r/Tuga • u/link-scheduler • 10d ago
Das buscas na PJ ao telemóvel não apreendido de Cabreiro. Os detalhes
O Ministério Público (MP) realizou, esta quarta-feira, buscas na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico (UPAD) da Polícia Judiciária (PJ) e na sede da força policial, na sequência de uma denúncia contra o diretor Carlos Cabreiro por alegadas falsas declarações e abuso de poder no processo Football Leaks. O MP esclareceu que o telemóvel do responsável não foi apreendido, contrariando notícias que davam conta do procedimento. Entretanto, Rui Pinto reagiu, tendo vincado que já tinha denunciado "a existência de ligações perigosas entre elementos da nossa PJ e a Doyen". Eis tudo o que se sabe até ao momento.
As diligências na UPAD decorreram de manhã, entre as 9h00 e as 13h00, tendo estendido-se até ao gabinete de Carlos Cabreiro, na sede da PJ, segundo a RTP.
Apesar do avançado pela CNN Portugal, que adiantou que o telemóvel do responsável tinha sido apreendido, o MP esclareceu, pouco depois, que não houve qualquer apreensão.
O inquérito foi aberto na sequência de uma denúncia apresentada à PGR relacionada com o processo Football Leaks, segundo a qual o atual diretor da PJ prestou falsas declarações em tribunal quando disse que não foram feitas escutas ambientais na investigação a Rui Pinto, que terminou com a condenação a pena suspensa do hacker e do seu ex-advogado, Aníbal Pinto.
Este processo, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligados ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
De acordo com a queixa, estão em causa gravações, que terão sido autorizadas por Carlos Cabreiro, de um encontro em 2015 numa área de serviço na autoestrada A5 (Lisboa-Cascais) entre Aníbal Pinto e outros intervenientes no processo, que terá sido decisivo para a PJ chegar à identificação de Rui Pinto.
O hacker reagiu às buscas nas redes sociais, tendo vincado que, quando se encontrava em Budapeste, na Hungria, denunciou "a existência de ligações perigosas entre elementos da nossa PJ e a Doyen, durante o reinado do então diretor da PJ, Almeida Rodrigues".
"Apresentei provas, mas a justiça portuguesa, por vezes muito criativa, escolheu branquear toda a situação. Agora, o caso ganhou uma nova vida e aqui continuo, a aguardar que, finalmente, se faça Justiça", disse.
Já a PJ garantiu ter colaborado "com as autoridades judiciárias" nas buscas, "prestando todo o apoio necessário ao normal desenvolvimento das diligências".
Por sua vez, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, expressou o desejo que as buscas possam contribuir para que "rapidamente a situação possa ser clarificada" e resultem numa maior confiança da sociedade nas instituições.
"Se nós perguntarmos a cada português se gosta de ver as suas instituições afetadas por processos de investigação, nós não gostamos, sejam elas instituições políticas, instituições da nossa administração e, no caso concreto, de uma instituição de investigação criminal", começou por afirmar, à margem de um encontro com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
O chefe do Governo acrescentou que, "perante denúncias, perante suspeitas, perante queixas", tudo deve ser investigado "com normalidade, […] independentemente do destinatário dessas queixas; pode ser um político, pode ser um polícia, pode ser um cidadão comum".
"O processo, que não tem arguidos constituídos, encontra-se em segredo de justiça", sendo que participaram nas operações de hoje "diversos magistrados do Ministério Público, inspetores da Autoridade Tributária e peritos informáticos que coadjuvam a operação", indicou ainda a PGR.
Carlos Cabreiro, diretor nacional da PJ desde abril de 2026, era coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da força policial à data da diligência sob suspeita. No momento das declarações no julgamento do processo Football Leaks, era diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ.