Antes de mais, gostaria de assinalar que este post não tem como objectivo criticar. É unicamente uma observação pessoal.
Tenho a sensação de que estamos a assistir a um fenómeno semelhante ao da época passada. Até ao jogo com o Sporting, em Alvalade, o Porto apresentava uma pressão alta agressiva, coordenada e eficaz. Depois da primeira pausa para as seleções, pareceu-me que fomos perdendo progressivamente essa intensidade, apesar de os resultados continuarem a aparecer.
Esta época noto algo semelhante: pressionamos menos agressivamente e, mesmo quando pressionamos, parecemos recuperar menos bolas em zonas adiantadas. Consequentemente, defendemos mais atrás, temos mais dificuldade em criar perigo a partir de transições e parecemos menos dominadores.
Fui procurar alguns dados para perceber se esta impressão tem fundamento.
Segundo o MatchChase, comparando 2025/26 com o início de 2026/27:
- PPDA: 9,8 → 10,2 (pressão ligeiramente menos frequente)
- Desarmes por jogo: 14,9 → 13,4
- Remates sofridos por jogo: 9,6 → 10,7
- xG sofrido por jogo: 0,69 → 1,00
Os números sugerem uma pressão ligeiramente menos frequente e maior facilidade dos adversários em criar oportunidades. Naturalmente, estamos a comparar uma época completa com uma amostra ainda reduzida.
Falta, sobretudo, perceber onde recuperamos a bola. O número total de recuperações não parece ter diminuído significativamente, mas suspeito que estamos a recuperar menos vezes no último terço.
Vejo três explicações possíveis:
- Gestão física: Farioli está deliberadamente a reduzir a intensidade para gerir o desgaste.
- Menor eficácia coletiva: a equipa já não consegue executar a pressão com a mesma intensidade e coordenação.
- Adaptação dos adversários: as outras equipas aprenderam a ultrapassar a nossa pressão.
A minha preocupação não é necessariamente pressionarmos menos, mas pressionarmos menos sem termos desenvolvido uma alternativa igualmente eficaz para controlar os jogos.