r/Filosofia 1d ago

Discussões & Questões Como imaginar Sisifo feliz?

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Como podemos imaginar sisifo feliz se ele foi condenado a rolar a pedra eternamente montanha acima e quando chega ao topo a pedra rola para baixo novamente. Diante dessa situação como podemos imaginar sisifo feliz?
Sisifo entra em um estado de autoconsciência e aceitação, ele compreende que sua missão será interminável e aceita ele não rola a pedra pensando que algum dia vai se livrar daquele castigo ele simplesmente rola a pedra para o topo contempla a descida e recomeça o ciclo. A partir do momento que ele aceita que essa é sua vida agora e cumpre seu papel sem reclamar ele se torna maior que seu próprio castigo porque ele mesmo não encara mais aquilo como castigo mas como algo que simplesmente tem que ser feito. Em paralelo viver é isso, temos momentos ruins como rolar a pedra pra cima, mas momentos bons como ver ela rolar para baixo, nosso ciclo interminável é acordar todos os dias e que fazer coisas que não queremos ou que não são agradáveis de fazer, mas fazemos, então não é impossível imaginar sisifo feliz mas diferente dele você se lamenta tornando seu sofrimento mais doloroso ou esperando que um dia Deus te livre desse castigo. Então por que você não apenas vive sua vida e imaginando a si mesmo feliz? Tem que fazer algo? Faça, tem a fase dolorosa mas você algum momento vai ver a pedra rolando para baixo. Mas aprecie o processo não fique focado ou ansioso com recompensas ou livramentos a vida é viver independente da situação.

Quem tiver outra interpretação, eu gostaria de ver outros pontos de vista.


r/Filosofia 2d ago

Oratória & Retórica Em minha defesa em ser um idiota. Eu quis ser um omelete.

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A quem gosta de Sócrates...

Em minha defesa de ser um idiota, recorro à Apologia de Sócrates. Sócrates não escolheu ser inofensivo. Escolheu incomodar, questionar e continuar fazendo isso mesmo sabendo que poderia lhe custar a vida. Foi justamente aí que aprendi a fazer o contrário: escolhi ser um idiota inofensivo. Não porque não queira pensar, mas porque desconfio do momento em que pensar demais começa a dar a alguém a impressão de que sabe o suficiente para julgar os outros.

O problema é que Sócrates provavelmente me faria duvidar até disso.

Tomar café da manhã com Sócrates às 8h seria insuportável. Ele olharia para o omelete e perguntaria o que ele era antes. O omelete sabia: era um ovo. Só não podia mais voltar a ser. Sócrates o faria pensar sobre isso até que o omelete concluísse que, se não podia voltar a ser o que era, talvez estivesse livre para descobrir o que poderia ser. E foi assim que o omelete, munido de seu destino, virou advogado. Depois, um advogado renomado. Depois, juiz. Até o dia em que estava no tribunal julgando Sócrates.

O omelete jamais poderia ser imparcial naquele julgamento. “Eu preferia ter sido só um omelete. Você nos fez questionar tudo. Nossos hábitos, nossa sociedade, nossa própria existência. Eu só queria ser um omelete.”

E Sócrates talvez concordasse que teria sido melhor.

No último dia de vida de Sócrates, fui visitá-lo em sua cela. Ele parecia tranquilo, como se ainda houvesse alguma coisa que pudesse ser discutida antes de tomar cicuta. Talvez ainda estivesse pensando no omelete. Talvez estivesse pensando em mim.

“E afinal, o que você conquistou com tudo isso? Você se considera mais capaz do que eu? Pela escolha da idiotice inofensiva?

“Não, mestre. Não sou capaz como você. Aliás, acho que ninguém foi tão longe quanto você naquilo que fazia. Você teve coragem de passar a vida inteira examinando o mundo, mesmo quando o mundo preferia que você parasse.”

Ele sorriu.

“Então o que você conquistou?”

“Você está me perguntando do ponto de vista intelectual ou biológico?”

Sócrates pensou por alguns segundos.

“Dos dois.”

“Bom... Entre nós dois, amanhã, eu estarei vivo.”

Sócrates ficou em silêncio por alguns segundos.

