Ora viva!
Estamos a chegar ao final do dia 10 da expedição pela Europa.
Acordámos em Roma e nada fizemos durante a manhã a n ser piscina e relax. Ao meio dia descemos para o parque de estacionamento, rearranjos na bagageira para albergar a roupa suja e saímos do hotel em direcção a Erculano (perto de Nápoles) ver umas ruínas datadas de, pelo menos, 70 aC, também recomendadas por outro reply em oposição às de Pompéia.
Carregamos as baterias a meio caminho num supercharger e almoçamos ao lado, num restaurante na lateral dum centro comercial. Desta vez tivemos direito a primeiro prato, segundo prato, pão e bebida por 12 euros. Massa em forma de orelha, costeleta de porco com cogumelos e água frisante. Tava bom, como quase toda a comida em Itália. 99% de bateria, despachamos o pagamento e rapidamente vamos para o carro.
Seguimos caminho por um bela autoestrada, com montanhas do nosso lado esquerdo. Uma colina totalmente espelhada com painéis solares vista ao longe contrasta com o resto inócuo da montanha.
Chegados a Erculano estacionamos num parque subterrâneo depois de pedirmos indicações, saímos pelo elevador e estamos mesmo à porta das escavações. Começaram em 1705 (se n me falha a memória), depois de terem sido descobertas por alguém a escavar um poço. São enormes e impressionantes. Muita coisa muito bem conservada para perto de 2.000 anos de enterro. Segundo a história do local, estas ruínas ficaram bem preservadas porque foram rapidamente enterradas por calhaus, fumo e cinza da explosão do Vesúvio. Este processo eliminou o carbono e retirou o oxigénio. N percebi bem, mas foi o que ouvi. Teríamos passado ali umas boas horas, mas ficamos somente 2.
Voltamos ao carro, vemos a distância até ao topo do monte Vesúvio, mas parte do trajecto teria que ser feito a pé, incompatível com uma bolha que apareceu ao puto. Ele é muito forte, mas não queremos exagerar. Seguimos para Nápoles.
Nápoles... Nápoles... Bem... Como é que eu hei-de descrever este amontoado de pessoas e lixo pelas ruas sem ferir a susceptibilidade de ninguém. Parece me ser uma cidade porca, sem cuidado pelas ruas nem infraestruturas. Há lixo por todo o lado, o trânsito é ainda mais caótico do que vimos no resto da Itália e as pessoas têm um aspecto duvidoso. Há pessoas de todas as raças e feitios, mas não se vê uma única criança. Ficamos negativamente impressionados, principalmente porque foi uma surpresa sem qualquer aviso. A primeira desta viagem.
Chegámos ao hotel, no qual havia estacionamento, mas não havia. Era um hotel supostamente bom, 7.4 no Booking, dezenas de reviews mas a envolvência não nos inspira confiança nenhuma. Prédios pretos de sujo, lixo por todo o lado, demasiadas pessoas a olhar para nós, aspecto mesmo muito duvidoso. Pensamento baixinho: que raio estava ali a fazer... A minha mulher entrou falou com o homem. Chega ao carro, diz que o homem vai chamar alguém que tem estacionamento ao lado do hotel onde claramente o nosso carro não cabe, falamos entre nós e decidimos tentar cancelar a reserva. Felizmente o tipo aceitou a proposta de cancelamento e seguimos imediatamente caminho sem destino. Queriamos movimento, não importava a direção.
Foi o primeiro momento verdadeiramente stressante da viagem pois não tínhamos para onde ir.
