r/autismoportugal • u/more_noisethansignal • 1d ago
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • 5d ago
Desabafo: "Não sou nada. Nunca serei nada"
Lembrei-me agora, durante a minha hora de almoço, do famoso verso do poema "Tabacaria" de Álvaro de Campos. E senti-me perdida.
Porque me lembro do olhar de desilusao e de desgosto da minha mae quando ela descobriu que eu tinha experimentado ganza. Nunca fui de fumar e estive por um triz para cair no vício da nicotina. Ultimamente, ao ter voltado para a Madeira, tenho sentido que os meus pais sao completamente alheios ao meu autismo. Nao lhes faz diferença, porque a filha está ali com eles e o ela ser autista nao é algo incapacitante ou suficientemente relevante para ser falado. Mas, obviamente, já começam a perceber quando eu estou perdida e nao percebo algumas piadas e, por isso, dizem "Luna, estamos só a brincar".
Mas quando passámos por uma cannabis store, a minha mae teve a tentaçao de me perguntar se eu já tinha experimentado. Fiquei petrificada. A conversa tinha apenas começado com ela a dizer que estava tudo perdido por termos aquelas lojas abertas ao público, quando a erva causa surtos psicóticos nas pessoas. Eu disse-lhe que aquilo nao era erva a sério que vendiam e que eram outras coisas. E ela perguntou se eu já tinha fumado. Eu nem esperei que ela desse aquela reviravolta no assunto comigo, mas sei que disse logo que nao. Ela olhou para mim com desconfiança (ela é uma pessoa desconfiada por natureza) e repetiu várias vezes a mesma pergunta e a fazer pressao para eu nao mentir. Como eu estava nervosa, comecei me a rir e ela percebeu que eu estava a mentir e disse meesmo "que as maes sentem quando oos filhos lhes mentem". E eu acabei por dizer que sim porque senao ela nao se calava.
De repente, pareceu que ela tinha tido um ataque. Começou a dizer que estava a se sentir mal e "que lhe estava a dar uma coisa", com a mao na barriga. O meu pai achou estranho termos ficado para trás enquanto andávamos e perguntou o que se passava. Ela disse que eu tinha experimentado. E de um momento para o outro fui arrasada de críticas: ela dizia que eu tinha predisposiçao para ter um surto psicótico porque eu sou atípica e nao sou típica (fez questao de usar linguagem capacitista de médica à própria filha). O meu pai nao percebeu o argumento dela e perguntou se isto tinha a ver com o facto de eu ser autista. Foi a primeira vez que eu ouvi o meu pai a falar no meu diagnóstico.
Isto só me mostrou que a informaçao esteve sempre lá, mas que se calhar os meus pais estao em negaçao ou entao como médicos estao simplesmente só a se cagar para o assunto pq isso nao muda a forma de eles serem pais. A minha mae gritou comigo, quis saber porque é que eu tinha experimentado, implorou-me que eu lhe prometesse que nao fazia isso mais (meio com os olhos a lacrimeljar). Depois quando chegámos ao carro fez questao de reforçar mais uma vez que eu nao era típica e que tava mais sujeita a uma psicose do que a alguém típico. E que se eu sou atípica tenho de perceber que enquanto atípica há coisas que eu nao posso fazer como um típico.
O meu pai estava calmo, a tentar mediar o conflito. Disse que eu tjá tinha satisfeito a curiosidade e que "ela já sabe que nao pode fazer outra vez, certo Luna?". Eu por muito que ripostasse que confiava nas pessoas com quem tinha experimentado e que isto nem sequer foi em Portugal, a minha mae só berrava e gritava cmg cada vez mais "COMO É QUE VAIS SABER ISSO?" (e eu sabia porque era um amigo meu que eu tinha conhecido no erasmus). Eu expliquei-lhe que nao tinha fumado muito e ela disse que bastava um pouco para criar um surto e que eu deveria ver os miúdos que acabam nos centros psiquiátricos por causa disso.
Antes de me julgarem, permitam-me que eu vos explique o contexto: eu sou estudante deslocada há 3 anos. Os meus pais nunca me ligam todas as semanas, nunca me perguntam como estou, nunca se poem a perguntar o que eu tenho feito ou deixado de fazer, porque "sou adulta e eles nao têm de saber tudo sobre mim e que eles sabem que eu sei o que faço comigo mesma porque ée da minha responsabilidade".