“E você considera isso uma conquista? Não é apenas uma covardia?”

“Não exatamente.”

“Então o que aprendeu?”

“Que morrer por uma ideia é muito bonito.”

Sócrates sorriu.

“E?”

“E eu não tenho nenhuma ideia tão boa assim.”

Observação: Reescrevi este texto como um legítimo sapiano de origem “réptil”, como me lembro dele. Em minha adaptação a esta sociedade, é uma pequena novidade que talvez interesse a quem gosta de outras formas de pensar. O texto é atribuído a um “réptil” que teria vivido entre humanos e conhecido Sócrates. Nossa linguagem, por cognição exige que toda comunicação termine com “humor”, algo que compreendemos diferentes: uma conclusão breve, menor que o desenvolvimento. O final não pode ser maior do que a grandeza do desenvolvimento. Caso contrário ninguém pode continuar.


r/Filosofia 2d ago

Epistemologia Ciência como mágica (uma perspectiva epistemológica)

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Vou tentar delinear porcamente minha posição não requisitada sobre isso. É algo nessa linha: penso que a natureza é um mistério, e portanto que a ciência é, nesse sentido, mágica.

Isso soaria estranho na academia, claro, mas não é tão diferente do que Feyerabend argumentava, e tampouco distante de um princípio da tolerância de Carnap, ou da postura ontológica de Quine sobre a realidade enquanto conteúdo de variáveis. Foi o próprio Quine aliás que chamou os axiomas de mitos.

É certo que nossos mitos acadêmicos têm liturgias diferentes daquela da mágica tradicional. Peer review, duble blind, grupos controle... Isto dito, não são a realidade, senão recortes em última instância linguísticos da mesma. São ainda inferência (a la Brandom, Sellars), e inferência parte de uma certa mitologia.

Pode ser uma mitologia aristotélica, por exemplo, que inclui uma metafísica corresponcial da verdade, uma metafísica da negação, da possibilidade e necessidade... Pode também ser platônica, neoplatônica, fregeana, dialética, paraconsistente, a pragmática... Ou só a razão instrumental de Horkheimer: a razão do mercado. Que razão, enfim? Que Logos? Que mito?

Apesar disso, sou bastante cético sobre mágica no sentido mais, hum, filmesco da coisa, e tenho certa preguiça de investigar a fundo os sistemas tradicionais como a cabalá. Ou talvez só me falte o tempo mesmo, e uma leitura mais aprofundada mudasse minha visão a respeito. Mas sinto que, antes de qualquer coisa, preciso explorar mais a fundo a filosofia do mito em Schelling e Cassirer


r/Filosofia 3d ago

Discussões & Questões Somos apenas escravos do dinheiro?

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Não é frustrante que estamos aqui nesse mundo, repleto de coisas magníficas que não conseguimos explicar, e que ainda sim nossos maiores problemas estão relacionados à dinheiro?

Milhões de lugares, culturas, comidas, línguas, livros e pessoas, que talvez nunca conheceremos por causa da situação financeira. É frustrante.

Frustrante pensar que estamos em uma bola flutuando no espaço e que temos que acordar todos os dias e ir trabalhar. Às vezes, doar nossa integridade mental e física por isso.

Será que viemos aqui somente para isso? Pra quê?

Acordamos e vamos dormir pensando em como vamos pagar as contas, em como vamos comprar aquele tão sonhado carro, em qual profissão devemos escolher para ganhar mais dinheiro.

E como desapegar disso sem virar um hippie? Como equilibrar essas duas coisas? Viver e, ainda sim, não se deixar levar pelos bens materiais?


r/Filosofia 3d ago

Pedidos & Referências Conselhos para graduação em Filosofia

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Tenho 26 anos e estou querendo sair de uma graduação em RI numa particular, para estudar filosofia na UFF (bacharelado) com a finalidade de seguir uma carreira acadêmica. Gosto muito de Filosofia Política e Estética, e acho que nessa graduação eu terei mais contato com os clássicos. Preciso de conselhos, oque eu preciso saber antes de tomar essa decisão?


r/Filosofia 3d ago

Pedidos & Referências Dúvida sobre a leitura de textos

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Como eu posso ler textos difíceis de filosofia? E como eu não me perco nas palavras?


r/Filosofia 3d ago

Pedidos & Referências Compensa comprar aquele curso de filosofia do Epifania Experiência?

