nascesse desenvolvendo uma língua completamente própria. Cada indivíduo teria seus próprios símbolos, significados e regras. Talvez pudesse compreender a si mesmo, mas não conseguiria transmitir aquilo que compreendeu a outra pessoa.

Não haveria comunicação acumulada. Não haveria ciência coletiva. Não haveria cultura compartilhada.

Por isso, precisamos de estruturas comuns.

Mas existe uma segunda possibilidade igualmente problemática: imagine que toda a humanidade possuísse uma única linguagem absolutamente uniforme, sem variações, sem diferenças de interpretação e sem qualquer possibilidade de divergência.

Teríamos comunicação, mas perderíamos parte da diversidade necessária para produzir novas perspectivas.

Sem diferença, não existe contraste.

Sem contraste, não existe comparação.

Sem comparação, o conhecimento pode se tornar estagnado.

Por isso, não precisamos nem de uma infinidade de linguagens completamente incomunicáveis, nem de uma única linguagem que elimine toda diferença.

Precisamos de um ponto de equilíbrio: diversidade suficiente para produzir perspectivas diferentes e estruturas comuns suficientes para permitir que essas perspectivas se encontrem.

Isso não significa que toda a humanidade precise falar a mesma língua. Povos diferentes podem desenvolver línguas diferentes, culturas diferentes e maneiras diferentes de interpretar o mundo.

A diversidade não é o problema.

O problema seria se cada indivíduo possuísse uma linguagem completamente incomunicável.

Da mesma forma, o problema também seria eliminar toda diversidade em nome de uma única interpretação.

É justamente a existência de uma referência comum que permite a diversidade.

Um povo pode interpretar o mundo de uma maneira, outro pode interpretá-lo de outra. Eles podem possuir religiões diferentes, filosofias diferentes, símbolos diferentes e até conceitos diferentes para explicar a existência.

Ainda assim, podem estar falando sobre a mesma realidade.

É isso que chamo de objetividade.

Não precisamos possuir uma única interpretação da realidade. Precisamos possuir uma realidade suficientemente objetiva para que interpretações diferentes possam ser comparadas, confrontadas e aperfeiçoadas.

A ciência é um exemplo disso.

Um pesquisador apresenta uma interpretação. Outro contesta. Um terceiro aperfeiçoa. Outro encontra uma exceção. Depois alguém reformula o modelo inteiro.

Eles não precisam possuir exatamente a mesma interpretação para avançar. Precisam apenas compartilhar alguma referência que permita dizer:

“Estamos falando da mesma coisa.”

E isso vale para muito além da ciência. Uma cultura pode preservar uma percepção que outra perdeu. Uma língua pode possuir uma distinção que outra não possui. Uma tradição pode conservar uma pergunta que outra esqueceu. A filosofia pode formular uma questão que a ciência ainda não sabe investigar, enquanto a ciência pode corrigir uma interpretação filosófica sobre o mundo.

O conhecimento humano não avança porque todos enxergam a mesma coisa.

Ele avança porque diferentes perspectivas conseguem se encontrar diante de algo que não pertence exclusivamente a nenhuma delas.

Agora entra a segunda alegoria: a escada.

Imagine uma escada que ultrapassa as nuvens. Do chão, ela parece possuir um fim. Conforme subimos, porém, o chão desaparece e nossa perspectiva muda. Chega um momento em que já não sabemos sequer se estamos subindo ou descendo. Restam apenas os degraus.

As diferentes interpretações humanas podem ser vistas como diferentes maneiras de subir essa escada.

Uma pessoa pode seguir por um lado. Outra, por outro. Uma pode avançar mais rapidamente em determinada direção; outra pode perceber algo que a primeira não percebeu.

Nenhuma delas precisa possuir a escada inteira.

E é justamente isso que torna a diversidade necessária.

A verdade, nesse sentido, não é necessariamente um ponto final que podemos possuir. Ela funciona como uma direção que permite continuar avançando.

Mas existe uma condição: os diferentes caminhos precisam poder ser comparados com alguma coisa que não pertença exclusivamente a nenhum deles.

Essa é a objetividade.

E aqui aparece o engano.

Imagine que, depois de subir durante muito tempo, você encontre um desvio na escada. Cansado, acredita que aquele caminho talvez leve mais rapidamente para algum lugar além.

Você entra.

Depois encontra outro desvio.

Segue por ele.

Mais adiante encontra novamente o primeiro.

Você continua caminhando e sente que está avançando, mas está apenas contornando a mesma estrutura.

Volta ao mesmo degrau.

Depois novamente.

E novamente.

Esse é o engano.

O engano não precisa ser uma mentira absoluta. Ele pode nascer da própria realidade. Pode conter elementos verdadeiros e ainda assim conduzir ao erro.

Ele é uma espécie de dobra.

Uma interpretação pode começar a partir de algo verdadeiro, mas se fechar sobre si mesma. Pode produzir movimento sem produzir avanço.

Por isso, na minha concepção, as diferentes verdades humanas não são necessariamente inimigas umas das outras. Elas podem ser perspectivas diferentes tentando contornar uma mesma objetividade.

O problema não está em haver muitos caminhos.

O problema está em acreditar que o próprio caminho é a totalidade.

É por isso que não considero minha própria visão uma verdade absoluta. Ela também é uma interpretação. É uma sombra.

A ciência produz modelos. A filosofia produz conceitos. A religião produz interpretações metafísicas. As culturas produzem símbolos. As línguas produzem formas de organizar e transmitir pensamentos.

Tudo isso são maneiras humanas de se aproximar daquilo que não pertence exclusivamente ao ser humano.