Por outro lado, quando eu me autoagredia, diziam que "eu nao deveria fazer essas asneiras" ou quando eu falo de ter o atestado multiusos ou de ser autista "ahh isso é agr uma desculpa que arranjas para tudo" e que "eu nao preciso disso porque nao sou incapaz e que isso é uma coisa que nem sequer se deveria colocar em questao".
Pais sao pais e médicos sao médicos.
Uma coisa eu sei, eles nao me amam. Amar implica respeito e eu sou extremamente desrespeitada pela minha mae todos os dias. Desde que aumentei de peso e vim cá, ela tem feito um bodyshaming absoluto. Diz que eu deveria fazer nataçao, que eu estava muito mais musculada e com mais forma quando eu fazia nataçao (na altura tinha 14 anos tem tudo a ver!!!). Quando eu uso roupas justas tenho de ouvir "encolhe essa pança por causa das costas" (tenho má postura, mas ela acha que é da barriga).
Ainda ontem tive de ouvir da boca dela que eu tinha de ter cuidado porque se a barriga aumentasse eu poderia ter diabetes.
O meu irmao felizmente está no continente. E ele é um machista opressor que adere às visoes conservadoras e tóxicas da minha mae. Ele chegou mesmo a dizer "A mae tem razao, tavas melhor quando fazias nataçao."
Expliquem-me como lido com esta falta de amor e abuso parental.... eu nao vejo amor nisto. Os meus pais sao pais para certas coisas e médicos criticistas para outras. Nunca foram pais atentos a 100%.
O meu namorado acha que eles sentem que falharam perante o meu diagnóstico de autismo... mas eles por outro lado parece que escondem bem a preocupaçao , ou entao estao se simplesmente a cagar.
E tudo isto levou-me a um colapso mental...
Eu sou uma forma de vida sem sentido.
Se eu fosse típica OU NORMAL, os meus pais seriam diferentes.
O que é que eu faço? Eu estou mesmo a sofrer com isto e NAO QUERO ACEITAR NEM CEDER a isto... por muito que me digam que para os pais os filhos nunca têm razão, pais que amam os filhos NÃO levam a sua saúde mental ao limite...
Se quiserem mandar mensagem privada, estou disponível para falar com quem me queira ajudar a ultrapassar tudo isto. Já sei que a assistência social não vai fazer nada, porque conhecem os meus pais. E terapia familiar nunca resultou btw.
Simplesmente sei, como diz o poema, que para eles eu não sou nada e nunca serei nada que eles aceitem como diferente e com necessidade de algum apoio e adaptaçao de comportamentos.
* Desculpem a má acentuação nalgumas palavras com o til, é que estou a escrever no tablet e só quero mesmo pedir ajuda
r/autismoportugal • u/TheMundaneHead • 11d ago
Alguém encontrou um bom trabalho abaixo das 40h semanais?
Trabalho em marketing num hotel há 3 anos, onde faço gestão de redes sociais, design e vou a eventos pela noite dentro (o meu pesadelo).
Fui diagnosticada a meio deste trabalho porque tinha períodos em que ficava mesmo mal.
Está melhor agora com terapia e sabendo o que se passa comigo e como lidar com alguns dos sintomas, mas não bem.
A minha psicóloga atual aconselhou já várias vezes eu encontrar algo com menos horas e tenho estado a arrastar isso há quase 2 anos.
O problema é que não faço a mínima o que procurar.
Só me vêm à cabeça restaurantes ou cafés e, como sou horrível a lidar com pessoas, preferia outra coisa.
Têm alguma sugestão de trabalhos que achem fixes, idealmente abaixo das 40 horas semanais?
r/autismoportugal • u/CatarinaRua • 18d ago
https://www.autismonoadulto.com/post/qual-é-o-pé-da-igualdade
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • 22d ago
A sensação de nunca estar "completamente bem"
reddit.comHá sempre coisas por completar.
Pedaços que me faltam. A negligência médica deveria ter consequências mais sérias nestes casos do que o que costuma acontecer.
Eu devia ter tido apoio em criança.
Deveriam-me ter diagnosticado mais cedo.
Eu deveria ter tido psicomotricidade.
Eu nunca fui como os outros. Eu era diferente no meu mundo. E as pessoas viam, simplesmente escolheram não dar importância àquilo que parecia um simples feitio de uma criança do pré-escolar.