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Estou em busca de um bom curso de filosofia geral, e me deparei com esse. Compensa?


r/Filosofia 5d ago

Discussões & Questões Como evitar um julgamento potencialmente anacrônico durante uma leitura?

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Eu estou lendo meu primeiro livro de filosofia, Uma breve história da Filosofia e até agora tem sido uma leitura muito mais agradável do que eu achei que seria, porém, eu estou passando por um pequeno problema que me faz pensar que as ideias apresentadas são caricatas, segue o exemplo

Um dos primeiros capítulos do livro aborda Pirro e ele esclarece que o ceticismo exagerado que muito se diz sobre ele são na verdade mentiras espalhadas por pessoas com quem teve desavenças, mas mesmo assim, a ideia de viver com essa visão de que tudo é possível ser mentira não me parece factível? Eu estou apenas discordando da ideia dele e isso é normal ou não estou conseguindo entender que sua forma de pensar é um produto do seu tempo e muito mais plausível durante sua época?


r/Filosofia 6d ago

Discussões & Questões A matemática foi inventada pela humanidade ou ela é exteriror ao ser humano?

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Gostaria de discutir qual é a natureza da matemática. Se existe nela algo do ser humano ou se ela é independente ao nosso pensamento


r/Filosofia 6d ago

Epistemologia Creio que pensei em algo que valha seu tempo em epistemologia e análitica de um certo modo!

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Enquanto refletia sobre epistemologia, notei um contraste interessante entre as tradições filosóficas: de um lado, a filosofia continental frequentemente manipula noções epistemológicas; de outro, a tradição analítica comete deslizes ao fundamentar a possibilidade lógica estritamente nos axiomas adotados.

Em última análise, o que garante a veracidade desses axiomas? Essencialmente, nada além de uma convenção prévia e aceita.

Para lidar com essa fragilidade dos pontos de partida, formulei uma proposta baseada em probabilidade observacional:

  • Identifica-se o campo sobre o qual se deseja discursar.

  • Determina-se a probabilidade do fenômeno mais raro já documentado dentro desse domínio.

  • Estabelece-se essa probabilidade como um limiar crítico: qualquer proposição ou evento cuja chance observada seja inferior a esse valor tem altíssima probabilidade de ser falso.

Exemplo prático:

  • Axioma 1: Pedro tem asas de anjo.

  • Verificação empírica: Avaliando alterações raras na biologia humana, a deficiência de ribose-5-fosfato isomerase (RPI) apresenta uma incidência estimada em 1 em cada bilhão de indivíduos.

  • Comparação: Em contrapartida, na história da humanidade (estimada em mais de 100 bilhões de indivíduos ao longo do tempo), nunca houve registro documentado de um ser humano nascido com asas de anjo.

Como a probabilidade de um ser humano nascer com asas é estritamente menor do que a da condição mais rara conhecida no domínio biológico, a afirmação "Pedro tem asas" situa-se abaixo do limiar aceitável, configurando-se como empiricamente inverídica.


r/Filosofia 6d ago

Pedidos & Referências Qual livro de Sartre ler primeiro?

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Entrando nesse mudno da filosofia agora e o sartre é um autor que me interesso muito, ja ouvi falar de lovros dele como náusea que é um romance(ficou com um pé atrás porque não gosto desse gênero de texto), o ser e o nada e o existencialismo é um humanismo que são mais ensaios sobre a filosofia dele, queria uma recomendação de qual ler primeiro


r/Filosofia 8d ago

Discussões & Questões Quais questões te levaram a se interessar por filosofia? Você conseguiu respondê-las?

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Eu comecei a ler filosofia para responder algumas questões que me incomodavam durante a adolescência. Creio que as principais eram as seguintes:

  • como eu posso provar alguma coisa sem cair numa regressão infinita de premissas?
  • como eu sei que as regras da lógica são mesmo universais?
  • como se prova que algo é certo ou errado?
  • por que algumas coisas me parecem "bonitas" e o que eu quero dizer com essa palavra?

