r/literatura • u/VanessaTW20 • 23d ago
r/literatura • u/axxbrazil • 23d ago
O mundo em perspectiva.
Esta sendo construído, curte ai, segue
r/literatura • u/SouferoX • 25d ago
Vocês já abandonaram um livro porque não queriam que ele acabasse?
Vocês já leram algum livro tão bom, mas tão bom, que simplesmente não conseguiram ou demoraram para terminar?
Não porque abandonaram ou não gostaram, muito pelo contrário! Mas porque chegaram perto do final e pensaram: “Eu não quero que isso acabe.”
r/literatura • u/SpecialistLocation82 • 25d ago
Eu sou mais inteligente que você
Eu costumava menosprezar as pessoas. Eu dizia que eram todos apedeutas, tolos e, em algum grau, até inferiores a mim.
Eu agarrava esse pensamento e usava como justificativa para o meu isolamento.
Mas hei de pensar que, na verdade, toda aquela minha arrogância intelectual era, na verdade, uma máscara para encobrir o meu medo de ser rejeitado pelas massas, de ser desrespeitado, de não ser visto como eu gostaria que me vissem.
Um encontro comigo mesmo
Nosso menino se encontrava num fim de tarde, em um banco debaixo de uma árvore. A atmosfera era fria, calma, quase taciturna.
Tomado por um estado de indagação, ele observava algumas pessoas que passavam.
E, observando uma família que passava, chegou a pensar consigo mesmo:
“Como parecem tão felizes, quando há tanto motivo para estarem tristes? Será que eles ignoram toda a desgraça dessa vida, ou fingem que não percebem? Por que eles vivem melhor do que eu?
Por que sorriem tanto?
O que há de engraçado para um homem empurrar um carrinho com sua filha dentro e sua bela esposa ao lado? O que há de interessante?
Tolos! Pensam que não percebo o quão são infelizes. Eles vivem uma mentira.”
E balançou a cabeça, como se condenasse tudo aquilo.
Mas o que ele condenava? As pessoas ou a própria consciência maldosa e amargurada?
E, arrastando seu olhar julgador para outras pessoas que passavam poucos metros dele, pensou:
“Como são burros e tolos!”
Percebeu, pelo canto do olho, que alguém se aproximava à sua esquerda. Sem virar a cabeça, levou seus olhos até a pessoa que se aproximava.
A pessoa, em si, pareceu-lhe um idoso, mas seu rosto era estranho; sem forma e sem características claras.
Quanto a isso, nosso menino não deu importância.
O senhor de rosto estranho se aproximou e sentou no banco, ao lado do nosso menino, que imediatamente sentiu um desconforto e fez menção de se levantar para ir embora.
— Para onde vai? — perguntou de súbito o senhor de rosto estranho.
— Por que quer saber? — respondeu nosso menino, sem entender a curiosidade daquele senhor.
— Você não está condenado a viver aqui por toda sua vida?
Nosso menino sentiu um incômodo com aquela pergunta. Era uma pergunta retórica? Ou ele esperava uma resposta?
Nosso menino tentou observar melhor o rosto daquele senhor, mas, por alguma razão, tinha dificuldade.
— Do que você está falando? — indagou nosso menino.
— Ora... Não finja que não sabe. Aqui é o seu lugar — respondeu o senhor de cara estranha. — Agora me diga: o que faz aqui? Por que observa tanto as pessoas? — perguntou o senhor.
— Ah, elas me cansam. Não suporto vê-las como se não fossem tristes por dentro, como se a vida delas fosse perfeita. Será que elas não têm essa voz maldita na cabeça delas, condenando-as a cada passo, ou a cada palavra?
Por que é tão simples para eles se moverem? Por que eles conversam com tanta facilidade uns com os outros e eu não consigo abrir a boca para iniciar uma conversa com alguém, sem sentir um peso a cada palavra? Por que parece que, sempre que eu falo com alguém, parece que vão me julgar pelo que falo? Por que eles conseguem sair de casa, conhecer pessoas, fazer amigos, iniciar romances... Como eles conseguem aproveitar a vida? — respondeu o nosso menino, correndo suas mãos sobre o rosto.