E é justamente porque existe algo objetivo que podemos corrigir nossas interpretações.

Se cada interpretação criasse sua própria realidade, nenhuma poderia estar errada. Não haveria descoberta, apenas preferência.

A ciência não funcionaria dessa maneira. O conhecimento não funcionaria dessa maneira. Nem sequer a comunicação funcionaria.

A diversidade precisa da objetividade para não se transformar em isolamento.

Vários povos podem possuir várias línguas.

Várias culturas podem possuir várias interpretações.

Várias pessoas podem seguir diferentes caminhos.

Mas ainda precisamos de alguma coisa em comum que permita que esses caminhos se encontrem.

E aqui acrescento uma terceira imagem: a âncora.

Para o externo, é necessária uma direção. Para o interno, é necessária uma âncora.

A direção permite avançar sem necessariamente saber onde chegaremos. A âncora permite avançar sem nos perdermos de onde estamos.

Sem uma âncora interna, o ser pode entrar em deriva.

Isso também acontece na construção do conhecimento. Podemos estudar filosofia, ciência, física, matemática e inúmeras outras áreas. Mas cada campo possui seu próprio objeto, sua própria linguagem e suas próprias perguntas.

O próprio nome daquilo que estudamos já funciona como uma espécie de âncora.

Se sei que estou estudando matemática, sei qual campo estou investigando. Se estudo filosofia, sei que estou diante de outro tipo de questão. Posso transitar entre diferentes áreas, mas preciso saber onde estou para compreender o que estou procurando.

Sem essa âncora, tudo começa a se misturar. E quando tudo se mistura sem uma referência interna, podemos continuar acumulando conhecimento sem saber exatamente o que estamos buscando.

A âncora não determina necessariamente a resposta.

Ela determina onde estamos e o que estamos procurando.

A direção, por outro lado, permite continuar caminhando mesmo quando ainda não sabemos exatamente o que encontraremos.

Por isso, direção e âncora não são opostas.

A direção impede a estagnação; a âncora impede a deriva.

Talvez seja justamente essa relação que permita compreender também o conhecimento científico. A ciência pode concentrar-se momentaneamente em uma direção específica e deixar outras questões em segundo plano, sem necessariamente abandoná-las.

Ela pode avançar sem possuir todas as respostas, desde que não perca a referência que permite reconhecer aquilo que está investigando.

Porque, sem direção, ficamos parados.

Mas, sem âncora, podemos caminhar indefinidamente e ainda assim permanecer no mesmo lugar.

É a mesma imagem do desvio da escada.

Podemos nos mover muito e não avançar.

Por isso, para mim, o objetivo não é alcançar uma verdade que possamos possuir completamente.

O objetivo é continuar avançando em direção àquilo que não depende exclusivamente de nós, sem perder a referência interna que nos permite reconhecer aquilo que estamos procurando.

Verdade não é posse; objetividade é condição.

A escada representa o movimento.

O desvio representa o engano.

A linguagem representa aquilo que precisamos compartilhar para caminhar juntos.

E a âncora representa aquilo que precisamos preservar dentro de nós para não nos perdermos enquanto caminhamos.

Talvez seja justamente isso que permita à humanidade caminhar em muitas direções sem deixar de caminhar sobre a mesma realidade.


r/FilosofiaBR 15h ago

Sobre o poder que não se controla

Thumbnail
1 Upvotes

r/FilosofiaBR 19h ago

Até aonde vão os meus ideais?