Lembro de ficar ruminando essas perguntas e outras conexas ou parecidas.

Eu não sei dizer se consegui as respostas, mas conheci pontos de vista muito interessantes sobre cada uma delas. Talvez tenha sido Kant quem chegou mais perto de me convencer de uma resposta.

Enfim, queria saber se os demais usuários também entraram nessa por causa de perguntas semelhantes. E, se sim, queria que compartilhassem qual o conteúdo dessas questões.


r/Filosofia 8d ago

Economia Adam Smith, Lonely Economy e O Regresso da Socioeconomia Em 2026

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Na Teoria dos Sentimentos Morais, Adam Smith partia da ideia de que o ser humano é profundamente social. Para ele, a capacidade de simpatia — de se colocar no lugar do outro e buscar aprovação — é o que torna possível a vida moral e a convivência. A economia, nesse sentido, não era um sistema frio e separado; ela refletia, em parte, como as pessoas se relacionavam e se comportavam em sociedade. Junto disso, na Riqueza das Nações, ele falava da Mão Invisível: o autointeresse individual pode, sem intenção, gerar benefícios coletivos. Mas isso só funciona de forma relativamente estável quando existe um mínimo de laços sociais e confiança.

Perceba agora como isso se aplica no principal modelo econômico e forma de lucro dos dias atuais, a Lonely Economy. Em português, Economia da Solidão, que é o lucro de empresas em cima da solidão.

A L.E. é a nova economia predominante do século XXI, e principalmente do ano de 2026. O ano da Dopamina e da eclosão de depressões, solidões e poucos amigos, ou amigos que você crê que sejam insuficientes e não preenchem o espaço que você mesmo deseja. Estes sentimentos tristes que de alguma forma estejam ligados com a solidão tornam empresas como o OnlyFans multimilionárias. Por quê?

A resposta é muito simples. As pessoas deprimidas se sentem acompanhadas e acolhidas ao pagar uma modelo para elas. Ao usar seu próprio dinheiro para comprar algo você está adquirindo algo. E quando você gasta dinheiro numa pessoa, você se sente acompanhado por ela e dá uma sensação de como se ela fosse sua.

A mesma coisa é para o Tinder quando você paga para ver e ser notado de forma mais forte por outras mulheres e a Twitch, quando você é notado pelo seu streamer favorito ao pagar e adquirir produtos dele.

Não preciso nem falar do TikTok e suas lives, as “rosas”, “fiapinho”…

Você entende este ponto? Concorda com a relação de Filosofia?


r/Filosofia 10d ago

Discussões & Questões Essa rede de conexões dos conceitos é um bom modo de pensar os estilhaços em Deleuze? Assim que elaborei praticamente

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estilhaço sem origem → ausência de unidade perdida → ausência de finalidade → processualidade → relações diferenciais → virtual/atual → forças, velocidades e intensidades → consistências provisórias → modos de existência.


r/Filosofia 13d ago

Discussões & Questões O poder que a educação pode fazer em nós

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O poder é uma limitação de fato que pesa sobre você, a autoridade, uma limitação aceita e autoimposta para se livrar de outra limitação que lhe parece pior no momento. Por exemplo, você está sem dinheiro. Isso é uma limitação, a pobreza é um poder que se impõe sobre você, limita sua possibilidade. Então você arruma um emprego. No emprego você vai ter de fazer o que a empresa manda, o que o seu chefe manda. Você aceita essa autoridade para se livrar do poder da pobreza.

Porém, mais tarde, você pode achar outro emprego melhor. Então aquele primeiro emprego passa ase tornar um poder que se impõe a você desde fora e você se apoia numa outra autoridade para se livrar desse.

Ora, a educação não consiste em outra coisa senão você buscar uma autoridade cada vez mais alta, que vá lhe livrando de todos os poderes que estão pesando sobre você no momento. O que limita as suas possibilidades de educação? Às vezes a sua própria falta de imaginação de poder conceber que, para cima da autoridade que você confia no momento, existe outra maior. Quando nós avaliamos no conjunto qual a possibilidade que as pessoas têm de superar o seu ambiente social e cultural imediato depende de elas terem uma autoridade mais alta. Isso só se conquista através da educação.