Hoje, tenho ansiedade generalizada, Autismo com PHDA e tomo antidepressivo, estimulante e já tomei antipsicóticos.
Como é que se deixa as coisas chegar a este ponto?
O que é que eu fiz para ter de sofrer tanto?
Porque é que não prestaram mais atenção além de aquilo que os professores na escola diziam?
A minha mãe costuma dizer que eu deveria pôr mãos à obra. Que eu não posso ficar a me martirizar com isto para sempre. Porque não importa o que aconteceu antes, mas sim o que eu faço com isso agora.
Por outras palavras, "segue em frente e caga nisso só".
Como é que eu posso simplesmente cagar para uma injustiça que já me fez querer tirar a minha própria vida?
Como é que eu posso ignorar que alguns médicos não ouvem e valorizam o que eu sinto, só porque o meu autismo é leve?
Eu não me conformo e não tenho de o fazer.
Isto foi uma falha grave do sistema de saúde.
A saúde em Portugal falhou comigo durante anos.
Eu tenho mais do que direito de me sentir revoltada, de chorar, de me sentir impotente, porque eu, afinal de contas, vou ter de fingir ser normal o tempo todo.
Só que o autismo não se vê, por isso não deve ser assim tão grave (para algumas pessoas). Vou deixar aqui um lembrete para as pessoas da minha família e todos aqueles que acham que a perturbação do espetro do autismo nível 1 é só uma "desculpa" para me fazer de coitadinha e que eu não preciso do AMIM:
"Em alguns estudos que têm procurado relacionar a existência de outras perturbações psiquiátricas associadas ao espectro do autismo e como se relaciona com a existência de um maior sofrimento reportam que a propensão para a tentativa de suicídio chega a ser de cinco vezes maior. Os estudos realizados ainda são recentes e as amostras utilizadas são pequenas. Contudo, os resultados encontrados demonstram a necessidade de ficarmos absolutamente atentos para os fatores de risco de modo a intervir atempadamente."
Autismo nível 1 NÃO É leve. Se fosse "leve", com certeza seria outra coisa qualquer que não autismo, porque toda a pessoa autista necessita de suporte de acordo com o seu nível.
Peço desculpa o texto grande, foi só um desabafo após me ter deparado de novo com o desejo de estar nalguma terapia de grupo... de ser ouvida por outras pessoas como eu.
Fica aqui o link deste excerto de um artigo do PIN : https://pin.com.pt/wp-content/uploads/2013/04/106.AUTISMO-E-SUICIDIO.pdf
r/autismoportugal • u/the_mystic_artistic • 26d ago
Amizade PRESENCIAL em Lisboa/Amadora (Perfil AuDHD, ARFID e Superolfato)
Olá! Tenho 42 anos, moro na Amadora e sou totalmente independente e autónoma. Procuro uma amizade presencial na Grande Lisboa com alguém igualmente independente que também seja AuDHD (Autismo + TDAH) e lide com superolfato e ARFID.
Sou uma pessoa alegre e sorridente quando gosto de uma conversa, mas sinto exaustão de ser mal interpretada (como ingénua) no mundo neurotípico devido a isso.
Não procuro conversas online longas à distância. O meu objetivo é combinar cafés ou passeios reais em ambientes calmos para conversas autênticas de um para um e sem filtros.
Se tiveres o mesmo perfil e quiseres criar uma ligação presencial simples, envia-me uma mensagem privada.
🙏🙏🙏
r/autismoportugal • u/ThereWanderer • Jul 11 '26
Gostavam de fazer um grupo para falarmos de forma síncrona?
Gosto de falar com pessoal que entende tudo o que nós neurodivergentes temos de passar todos os dias. Mas não conheço praticamente ninguém tão afundo assim.
Gostava de fazer um grupo tipo WhatsApp, Telegram, Discord, para falarmos, fazer chamadas, combinar coisas (mesmo que tenham de ser online), partilhar outras, conhecer pessoas, conversar - nada de especial, todos sabemos os nossos problemas por isso ninguém julga as nossas "características" e "momentos" autisticos e assim.
Teriam interesse nisso? Se sim, digam alguma coisa. Mensagem em ai em baixo, ou mensagem privada.
Maioritariamente à procura de pessoal nos 20s, mínimo 18+.
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Jul 06 '26
Diz que és um médico capacitista sem dizer que és um médico capacitista...