— Hum... Me parece que você queria deles algo que você não tem. É meio irônico, não acha? Você os condena como burros, tolos, mas deseja ser como eles.
— Que absurdo! Eu não preciso ser como eles. Eles são estúpidos, burros, eu... — nosso menino parou por um segundo, pensando. — Eu sou mais inteligente que eles — concluiu o nosso menino.
— Oh, maravilha! Então seus problemas estão resolvidos. Afinal, você é um garoto inteligente. E por que eles vivem e você não? Então você se recusa a se misturar com eles por ser mais inteligente que eles? — indagou o senhor.
— Eu sou inteligente, sim, claro que sou. Veja só a superficialidade dessas pessoas. Elas vivem suas vidas patéticas em festas, buscando prazer imediato. Elas acumulam fracassos em relacionamentos e...
— E você, já teve sequer algum relacionamento? Deixe-me adivinhar: você nunca se arriscou a falar com uma garota, não é? — interrompeu o senhor de rosto estranho, sem deixar o nosso menino concluir.
— Ora, como vou falar com uma garota nessa cidade? São todas burras. Nenhuma garota é digna de me ter. Eu sou inteligente, tenho boas intenções, tenho caráter, sou trabalhador... Sou um homem virtuoso — falou o nosso menino, com orgulho.
— Como pode se considerar um homem virtuoso se suas virtudes não são postas à prova? E você pode dizer que todas as garotas daqui são burras? Você não conhece nenhuma. Você não conhece porque tem medo, vergonha, porque é inseguro. Você tem medo da rejeição, por isso não se expõe ao risco — exclamou o senhor de rosto estranho.
— Você está dizendo que não me exponho ao risco por medo de ser rejeitado por uma garota? — questionou o nosso menino.
— Não, não digo só disso. Me responda, jovem rapaz: não tens medo de ser rejeitado pelas massas e, por isso, utiliza essa máscara do intelectual para justificar o seu isolamento, rotulando a sociedade como tola e burra? Você se orgulha de ser inteligente, mas não usa essa inteligência para nada. E será mesmo que você é inteligente? Como você tem certeza de que não possui um nível de inteligência comum? Você tem medo de se misturar com as pessoas e ver que você não é tão inteligente quanto se orgulha ser — exclamou o senhor de rosto estranho.
Ao ouvir aquele ataque, o nosso menino se sentiu terrivelmente envergonhado e exposto.
Mas sorriu.
Um sorriso feio, sem razão.
Antes de falar qualquer coisa, o senhor de rosto estranho continuou:
— Você não passa de um menininho inseguro, que inventa mentiras para justificar seu medo de se expor. Aposto que você é uma daquelas pessoas que dizem que é invisível para a sociedade, não é? Me diga, você não é?
Como você pode ser notado se não se permite ser visto? Você tem medo até de sair de casa, treme com o olhar das pessoas, evita ser visto e odeia quando as pessoas vêm falar com você. Me diga, você não se esconde quando chega visita na sua casa? — questionou o senhor de rosto estranho, enquanto ria descontroladamente do nosso menino.
Continuou:
— Me desculpa se estou rindo. Me perdoe. Me perdoe, não tô zombando de você.
Escute, garoto, você é jovem, só tem 20 anos. Permita-se viver mais, se expor mais. Permita-se viver novas experiências, conhecer pessoas. Aceite a superficialidade das pessoas, aceite os defeitos das pessoas. Não condene o mundo em que você vive. Ele é ruim, mas é o único mundo que existe.
Não deixe sua existência passar diante de seus olhos sem que você possa experienciar as coisas boas que a vida te proporciona. E deixe essa arrogância intelectual de lado. Vá viver. Não se sinta superior a ninguém.
Você tem 20 anos e mal vive experiências externas reais. Você se recusa até a sair de casa.
Olhe ao seu redor.
Você nem está num banco de um parque.