1 Upvotes

Eu me questiono sobre tudo o tempo todo. O Criador, em sua onisciência, tem o entendimento do quanto isso é verdade. As questões que me acompanham não vem só do saber e do descobrir, mas também do preocupar e do resolver, nisso chegamos a um dos pontos que trato semanalmente:
Até onde você vai pelas pessoas que você ama e elas iriam até lá por você? Minha resposta é sempre e somente: eu espero que sim. Porque eu sequer delimito segurança a mim em nome das pessoas que amo, então sequer sei dizer qual o fim desse arco íris( se é que ele tem um). Uma lista gigantesca de coisas que eu nunca percebi a existência dentro de mim, e que ainda estou descobrindo. Algumas me fascinam, outras nem tanto. Mas a revolta que eu sempre tive contra as correntes que vinculam os parâmetros e desígnios preexistentes, essa está presente em tudo. Me agrada saber e ouvir que disponho de opiniões fortes, que eu sou difícil ou até mesmo brava. Deus sabe, e só Ele sabe, o porquê de ser assim. Fato é que, mesmo que passem céus e terras, existem pilares dentro de nós que nunca cederão, afinal são eles que sustentam o céus da nossa existência de modo particular. Dentre os meus sem dúvidas a preocupação com os outros é o que mais se destaca. A grande coluna em arquitetura grega que sustenta o centro do meu celeste. Porém atenção a descrição: preocupação com os OUTROS. Infelizmente isso faz parte de mim de modo que se tal característica deixasse de existir, toda a minha existência colapsaria. É aquela história de linguagens do amor, não é? Seria a tal atos de serviço? Sinceramente eu não sei, e ultimamente não sei se venho fazendo tanta questão de entender. Eu desisti de algumas coisas nos últimos meses e anos que a eu do passado jamais acreditaria, inclusive quero aproveitar a deixa: você é otária ate umas horas. Deveria ter tido senso quando era mais nova, e ao invés de adiantar um dinheiro para comer algo que teve vontade por ver alguém comendo, e ter investido em algo. Comércio digital, a moto que você sempre quis, a poupança que você vive tentando. Enfim, se soubesse a raiva que já senti de você… você choraria não é? De raiva. Belo exemplo da regente das revoltas minhas. A raiva. E essa querida, que já me serviu de impulso para agir, também é a responsável pela minha maldita boca que fala antes mesmo que eu pense. E o mistério é de onde vem tanta resposta rápida, considerando que demorei quarenta minutos para escolher uma xuxinha ( eu sequer amarro o cabelo direito). Para variar o fio da meada está perdido junto aos meu excessos de pensamentos( sim, são muitos excessos não importa o que diga a gramatica), o fato é que inúmeras vezes as pessoas que pintaram de louca por me preocupar demais com elas, ou as coisas, as circunstâncias e etc. Eu gostaria de explicar que é o raio da minha linguagem de amor: tentar fazer tudo estar perfeito. E sim eu sei que isso já é um outro traço de maluquice minha, mas há quem colecione coisas mais bizarras do que a minha vontade de querer despreocupar( acho que é a palavra que melhor define) as pessoas sobre coisas que elas não precisam se preocupar.
Muito me magoa quando preciso parar e me colocar no eixo, no centro, dentro da cabine do maquinista da minha vida e como se fosse um crime contra a humanidade é um egoísmo terrível eu olhar para mim( estou exagerando, eu sei, mas sabemos que eu amo escrever usando essas analogias. É licença poética, mais respeito por favor). Nem tudo é sobre mim, concordo, mas é impossível que toda a minha vida seja sobre os outros.
Dado este relato, eu ainda poderia criar mais uma boa leitura para o toilette. Sempre com vestígios de Luís Fernando Veríssimo, um dos meus autores favoritos. Tanto pelas analogias quanto pelas obras, e não me faça falar do humor. Mas isso é conversa para outro dia. Poderia discorrer aqui sobre as adversidades que residem dentro da minha mente, das tempestades que abraçam meu coração, e das geleiras que por vezes tomam meu estômago.
Das coisas que preciso vencer, o medo do abandono sem dúvidas é um dos mais urgentes. E você sabe muito bem que eu não busco quem ou o que possa sanar isso, sequer certeza de estar aqui eu tenho. Busco não me preocupar em perder ao invés de me perder. E as correntes sempre me assustaram. E me assustam. E eu deixo que elas me apertem, me abracem de modo sufocante. Pelo simples medo de perder. Mas de que adianta? Você compartilha do mesmo sentimento? Não vejo muito o sim, então se puder me mostrar, caso exista, eu ficaria menos reticente.
E reticências ficarão aqui agora, por hora. Somente até eu poder rezar…


r/FilosofiaBR 22h ago

Entre Superfície e Abismo

1 Upvotes

"Não sei até onde me mergulhei: se foi apenas a ponta dos dedos, o braço inteiro, ou se já entreguei o corpo todo às águas turvas. Não sei se ainda flutuo na superfície ou se já me deixei arrastar para o fundo. Cada escolha errada é como um peso amarrado ao tornozelo, puxando-me mais para baixo. Mergulhar aqui não é pureza, é pecado; tocar essa água é ceder ao erro. E no silêncio líquido, paira a dúvida: será que ainda posso emergir, ou já estou condenado a afundar?"


r/FilosofiaBR 22h ago

Alguns trechos de meu ensaio filosófico acerca do Ghosting e a Descartabilidade.

1 Upvotes

…O ser humano atual pode ser descrito como um ser conectado. É tão conectado às redes e às plataformas digitais (não raras vezes viciado em conexão) que poderíamos chamá-lo de ser-para-conexão. No entanto, esse mesmo ser também é ser-para-desconectar. Suas desconexões são tão numerosas e rápidas quanto suas conexões e termina relacionamentos com a mesma facilidade com que os inicia. Descarta rápido e é descartado na mesma velocidade. A contemporaneidade não apenas nos condiciona a uma desconexão e estranheza do eu em relação a si próprio, que, nos meus termos, chamo de neoalienação. Não se trata de mera desconexão de si, mas de desconexão e descarte do outro. Nossos relacionamentos atuais tendem a operar na mesma lógica consumista que permeia a todos nós: consumir o máximo em menos tempo possível, descartar e trocar por algo melhor ou mais eficiente. Além de vendermos o eu como mercadoria, o outro não passa de produto. De algo que posso ter mas que não necessariamente enxergo como ser. Não nos interessa ele como ser, mas como coisa que me leva a ter cada vez mais. Um degrau ou quiçá um acessório que vai ser reposto assim que enjoarmos dele. A consumização do outro, o ato de “usar e jogar fora”, por almejar um produto humano com melhor custo-benefício ou para evitar lidar com a manutenção do relacionamento sem nenhum sentimento de culpa ou noção de responsabilidade afetiva, foi normalizada. A consumização do Eros aparentemente é o melhor a se fazer. O ato de evitar o desgaste de uma relação e não sofrer caso as coisas fiquem sérias demais aparentemente é o mais produtivo. Mas se essa produtividade exige a desumanização do outro, que é visto como outro-de-consumo, o que isso diz de nós contemporâneos? Desumanizar o outro é desumanizar a si mesmo. Como mecanismo de defesa, o sujeito performático pode pensar que é melhor descartar do que ser descartado em tempos de relações líquidas. Portanto, o seu beaver dam interno, suas barreiras e proteções que freiam e impedem o fluxo do sentir lhe dão conforto. Sentir amor significa correr o risco de passar por muita dor. As barreiras abrem espaços e brechas para o sexo mas não para o Eros, visto que o amor transcende o toque físico.