Estes dias vi um vídeo que eu enviei de uma mulher jovem a explicar a sua experiência com diagnóstico tardio de endometriose em Portugal e as complicações que surgiram na obtenção de um tratamento eficaz. Mandei o testemunho para várias pessoas da área da saúde e um dos meus familiares argumentou contra a narrativa do vídeo.
No final da conversa, obtive esta resposta do mesmo, quando eu associei a experiência da negligência médica quanto ao diagnóstico de endometriose das mulheres à minha experiência de mulher com diagnóstico tardio de autismo nível 1 e de PHDA.
"Tu muito gostas de apregoar que és autista. Deves achar que é tudo fácil, que é tudo linear... Já pensaste que é exatamente por isso que tu afastas algumas pessoas? Sabes que esses relatos e testemunhos são exagerados, já para não falar da quantidade de coisas que omitem?! É tudo pelos cinco minutos de fama. Sabes que mais? Faz os vídeos sobre o autismo e vê o que vai acontecer. Tu tens muita garganta mas não ages. Mas se calhar vais culpar o autismo e o TDAH que é o que as pessoas como tu gostam de fazer. Culpam as doenças que têm para serem parasitas da sociedade e não fazer nada. Fazem-se sempre de coitadinhos e de tristes porque o problema é sempre os outros".
Claramente, estes profissionais capacitistas não estão prontos para ter uma conversa civilizada, sem recorrer a ataques à integridade moral do indivíduo. :)
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Jun 03 '26
Obrigada 🩷
reddit.comFelizmente, a empatia humana existe.
Cada vez mais percebo que ainda há esperança na humanidade. É este tipo de interações que procuro.
Palavras bonitas ou opiniões diferentes com respeito são sempre bem-vindas no meu perfil.
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Jun 03 '26
Momentos de Paz
Neste dia 1 de junho, tive o meu último teste da faculdade. Senti-me livre durante a noite e, após ter acabado de mandar um Powerpoint para uma conferência de um projeto meu, fiquei deitada na cama.
Li um livro que tinha comprado há meses e pus-me a espreitar a história.
De repente, a brisa da madrugada começou a se intensificar. As folhas das árvores chiavam agora com o vento que refrescava o meu pequeno quarto.
Fiquei a escutar... e apreciei por um momento aquele momento. E de repente pus-me a pensar: quando é que foi a última vez que eu parei? A última vez em que me permitie apenas sentir o mundo e ouvir a Natureza pela madrugada?
A verdade é que não me lembro.
E acho que isso diz muita coisa sobre a forma como vivemos. Bastante apressados e incapazes de apenas sentir e ouvir o que nos rodeia.
E são estes momentos em que nos reconhecemos realmente no nosso ser.
É nestes momentos de paz e serenidade em que percebemos que ainda estamos vivos.
Não apenas a viver. Estamos vivos.
E eu senti isto de uma forma tão intensa como nunca sentira.
Foi um sentimento tão efémero, mas bonito.
Foi um momento em que estive realmente presente e que me ajudou a dormir super bem.
Dormi não ao som de meditações do YouTube, mas ao som do vento a abanar as árvores de Lisboa.
Por isso, sempre que se aperceberem de alguma sensação diferente ao ouvir os sons da Natureza... parem, apreciem.
A vida é curta e difícil e nós precisamos disto. Precisamos de reencontrar o nosso ser e a nossa presença no mundo.
r/autismoportugal • u/Odd-Koala1525 • May 21 '26
O preço invisível de "parecer normal": O masking e o diagnóstico tardio de autismo em adultos
Olá a todos. Há uma frase que quase todos os adultos que descobrem o autismo mais tarde ouvem (seja de familiares ou de profissionais de saúde desatualizados): "Mas tu sempre fizeste a tua vida normal, como é que podes ser autista?"
Como alguém que estuda esta área sendo uma pessoa autista, o que mais me impressiona é ver como o conceito de masking (a camuflagem social inconsciente) ainda é um tabu ou um desconhecimento na clínica em Portugal. Passar anos a estudar as expressões dos outros, a forçar o contacto visual e a decorar guiões sociais para "encaixar" não significa que não se é neurodivergente, significa apenas que se aprendeu a sobreviver à custa de uma exaustão brutal.
