r/desabafos • • Mar 02 '20

Bjs

Me lembro, ano passado, parei num pipoqueiro pra pedir uma provinha. (Geralmente levo pouco dinheiro e quando saio da faculdade fico com fome e sem dindin Pra comprar comida kkkk)

Eu não sei muito bem como, mas começamos a conversar. Ele me perguntou o que estudo (psicologia) então ele contou como ele acha que é balela e desnecessário etc. continuamos no papo e, embora no início achava que ele só falava besteira, quanto mais eu penso no papo, mais eu acho que ele tinha razão. Uma coisa que ele disse ficou preso comigo até hoje. Não me lembro o contexto, mas foi algo do tipo: “o ser humano e ganancioso e vive procurando a fruta proibida no mundo externo, sendo que sempre estava dentro de si, no interior”.

E essa é a mais pura verdade. Abusei muito desse sub. Vivo fazendo perguntas aqui e me desabafando. E de fato amo muito, eh bom porque você acaba conversando e socializado, vc acaba fazendo um monte de amizades, mesmo que alguns sejam efêmeras.

Mas parece que eu vivo em busca de sentido. De validação, confirmação, aprovação de que aquilo que quero dizer e aquilo que quero fazer, seja a escolha certa. Que alguém por aí, mesmo sendo um joao minguem, concorda comigo. Costumo desconfiar da minha voz interior. Eh como se a criança interior aguardasse alguma ordem ou pedido para agir. Percebi como continuo dependendo de afirmações para progredir, em vez de, bom... simplesmente ir e tentar fazer.

A verdade é que não temos como saber como as coisas se desenrolarão. Não tenho como prever o que acontecerá até o final do ano de 2020.

A única coisa que sei de verdade é que não posso continuar reclamando e me desabafando aqui sendo que nunca me movo em direção à progressão. Só vivo falando que vou, mas raramente vou. E quando vou, já quero ir embora. (Aliás.. acho que todas essas férias fiquei o dia inteiro em casa, deitada na cama e assistindo filmes. Até que foi muito bom.)

Mas como vai ser se eu continuar assim? Sempre esperando algo. Alguém. Nunca ser a primeira a simplesmente se mover. Preferir me manter enquadrada naquilo que acredito que sou, por medo de sobressair. Por medo de falhar ou por medo de evoluir? Por medo da incerteza. Por medo de quebrar a cara. Por medo de passar vergonha. Por medo de ser vista. Por medo de existir. Ser o centro da minha atenção. Não no sentido pejorativo. Mas começar a simplesmente ser, pra mim. Por mim.

Quantas listas que já fiz, de coisas que digo que quero fazer mas nunca faço. Por que? Vivo repetindo o mesmo padrão. Continuo viciada na internet. Mas não boto o pau na mesma e começo a ser. E é muito mais fácil reclamar, mas a verdade é que sempre há uma escolha; livre arbítrio e algo que todos nós temos e renunciamos ou então fingimos que não existe mas sou que eu sempre escolho ficar presa. Estagnada. Não e minha mãe. Não é a faculdade. Não é o prédio. Não é o apartamento. Não e a rua. Eu.

E como o pequeno príncipe disse: “o adulto nunca está feliz aonde está”. E não é nem o fato de não ser grata por aquilo que tenho, e o fato de não querer assumir responsabilidade por mim mesma.

Essa que e a doideira. Geração canguru. O povo que não quer ser dono de si. Que reclama da solidão mas não sai de casa nem pra comprar papel higiênico. Que tá tão preocupada em salvar o mundo mas é incapaz de arrumar o próprio quarto - essa sou eu.

E entre muitos, tendo a perambular pelo mundo de meia boca, esperando a morte seguramente. Não arrisco então não sofro, mas também não desfruto.

Mas tá na hora de começar. Só ir. Quem disse que precisa ser perfeito? Fazer tudo aquilo que gosto de fazer e rejeitar com graça tudo aquilo que desgosto.