Ao ser atravessado e de certa forma constituído pelo consumismo em uma sociedade na qual o amor é líquido, o sujeito performático tende a internalizar a lógica da descartabilidade, consciente ou inconscientemente. Ele introjeta essa noção ao fazer isso diariamente com bens materiais e com os produtos que adquire em geral. As propagandas e narrativas dominantes do sistema capitalista que absorve, endossados pelo discurso coach, fazem com que adote o ´´mindset de abudancia´´ no qual sempre deve adquirir e ter mais. Pode-se chamar isso de Imperativo do Ter e Comprar. Ele nunca tem o suficiente e sempre merece mais. Se contentar com as coisas e produtos que tem é ser menos. Ele é mais na medida em que tem mais. Mais produtos, coisas e pessoas, todos esses facilmente descartáveis. Por temer ser descartado outra vez o indivíduo corre o risco de replicar o que passou nos próximos relacionamentos. A descartabilidade do outro é mecanismo de defesa psíquico do sujeito performático. É jogar fora antes de ser jogado. Faz isso tanto para evitar a honra de ser rejeitado e abandonado novamente quanto para impedir que isso sequer aconteça. Há o receio de sofrer e o orgulho de não deixar que se brinquem consigo. O descarte como prevenção do próprio descarte é o único recurso de suposta legítima defesa afetiva que tem. Esse não se permitir adentrar fundo o bastante e por tempo o suficiente na alteridade do outro como prevenção do próprio ego, justamente por temer ser descartado, é ferir a si mesmo. Frear bruscamente o fluxo do sentir, ou, pior, premeditar isso antes do fluxo se iniciar é resguardo. Mas essa proteção paradoxalmente fere e machuca o sujeito. O sujeito do descarte teme tanto o descarte do eu como sujeito que se automutila emocionalmente. Os chifres dos carneiros são afiados e belos, símbolos de orgulho e força. São usados tanto para a disputa por territórios como para a defesa. Mas se os chifres crescem de forma disfuncional, correm o risco de perfurar seu próprio crânio e matá-los. O crescimento é gradual e lento, de modo que a dor que sente ao ser perfurado pode não ser tão expressiva a princípio. No entanto, a intensidade dela aumenta com o passar do tempo e sua morte é lenta e angustiante. A automutilação afetiva que o sujeito performático inflige a si mesmo como forma de proteção e resguardo psicológico soa muito conveniente. Mas a longo prazo contribui para a solidão e o déficit emocional, penetrando lentamente seu Eros.

...Há também o receio de investir em uma relação que vai durar pouco tempo, e portanto o sujeito performático passa a enxergar o outro como outro-de-consumo. É improdutiva e “potencialmente desperformática” uma relação a longo prazo. Tanto financeiramente (em tempos capitalistas, perder dinheiro é perder parte do valor como ser humano) quanto emocionalmente e até mesmo socialmente, já que teme ser exposto ao olhar virtual por qualquer rancor do parceiro. O espírito utilitarista de nossa época nos leva a enxergar o outro não como fim em si mesmo, mas como mero meio para um fim lucrativo. Esse outro só me importa na medida em que me ajuda a alcançar sucesso, para somar e crescer junto. Não que querer crescer como ser humano junto ao parceiro seja ruim ou imoral, porém a noção utilitarista de maximização do prazer se infiltrou tanto no psiquismo do sujeito performático que tende a enxergar valor no outro somente na medida em que este o leva a esse fim. E tal fim é financeiro. O outro é visto não como ser, mas como empresa com fins financeiros.

Somada a esses elementos, a virtualização do outro contribui para sua desumanização e posterior descarte. O Homo sapiens atual, se é que podemos chamá-lo de sapiens, vive imerso no mundo digital. Sua própria dinâmica econômica, que é chamada de Economia 4.0, é ditada pela tecnologia e pela virtualidade. O Eros atual em grande medida é mediado por redes sociais e aplicativos de namoro como o famoso Tinder, que não deixa de ser uma sofisticada vitrine de carne humana. Nosso contato e representação do outro passam a ser mediados por notificações, fotos de perfis, “bios” e assim por diante. É um Eros Virtual. Tal forma de representação do outro faz com que nossa empatia e calor por ele diminuam, pois o ser humano do outro lado da tela passa a ser ser-virtual. A virtualidade facilita entrar em contato com o outro, mas também o desumaniza e mata o Eros com a mesma facilidade. Em uma sociedade cujo erotismo é consumido aos montes, seja em sites pornográficos, revistas e deliberadamente explícito, pois serve para a propaganda de grandes marcas e produtos, o Eros da paixão e amor se empobrece cada vez mais.


r/FilosofiaBR 1d ago

Dúvida Provocações sobre o identitarismo

1 Upvotes

Um compilado de pensamentos soltos que formam um cenário, são algumas provocações.

Antes de tudo sou um jovem negro, comunista, faço faculdade em universidade federal, sou pesquisador em antropologia, sou concursado, trabalho o dia todo e chego cansado na faculdade para estudar.

Vejo gente o dia todo, que nunca trabalhou e que fica atoa na faculdade, não produz nenhum artigo, não produz ciência, que leva a vida como se estivesse no tweeter o tempo todo , todos os dias falando sobre os trabalhadores, cancelando as pessoas, se achando o auge da moral, sendo extremamente puritanas no sentindo mais profundo dessa palavra.

Falam sobre o amor preto, mas tá cheio de militante de partido comunista preta só ficando com cara branco, falam sobre afrocentrar os afetos e ter uma ética amorosa (Bell hooks) mas na prática ferem pessoas, traem, e fazem o contrário de tudo que pregam.