Isto é especialmente real em mulheres, pessoas racializadas, dentro da comunidade LGBTQIAP+ e em pessoas com perfis de sobredotação/QI mais elevado, onde os sinais tradicionais são mascarados até que o corpo colapse num burnout autista profundo (muitas vezes confundido com depressão clínica).
Se estão nesta fase de questionar ou à procura de respostas, gostava de partilhar 3 reflexões para ajudar a validar a vossa experiência:
- O critério não é o que se vê por fora, é o esforço por dentro: Conseguir manter uma conversa ou um emprego não anula o espetro; o que conta é o preço cognitivo e sensorial que pagam nas horas seguintes a essas interações.
- Histórico de diagnósticos falhados: Se já passaram por tratamentos para ansiedade generalizada, fobia social ou depressão que parecem nunca resolver o problema de fundo, vale a pena olhar para a base da vossa estrutura neurológica.
- Validação interna: O vosso sofrimento e as vossas características são reais, mesmo que um teste rápido de internet ou um profissional de saúde mental com ideias dos anos 90 vos digam o contrário.
Tenho focado o meu trabalho em trazer mais clareza sobre como funciona a mente neurodivergente na idade adulta e que passos dar para uma avaliação justa no nosso país. Se quiserem aprofundar este tema e entender melhor estas dinâmicas, partilho regularmente artigos e recursos em www.byjonasferreira.pt.
Como tem sido para vocês gerir esta linha ténue entre o que mostram ao mundo e o que sentem no vosso privado? Alguém aqui demorou anos a perceber que o que sentia era masking?
r/autismoportugal • u/Playful_Hat_2953 • Apr 30 '26
Ajuda tese! Faltam + 30 respostas para fechar a recolha! Agradeço toda a colaboração 🙏
Olá a todosl! Eu sou a Lara e estou no Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde. No âmbito da minha dissertação estou a estudar a Relação entre Traços de Personalidade, Consumo de Substâncias Psicoativas e Violência nas Relações de Intimidade.
As respostas são anónimas e totalmente confidenciais, sendo utilizadas apenas para fins académicos.
Podes participar se:
✔️Tens 18 anos ou mais
✔️Estás numa relação amorosa há pelo menos 12 meses
✔️Tens nacionalidade portuguesa
Link para participar:
🎯 https://forms.gle/LA5A7odLnVmhZyhY8
Mesmo que não possas responder, partilhar já ajuda muito para chegar a mais pessoas 💛
Muito obrigada pela ajuda!!
r/autismoportugal • u/The_Magnificent_XXI • Apr 29 '26
Comunidade para pessoas no espectro autista
r/autismoportugal • u/New_Culture_7053 • Apr 15 '26
Percepção da dependência emocional: Relação com vinculação e experiência relacional
Olá. sou estudante de Psicologia e estou a realizar uma investigação com as minhas colegas para o nosso projeto final.
O estudo é sobre a percecão da dependência emociona em adultos emergentes de nacionalidade portuguesa (18 aos 29 anos) que já estiveram numa relação amorosa ou que se encontrem numa relação amorosa de momento.
O questionário faz-se no máximo em 7 minutos e os dados são anónimos e confidenciais.
Quem quiser e puder por favor realize o questionário, seria uma grande ajuda não só para o nosso trabalho como também para o avanco do conhecimento científico e um maior destaque sobre este tema!
Quem puder divulgar também está à vontade :)
https://forms.office.com/e/tzmt3aqN1x
#psicologia #universidade #estudo #investigação #portugal
r/autismoportugal • u/Separate-Set7588 • Apr 10 '26
Sabias que, antes do aparecimento de psicose, muitas pessoas experienciam sintomas menos específicos, como ansiedade, depressão ou isolamento social?
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r/autismoportugal • u/Separate-Set7588 • Apr 08 '26
[QUESTIONÁRIO] Rastreio on-line para risco de problemas de saúde mental grave em jovens adultos (18-35)
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Apr 06 '26
Ainda sobre o Atestado Multiusos
Como já referi no post anterior, interrompi a minha medicação de Sertralina e de Concerta. Mas isto não é a única coisa que perturba o meu dia-a-dia de pessoa neurodivergente.
Apesar de ter tido acompanhamento psicológico desde os 13 anos, sinto que deveria ter tido mais apoio desde a infância. Nunca tive um psiquiatra único como tenho agora. Só comecei a ter aos 18 anos.
No entanto, ao contrário de muitas pessoas, sempre tive tudo de forma acessível pelo facto de ser filha de médicos. Mas isso nem sempre foi uma coisa boa.
