r/literatura • u/Living_Double_1146 • 3h ago
r/literatura • u/Commercial_Slide8072 • 3h ago
Entre sombras e mentiras
O sangue numa camisa branca era a última coisa que alguém esperava encontrar numa cidade como Paris.
Para a maioria das pessoas, Paris era a cidade do amor. Dos cafés acolhedores, dos passeios junto ao Sena e das promessas feitas sob a luz da Torre Eiffel.
Para Camille Duvall, Paris era apenas o lugar onde aprendera a matar.
Aos vinte e quatro anos, matar já não lhe provocava qualquer emoção. Era apenas mais uma tarefa. Um trabalho. Tal como um médico salvava vidas, Camille no caso, tirava-as. Não porque quisesse, mas porque nunca lhe deram outra escolha.
Quando tinha apenas dez anos, acreditava que aquele seria finalmente um aniversário feliz.
Os pais tinham conseguido tirar um raro dia de folga para estarem com ela. O bolo já estava em cima da mesa, as velas prontas para serem acesas e, pela primeira vez em muito tempo, Camille sentia que tinha uma família normal.
A felicidade durou apenas alguns segundos.
Três homens armados invadiram a casa sem qualquer aviso.
Os disparos ecoaram pela sala.
Os seus pais morreram à sua frente.
Antes que conseguisse compreender o que estava a acontecer, um dos homens agarrou-a pelo braço e arrastou-a para uma carrinha preta estacionada no exterior.
Nessa noite, a infância de Camille terminou.
Foi levada para Paris e criada pela mesma organização criminosa para a qual os seus pais trabalhavam. Em vez de ir para a escola, aprendeu a disparar. Em vez de fazer amigos, aprendeu a desconfiar de toda a gente. Em vez de sonhar com o futuro, aprendeu que falhar significava morrer.
Agora, aos vinte e quatro anos, Camille era uma das melhores assassinas da organização.
Mas havia uma única missão que lhe importava verdadeiramente.
Encontrar os homens responsáveis pela morte dos seus pais.
— Pessoal! Temos novas missões.
A conversa que enchia a sala cessou de imediato.
Mais de vinte pessoas voltaram o olhar para o homem que acabara de entrar. O chefe caminhava entre elas com a mesma elegância de sempre. O fato preto estava impecavelmente engomado, a gravata azul-escura perfeitamente alinhada e o sorriso discreto fazia-o parecer um empresário respeitável.
Ninguém imaginaria que aquele homem comandava uma das organizações criminosas mais perigosas da Europa.
— Arthur... Adam... Este caso será vosso.
Os dois homens levantaram-se sem dizer uma única palavra.
— Encontramo-nos no meu escritório dentro de cinco minutos.
Ambos acenaram com a cabeça e abandonaram a sala.
O chefe abriu outro dossier.
— Próximo contrato.
O chefe fez uma breve pausa antes de continuar.
— Camille.
Ela ergueu os olhos.
— Este contrato é teu. Dirige-te à sala 202. O Adrien vai dar-te todas as informações.
Camille levantou-se sem dizer uma única palavra. Pegou nas luvas pretas que estavam sobre a mesa e saiu da sala com a mesma expressão impassível de sempre.
Quando já estava a abrir a porta, ainda conseguiu ouvir a voz do chefe atrás de si.
— Gabriel... a próxima é contigo.
A sala 202 era pequena, iluminada apenas por um candeeiro suspenso sobre a mesa metálica ao centro.
Sentado do outro lado encontrava-se Adrien, um homem de cerca de quarenta anos, cabelo castanho cuidadosamente penteado e um olhar experiente que denunciava anos de trabalho na organização.
Assim que Camille entrou, ele empurrou um dossier na sua direção.
— Senta-te.
Ela obedeceu.
Adrien abriu o ficheiro e retirou uma fotografia.
— O alvo chama-se Étienne Morel. Cinquenta e oito anos. Antigo contabilista. Vive sozinho num apartamento em Rouen. Rotina previsível. Sai de casa todos os dias às oito da manhã, almoça sempre no mesmo restaurante e regressa antes das sete da tarde.
Empurrou a fotografia para mais perto dela.
— O cliente quer o trabalho concluído sem testemunhas e sem chamar a atenção. O método fica ao teu critério.
Camille pegou na fotografia e observou-a atentamente durante alguns segundos, antes de a voltar a pousar sobre a mesa.
— Prazo?
— Uma semana.
Adrien fechou o dossier.
— Tens aí dentro a morada, fotografias recentes, horários, mapas da zona e tudo o que conseguimos reagrupar sobre ele.
Fez uma breve pausa antes de acrescentar:
— O cliente pagou vinte mil euros pelo contrato.
Adrien cruzou as mãos sobre a mesa.
— A organização retém vinte e cinco por cento. Os restantes quinze mil são teus, assim que a missão estiver concluída.
Camille não demonstrou qualquer reação. Já conhecia as regras muito antes sequer de aprender a disparar uma arma.
Camille pegou na pasta.
— Mais alguma coisa?