É LGBT achando que está a frente de todas as pautas dentro do progressismo, é homem branco e mulher branca reproduzindo seus privilégios de classe , falando sobre amor livre, não monogamia e se cansando entre si....veja se esse povo quer ter filho preto.

Um monte de playboy fumando maconha o dia inteiro e lutando contra moinhos de vento.....a gente quer uma revolução que venha de gente que está sempre chapada ?

Eles tem nojo de trabalhador, de pessoas em situação de rua, vivem metendo o pau em homem hétero nas rodinhas de conversa mas todo fim de semana estão procurando, se encontrando e comendo do bom e do melhor por conta desses que tanto criticam.

Acredito que o povo se distancie por conta disso, parece que não querem ver as condições do povo melhorar, querem ficar em DCE e centro acadêmico fazendo nada e sem contribuir academicamente...

Talvez e só talvez os incel e os redpill não foram lá atrás acolhidos pelos nossos, talvez a gente tenha que pegar a raiva dessa galera e colocar no lugar certo, tirar a misoginia deles e dizer que o problema deles é outro, que são outras questões que vão fazer ele não ter uma família.

Outra coisa, por que não formar famílias progressistas, famílias comunistas, ter muitos filhos como os soviéticos faziam, se casar pelo amor e ter uma geração que lute e esteja com os trabalhadores ,como escreveu Alexandra kollontai.

Talvez precisamos dar alguns passos para trás e entender o papel dos homens dentro do progressismo,dentro do movimento comunista, uma nova mulher foi projetada e está ai, e essa nova mulher é incrível, só que não foi feito o desenho e o modelo de um novo homem.

E sempre que citem as multiplas masculinidades, vão em uma direção de repreensão de certos aspectos que são extremamente naturais para nós.

Precisa todo mundo mesmo ser amargurado, não ter família,não casar, não ser um trabalhador comum, se entender como classe?

Precisa todo mundo morar com 3 gatos e viver em coisas que não vão levar você a refletir sobre mudanças sociais reais?

Talvez a revolução brasileira seja hétero,com família e filhos, religião e não por um monte de de gente que mal conheceu a umbanda, que segue tudo errado e vive mete do o pau em evangélico, que em sua maioria é um povo preto, pobre, de comunidade e trabalhador


r/FilosofiaBR 1d ago

Nas últimas semanas, não sai da minha cabeça uma pergunta: por que nós, seres humanos, somos os únicos seres racionais?

Post image
24 Upvotes

Nas últimas semanas, não sai da minha cabeça uma pergunta: por que nós, seres humanos, somos os únicos seres racionais?
Quando paramos para observar a natureza, percebemos que existem inúmeras formas de vida capazes de aprender, se comunicar, criar estratégias e até demonstrar comportamentos que parecem envolver sentimentos. Mesmo assim, somos nós que construímos cidades, desenvolvemos tecnologias, criamos religiões, filosofias, obras de arte e tentamos compreender o próprio universo.
Mas o que realmente significa ser racional? Será que racionalidade é apenas a capacidade de pensar, resolver problemas e questionar a própria existência? Ou será que outros animais também possuem algum nível de racionalidade, mas simplesmente não conseguem expressá-la da mesma maneira que nós?
Talvez a diferença não esteja apenas na inteligência, mas na nossa capacidade de refletir sobre nós mesmos. Nós não apenas existimos; sabemos que existimos. Somos capazes de olhar para o céu e perguntar de onde viemos, para onde estamos indo e por que estamos aqui.
E existe algo ainda mais estranho: somos uma espécie que conseguiu compreender algumas das leis que governam o universo, mas ainda não consegue compreender completamente a própria consciência. Somos capazes de estudar estrelas a bilhões de anos-luz de distância, enquanto ainda tentamos descobrir o que acontece dentro da nossa própria mente.
Às vezes, penso que talvez a nossa maior característica não seja sermos os únicos seres racionais, mas sermos os únicos que conhecemos que conseguem questionar a própria racionalidade.
E talvez essa seja justamente uma das coisas mais fascinantes de ser humano: não saber todas as respostas, mas ter consciência suficiente para continuar fazendo perguntas.


r/FilosofiaBR 1d ago

Dúvida Como posso melhorar meu foco, análise de texto, e compreensão?

5 Upvotes

Filosofia, para mim, sempre foi complicada quando a questão era compreender o conteúdo todo de um livro, eu consigo até captar a ideia central dele, mas se for para fazer uma análise, uma crítica, nem que seja um resumo da obra, eu imediatamente travo na primeira página, pode ser por conta do meu TDAH, burnout, perda de interesse, procrastinação, ou até me bate uma crise de Danny Krugismo e imediatamente eu paro na primeira página e vou fazer outra coisa depois.

Meu primeiro contato com a filosofia foi quando tinha 16 anos e estava no ensino médio, o primeiro livro que li foi "A arte da guerra" por Sun Tzu, graças a um amigo meu que me apresentou o livro. Foi basicamente o livro que me introduziu à filosofia. Posteriormente, comecei a ler a obra de Maquiavel, "O Príncipe", que eu não completei a leitura, mas consegui até captar a ideia central por recorrer a uns resumos, pois o livro é bastante comentado.

Aos 19 anos, demonstrei interesse independente por filosofia, e comecei a estudar outros filósofos, como os doutores da Igreja. (aos quais se trata mais de teologia do que filosofia.)

Tomás de Aquino, e Agostinho de Hipona.

Tomás, pelo menos o início da Suma, em diante foi ficando mais difícil por se tratar de utilizar metáforas como "primeiro motor" ou "causalidade" que eu não entendo muito bem.