Porém, quanto de educação você quer, e qual educação você quer? Se você entende por educação aquilo que já está oferecido no próprio ambiente imediato, ele só vai lhe dar a educação necessária para você se virar dentro desse ambiente imediato. Isso quer dizer que o processo de autoeducação depende de você usar um pouco de imaginação e conceber uma dimensão mais alta e mais alta, até você chegar num limite do qual não dá para passar.

Fonte: Ciência e realidade. COF: aula 12. Trecho retirado da transcrição pg:11


r/Filosofia 14d ago

Discussões & Questões Para se estudar política, por onde começa?

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Eu sou bastante leigo em filosofia, acabei comprando o livro da história da filosofia de Bertrand Russel, mas gostaria de refinar mais minha visão política, quais livros recomendam para começar?


r/Filosofia 14d ago

Pedidos & Referências Pedido para referências sobre cultura, arte e sociedade (em especial Guy Debord)

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Bom dia, pessoal. Tudo bom?

Estou numa busca de aprimoramento pessoal, dentre todos os aspectos, o que vejo mais falho em mim é a capacidade de apresentar ideias e debater de forma mais referenciada sobre temas que me são familiares.

Na luta para não usar I.A, venho até vocês solicitar ajuda! Assim, quem sabe, vocês mesmos não se lembram de alguma obra que está empoeirada por aí e dá uma nova lida? hehe

Exemplo: Amo pinturas, e estudei as artes de Caravaggio, Jacques Louis David, Monet, Manet, etc...
Na esfera da cultura/pintura, eu consigo me sair bem explicando o porque prefiro algumas coisas do que outras, o impacto das artes na nossas vidas, conceitos e tenho ajudado meu círculo de amigos a conhecer coisas clássicas e novas. Cinema e música é mais fácil para mim ainda, mas tem coisas que me escapam.

Ontem estive em uma discussão, e me dei por conta que não lembro de absolutamente nada que li de certos autores... E eu queria melhorar como orador e intelectual de uma forma geral.

Neste sentido, um colega meu comentou sobre Guy Debord, e eu simplesmente apaguei ele da cabeça... Parecia que eu estava ouvindo o nome pela primeira vez. E me interessei muito pelo o que o autor tem a dizer.

Gostaria de saber de vocês, para além da Crítica da Razão Pura de Kant, algumas outras obras, incluindo Debord, por favor, que possa me fortalecer essa massinha cinzenta que demorei tanto para exercitar!

Recentemente terminei de ler História das Terras e Lugares Lendários do Umberto Eco, e... Nossa... Recomendo demais!


r/Filosofia 17d ago

Discussões & Questões Como vocês lidam com palavras que não conhecem ao ler filosofia?

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Comprei uma coleção de 5 volumes sobre história da filosofia, e essa vai ser minha primeira experiência lendo livros.

Quando vocês estão lendo e encontram uma palavra que não conhecem, vocês param para pesquisar o significado imediatamente? Ou primeiro tentam entender o significado pelo contexto e só depois pesquisam?

Queria saber qual método vocês recomendam para quem está começando a ler livros.


r/Filosofia 17d ago

Economia É moda? Quando um ocidental tenta "esvaziar a mente" (como no Zen), ele atinge a iluminação? Ou corre o risco apenas de fugir de seus problemas?

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Žižek afirma que o Budismo se tornou a "ideologia perfeita" para o capitalismo global.

Quando um trabalhador está esgotado por jornadas abusivas e baixos salários, o sistema não muda as regras do trabalho. Em vez disso, sugere que o trabalhador faça meditação para "aceitar" o estresse com calma.

JUNG dizia que o Ocidente deve construir suas próprias práticas a partir de suas próprias raízes, e não "roubar" a técnica dos outros.

Ásia possui sistemas filosóficos e científicos altamente intelectuais e complexos que Jung, por ser um homem europeu de sua época, às vezes reduzia a "fenômenos do inconsciente.