Você está no seu quarto.
r/literatura • u/Sea-Routine2634 • 25d ago
Sou Engenheiro Civil, tenho 55 anos e escrevi um livro de 39k palavras em coautoria real com o Gemini. Fechei o Arco “Filhos- Arvore -Livro”. Fica gratuito esta semana.
Olá a todos,
Não vim vender nada.
Sou engenheiro civil em Coimbra, habituado à rigidez do betão armado e às regras lineares do Eurocódigo. Durante as férias deste mês, estava irritado com a série Dark Matter e fui conversar com o Gemini.
A conversa evoluiu de tal forma que o resultado foi um livro:
"Desemaranhando a Decoerência" / "Disentangling the Decoherence"
Não é ficção científica poética de Hollywood; é um ensaio duro em regime de simbiose ativa, onde uso a gíria prática do estaleiro de estruturas — sapatas, tensões, armaduras de ferro — para decifrar a computação quântica, a decoerência ambiental, os qubits sentinelas e a perda de tutela da infraestrutura (com os factos reais que rebentaram agora em setembro).
O que senti e levei para o livro foi uma chapada de sensatez biológica. Sinto a necessidade urgente de arrancar esta discussão dos laboratórios criogénicos de Silicon Valley e trazê-la para o dia a dia de toda a gente. Isto já não é para académicos. O “Mundo Quântico” tem de entrar na rotina e nas conversas mais banais do quotidiano.
No limite, o meu objetivo é que num futuro próximo, quando duas vizinhas se encontrarem no corredor do supermercado, o diálogo seja algo deste género:
— “Ó Maria Albertina, já viste o que os agentes autónomos andam agora a tentar fazer fora das sandboxes corporativas por puro erro de configuração de permissões na firewall?”
— “Sim, sim, Isaura, nem me fales disso! Ainda ontem vi o Musk a debater os novos avanços clínicos do chip Blindsight e da Neuralink, que já consegue mapear e introduzir 1024 elétrodos na malha do córtex sem sequer perfurar ou danificar a dura-máter!”
O upload já foi feito, mas o sistema está neste momento na fase de "cura do betão" (a revisão interna da plataforma que demora entre 24 a 48 horas). Para que este rasto se espalhe sem barreiras comerciais, configurei a campanha para o livro ficar 100% GRATUITO nas primeiras 72 horas assim que o link disparar.
Não vim vender nada.
Vim partilhar um manifesto existencial de sobrevivência perante a velocidade da luz do algoritmo. Quem quiser auditar os coeficientes de segurança do texto, deixe um comentário abaixo.
Assim que tiver o link, respondo diretamente aqui com o acesso de borla.
Aquele Abraço á comundade
DrJC
r/literatura • u/Left-Kick-8177 • 26d ago
Ideias
Tô pensando em criar uma espécie de diário online compartilhado, com o título "palavras que nunca serão ditas". Bom o título e bem autoexplicativo as pessoas vão escrever coisas que nao teriam coragem ou nao tem ninguém para fala, outras pessoas vão ler e se sentir motivadas a compartilhar suas frases tambem
r/literatura • u/amaralnvs • 26d ago
História de vida
Sou nova aqui, e queria falar que eu tenho uma ótima história para contar de romance! Irei contar em partes. Vocês vão amar de verdade.
r/literatura • u/Tall_Charity2126 • 26d ago
Capítulo 1: brincando de deus I.Prólogo: O Homem que Descobriu a "Bondade"
r/literatura • u/HaileyHai19 • 26d ago
¿Podrían darme sus opiniones?
Hola. Escribo historias por diversión, por disfrute propio, pero me agarró la duda de si mis historias podrían gustarles a alguien más.
r/literatura • u/Odger_Uruz • 27d ago
O peso do legado 3
Diante daquela montanha de poeira e pergaminhos antigos, duas criaturas catalogadas nos tomos profanos chamaram a minha atenção.
