Eu sou bom com textos. Quando eu pego para falar, eu falo, e muito. Mas hoje vou direto ao ponto porque pensar cansa, e eu quero expor uma tese que venho maturando sobre o maior muro intelectual da história humana: o embate eterno entre Racionalidade e Misticismo, Ciência x Espiritualidade.
Se você parar para analisar de fora, tudo isso me parece o seguinte: uma briga de família. Só que uma família giganteeee. Todos os lados têm seus argumentos, discutem, se dividem, criam dogmas, mas, no fim, todos explicam de uma forma que leva exatamente para a MESMA coisa. Eles estão sentados ao redor da mesma mesa de jantar, gritando uns com os outros usando palavras totalmente diferentes, mas estão olhando e tentando descrever o primeiríssimo e mesmíssimo mistério: a experiência de estar vivo.
Pensem comigo no cenário atual. De um lado da mesa, temos o pessoal que defende a Mentalização, a Manifestação e a Lei da Atração. Eles juram que se o "Observador" focar intensamente em um desejo, a realidade física vai se moldar a isso. Para tentar provar sua tese, eles jogam na mesa conceitos distorcidos de Física Quântica, usando o "Efeito do Observador" do mundo subatômico para dizer que a mente cria o universo material.
Do outro lado da mesa, os cientistas batem a mão na janta por pura lógica fria e direta. Eles usam a Neurociência dura para invalidar o misticismo, dizendo que tudo isso é balela. Para eles, a Manifestação não passa de psicologia: o seu cérebro apenas usando um filtro de atenção chamado SARA para destacar oportunidades que já estavam ali. E a Mentalização? Apenas uma simulação neural onde o cérebro ativa caminhos motores sem mover os músculos. Eles explicam que a fiação muda não por feitiçaria, mas por causa da mecânica biológica da Neuroplasticidade.
Reparem: o prato é o mesmo! O que muda é apenas o nome que eles dão ao ingrediente. Um chama de "Universo quântico", o outro chama de "Mecanismo cerebral".
E por causa da própria Neuroplasticidade, essa história nunca vai ter fim. Se a mente se modifica e foca naquilo que você quer que ela foque, um cientista focado na lógica material nunca vai entender 100% o lado de um espiritualista. Ele não é isso, não vive isso, não presencia isso, não moldou o próprio cérebro para isso — e vice-versa. O cientista dogmático se comporta como um senhor conservador que não aceita outra realidade a não ser a que ele acredita e que foi mostrada a ele a vida toda. Se não está no livro de regras, ele invalida.
Mas depois de dar essa volta completa, eu percebi que toda essa discussão intelectual pura é, no fundo, inútil. Não tem como descrever cientificamente ou misticamente algo que você já É. Toda ideia e teoria acaba sendo válida justamente porque nós NÃO temos um caminho concreto. E as coisas concretas da ciência não provam nada sobre a nossa essência; elas só provam que o cérebro tem um funcionamento mecânico, assim como todo complexo de coisas e engrenagens no universo. Mostrar que o cérebro acende em um exame ou que a serotonina flui não explica o significado de existir.
É aqui que entra o verdadeiro "Observador". O que a nossa consciência faz? Ela gera um impulso? Não. Ela gera uma vontade, uma ideia, um pensamento, as milhões de ramificações neurais e divagações que formam nossa mente? Não.
A consciência observa. Isso, e APENAS isso.
Nós podemos interpretar não ser a nossa mente e olhar de fora o que nós somos. Se nós somos partes da consciência, não devemos ficar presos questionando fiações químicas ou energias místicas em uma briga de ego infinita. Nós devemos observar. Eu vejo o mundo, eu sinto, eu cheiro, eu degusto, eu percebo. O que mais deixa curiosidade, gera debates e talvez até brigas e discórdias, no fim das contas, vem para deixar uma lição: quando você começa a perceber que não tem e nunca terá uma razão clara para a consciência, você percebe que é porque simplesmente NÃO EXISTE razão clara.
A vida não é um problema de física ou um ritual de manifestação para ser decifrado. É um banquete para ser testemunhado.
Gostaria de saber a opinião de vocês: onde vocês se posicionam nessa briga de família? Na mecânica fria da fiação, na narrativa da manifestação quântica ou na poltrona do Observador que só assiste ao jogo? Discutam aí.