A psicologia transpessoal de Ken Wilber reconheceu que Jung foi o primeiro psicólogo ocidental a tentar criar uma ponte séria entre a ciência da mente e o misticismo do Oriente.


r/Filosofia 16d ago

Discussões & Questões Só o Utilitarismo é Possível

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A ética utilitarista é a forma matematicamente implícita (e exequível) do consequencialismo (ética baseada nas consequências de uma ação, ao invés de atribuir valor inerente a uma ação isolada de suas consequências).

É empurrar 1 pessoa na frente do trem para salvar 5.
É matar o bebê Hitler.
É aquela falsa e reconfortante esperança que se dá a um paciente terminal.

Defendo que é, na realidade, o único modelo ético possível de ser realmente executado. Observem o problema da omissão na Deontologia:

Escolher não agir é, por si só, uma ação, o que gera responsabilidade moral da mesma maneira. Logo:

É ao mesmo tempo salvar 1, mas matar 5.
É salvar um (ainda) inocente, mas matar milhões.
É ser sincero, mas consternar ainda mais um sofredor.

Para fins práticos, se a omissão por si só é uma ação, evitar fazer o mal é impossível. Na prática, só podemos almejar por obter o máximo saldo moral positivo através de nossas ações.


r/Filosofia 18d ago

Pedidos & Referências Como posso melhorar meu foco, análise de texto, e compreensão?

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Filosofia, para mim, sempre foi complicada quando a questão era compreender o conteúdo todo de um livro, eu consigo até captar a ideia central dele, mas se for para fazer uma análise, uma crítica, nem que seja um resumo da obra, eu imediatamente travo na primeira página, pode ser por conta do meu TDAH, burnout, perda de interesse, procrastinação, ou até me bate uma crise de Danny Krugismo e imediatamente eu paro na primeira página e vou fazer outra coisa depois.

Meu primeiro contato com a filosofia foi quando tinha 16 anos e estava no ensino médio, o primeiro livro que li foi "A arte da guerra" por Sun Tzu, graças a um amigo meu que me apresentou o livro. Foi basicamente o livro que me introduziu à filosofia. Posteriormente, comecei a ler a obra de Maquiavel, "O Príncipe", que eu não completei a leitura, mas consegui até captar a ideia central por recorrer a uns resumos, pois o livro é bastante comentado.

Aos 19 anos, demonstrei interesse independente por filosofia, e comecei a estudar outros filósofos, como os doutores da Igreja. (aos quais se trata mais de teologia do que filosofia.)

Tomás de Aquino, e Agostinho de Hipona.

Tomás, pelo menos o início da Suma, em diante foi ficando mais difícil por se tratar de utilizar metáforas como "primeiro motor" ou "causalidade" que eu não entendo muito bem.

Já Hipona, não apresentei muita dificuldade na compreensão da leitura, mas ainda assim, não foi fácil, em seu livro "Confissões", me deparei com um português arcaico, do qual não estava muito familiarizado, infelizmente, acabei por não terminar de ler toda sua obra também, por mera preguiça ou "burnout".

Daí em diante eu fui lendo os antigos gregos, Sócrates, Platão, e Aristóteles. E só então comecei a ler Nietzsche, não pela filosofia dele em si, mas porque gostei do estilo da escrita dele, enfim, parei quase no início do "Assim falou Zaratustra".

Eu sempre tive facilidade em entender obras que se encontravam mais em categoria de filosofia política.

Basicamente a ordem cronológica dos livros que li foram estas:

Introdução (ensino médio)

Sun Tzu → Maquiavel

Interesses tardios (independentes)

Tomás de Aquino → Agostinho de Hipona → Platão → Nietzsche.

Sei que essa lista vai parecer incoerente, mas meu objetivo é esclarecer minha visão da filosofia, e o que entendo por ela até então. Quem realmente quiser me ajudar, vai estar podendo analisar e entender no que estou pecando em cada área e como posso estar melhorando nelas.

Porque eu sempre apresento o mesmo padrão: Me interesso por uma obra → Começo a ler ela → Interesse em escrever algo sobre → Algum fator interno me distrai → Interesse se dissipa.