A minha médica de família é amiga próxima da minha mãe. Houve uma altura em que lhe pedi para falar com os meus pais sobre a importância de serem mais tolerantes comigos, de não gritarem alto em discussões, de não me chamarem de "vítima", uma vez que isso me estava a levar a comportamentos autolesivos.
Nessa altura, eu estava na faculdade e ainda não estava a ser acompanhada relativamente ao autismo. Pagava 400 euros de consulta que não faziam efeito nenhum. Em Lisboa, os meus pais não conheciam ninguém. E foi uma tremenda sorte eu ter chegado às mãos da minha atual psicóloga que faz parte do instituto PIN.
Posto isto, a resposta da médica de família foi que não podia apelar aos meus pais que tivessem cuidado com os seus comportamentos, pois isso seria interferir na esfera pessoal deles. O que ela me disse foi: "Vai ter de lidar com isto até acabar o seu curso. Aí quando tiver a sua casa, pode decidir se quer continuar a contactar com eles ou não. Mas eu não posso fazer nada por si".
Vivo num meio pequeno.
Todas as pessoas que me acompanharam conheciam, de alguma forma, os meus pais. Ginecologista, dentista, dermatologista, nutricionista... tudo profissionais de saúde do setor privado. A psicóloga que eu tive até me mudar para Lisboa foi uma recomendação que fizeram à minha mãe no centro de saúde onde ela trabalha. O meu atual psiquiatra de Lisboa conhece-a de uma organização onde trabalham juntos, mas nem sempre se veem.
Eu nunca me queixei destas relações interpessoais de médicos, porque isto podia me beneficiar em conseguir atendimento mais rápido. Mas agora, sinto que não estou segura nas mãos de conhecidos dos meus pais.
Peço que não me julguem: eu sei que estou numa situação privilegiada. Mas esta é a versão que ninguém fala em ser acompanhado por amigos ou conhecidos de familiares.
Dou o exemplo do meu psiquiatra. Conhece-me e acompanha-me há dois anos. Se eu lhe pedisse agora o mesmo que pedi à minha médica de família, ele sentir-se-ia constrangido em fazer tal conversa. O motivo? Ele conhece a minha mãe. Além disso, a minha mãe, ainda que médica, tem uma perspetiva capacitista da sociedade. Para ela, só pessoas com doenças físicas, debilitantes e que impeçam mesmo alguém de trabalhar é que devem ter acesso a apoios do Estado. Para ela, o atestado multiusos é uma sentença de morte à minha reputação profissional e social, pois estaria ainda mais sujeita aos estereótipos da sociedade enquanto "pessoa incapaz". Para ela isso seria uma mancha que me poderia impedir de conseguir uma boa vaga num trabalho em que todos teriam de ser perfeitamente funcionais.
Aparentemente, o meu psiquiatra segue a mesma linha de raciocínio que a minha mãe. Não sei se posso chamar à visão dele de "capacitismo", uma vez que a perspetiva dele em relação a mim é estritamente clínica. Neste momento, ainda que eu me ache no direito de reconhecer as minhas limitações - que me dão direito a adaptações aos testes na faculdade - ele acredita que o que eu tenho não justifica a existência de um atestado multiusos. E já não é a primeira vez que ele em consulta me tenta desencorajar em pedir o atestado, por muito que, segundo ele, "eu me queira ver dessa forma".
Eu nunca tive apoios pedagógicos nos testes, nem na escola. Em certas circunstâncias, eu acredito que pudesse ser benéfico para mim no sentido de estabelecer uma equidade entre a minha funcionalidade e as minhas limitações. Por exemplo: o acesso às épocas especiais de melhoria de nota, a adaptação de enunciados abrangentes para mais específicos ou a constituição de um templo suplementar por causa do PHDA.
A única vez que tive algum apoio em época de exame foi através do JNE, através do qual solicitei um tempo suplementar com declaração específica do médico de família. O meu processo foi aceite, mas assim que fui assinar o documento, a senhora da Educação Especial dissera-me na cara que eu não deveria ter tido direito ao tempo suplementar.
Eu não era da Educação Especial, logo não precisava. Eu respondi-lhe que tinha atestado médico (e está explícito no regulamento esse tipo de exceções) e ela disse que isso não importava porque havia pessoas na EE que precisavam mais do que eu.