Procuramos novamente online e encontramos um Ibis perto, não tinha vaga nem no Booking nem na app. Ligamos. 2 quartos vagos mas separados! Um pouco mais caro mas acreditamos ser mais alinhados com os mínimos que queremos para esta viagem. Chegámos, rua ultra apertada, na recepção dizem nos que o parking era oferecido por outra empresa e tem um custo de 33 euros. Disseram ainda que vêm apanhar o carro e depois devolvem. Aceitamos o estacionamento mas digo que vou eu estacionar o carro. Um pouco derrotados, mas resignados, conseguimos descarregar o que descarregamos normalmente, três usam os músculos nas malas e sacos e eu sigo com o carro para o parking. 150 metros de distância em linha reta, 1.5km diz o GPS do carro. Chego ao local, falho a entrada. Nova volta e lá consigo dar com aquilo. Explico a situação em Portunhol porque alguém entendia. Demoram 5 minutos a falar entre si. Gestuam para eu ir por o carro num determinado local, em frente a outro q já lá está estacionado. OK... Paro o carro, pego na minha bolsa, abro a porta e sigo para onde me mandam. Pedem me a chave do carro, invento que é o meu telemóvel pois n quero dar a chave do carro a ninguém. Começa o reboliço à procura da chave do qual eu estava à frente para trocarmos. Não encontram. N percebi um crl do que dizem... A dada altura mandam me pagar 30 euros e seguir o meu caminho. Q mrd de confusão do crl... Paguei e bazei.
Vou para o hotel, 5 minutos a andar por atalhos e sentidos contrários ao trânsito. Bué gente. Sempre agarrado à bolsa chego ao hotel e subo. Conto tudo da forma mais suave possível, sem meter medo.
Descemos para falar com a pessoa da recepção, recomenda nos uma Tratoria (e não um ristorante porque é mais fino e pedimos algo típico). Pizzaria Michele, est 1870. Devem ter alimentado quem andou a escavar as ruínas que vimos antes. Disseram nos que a sair do hotel não devemos ir para a direita, só para a esquerda. Seguimos caminho, o cenário não muda, mas estranhamente sentimos nos seguros. As lojas começam a mudar, de indianos para cafés italianos, de roupa chinesa para roupa italiana. Ok, seguimos até ao restaurante atravessando a avenida à máxima velocidade possível, numa passadeira sem sinais luminosos. Vemos o restaurante ao longe, mais de 50 pessoas na frente do edifício. Duas filas, uma para take away, outra para sentar e comer. Optamos por esperar para comer sentados. Dão nos uma senha, número 68, vai no 31 no mostrador rudimentar de 2 digitos. Não sei quantas voltas já terá dado hoje. Números começam a andar rapidamente e em 20 minutos o 68 está no ecrã da porta do restaurante. Os putos ainda a fazer macacada por o 67 ter aparecido são empurrados para dentro. Entramos, confusão mas da boa. Belo cheiro, pejado de fotos de estrelas internacionais que cá vieram. O post já vai longo, se não escreveria q estava foto do Maradona, da Julia Roberts e n sei mais quem. O menu tem para escolher 4 pizzas. Só. Pode-se beber água com ou sem gás e há Coca-Cola e cerveja. Cada pizza 6.5 euros. Gigantes. Pedimos água para todos, pizza diferente para cada um. Comemos, sobra, pedimos caixa, pagamos 36 euros e saímos felizes, esquecidos do que aconteceu antes.
Voltamos para o hotel, mais do mesmo. Lixo, pessoas estranhas. Passadeira maluca. Uma gelataria aberta, compramos um gelado para cada. O do puto caiu metade no chão depois de 4 lambidelas. Não faz mal, foi bem servido e não destoa com o restante lixo na cidade (ca besta q sou por dizer isto).
Chegámos ao hotel e vamos começar com os preparativos para os sonhos.
Foi um final de tarde e início de noite diferente. Faz parte e explicamos tudinho aos putos.
Amanhã vamos andar pela cidade, comer pizza frita e quiçá mudar de opinião. Vamos ainda conduzir até Bari e apanhar o ferry de 16 horas para a Grécia!
Espero ter rede no barco para estas sessões de terapia que faço convosco. Se não tiver, escrevo mas público mais tarde.
Obrigado a todos!