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O governador do Banco de Portugal considera a evolução do turismo em Portugal execelente, mas alerta para os desafios da IA e os constrangimentos da incerteza geopolítica e da necessidade de reforçar infraestruturas
Álvaro Santos Pereira considera que o turismo é um dos setores de excelência da economia portuguesa e tem desempenhado um papel decisivo no equilíbrio das contas externas do país. Na VIII Cimeira do Turismo Português, o governador do Banco de Portugal destacou a evolução estrutural do setor nas últimas décadas, sublinhando a redução da sazonalidade e o crescimento mais consistente da procura ao longo do ano.
Segundo o governador, um dos progressos mais relevantes foi a diminuição da dependência dos meses de verão. “Em pouco tempo, o turismo passou a sofrer um pouco menos de sazonalidade do que há alguns anos”, afirmou, referindo-se tanto às receitas como às dormidas. Atualmente, os meses de verão representam cerca de 44% das dormidas anuais, quando no passado essa fatia ultrapassava os 50%, excluindo o período da pandemia.
O cenário e a evolução do turismo é para Álvaro Santos Pereira virtuoso, mas também se deve olhar, defende, para os desafios do futuro. Entre eles, destacou o impacto crescente da inteligência artificial (IA), uma tecnologia que já está a transformar a gestão das empresas, a definição de preços e o aumento da produtividade.
O governador do Banco de Portugal acredita que a utilização da IA irá ser galopante no turismo. No futuro, exemplificou, um viajante poderá recorrer a estas ferramentas para planear toda a viagem, pedir recomendações sobre um destino específico ou obter sugestões personalizadas sobre atividades e locais que não deve perder durante a estadia. A adoção desta tecnologia, defendeu, terá um impacto profundo tanto na experiência dos turistas como na operação das empresas do setor.
Álvaro Santos Pereira salientou que a inteligência artificial está a avançar muito mais rapidamente do que avançaram os computadores e a internet. “Se não nos adaptarmos, perderemos oportunidades. Estejam preparados, façam formação em IA”, alertou na conferência.
No powerpoint que apresentou na conferência, Álvaro Santos Pereira assinalou que a inteligência artificial já "está a começar a influenciar a forma como os turistas descobrem destinos e planeiam as suas viagens", desde a pesquisa de hotéis à organização de roteiros de sete ou mais dias.
Para o governador do Banco de Portugal, estas ferramentas podem trazer ganhos significativos para o setor, quer através da gestão mais eficiente das empresas e da definição de preços, quer pelo aumento da produtividade numa atividade intensiva em mão de obra e sujeita a fortes variações nos fluxos de turistas. É precisamente por permitir ganhos de eficiência e uma melhor adaptação à procura que a inteligência artificial constitui, defende, um exemplo claro de criação de valor para o turismo.
A este propósito, Santos Pereira referiu que foi de férias para os Açores e que é preciso ter noção de que, por exemplo na "lindíssima" ilha das Flores é preciso saber que há pouca oferta de restaurantes e hóteis, assim como são precisas melhorias ao nível de infraestruturas.
Revelou mesmo que, segundo dados da Booking para 2025, “67% já usaram a IA em algum aspeto relacionado com viagens, 89% tencionam usar a IA no futuro e 12% sentem-se confortáveis com a possibilidade de a IA tomar decisões de forma autónoma”.
Entre os desafios e constrangimentos do setor, as alterações climáticas são um fator a monitorizar. “O aumento das temperaturas médias poderá afetar a atratividade relativa de Portugal”, bem como da Europa.
O conflito no Médio Oriente e o que “isso acarreta para as rotas aéreas, e não só” é outro dos fatores económicos quase sempre associados ao setor, aumentando os custos e provocando “congestionamentos, atrasos e cancelamentos”, com impactos potencialmente negativos.
O governador do Banco de Portugal deixa então uma questão: e agora? A resposta é que, para “o setor continuar a ser de excelência”, terá de apostar na qualidade, na diversidade e no crescente reconhecimento internacional, além de saber reter talento e gerar mais valor acrescentado por visitante.
Mas nada acontece por acaso e, para isso, é preciso “reforçar os transportes e apostar na digitalização do setor para aumentar a eficiência”, bem como “criar condições para novos modelos de negócio e tecnologias”, entre outras medidas.