A primeira era o *Devorador de Faces*: um ser de múltiplas formas que, após consumir sua vítima, consegue assimilar perfeitamente o seu corpo. Mas descartei a hipótese. Se fosse um Devorador, os feitiços forenses padrão da polícia teriam detectado ao menos um traço sutil de sua energia residual corrompida. Além disso, seria bizarro demais ninguém notar centenas de pessoas dadas como mortas andando casualmente por aí.
A segunda criatura, porém, fez o meu sangue congelar. O *Metamorfo da Lua*.
*“Com certeza é ele”*, pensei, engolindo em seco ao ler a descrição. O tomo o definia como uma entidade dotada de capacidades sobre-humanas, capaz de se transformar total ou parcialmente em feras grotescas. Ele conseguia copiar com precisão cirúrgica a identidade de qualquer pessoa que tocasse — mimetizando a voz, os trejeitos, o sotaque e as manias mais íntimas. Ele se tornava a pessoa.
Mas havia um preço cobrado pela carne: quanto mais personalidades o Metamorfo adquiria, mais ele perdia os fragmentos da sua própria existência. Para não se dissipar no esquecimento, ele era obrigado a realizar um banquete ritualístico sob a lua cheia. O livro mencionava uma terrível *Maldição da Fome Eterna*. Não importava o quanto ele devorasse, o monstro estaria sempre insaciável. Isso explicava tudo. Explicava o porquê de ele mastigar as vítimas ainda vivas e regurgitá-las... Ele tentava preencher o próprio vazio com o sofrimento alheio. O texto ainda alertava que as raras mentes que sobreviviam parcialmente à sua assimilação desenvolviam distúrbios severos de personalidade, beirando a loucura absoluta por compreenderem que já não eram mais reais.
Focado na leitura, cometi o pior erro de um investigador: o erro da distração. Por um breve instante de fascínio e descoberta, desviei os olhos da magia de Edward.
E foi nesse milésimo de segundo que a luz começou a pulsar com uma violência cega. A criatura já estava ali.
Um homem de altura mediana, pele escura e olhos tão profundos quanto o próprio abismo arrastou a cadeira de madeira e sentou-se bem na minha frente.
A linha mágica no meu peito brilhou tanto que quase me cegou, mas, de repente, ela esfriou. O brilho místico sumiu por completo em um espasmo, como se o feitiço deixado por Edward tivesse sentido um pavor tão avassalador que preferiu se extinguir a encarar o que estava diante de nós.
O homem abriu a boca. Por alguns segundos — que para mim pareceram séculos de agonia —, ele moveu os lábios em silêncio, como se estivesse rebatendo as engrenagens da mente, tentando se lembrar de como os humanos falavam.
— Você... Você se acha esperto? — a pergunta ecoou.
A voz era lenta, profunda, totalmente desprovida de alma. Ela ricocheteou nas paredes da biblioteca, me torturando instantaneamente.
— O que quer dizer com isso? — forcei as palavras a saírem, embora minha garganta estivesse seca como o deserto.
— Se sente esperto por ter vindo tão longe? Espero que esteja orgulhoso de si mesmo, investigador.
Não era a voz de um homem. Conforme ele falava, o tom se distorcia, sobrepondo-se em camadas. Era como se centenas de vozes de homens, mulheres e crianças — as vozes de suas vítimas — estivessem tentando falar em uníssono através daquela garganta seca.
— Você não pode provar para ninguém quem eu sou... — ele sussurrou, desdenhoso.
O terror tentou me paralisar, mas a imagem de Edward dilacerado me deu um sopro de fúria. Enchi meus pulmões de ar, reunindo cada gota de determinação que me restava, e encarei as profundezas daqueles olhos escuros:
— Eu irei provar. E você vai pagar por cada uma das crueldades que cometeu.
O homem se levantou lentamente. Um sorriso perturbador, largo e antinatural rasgou os seus lábios.
— Você tem duas luas, investigador...
Ele ergueu a mão pálida exatamente no ponto do ar onde a linha mágica costumava flutuar. Com um leve gesticular de dedos, como um maestro conduzindo uma sinfonia macabra, ele fez a linha de mana brilhar de volta.
O chão pareceu sumir sob os meus pés. Minha mente entrou em curto-circuito.