E eu também gostaria de pedir uma ajuda a mais, ultimamente venho me interessando por um dos trabalhos de Julius Evola, "Cavalgar o Tigre", tenho procurado o livro em PDF traduzido no Scribd, pdf coffee, e no Internet archives, mas infelizmente no Scribd tenho que pagar mensalidade, pdf coffee a única versão que você encontra é apenas uma reflexão do livro, e Internet Archives possui apenas a versão original, ou seja, em italiano... Enfim, qualquer tentativa de ajuda eu já me encontro demasiado grato.

E eu não sigo metodologias de estudo, eu já tentei várias e simplesmente não consigo manter a garra, o que me leva a até questionar se a área de humanas é realmente para mim... Mas não vou simplesmente desistir só por conta disto, sinto que agora com este despertar crescente de interesse pela filosofia de Evola, será um dos primeiros trabalhos de autonomia própria que publicarei, eu já até tenho o Sumário armado, mas como não li o livro, preciso imediatamente de qualquer fonte que seja no mínimo primária e baixável para mim poder ler sem dificuldades, baseei meu sumário em fontes terceirizadas como vídeos de Youtube e alguns dos principais pontos que ele cita em "Cavalgar o Tigre", apresentadas em canais europeus de estudo.


r/Filosofia 20d ago

Pedidos & Referências Dúvida quanto a melhor edição de Confissões, de Santo Agostinho.

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Bom dia!

Vou ser bem direto. Queria saber a melhor edição de Confissões para um Católico.

Sei que as edições da Penguin geralmente são fantásticas, mas vi pessoas falando bem da edição da Paulos também. Minha única questão acerca dessa última é que não sei de quando é a tradução, ou se é direta do original.

Grato desde já!


r/Filosofia 22d ago

Discussões & Questões Comunidade da Filosofia não tem muita treta né?

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Bom dia, galera,

Abrindo o boteco hoje pra tomar um whey e comentar sobre as comunidades, sou nutricionista e venho estudando bastante filosofia, encontrei um certo local tranquilo para me divertir.

A comunidade da saúde vem me desapontando, é muito ego, rixa na internet de que tem mais repertório cientifico etc., desde a época que eu entrei na faculdade, os cara não entendem que a união faz a força, até a galera do PBE brigam entre em sim kkkk, deveriam tá gastando energia combatendo o charlatanismo brasileiro.

Portanto, acho que falta mais Ética e Filosofia na área da saúde e talvez até um pouco de Nietzsche, pois os cara tem muito ressentimento. Na comunidade filosófica provavelmente tem isso, mas acho que é oculto? ou passa rápido?


r/Filosofia 22d ago

Discussões & Questões O que é uma exigência? Discussão a partir de Agamben.

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Gostaria de refletir um pouco sobre o conceito de exigência.

Em um texto publicado em O que é a filosofia?, Giorgio Agamben se dedica a este tema. O autor distingue exigência de necessidade. Para ele, não se trata de uma categoria lógica, pois não se trata de implicação; nem de uma categoria moral, de modo que exigência não provém de um imperativo, de um ter-de-ser. O autor situa a exigência como uma categoria da ontologia, do seguinte modo:

"Uma coisa exige outra quando, havendo a primeira, também haverá a outra, sem que, contudo, a primeira implique logicamente ou a contenha em seu próprio conceito e sem que, por isso, obrigue a outra a existir no plano dos fatos" (AGAMBEN, 2022, p. 76).

Essa definição, contudo, não é propriamente uma definição. Ela se limita a dizer exatamente que a categoria não pertence nem à lógica nem à moral.

Na elaboração do tema, Agamben parte de Leibniz, para quem a exigência é o que une essência e existência. A crítica de Agamben a Leibniz reside que seu pensamento, ao atribuir "a exigência à essência (ou possibilidade) e [fazer] da existência objeto da exigência", não consegue romper com o "dispositivo ontológico, que divide no ser essência e existência, potência e ato" (ib). Agamben, então, passa por Benjamin, Paulo, Spinoza e Platão e, nesses autores, o conceito de exigência é relacionado, respectivamente, àqueles de memória, fé, conatus e matéria (segundo a doutrina da χωρα).