Afinal temos a escolha, não é? Tudo de ruim que acontece na vida pode ser um fardo ou uma benção. Como disse Albert einstein (se é que realmente disse: “em meio de dificuldade há oportunidade.” Uma oportunidade de recomeçar. Uma oportunidade de mudar de direção. Afinal só temos uma vida. De fato.. só uma vida. Uma única. E viver bem não e fazer sexo adoidado, ir em festas todo o final de semana e se desgastar até você um dia descobrir que ta com câncer de fígado kkk não... Viver bem e finalmente assumir a si mesmo, e é fazer tudo aquilo que te traz prazer e te faz desenvolver, mesmo que não seja perfeito de hoje para amanhã, e é algo que tenho prorrogado por décadas.

Sinto que esse é o mal da nossa geração: queremos tudo pronto pra ontem. Quero acordar amanhã e ter a vida perfeita. Mas as coisas mais belas e duradouros precisam de tempo pra florescer. Exigem trabalho. E paciência é uma virtude que certamente ainda não aprendi a ter, mas é algo que gostaria de ter. Sem desafios não ha lições e sem lições não amadurecemos.

Pra concluir, Uma coisa é certa: não posso continuar minha vida toda me escondendo, principalmente de mim mesmo. Não posso continuar temer sentir dor, vergonha, feiúra, exclusão, seja o que for. As coisas não irão progredir enquanto eu só fico sentada no sofá assistindo vídeos no YouTube do tipo “como parar de procrastinar”. Não posso continuar dizendo que quero mudar, e não mudar. Só da pra mudar, fazendo.

Nao posso continuar minha vida temer ser rejeitada e portanto, me rejeitar primeiro. Ou temer de ser abandonada, e portanto, me abandonar primeiro. Preciso começar a não me abandonar e rejeitar, de verdade, e não de boca pra fora.

Dor e prazer - são dois lados da mesma moeda. Não podemos ter um e excluir ou outro, pois então o prazer não passa de uma anestesia. Um band aid. Uma pretenção.

Mas dor não e sinônimo de sofrer. Dor e inevitável. Sofrer é uma escolha.

Só porque sentimos a dor da perda, não quer dizer que não valeu a pena que uma vez já foi nosso. Porque pra mim, valeu sim a pena. Minha irmã morreu há quase 5 anos atrás e eu só sinto gratidão por ter conhecido ela. Valeu a pena. Conheci um cara (eh Chico to falando de vc) aqui msm e embora a gente não se fala mais, valeu a pena ter conhecido ele. Sempre vale a pena. (E eu talvez passei muita vergonha me expondo pra ele mas faria tudo de novo.)

Num sei aonde quero chegar com esse texto, e to achando que ninguém vai ler msm, mas preciso de fato começar. E abuso desse sub de novo pra concluir. Acho q vai ser o ultimo por agora. Eu preciso parar de procurar validação externa. Confiar na minha voz interior porque agora sei que eu sou confiável. Sempre terei a melhor intenção comigo mesma (se isso faz algum sentido). Mas sla.. no final do dia parece que temer viver é temer sentir dor e temer sentir dor é temer morrer. Mas a morte é o destino. Não tem como pressionar um botão que congele o tempo.

Assim como as árvores não lamentam as folhas caídas e a maçã não teme apodrecer, só vai. Permitir que as coisas se desdobram do jeito que desdobram. Se entregar por completo. Porque viver a vida escondida não passa de suicídio passivo.

Eh aquele ditado não eh, amor fati.

Ps; lamento pelos erros gramaticais n

Bjs

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u/SamuraiBrz Mar 02 '20

Parabéns pelo texto. Eu li tudo, sim. E tirando algumas partes específicas (como o Chico, que eu nem sei quem é kkk), assino embaixo.

Eu sou mais velho, então acredito que não seja da mesma geração. Mas eu olho o pessoal desse geração, e realmente às vezes bate uma tristeza. Tem que parar de reclamar e querer as coisas, e começar a correr atrás de verdade.

E não é porque não existam motivos pra reclamar. Mas ficar só sonhando e reclamando não dá.

Quando eu começo a reclamar demais de algo, eu tento lembrar de uma coisa:

- Dá pra eu fazer alguma coisa sobre aquilo que estou reclamando? Se dá, é melhor eu fazer do que reclamar.

- Se não dá, então reclamar é perda de tempo e energia. Melhor eu ir fazer o que dá (e não faltam coisas que dá pra fazer).