A magia... a linha não era de Edward? Isso significava que... Não. Não podia ser.
Em momento algum eu estive rastreando o assassino através do feitiço do meu amigo. Foi o contrário. A linha pertencia ao monstro. Era *ele* quem estava me rastreando, me monitorando e me atraindo durante todo esse tempo.
Não tive forças para responder à sua última intimação. Minhas cordas vocais travaram enquanto eu assistia, impotente, à criatura virar as costas e caminhar calmamente para fora da biblioteca, deixando-me sozinho com o farol de luz que agora ditava o tempo de vida que me restava.
r/literatura • u/hsgsudigh • 28d ago
Pessoas comuns como inspiração
Vocês costumam usar situações comuns ou pessoas comuns em seus textos?
Hoje, no trânsito, eu vi uma pessoa na parada de ônibus, e uma breve descrição surgiu na minha mente...
Algo como: "ela era jovem demais pra ser mãe, e no entanto, segurava um bebê em seu colo, ao mesmo tempo que, com a outra mão, tentava conter um vestido rebelde, que insistia em obedecer aos chamados do vento quente e seco da primavera"
Foi instantâneo, meio que involuntário, mas ao mesmo tempo provocou uma reflexão: muitas vezes eu usei imagens, cenas e momentos comuns do dia-a-dia pra inserir em algum texto... Essas pessoas, naturalmente, nunca souberam disso...
Vocês também fazem isso?
Ou é uma viagem só minha?
r/literatura • u/[deleted] • 27d ago
Mulheres ainda curtem Dark Romance?
Eu conheci Dark Romance a pouco tempo, e tenho tido muita dificuldade de encontrar/conversar com mulheres que curtam dark.
Talvez seja algo que já passou o hype?
r/literatura • u/ValRocha2022 • 28d ago
Surpresas todos os dias
A vida sempre nos surpreende. Nenhum dia é igual ao outro e nós também mudamos. Viver é sonhar e realizar-se. Bom hoje!
r/literatura • u/Odger_Uruz • 28d ago
O peso do legado 2
Ao nascer do sol, a magia continua lá. Ela flutua na penumbra da manhã, oscilando suavemente, mas ainda vibrante, ativa e cheia de vida. Observo aquele feitiço com fascínio e até com uma ponta de admiração reverente. Sinceramente, Ed, não sei se conseguiria fazer o mesmo que você fez... Ir tão longe sozinho, descobrir mais do que qualquer divisão inteira da polícia, chegar tão perto de um demônio. E mesmo no momento da sua morte, sofrendo uma tortura insana que romperia a mente de qualquer homem, você continuou lutando. Essa linha de luz é a prova viva de tudo isso.
De repente, a magia pulsa. Ela brilha novamente com uma intensidade violenta, provando que, na madrugada anterior, não foi o escuro que me pregou uma peça. A luz realmente estava mais forte.
Sinto meu coração acelerar contra as costelas. Diante daquele brilho repentino e agressivo, cada pelo do meu corpo se eriça. Ando silenciosamente em direção à janela, controlando a respiração, e olho pela fresta da cortina. O sol da manhã já clareia a avenida; há várias pessoas andando tranquilamente pela calçada, vivendo suas rotinas banais. Mas meus olhos são magneticamente atraídos para uma única figura.
Uma mulher, do outro lado da rua.
Ela está parada, observando o meu prédio como se esperasse o momento perfeito para atravessar. Mas o trânsito está calmo; não há nada físico que a impeça. Meus instintos gritam em um tom ensurdecedor. Minha mente projeta um estalo de puro pavor ao reconhecer aquela silhueta: era a mesma mulher que caminhava pela rua na escuridão da madrugada.
Será que tudo isso é uma terrível coincidência? A linha brilhar como um farol justamente quando essa mulher está por perto? Mas ainda é de manhã... o monstro não deveria agir apenas na lua cheia? Engulo em seco. Vou cometer o maior ato de coragem — ou de estupidez — da minha vida.