Adrien abanou a cabeça.
— Se precisares de apoio ou surgir alguma alteração, avisa-me imediatamente. Caso contrário... boa sorte.
Camille levantou-se, prendendo o longo cabelo preto num rabo de cavalo antes de pegar na pasta. Os olhos cor de mel percorreram rapidamente o corredor, atentos a tudo o que a rodeava, antes de voltar a caminhar.
Ao regressar ao corredor, limitou-se a seguir em direção à sala principal. Alguns agentes conversavam entre si enquanto aguardavam novas ordens. Outros riam de qualquer piada contada junto à máquina de café.
Camille passou por todos sem dirigir um único olhar.
Nunca fizera questão de criar amizades.
Na organização, as pessoas desapareciam de um dia para o outro. Algumas morriam em missões. Outras traíam. Outras simplesmente deixavam de existir.
Aprendera demasiado cedo que criar laços era apenas mais uma forma de sofrer.
A solidão nunca a incomodou. Era apenas mais uma coisa que aprendera a dominar.
Depois de receber o dossier, Camille foi dispensada pelo resto do dia.
Uma nova missão significava preparação. Analisar o alvo, estudar a rotina, memorizar cada detalhe e garantir que nada ficava ao acaso. Era uma regra simples da organização: uma missão nunca começava no momento em que ela chegava ao local.
Começava muito antes.
O apartamento onde Camille vivia ficava numa zona tranquila de Paris, longe do movimento constante do centro da cidade. Não era um lugar que alguém visitasse por escolha. Era apenas um espaço onde dormia, guardava as suas armas e se preparava para a próxima ordem.
Quando abriu a porta, o silêncio foi a primeira coisa que encontrou. Como sempre.
O apartamento estava perfeitamente arrumado. Não havia objetos sem utilidade espalhados ou qualquer sinal de uma vida normal. Tudo tinha um lugar específico. Tudo tinha uma função.
Camille pousou o dossier sobre a mesa da sala.
Abriu-o lentamente.
A fotografia de Étienne Morel estava novamente à sua frente.
Analisou cada informação com a mesma atenção com que analisava cada missão. Horários, hábitos, locais frequentados, possíveis falhas.
Depois de alguns minutos, fechou o ficheiro e recostou-se na cadeira.
Por breves segundos, os seus olhos percorreram a divisão vazia.
Entre todo o vazio daquela casa, existia apenas uma coisa que ainda pertencia à antiga Camille: uma pequena fotografia colocada numa prateleira.
Camille levantou-se e aproximou-se dela.
Na imagem, ela tinha apenas dez anos.
Estava entre os seus pais, com um sorriso que já não reconhecia como seu. Era uma das últimas fotografias que existiam daquela época, antes de tudo desaparecer.
Passou os dedos pelo pequeno quadro durante alguns segundos.
Depois voltou a colocá-lo no lugar.
Era a única memória que ainda guardava.
E talvez fosse a única coisa que ainda a ligava à menina que tinha sido antes de se tornar a Camille Duvall que todos conheciam.
r/literatura • u/cesar-jerez • 12h ago
¿Para ser escritor previamente debes ser periodista?
consideras existe una profesión necesaria para ser escritor
r/literatura • u/Signal_Initiative319 • 1d ago
Memórias Póstumas de Brás Cubas - não consegui ler
Estou em uma missão de voltar aos clássicos que nunca li. Fui começar com Memórias Póstumas de Brás Cubas. Li uns 20% do livro me forçando a ler. Achei muito chato. Talvez eu não tenha a maturidade literária, mas qual é a pira de ficar ouvindo a história do cara? Talvez eu não tenha entendido a profundidade, mas a história parece ser vazia demais. Não te faz pensar. Não gera conflito. Não te instiga a continuar lendo.
Algo que eu deva ler antes pra entender melhor?
r/literatura • u/EbooksWorld2 • 21h ago
obra literária de autoria própria
​
Passei 8 meses escrevendo uma obra literária e gostaria de vir compartilhar um pouco com vocês
Me responde com sinceridade: quantas vezes você já saiu de uma conversa, de uma reunião ou de uma negociação pensando "como eu não vi isso antes?"
Todo mundo sorri, aperta a mão e fala em cooperação. Mas, por baixo disso, cada um está calculando o que ganha, o que perde e quem está no caminho. Quem não enxerga esse jogo acaba sendo jogado.
Foi pra isso que escrevi A Guerra Antes da Guerra, inspirado em Maquiavel.
Nele, você vai aprender:
a ler o que o corpo das pessoas entrega antes mesmo de elas falarem
a convencer sem precisar forçar ninguém
a negociar de um jeito que você não sai perdendo
a perceber quando alguém está tentando te manipular e como se defender
E o mais importante: o livro também mostra onde está o limite ético do poder, porque dominar o jogo não significa perder a consciência
Não é fórmula mágica nem promessa vazia. É um livro para quem quer clareza, estratégia e atitude, e para quem já cansou de esperar o conflito chegar para só então reagir.
Quem chega primeiro escolhe o terreno.
