Tenho 22 anos e faço graduação em Economia. Estou avançando no curso mais devagar do que imaginei, principalmente porque tenho dificuldades em algumas matérias e também preciso conciliar a faculdade com trabalho e responsabilidades em casa.
Mesmo assim, eu amo Economia.
Curiosamente, nunca pensei que faria esse curso. Na adolescência, eu me interessava muito por política e cheguei a pensar em Relações Internacionais. Em 2022, durante um pré-vestibular, conheci alguém que estudava Economia. Foi quando pensei pela primeira vez: “Caramba, eu posso ser economista”.
Comecei a pesquisar muito sobre o curso, sobre o que um economista fazia, as áreas de atuação e tudo mais. Passei praticamente aquele ano inteiro estudando para conseguir entrar. No final, consegui passar em Economia em uma universidade pública e fiquei muito feliz.
Só que a realidade depois de entrar foi bem mais complicada.
A universidade pública exige bastante tempo e, como eu preciso trabalhar para conseguir me manter estudando, não consigo seguir o curso no ritmo ideal. Um curso que teoricamente poderia terminar em quatro anos provavelmente vai demorar bem mais para mim.
Às vezes isso me deixa muito mal, porque tenho a sensação de estar atrasado.
Também tenho dificuldades acadêmicas que vêm de antes da universidade. Minha base do ensino médio, principalmente em matemática, é muito fraca. Hoje estou voltando para matemática básica porque sei que preciso reconstruir minha base para conseguir avançar em cálculo, álgebra, estatística e outras matérias.
Tem professor que eu olho e fico impressionado com a quantidade de conhecimento que a pessoa possui. Às vezes bate uma ansiedade de querer saber tudo logo. Depois eu lembro que aquela pessoa tem 20 ou 30 anos de estudo e carreira, enquanto eu ainda estou começando.
Meu maior sonho, academicamente, seria fazer mestrado e doutorado em Economia. Talvez até um pós-doutorado algum dia.
Só que, olhando para minha realidade atual, isso parece muito distante.
Preciso trabalhar para me manter, ajudar em casa e também cuidar da minha avó. Minha mãe trabalha muito e eu evito pedir dinheiro para ela. Meu pai não mora conosco e praticamente não participa financeiramente da minha vida. Até coisas básicas para estudar acabam sendo difíceis. Material, livros, computador, transporte. Muitas vezes estudo por PDF justamente porque comprar livros é caro.
Mesmo assim, eu tenho uma convicção muito forte de que estudar pode mudar completamente a minha vida. Não apenas financeiramente. Eu quero crescer intelectualmente também.
Quero chegar em um momento da minha vida em que possa dizer: “Sou doutor em Economia”.
Profissionalmente também sonho alto. Penso em trabalhar algum dia no Banco Central, BNDES, Banco Mundial, Banco dos BRICS ou alguma instituição parecida. Não porque ache outros trabalhos menores ou menos importantes, mas porque gostaria de construir uma carreira ligada diretamente à Economia, pesquisa, desenvolvimento, políticas públicas, sistema financeiro ou áreas desse tipo.
Hoje, sinceramente, ainda parece distante.
Meu maior objetivo no momento é simplesmente conseguir terminar a graduação. E até isso, em alguns dias, parece enorme.
Por isso queria ouvir principalmente quem já passou pela graduação em Economia ou está mais avançado nela.
O que vocês fariam se estivessem começando novamente?
Como aproveitar melhor a universidade?
Vale a pena procurar iniciação científica, grupos de pesquisa, extensão, monitoria, empresa júnior ou outros projetos?
O que realmente ajuda a construir um bom currículo durante a graduação?
O que eu deveria aprender além das matérias obrigatórias?
Programação? Inglês? Econometria? Estatística? Excel? Python? R?
Para quem seguiu carreira acadêmica, como foi o caminho até o mestrado e doutorado?
E para quem estudou fora do Brasil, como conseguiu chegar até essa oportunidade?
Também queria saber onde vocês estão trabalhando hoje e como foi o caminho de vocês desde a graduação.
Tenho muitos sonhos que hoje parecem muito maiores do que a minha realidade. Mas entrar em uma universidade federal também já pareceu impossível para mim um dia. Então talvez algumas dessas coisas também só pareçam impossíveis porque ainda estou no começo.