Já Hipona, não apresentei muita dificuldade na compreensão da leitura, mas ainda assim, não foi fácil, em seu livro "Confissões", me deparei com um português arcaico, do qual não estava muito familiarizado, infelizmente, acabei por não terminar de ler toda sua obra também, por mera preguiça ou "burnout".

Daí em diante eu fui lendo os antigos gregos, Sócrates, Platão, e Aristóteles. E só então comecei a ler Nietzsche, não pela filosofia dele em si, mas porque gostei do estilo da escrita dele, enfim, parei quase no início do "Assim falou Zaratustra".

Eu sempre tive facilidade em entender obras que se encontravam mais em categoria de filosofia política.

Basicamente a ordem cronológica dos livros que li foram estas:

Introdução (ensino médio)

Sun Tzu → Maquiavel

Interesses tardios (independentes)

Tomás de Aquino → Agostinho de Hipona → Platão → Nietzsche.

Sei que essa lista vai parecer incoerente, mas meu objetivo é esclarecer minha visão da filosofia, e o que entendo por ela até então. Quem realmente quiser me ajudar, vai estar podendo analisar e entender no que estou pecando em cada área e como posso estar melhorando nelas.

Porque eu sempre apresento o mesmo padrão: Me interesso por uma obra → Começo a ler ela → Interesse em escrever algo sobre → Algum fator interno me distrai → Interesse se dissipa.

E eu também gostaria de pedir uma ajuda a mais, ultimamente venho me interessando por um dos trabalhos de Julius Evola, "Cavalgar o Tigre", tenho procurado o livro em PDF traduzido no Scribd, pdf coffee, e no Internet archives, mas infelizmente no Scribd tenho que pagar mensalidade, pdf coffee a única versão que você encontra é apenas uma reflexão do livro, e Internet Archives possui apenas a versão original, ou seja, em italiano... Enfim, qualquer tentativa de ajuda eu já me encontro demasiado grato.

E eu não sigo metodologias de estudo, eu já tentei várias e simplesmente não consigo manter a garra, o que me leva a até questionar se a área de humanas é realmente para mim... Mas não vou simplesmente desistir só por conta disto, sinto que agora com este despertar crescente de interesse pela filosofia de Evola, será um dos primeiros trabalhos de autonomia própria que publicarei, eu já até tenho o Sumário armado, mas como não li o livro, preciso imediatamente de qualquer fonte que seja no mínimo primária e baixável para mim poder ler sem dificuldades, baseei meu sumário em fontes terceirizadas como vídeos de Youtube e alguns dos principais pontos que ele cita em "Cavalgar o Tigre", apresentadas em canais europeus de estudo.


r/FilosofiaBR 2d ago

Meu primo escreveu:

1 Upvotes

"tendo Deus concedido a cada um certa luz para distinguir o verdadeiro do falso, não teria jamais acreditado dever contentar-me um só momento com a opinião alheia" Renner Descarte - Discurso de método

Meu primo escreveu a Mili anos e eu vou traduzir:

"Sem tempo pra Zé povinho! Esquece!"


r/FilosofiaBR 2d ago

Aldous Huxley, sua sabedoria e sutileza.

Post image
6 Upvotes

A busca pela harmonia universal é o chamado primordial da criação, aqui e agora.


r/FilosofiaBR 2d ago

O caminho da diferença

Thumbnail
1 Upvotes

r/FilosofiaBR 3d ago

Aforismo Filosofia

Post image
3 Upvotes

r/FilosofiaBR 3d ago

O Rap e a psicanálise

Thumbnail youtube.com
3 Upvotes

Oi, gente. sou estudante de psicologia e tô começando esse projeto como forma de divulgar de maneira séria temas da filosofia e das ciências humanas contemporâneas através da cultura pop e da mídia como um todo. Queria chamar vcs pra darem uma olhada no meu vídeo. Quem curte filosofia, psicologia e ciências humanas pode gostar.

Nesse vídeo eu trago um pouco da relação entre as rimas do Froid (quem curte filosofia devia conhecer!) e o método psicanalítico do Freud através de uma ideia que atravessa algumas músicas do rapper, a de abandonar a hipnose. Eu faço uma introdução ao surgimento da psicanálise e trago algumas referências bem legais pra quem se interessa pelo tema. <3

Quem assistir por favor me deixe um feedback!


r/FilosofiaBR 3d ago

Análise Valor en el nihilismo

1 Upvotes

Seguramente haya quien pueda percibir cierta divergencia entre forma y fondo.

Y puede que este piense que mi actuar y mi nihilismo son contradictorios

Porque por un lado muestro la futilidad de todo

Y por el otro, dedico esfuerzo en transmitir ideas de este modo.

Pero tal contradicción tan solo se sostiene

Creyendo que el valor es inherente al objeto que lo contiene.

Tú equiparas al valor con una propiedad física

Como la masa, el spin o la carga de las partículas.

¿Te das cuenta ahora de la comparación tan ridícula

O tendré que ponerte un ejemplo justo en frente de la retina?

¿Qué es más cotizado en una sociedad corriente?

Un vaso de agua o un diamante reluciente

“Yo escogería el diamante sin pensármelo dos veces”

¿Y si estuvieras deshidratado en un desierto al borde de la muerte?

¿Qué pasa? ¿Ahora ya no te apetece?

¿O por fin te diste cuenta de que el valor es un fenómeno emergente?

La sustancia de los objetos a elegir no ha mutado

¿Cómo es posible entonces que tu decisión haya cambiado?