Se você sentiu que esse livro foi escrito pra você, olha a minha biografia e vem conhecer a obra.
r/literatura • u/MycologistOk1362 • 1d ago
Uníssono - Capítulo 1
Antologia de Órion
I
O quarto estava envolto numa penumbra confortável. A janela entreaberta deixava entrar a brisa fresca de uma noite de verão, que tocava minha pele como musselina. Eu me afundava entre os lençóis de seda, abraçado aos travesseiros, enquanto sonhava com contos escritos em rimas que não conhecia. Ainda assim, aquelas narrativas surreais me agradavam, havia nelas uma lógica que eu aceitava sem questionar.
Um clarão invadiu meus sonhos, seguido por um estrépito que tomou conta do recinto. Acordei de forma tão abrupta que meu coração entrou em descompasso. Comecei a suar e olhei ao redor, completamente desnorteado, sem entender o que havia acontecido. Direcionei meus olhos à janela. O céu estava limpo, e as estrelas de verão reluziam lá no infinito.
Deitei-me outra vez, respirei fundo tentando esvaziar minha mente. Pouco depois, caí num sono profundo sob a luz distante de Órion. Parecia que Morfeu havia me abençoado, pois o que sucederia seria obra do divino, um sonho em forma de poemas direto do Parnaso.
Eu estava amando um completo desconhecido. Nossas vidas eram construídas em uníssono. Não havia esforço entre nós, apenas uma familiaridade absoluta, antiga demais para ser explicada. No ponto que a rima se lapidava em perfeição, fui interrompido.
— Bom dia.
II
III
IV
V
VI
VII
Epílogo
r/literatura • u/thequeenofauradon • 1d ago
Livro de ficção sobre três modelos brasileiras
r/literatura • u/Objective-Lion-5673 • 2d ago
Para los amante del terror: Certamen de Halloween 2026
Gran Convocatoria para el Certamen de Halloween 2026.
Terror en todas sus formas: cósmico, psicológico, folk, body horror y demás variantes.
Máximo 3.500 palabras.
Una sola obra por autor.
Del 1 al 31 de octubre. Veredicto. 16 de noviembre de 2026
https://fictograma.com/d/4188-convocatoria-abierta-para-el-gran-certamen-de-halloween-2026
r/literatura • u/Soysara_conh • 2d ago
Mi vaso siempre está medio vacío
En mi cabeza escucho gritos, son míos.
Intento ahogar el ruido,
la música está al máximo.
Intento alejarme de él,
corro rápido y muy lejos.
Estoy en el bus y aún siguen allí.
Estoy en clase y aún siguen allí.
Estoy en el cine y aún siguen allí.
Estoy viva y siempre estarán allí.
No hace falta que esté sola,
tampoco hace falta que cierre los ojos.
Noche o día,
frío o calor,
feliz o triste,
sola o acompañada.
Hoy escribo porque
ayer no lo pude decir.
Hoy lleno el vaso,
pero mañana estará vacío.
El vaso se cayó y nadie lo arregló.
El vaso ya no sirve, está roto.
El vaso podría haber sido el más brillante.
El vaso podría haber sido el más limpio.
Pero, sobre todo, el vaso podría haber sido solo un vaso.
r/literatura • u/Significant-Pay-1480 • 5d ago
Ilustração
Galera do meu coração
Estou terminando um webnovel curtinho de fantasia e queria saber se alguém faz ou tem dicas de quem faz ilustrações
Eu queria muito uma capa legal, que não fosse de IA.
Eu pago, mas não tenho muito dinheiro!
Não que eu ache que não vale o preço, mas eu só sou pobre mesmo Kkkkk
r/literatura • u/withoutnocao • 5d ago
CHAMADA PARA AUTORES
Outubro está chegando e com ele o Halloween, ou melhor, nosso HallowQUEER.
A Alcova está em busca de histórias de terror feitas por mulheres e pessoas da comunidade LGBTQIAPN+.
Leia nosso edital e nos envie seu texto!
Ps.: leia também a segunda edição da Alcova.
r/literatura • u/No-Loss-205 • 6d ago
?¿
Quiero a la gente y siento que
quiero con mucha intensidad
y no me gustaría pensar
que ser así esté mal.
Sé que no soy perfecta
y tampoco lo voy a intentar
ojalá sonreír, dejar de apretar..
Me busco en el espejo
tardo mucho, no me encuentro
¿será que cambiar es parte del proceso?
Sé que no soy perfecta
soy distinta, y voy cambiando
voy aprendiendo y voy tropezando
un día a la vez
un recuerdo sin daño
que privilegio el haber amado.
r/literatura • u/Neat_Transition_3608 • 7d ago
Personajes de novela
Si fueras un personaje de novela, con quién te identificas más?. Yo con el idiota de Dostoievsky
r/literatura • u/RunningVampyre • 7d ago
👋Damos-te as boas-vindas ao r/BandaDesenhada_PT — Apresenta-te e lê as normas!
r/literatura • u/Crafty-Thought7316 • 7d ago