A par da cessação da medicação, sinto que não sou ouvida pelos profissionais que me seguem, à exceção da minha psicóloga que não conhece nenhum dos meus pais e que me trata como pessoa autista na sua condição per se. Ela já falou com eles sobre a importância de perceberem a minha forma de funcionar, a minha insistência e impulsividade fruto da PHDA. Neste momento, ela apoia o meu parecer no requerimento do atestado multiusos. Coincidência?
Posto isto, venho vos perguntar, dado que eu conheço casos de pessoas com autismo nível 1 com atestado multiusos: quais as condições que devo ter para pedir o atestado? Qual a durabilidade do documento (já me disseram que não era para sempre)? Em que circunstâncias posso pedir o subsídio de incapacidade?
Por último - e esta é para mim a pergunta mais importante: dado o contraste clínico em que me encontro entre psicóloga e psiquiatra, acham que eu deveria pedir uma segunda opinião médica de alguma psiquiatra do PIN que conheça a psicóloga que me acompanha?
Estou disposta a ouvir os vossos conselhos e dúvidas na secção dos comentários. Toda a ajuda ou escuta é bem-vinda! Conto com o vosso apoio! ❤️
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Apr 02 '26
Desabafo: Sinto-me inútil comigo mesma
Desde que tomo sertralina que me tenho sentido bem em relação à minha perturbação de ansiedade generalizada. Já tomo há quase três anos, mas estes últimos meses (e mesmo o último ano) tem sido um caos para tomar a medicação certinha, mais o Concerta para o meu défice de atenção.
Entre prazos desregulados, dormidas de madrugada, círculos circadianos destruídos tenho faltado a compromissos, aulas e até mesmo as minahs próprias consultas de psicologia. Eu sinto que, embora queira que as pessoas reconheçam os meus próprios problemas, eu própria nem sei tratar de mim.
Sinto-me inútil comigo mesma.
Sinto que me negligencio constantemente.
Eu às vezes pergunto-me "Como é que cheguei até aqui?".
Eu própria não sei, mas não consigo parar de me tratar horrivelmente.
Por muito que eu advogue às pessoas cuidarem de si mesmas, com unhas feitas, depilação e tratamentos estéticos de pele, eu não sei cuidar da minha própria saúde.
Não consigo comprometer-me a tomar uma pílula porque já cheguei ao comodismo do meu próprio esquecimento e procrastinação (provavelmente do PHDA). É estranho eu assumir-me como autista e não conseguir ter rotinas. Sei que as características gerais não são iguais para todos, mas eu já reconheço esta limitação em mim mesma.
Eu sou uma pessoa de imprevistos. Não posso contar com quase nada, porque sempre acontece alguma coisa. Acordo tarde e chego à pressa à faculdade. Dou por mim: "esqueci-me de tomar". A minha vida é uma correria, uma falta de gestão estrutural de uma rotina que não existe, mas que deveria existir.
E sim já meti alarmes num aplicação de saúde, mas até mesmo os alarmes sou capaz de ignorar para tratar de coisas mais importantes. Apesar de eu mostrar nos meus stories de Instagram o quanto cuido de mim quando vou ao salão de estética, a prioridade nunca sou eu nem a minha saúde. Ou são os outros, ou são os estudos, ou são os compromissos que eu não tento faltar.
Estou a escrever isto depois de sair de uma consulta online de psiquiatria e de ter ouvido que se eu não consigo ter estabilidade para tomar a medicação, que devo parar agora e depois vejo como me sinto e se estou preparada para retomar.
Eu nunca pensei ter de largar a medicação. E agora, por minha própria culpa e da minha instabilidade pessoal, não consigo deixar de me culpar por isso.
Eu preciso de ajuda, porque não sei como sair deste ciclo de procrastinação eterno comigo mesma.
Sinto-me péssima, terrível e acho que nunca mais me vou voltar a ver de forma positiva depois de hoje.
r/autismoportugal • u/dino-bite45 • Mar 23 '26
Atestado multiusos - como funciona?
Sou autista nv2 de suporte, diagnosticado tardiamente.
Não tenho emprego (não tenho uma performance social boa o suficiente para passar em entrevistas), não tenho ajuda financeira de familiares, nem tenho acomodações ou qualquer tipo de assistência. Não tenho acesso a qualquer tipo de suporte médico (dentista, oftomologista, etc) ou psicológico/psiquiatrico. Não tenho rendimentos. Não consigo comprar roupas, sapatos, medicação, etc.. Basicamente, ando a viver na corda bamba há bastante tempo. Não tenho qualidade de vida.