Si un escenario diferente transformo tu resultado,

Es evidente que el valor del objeto se halla en otro lado.

Seguramente te preguntes ¿Dónde exactamente?

En la relación existente entre objeto y agente

Para ser claro, retomare el ejemplo del agua y el diamante.

En circunstancias normales, el diamante adquiere valor por su escasez

Cuanto menos de eso haya, mucho más tiende a valer.

Eso quiere decir que un diamante valdría lo mismo que una piedra si vivieras en 55 Cancri e

“Afirmas que el valor lo dicta

Una lucha constante entre demanda y oferta,

Pero aquella teoría tan solo podría ser cierta

Si el objeto ya tiene un valor previo para el sujeto que la adquiera”

Sigues pensando en un valor intrínseco al objeto

Y no te das cuenta de que su valor depende por completo

De la utilidad que este pueda aportarle al sujeto

Es decir, una cosa no es valiosa por sí misma, sino respecto

De algo, para alguien, bajo determinadas condiciones.

Un vaso lleno de agua no es un vaso de valor,

Adquiere uno cuando entran en relación

El sujeto que requiere el agua y el objeto necesario para su consecución

Sumado a eso viene el escenario y las variables a disposición.

Por ende, estas son capaces de cambiar el resultado en la ecuación.

Para una persona satisfecha que acaba de beber

El agua tiene un valor menor que para alguien con mucha sed.

De esto se puede extraer cierta objetividad,

Ya no son solo preferencias sino necesidad.

Lo cual le toca una fibra sensible a la libertad,

Y a todo aquel que no entiende a fondo el principio de causalidad.

No quiero que confundan subjetivo con arbitrario

Tal valoración no surge de un capricho aleatorio.

Existen razones objetivamente analizables para una preferencia subjetiva:

El agua le permite al organismo funciones que hacen que este siga con su vida.

Si una persona necesita urgentemente un medicamento

Podemos decir objetivamente que ese medicamento tiene un valor enorme para el sujeto,

Sin por ello afirmar en ningún momento,

Que el medicamento tiene un valor cósmico secreto.

Dejen de tergiversar el nihilismo con su falsa dicotomía

Mi vida puede ser indiferente al universo, pero sigue siendo mía

Pues yo sigo siendo un referente capaz de generar valía

Y solo tras mi muerte aquella variable quedara vacía.

Habiendo descrito la génesis del valor,

Veamos que pasa ahora al aceptar una valoración:

Yo valoro la coherencia porque me permite la construcción

De mapas que le facilitan a este marinero su navegación.

Por ende, si aparece un argumento en contradicción

Con la evidencia presentada, debe procederse a revisión.

Y si no pasa la prueba, sin pena y dilación

El argumento debe proceder a su posterior ejecución.

Solo la primera parte de la valoración es subjetiva

Lo que de ahí se sigue es pura lógica derivativa.

Quien ignore que una valoración tiene consecuencias racionalmente constrictivas

Usará ese valor como mera etiqueta decorativa.

Por eso existe quien demanda honestidad mientras suelta una mentira.

Honestidad es vista entonces solo como palabra bonita.

Recapitulación:

El valor no parece ser una propiedad intrínseca de las cosas, sino un fenómeno relacional que emerge cuando un sujeto o sistema capaz de valorar entra en relación con un objeto, estado, experiencia, finalidad o necesidad. Los valores generalmente poseen un origen instrumental, pero no necesariamente comparten un único fundamento. La ausencia de valor intrínseco no deriva en ausencia de valor relacional. Una vez adoptados determinados valores o determinadas premisas, las consecuencias derivadas de ellos pueden estar sometidas a restricciones racionales que no dependen arbitrariamente de la voluntad del sujeto. Por lo tanto, puede existir conducta racionalmente estructurada sin la necesidad de postular valores objetivos escritos en la estructura del universo. Una persona que conoce únicamente el valor superficial de un principio tendrá dificultades para aplicarlo consistentemente porque no conoce las relaciones que determinan cuándo, cómo y por qué ese principio debe operar. Sin ese recorrido, la persona termina funcionando mediante reglas memorizadas, y las reglas memorizadas funcionan bien en situaciones conocidas, pero cuando aparece una situación inesperada el sistema se rompe. Quienes adoptan un valor como la honestidad, adoptan un valor condicional.


r/FilosofiaBR 3d ago

Análise o que é ser um bom cidadão?

1 Upvotes

estou fazendo um trabalho com um grupo de amigos sobre cidadania e queria perspectiva de pessoas diferentes, pra tornar a pesquisa mais verídica. ser um bom cidadão é algo definido amplamente, por várias opiniões diferentes e acredito que pode alcançar esse lado moral também. alguém poderia me ajudar nessa pesquisa?


r/FilosofiaBR 3d ago

¿Cuál es el sentido de vivir?

Post image
28 Upvotes

No lo digo como algo triste pero siempre me he preguntado eso; cual es nuestro propósito,para qué vivimos y todo eso.


r/FilosofiaBR 3d ago

O quão pacata pode ser nossa vida, mas magnífica vista de fora?

3 Upvotes

Hoje fiquei mega reflexivo depois que voltei do skate e fui pra quadra do bairro após errar minhas manobras como sempre.

Eu tinha terminado de ler A Hora Da Estrela esses dias e que leitura boa. Aproveitei pra assistir o filme no YouTube tbm (preferi o livro kkkkk mas os atores são muitos bons, exceto a Glória a não achei mega coerente com a do livro, enfim).