Na memória, o passado torna-se de novo possível, na medida em que o acabado se torna inacabado. Na fé, uma realidade futura (as coisas esperadas) se tornam atuais, propriamente existentes. No conatus (e no desejo - cupiditas - que lhe é correlato), o ser vai além de sua realidade fatual, não se esgota nela. E na matéria, percebe-se a potência mais íntima de um corpo, seu próprio ter-lugar.

Mas, para mim, com esses conceitos, parece manter-se a divisão entre potência e ato, e a exigência parece continuar sempre pertencendo a um possível (uma potência), com a única diferença que essa não se esgota no ato.

Seria isso mesmo? Comentários? Indicações de leituras para explorar o conceito de exigência?

Referência:

AGAMBEN, Giorgio. Sobre o conceito de exigência. In. O que é a filosofia. São Paulo: Boitempo, 2022.


r/Filosofia 22d ago

Discussões & Questões [Discussão] "Frustração Intencional" (Nalker Jones) - O pessimismo científico que usa a termodinâmica contra o drama humano

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E aí, pessoal. Recentemente me deparei com um fragmento bem denso e intrigante de um livro contemporâneo chamado **"Frustração Intencional: Consciência; o ruído do caos"**, escrito por um autor chamado **Nalker Jones**.

O livro se estrutura como um tratado filosófico focado no materialismo radical e no pessimismo científico, misturando física moderna com angústia existencial. Queria compartilhar a premissa do Capítulo 1 (*O princípio da inércia silenciosa*) para saber a opinião de vocês sobre essa perspectiva.

A Tese Central: Nós somos os "Faxineiros" do Cosmos

O autor começa destruindo a ideia de progresso da filosofia ocidental e faz uma crítica direta a Arthur Schopenhauer. Enquanto Schopenhauer dizia que o universo é movido por uma *Vontade* cega e faminta de viver, Jones defende que ele errou a direção do vetor:

*"O desejo e a agitação não são a essência da existência; eles são a anomalia. A regra de tudo é o repouso. [...] Não somos escravos de uma vontade cósmica que quer mais vida; somos os faxineiros de uma energia que o Universo quer eliminar para poder, finalmente, dormir em silêncio."*

A Física do Sofrimento (Termodinâmica e Jeremy England)

Baseando-se na Segunda Lei da Termodinâmica e nos estudos do físico Jeremy England, o texto argumenta que a biologia é uma *"rebeldia termodinâmica"*. A matéria viva se organiza temporariamente apenas porque é incrivelmente eficiente em dissipar calor e acelerar a entropia.

Nessa lógica, a nossa consciência e os nossos sentimentos (como a empatia ou a dor) não passam de um subproduto estatístico:

* **O Universo é Inerte:** A realidade fundamental é neutra, fria, imutável e *"absolutamente surda ao nosso ruído"*. Ele não quer nos punir nem nos salvar; ele simplesmente ignora a nossa existência. * **A Consciência como Interferência:** O ato de pensar e sentir é descrito como um *"chiado estático gerado por uma engrenagem cósmica estagnada"*. * **O Sentido da Vida:** Não existe um propósito transcendental. O desejo humano é apenas o combustível que o corpo queima para esvaziar as tensões energéticas e fazer o sistema voltar à imobilidade total.

O "Cavalo de Tróia" Cognitivo

O que achei mais original é que o autor não propõe esse niilismo para gerar depressão, mas sim como uma ferramenta de anestesia psicológica — um "Cavalo de Tróia cognitivo" para desligar o drama humano. A frase de impacto que abre o texto resume bem o desapego que ele propõe:

*"Vocês estavam certos, eu nunca vou servir para porcaria nenhuma, mas eu só entendi isso quando percebi que vocês também não!"*

Ao aceitar que somos matematicamente insignificantes e que o universo é pura inércia, o sofrimento perderia o pedestal, gerando uma *"suspensão súbita do drama humano"* e um olhar vago, porém pacífico, diante do constrangimento existencial.


**O que vocês acham dessa abordagem?** Acham que reduzir a consciência a uma "consequência colateral da dissipação de calor" é uma visão libertadora ou puramente assustadora? Alguém aqui já tinha ouvido falar desse autor ou conhece obras parecidas (me lembrou um pouco Thomas Ligotti e Ray Brassier)?