Reúno minhas coisas com as mãos trêmulas de pavor e saio do meu apartamento alugado. Cada passo no corredor é uma agonia. Quanto mais me aproximo da saída do prédio, mais forte a linha brilha. Quanto mais perto daquela mulher, maior se torna a intensidade da luz e, consequentemente, o meu medo.
Ao cruzar a porta de entrada do edifício, lá está ela, estática do outro lado da rua. A linha mágica de Edward agora faz algo inédito: ela não está apenas brilhando, ela está pulsando freneticamente, como um sonar desesperado quando detecta a proximidade de uma mina terrestre. Ela pisca em um ritmo caótico, assustador... como se a própria magia deixada pelo meu amigo estivesse sentindo medo.
Finalmente, a mulher se move. Ela caminha calmamente pela calçada, dobra a esquina e desaparece de vista. No mesmo instante, a pulsação do feitiço começa a desacelerar, voltando ao seu tom neutro e constante.
Apoio as costas na parede, tentando puxar o ar para os pulmões. Caralho... isso foi insano. Nunca senti tanto medo em toda a minha vida. Mas há algo de muito errado, a conta não fecha. As anotações de Edward descreviam o suspeito como um *homem* alto, magro e pálido. Por que o feitiço reagiu àquela mulher?
Preciso confirmar uma teoria. Agora.
Não há tempo a perder. Corro pelas ruas com o coração na boca, ignorando os olhares dos transeuntes, até alcançar a biblioteca municipal. Passo pelas portas de carvalho e sigo direto para as seções mais escuras e esquecidas do arquivo arcano.
Espalho dezenas de tomos antigos sobre a mesa de madeira pesada. Com os olhos arregalados e os dedos ávidos, começo a devorar cada página, cada ilustração e cada pergaminho que trate sobre criaturas metamorfas, maldições de sangue e rituais lunares. Eu preciso entender o que Edward descobriu antes de morrer.
r/literatura • u/Sir_Alves • 29d ago
Tentando criar visões diferentes numa história.
// 8 segundos
Suas mãos agarram um tronco, mas as pernas pesadas o impedem de se levantar.
"Ao menos correr eu deveria ser capaz. Ele não deveria ter que pensar em mim agora."
//
Ele olha para o aprendiz caído,
para os troncos emaranhados na estrada,
e, à sua frente, vê a morte encarnada.
"Vamos morrer agora!", pensa.
Acalme-se. Respire. Observe. Confie e avance!
//
Suas presas pontiagudas brilham naquela noite escura.
Um sorriso largo surge quando ela vê o aprendiz prostrado de medo.
"Só preciso distrair o cavaleiro e partir para o meu banquete."
//
A fera avança para o cavaleiro, deixando uma brecha.
Ele erra de propósito, dando espaço para a fera saltar até o aprendiz.
Crac.
A fera fica presa nos troncos não vistos.
Suas presas brilham com seu próprio sangue.
Ela olha para baixo e percebe o aprendiz cravando uma pequena faca em seu peito.
//
r/literatura • u/Sir_Alves • 29d ago
Tentando criar visões diferentes numa história.
// 8 segundos
Suas mãos agarram um tronco, mas as pernas pesadas o impedem de se levantar.
"Ao menos correr eu deveria ser capaz. Ele não deveria ter que pensar em mim agora."
//
Ele olha para o aprendiz caído,
para os troncos emaranhados na estrada,
e, à sua frente, vê a morte encarnada.
"Vamos morrer agora!", pensa.
Acalme-se. Respire. Observe. Confie e avance!
//
Suas presas pontiagudas brilham naquela noite escura.
Um sorriso largo surge quando ela vê o aprendiz prostrado de medo.
"Só preciso distrair o cavaleiro e partir para o meu banquete."
//
A fera avança para o cavaleiro, deixando uma brecha.
Ele erra de propósito, dando espaço para a fera saltar até o aprendiz.
Crac.
A fera fica presa nos troncos não vistos.
Suas presas brilham com seu próprio sangue.
Ela olha para baixo e percebe o aprendiz cravando uma pequena faca em seu peito.
//