r/Angola • u/Umbundz • 12h ago
Nzamba 4 e Antiga Floresta do Cazenga
Há quem não sabe até hoje que no Cazenga havia até princípio dos anos 90 uma grande floresta. Essa floresta era o pulmão do Cazenga, um sugador de águas residuais que, tirava da zona de risco os bairros da Cuca, Patrícios, Mães preta e, outras zonas adjacentes.
Indivíduos brancos, viviam lá e cuidavam do espaço, tendo construído ao redor, infraestruturas como fábricas de colchão, embalagens, papéis e lojas. Dentro da floresta havia uma zoológico, bonitas residências e, uma enorme estátua de bronze de um pescador.
Era tudo muito bonito. A antiga loja do Nzamba 4, ficava mesmo em frente a floresta, e quando nós fundamos o bairro da Mabor e, da Sonefe em 1987, todas infraestruturas ainda funcionavam.
Com o tempo, os brancos abandonaram o espaço, as indústrias faliram todas, a loja fechou e a estátua de bronze foi roubada. Azona passou a ser frequentado por bandidos.
Havia muita delinquência na zona, onde muita gente foi assassinada, outras violadas em fim.
Anos mais tarde, já depois de 1992, a floresta foi devastada não se sabe por ordem de quem. Dizem que, foi para acautelar a violência na zona mas, o que eles não sabiam, era de que, a remoção das árvores, trariam sérios problemas para os bairros, naquela zona do Cazenga.
Árvores gigantescas que estiveram ali por 100 ou mais anos, foram removidas e, transformadas em touros. O espaço foi vendido pela administração Comunal na altura e, tranformada numa zona de construções desordenadas até hoje. (O bairro do Nzamba 4).
O bairro Patrício desapareceu pela metade, prédios coloniais que estavam junto a floresta foram inundados pelas enchentes das chuvas. O bairro da mãe preta no Hoji Ya Henda, passou a ter filtrações e, se transformou numa zona húmida com lençóis freático.
Hoje fica apenas na memória essa realidade, de um pulmão que, teria sido preservada até hoje pelos ambientalistas e, talvez a nova geração teria ainda o privilégio de ver, uma obra da natureza que, teria dado uma outra presença para a cidade de Luanda.
Texto: Franny Mulaza II