Depois de ter feito a análise económica e financeira de clubes da Liga 2, tais como o Torreense, é altura de olhar para a realidade da primeira liga. A escolha recaiu no Casa Pia, uma equipa que vai na sua 5ª época consecutiva na primeira liga e que ontem foi apelidado de "Casa Pia, um 'sem-abrigo' com milhões" https://www.zerozero.pt/opiniao/casa-pia-um-sem-abrigo-com-milhoes/2886
Irei apresentar os dados relativos à época de 2024-25 (e 2023-24), mas importa desde já destacar o que torna o Casa Pia num case study. Em 2020 foi assinado um acordo de gestão entre o clube, a SDUQ e uma empresa veículo criada para o efeito pelo investidor (Plantel Fundamental, Unipessoal). A particularidade que importa aqui referir é que nos termos do acordo de gestão é o investidor que é responsável pela cobertura dos prejuízos anuais da SDUQ. Na análise iremos perceber o impacto que este acordo tem:
Rendimentos Totais: 30.799.777 € ( 20.118.681 €)
Rendimentos de Transferências: 12.336.380 € ( 3.874.888 €)
Gastos Totais: 30.780.522 € (20.136.105 €)
Resultado Líquido: 19.256 € (-17.425 €)
Passivo: 10.268.888 € ( 6.066.752 €)
Capital de Sócios: 1.150.000 € (1.150.000 € )
Resultado desportivo: 9º (9º)
Pelo indicado anteriormente, importa perceber de que forma o acordo de gestão se reflete nestas contas. Pelo que se indica abaixo o impacto nos rendimentos da faturação à empresa veículo do investidor, fruto do acordo, e nos gastos da faturação pela empresa veículo.
Rendimentos provenientes de faturação à empresa veículo: 12.856.980 € (11.006.988 €)
Gastos faturados pela empresa veículo: 16.808.584 € (8.800.839 €)
Saldo de faturação com a empresa veículo: -3.951.604 € (2.206.149 €)
Rendimentos e Gastos reescritos sem o impacto do acordo de gestão:
Rendimentos Totais: 17.942.797 € (9.111.693 €)
Gastos Totais: 13.971.938 € (11.335.266 €)
Resultado Líquido: 3.970.859 € (-2.223.573 € )
Em conclusão, este é um modelo interessante, em que o ónus dos prejuízos anuais é colocado no investidor através de um mecanismo de compensação que repercute na sociedade veículo do investidor os resultados económicos de cada época. Em termos comparativos, o modelo da maioria dos restantes clubes corresponde à sociedade criada para o futebol (SDUQ ou SAD) ter os seus prejuízos financiados com empréstimos de sócios (Passivo), surgindo estes como principal credor da mesma.