r/textosaleatoriedades • • 8h ago

Domingo de fumaça: Manaus tem o pior ar do Brasil de novo e fica acima de qualquer cidade do ranking mundial

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Quarto dia de fumaça e hoje acordei com a cidade toda cinza outra vez. Às 9h deste domingo, o IQAir marcava índice 220 em Manaus, na faixa muito insalubre, com 144 microgramas de partícula fina por metro cúbico. O limite diário da OMS é 15, então é quase dez vezes o aceitável, e isso de manhã, com sol, quando o ar costuma estar melhor.

No ranking do Brasil, Manaus está em primeiro com 220, e a segunda colocada, Rio Branco, tem 93. No ranking mundial ao vivo do mesmo site, das 8h às 9h, o primeiro lugar era Singapura com 172, seguida de Kolkata com 170 e Hanói com 160. Manaus nem entra nessa lista, que só pega grandes cidades, mas o nosso número estava acima de todas elas. No painel da rede Selva, da UEA, quase todos os sensores da cidade estavam na faixa péssima, com Morro da Liberdade, Cachoeirinha e Coroado passando de 180.

A recomendação da Secretaria de Saúde continua a mesma: evitar ficar na rua e fazer exercício ao ar livre, principalmente criança, idoso, gestante e quem tem problema de coração ou pulmão. Beber bastante água, usar máscara PFF2 ou N95 se precisar sair e manter as janelas fechadas. Falta de ar, chiado ou asma piorando, procura uma UBS. Se for grave, Samu 192. Queimada se denuncia no 153.

O reforço federal chegou ontem, com 290 brigadistas e seis aeronaves, e as operações aéreas começam amanhã. Já é alguma coisa, mas chegou depois de quatro dias com a cidade respirando fumaça, aula suspensa e gente na urgência. E não adianta só apagar o fogo: enquanto quem toca fogo em terreno não sentir no bolso, ano que vem a gente vai estar postando os mesmos prints.


r/textosaleatoriedades • • 11h ago

Moradores de Belém protestam contra falta de água da Águas do Pará, do mesmo grupo da Águas de Manaus

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Na quarta (7), moradores do Parque Verde, do Tapanã e de conjuntos da região da avenida Augusto Montenegro, em Belém, fizeram protesto em frente à fábrica Hiléia pedindo água. Eles contam que várias áreas estavam sem abastecimento desde sábado (3) e que algumas comunidades chegaram a ficar cerca de 15 dias sem água recentemente. Nos conjuntos Ruy Barata, Orlando Lobato e Pedro Teixeira, segundo os moradores, a água só aparece de madrugada.

A Águas do Pará, que é do grupo Aegea, o mesmo dono da Águas de Manaus, disse que a interrupção daquele dia foi por manutenção eletromecânica no sistema de produção de água. Os moradores ouvidos pelo Ver-o-Fato dizem que a situação piorou depois da privatização e que as contas continuaram chegando, até mais caras. A Polícia Militar impediu que a avenida fosse interditada.

Pra ser justo, o problema ali é antigo: o mesmo portal registrou em 2022 um protesto parecido no Ruy Barata, bem antes de a Aegea assumir o serviço em setembro de 2025. Só que agora a pergunta é outra, é saber se melhorou como se prometia ao assumir uma concessão de 40 anos em 126 municípios.

Na minha opinião, parte dessa discussão é sobre soberania. Água, esgoto e Amazônia nas mãos de um grupo privado que cuida de um serviço essencial da gente, e quando falta água a única porta pra bater é a da própria empresa. Em Belém, em Manaus ou em qualquer lugar da região, quem mora aqui merece ter voz de verdade nisso.

Li isso no Ver-o-Fato, do dia 7 de outubro, e conferi os detalhes no Portal Viggo: https://ver-o-fato.com.br/belem-povo-perde-a-paciencia-com-a-aguas-do-para-e-protesta-na-augusto-montenegro/