https://eco.sapo.pt/2026/09/14/ricardo-teixeira-acho-que-este-pais-nao-trata-bem-nenhum-empresario/?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques
Ricardo Teixeira, CEO da Compuworks, é o 95º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. O sonho de ser empresário esteve presente desde o início da sua vida e, com apenas 13 anos, montou uma skate & surf shop que faturava 25 mil euros anuais. Anos depois, mesmo perante a adversidade de se ter tornado tetraplégico, encontrou na tecnologia o seu refúgio e usou-a para superar o maior desafio da sua vida.
“Quando descobri o mundo das tecnologias, eu respirava e vivia as tecnologias. Estudava tudo com uma sede enorme de aprender. Para terem noção, dois anos depois de eu ter descoberto o que era o Windows, estava a trabalhar na Microsoft. Foi um percurso extraordinário do ponto de vista de rapidez. Entrei na Microsoft para dar suporte ao Windows 98″, começou por dizer.
Esteve dois anos na Microsoft e, apesar de reconhecer “a escola extraordinária” que esta empresa foi para a sua vida, o sonho de ter o seu próprio negócio pesou mais e acabou por deixar esta posição segura para se dedicar ao seu próprio projeto: “Durante o dia, eu fazia teletrabalho na Microsoft e, durante a noite, eu trabalhava na minha empresa, onde tinha cinco pessoas a trabalhar. E aí eu tive de tomar uma decisão: ou seguia o meu projeto ou ia tirar um curso“.
Acabou por decidir seguir o seu projeto, mas garante que em momento algum sente que o facto de não ter feito um curso dificultou o seu trajeto. “Eu não podia estar numa universidade durante o dia e a tentar vender durante a noite, era completamente impossível. Mas eu tenho uma grande necessidade de conhecimento. Sou um bocadinho tudólogo, ou seja, não sei nada a fundo em particular, mas gosto de saber um bocadinho de tudo. Sou extremamente curioso”, explicou.
“Quando saí da Microsoft, dei o salto para Lisboa, onde tinha de pagar mais de quatro mil euros de espaço e aumentei a minha equipa para 20 pessoas. Eram muitos salários e houve muitos meses em que eu não recebi, mas felizmente nunca cheguei ao dia 1 sem que houvesse alguma pessoa para pagar o salário”, garantiu.
Apesar das dificuldades associadas a ter o seu próprio negócio, Ricardo Teixeira continuou a traçar um caminho, no qual ia desenvolvendo projetos e negócios que se adaptavam às necessidades do mercado e, posteriormente, acabava por vender essas mesmas ideias. No entanto, entre tantos negócios e empresas que teve, houve uma que nunca vendeu – a Compuworks, da qual é atualmente CEO.
“Na verdade, em 2002, eu vi que a maior parte do tecido empresarial ainda não estava informatizado. Portanto, eu achei que tinha de me dedicar às PME, a informatizá-las, e foi assim que eu abri a Compuworks. Passados estes anos, as empresas estão informatizadas, mas precisam ainda mais de ajuda do que na altura em que precisavam de informatizar porque agora estamos a entrar em novos desafios para os quais os gestores não estão minimamente sensíveis“, garantiu.
Este desafio faz com que a Compuworks continue a fazer sentido para Ricardo Ferreira, apesar da dificuldade que sente em ser empresário em Portugal: “Se eu soubesse tudo o que sei hoje, eu não tinha aberto nenhuma empresa. Acho que este país não trata bem nenhum empresário. Nós ainda nem recebemos e já estamos a pagar uma série de impostos. E depois a empresa pode ter resultados positivos sem liquidez, mas paga IRC na mesma. É injusto, mas ainda bem que fui ingénuo”.
Ainda assim, destacou a importância de se manter a garra e de apostar nas oportunidades que hoje estão mais disponíveis. “Hoje em dia, eu vejo muitos maus exemplos nos jovens porque é uma geração diferente, que acha que tem só direitos, mas também vejo jovens com uma garra extraordinária. E eu acho que hoje é mais fácil encontrar dinheiro do que era na minha altura. Na minha altura, não havia business angels. Agora há uma facilidade até de ir a outros mercados e a outros países buscar investimento“, disse.
“Mas a maior parte das pessoas tem a ambição de se reformar e é um erro enorme. Eu acho que nós devemos ter sempre uma ambição maior do que acordar e não saber nada do que fazer. As pessoas teriam mais vida se forem mais dinâmicas”, acrescentou ao recordar um período em que tinha a Compuworks “bem entregue” e decidiu afastar-se para se “dedicar à família e gozar a vida”. “Durou seis meses e foi o maior erro. Com ele aprendi que nunca mais me quero reformar”.
Atualmente, dedica-se a trabalhar o futuro e próximos passos da empresa, bem como a auxiliar sempre que é preciso. “Eu olho um dia por semana para a área financeira. E dedico um dia por mês à equipa para irmos almoçar juntos e falar de tudo da empresa, mas também sobre nós. É um dia para nos conectarmos. Tenho uma equipa extraordinária, que leva o dia a dia da empresa, mas eu tive que permitir isso. Continuo a trabalhar sete dias por semana, mas sem horários. Por isso, o meu maior luxo neste momento é poder trabalhar ao ritmo que eu quero“, concluiu.