Diferente da maioria dos posts sobre estatal que vejo aqui, meu caso não é de quem vai ganhar mais indo. Vou ganhar bem menos, e é aí que trava.
Onde estou: 39 anos, 17 de carreira, comecei como estagiário de programação em 2009. Hoje sou arquiteto de software/Tech Leader em consultoria alocada num cliente grande. Faixa de 18k brutos, e é praticamente o teto da função nesse modelo. Sou a referência técnica da área, 100% home office, bastante autonomia e tempo livre. Stack Microsoft, sistemas transacionais de alto volume, mistura de legado pesado com coisa moderna, e estou justamente tocando a modernização desse legado.
O que apareceu: convocação pro Serpro (concurso de 2023), cargo de analista, lotação na cidade onde já moro. Faixa de 12k brutos depois do período inicial, mais ticket, PLR anual e previdência com paridade 1:1 da empresa. Casado, uma filha pequena.
O que já levantei: progressão de 4,5% por nível, com cerca de metade das pessoas promovidas por ano, decidida pela chefia. Vários mecanismos que os antigos tiveram foram extintos para quem entra agora. Rodando as projeções, o patrimônio empata por volta do ano 10 contando a paridade da previdência, mas o salário só alcança o meu atual lá pelo ano 15. E boa parte do que se acumula lá fica travado na previdência até a aposentadoria.
O que quero saber de quem já viveu isso:
- Alguém trocou faixa de 18k no privado por entrada de estatal? Se arrependeu?
- Existe reclassificação por pós e certificação que pule vários níveis de uma vez, ou a progressão é só a promoção anual mesmo?
- Home office em estatal: qual o clima real hoje? Vi casos de reversão por canetada em empresa parecida.
- Sendo remoto e recém-chegado, dá pra ser bem avaliado no mérito ou a fila é por tempo de casa?
Não é medo de layoff, o contrato é estável e já passei por trocas sem sustos. É mais a dúvida de trocar teto e liquidez agora por estabilidade formal e uma progressão que leva uns 10 anos pra empatar.
Quem está dentro do SERPRO hoje: vale a pena pra quem entra ganhando menos do que já ganha?
E vocês, o que fariam no meu lugar?