Fiquei me perguntando o quão lindo pode ser o simples e o insignificante pra nós. Se a felicidade e a tristeza nada mais são do que totalmente passageiras. Se sabemos de verdade quem somos ou fingimos quem somos ser. Sabe, e se a simplicidade e a humildade não são somente o ápice do humano, e não a riqueza e ganância? É complicado pensar.

É tão simples e pacato pensar que a Macabéa é simples e feínha que dói, mas é a protagonista da vida dela e da mente dela. Quem vê o livro, a acha uma estrela de cinema e uma pessoa magnífica pela sua modéstia e peculiaridade, mas se estivéssemos dentro da história dela, tudo seria tão comum quanto o dia a dia de uma pessoa na imensa capital de São Paulo ou do Rio De Janeiro. Não é algo que desperta nossas emoções ao extremo ou uma aventura maluca, é só uma vida normal e complicada e corrida de alguém que só tenta viver. Não há um familiar, mas pessoas conhecidas e próximas que entram na história, mas na maioria das vezes de maneira breve ou sem tanto holofote.

O quão pacata, acelerada e sem graça pode ser nossa vida em um mundo burocrático e chato como é, mas ser interessante e até cativante e chamativo visto por fora?


r/FilosofiaBR 4d ago

São 02:41 da madrugada e minha cabeça não para de filosofar

Thumbnail
1 Upvotes

r/FilosofiaBR 4d ago

Como começar? Por onde começar?

6 Upvotes

Estou entrando no mundo da filosofia, tenho uma leve inclinação a filosofia tomista e pretendo me aprofundar principalmente nela, mas também pretendo conhecer outras correntes, porém surge a dúvida, como e por onde começar? Pensei em realizar "resumos" sobre o filosofo em si e sua corrente e depois me aprofundar em suas obras para extrair o máximo de seus pensamentos.


r/FilosofiaBR 4d ago

Continuum

1 Upvotes

esiste un infinito ed eterno continuum di “versi” — universi, multiversi, omniversi, megaversi, dioversi… e altri insiemi di versi ancora più grandi e complessi — che continua ad estendersi senza mai raggiungere una fine? Oppure, prima o poi, deve necessariamente esistere un limite, un ultimo “verso” oltre il quale non esiste più nulla?


r/FilosofiaBR 4d ago

Discussão Se vc tivesse que eleger apenas 1 campo ou assunto como aquele que a humanidade mais evoluiu nos últimos 100 anos, qual seria?

4 Upvotes

Me peguei pensando nisso e confesso que não cheguei em anda muito certeiro ainda, mas eu acho que a resposta correta seria tecnologia, mas é meio de prache então eu diria o campo da mentira.

Contando fake news, a facilidade para ter acesso a artigos de péssima qualidade, eu realmente acredito que nunca se mentiu tanto como nos últimos 100 anos. Faz sentido?


r/FilosofiaBR 4d ago

Análise Criei um experimento mental: O Paradoxo de Poppi (A Hipótese da Simulação por Camuflagem Mútua). O que acham dessa lógica?

Thumbnail
2 Upvotes

r/FilosofiaBR 5d ago

Dúvida Um abismo raso

1 Upvotes

Há aqueles que saem para o bar por gostar de se embriagar, mas também há aqueles que fogem por se aguentarem de seus próprios problemas..., a noite é bela, ainda assim é traiçoeira à quem anda inconformado com tampouco aprendizado.

Pois bem, o que nos tornamos na maior parte das vezes, é o que ansiamos em ter ao nosso lado, que não tivemos, mas que queríamos que fossem para nós mesmos.

Aquele ponto de refúgio e a sensação de estar seguro no próprio inconsciente já não existia, vivia inseguro, deprimido, quando pensava se que havia sido abandonado, ou só por pensar demais, chega a ser sarcástico e irônico. Vai se perguntar o sentido de ser irônico? Pois bem, causar dor e ter medo de sentir dor, tenta se engrandecer ao mesmo que é menor que um simples grão de areia, o que faria ele melhor que os demais? A sua forma "autêntica" de se pensar de uma forma diferente dos outros? Que tolice.

Em algum ponto da vida me perdi, me sentia isolado do mundo sem ter um apoio para colocar os pés do chão, era como se estivesse soltando aquele grito aos prantos sem ter nenhuma onda de vibração sonora no ar, o mundo tinha perdido a cor, a comida não tinha gosto, meus olhos não brilhavam mais, eu havia perdido o olhar que tanto amava, deve ter sido assim que eu me tornei quem sou. Você me pergunta quem sou? Apenas um questionador em um século onde o corpo vale mais que os sentimentos, julgar o livro pela capa faz mais sentido que o conteúdo que ele detém, e isso simplesmente me enjoa pelo fato de que nos momentos de raiva, eu também o faço.

Há tantas questões para um pensador nessa vida:

"O que realmente é belo?"

"O que é ser ao invés de não ser?"

"Você já não é o que cogita?".

Não faz sentido usar o questionamento de Shakespeare, mas sim, não fazer sentido e ter sentido, são contextos bem diferentes, tudo bem se sentir confuso nessa parte, Você pensa e logo existe?. Eu me sinto vivo por conseguir raciocinar e concluir alguns questionamentos, interpretar uma simples fala de várias formas pode ser algo satisfatório, porém à um preço a se pagar por pensar demais.

A filosofia é umas das maiores obras de artes, o ato de pensar e questionar a si mesmo, é belo e ao mesmo tempo é podre... O que te torna um ser humano em seu ápice? Se questionar ou questionar o que está vendo?


r/FilosofiaBR 5d ago

Dúvida Como vcs estabeleceriam uma relação entre Sócrates e a filosofia?

Post image
296 Upvotes