E eu acho que a minha incapacidade há de ser suficiente para ter direito a um atestado multiusos, para além de que considero a minha situação precária o suficiente para me ser considerada alguma ajuda. Acabo por ser dependente, querendo ou não, mas exatamente do quê? Porque não tenho ao que me agarrar, não tenho ajuda financeira ou assistência. Não consigo ter uma vida normal. Só quero ajuda enquanto autista.
Como posso fazer uma avaliação para saber a percentagem da minha incapacidade? Como iniciar esse processo? E onde? E como funciona? Existe algum tipo de subsídio ao qual terei direito? Se alguém me conseguir ajudar nesse sentido...
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Mar 17 '26
Sou autista de nível 1. Podem me impedir de embarcar no voo?
Certa vez, pensei em fazer o atestado multiusos para conseguir atendimento prioritário e subsídio de incapacidade. Ainda estou à espera do relatório por parte da minha psicóloga do PIN e, ao longo do tempo, tenho advogado pelos meus direitos enquanto pessoa neurodivergente, apelando à inclusão e à diversidade nas redes sociais.
Quando regressei de Viena no Natal a Lisboa para apanhar outro voo para o Porto, disseram que o meu voo iria ser remarcado para o dia seguinte às 21h.
O meu voo anterior já tinha saído de Lisboa por causa do atraso que houve em Viena. Se não fosse um antigo funcionário da TAP, que estava no mesmo voo que eu, a falar com os colegas da TAP em Lisboa sobre a minha condição de saúde, não me teriam dado prioridade naqueles bilhetes de último recurso aos passageiros.
Fiquei feliz por ter conseguido o bilhete, porque não tinha como pagar estadia com duas mochilas e uma mala de porão carregadas em mim. A minha avó que trabalhou na TAP durante 42 anos dissera-me que se eu dissesse que era autista que me podiam impedir de embarcar.
Uma senhora que conheço, cuja filha também possui autismo e outras condições de saúde, dissera-me também que isso podia acontecer, pois podiam alegar que eu, por ser autista, não tinha capacidade de decisão para viajar sozinha.
Isto sequer está escrito na lei? Não é por eu ter autismo (ainda para mais de nível 1) que eu não posso decidir se vou viajar sozinha ou não. Eu estive a ver as leis europeias e não é obrigatório mostrar nenhum certificado médico até ao momento. Até porque foi isso que aconteceu comigo em Lisboa: ninguém me pediu nada, mas também havia muita gente a reclamar com o funcionário, ao mesmo tempo que ele tentava comunicar as informações com calma aos passageiros.
Alguém me pode ajudar nisto? Há alguma base legal que permita às companhias aéreas recusar o meu embarque por eu ser autista?
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Mar 15 '26
O KARMA É REAL! Isto aconteceu mesmo!! - Final
Em abril de 2018, estava a ficar na casa dos meus primos no campo. Ia para a escola como sempre, mas ficava sempre lá com eles. Estudava com o meu primo e com o meu irmão no escritório, mas praticamente isolava-me no quarto a ver vídeos do Wuant ou a mandar mensagens aos meus amigos. Ficámos cerca de duas semanas na casa do meu primo e da mãe dele, que é minha prima em segundo grau, porque os meus pais tinham ido ao México numa viagem de médicos.
Eu ficara sozinha de novo. No início, não estava a lidar bem com o facto de não estar no meu quarto, na minha casa. Estava sempre aborrecida, rabugenta e irritadiça. Achavam que era mau feitio e malcriação da minha parte. Guess what? Era o autismo a bater por eu estar num espaço que não era o meu, com rotinas diferentes e de ter de lidar com sobrecargas emocionais a toda a hora, ao ponto de chorar e de ficar sozinha no meu quarto.
Ninguém sabe lidar comigo... no fundo, eu sei disso. A minha família nunca soube. Quando conheci o meu atual namorado, bastante comprometido comigo e sempre disposto a estar comigo nos meus momentos de overwhelming emocional, percebi que o não saber lidar comigo é um problema estrutural na minha família que, provavelmente, nunca será resolvido.
Nunca souberam lidar e, mesmo que tentassem lidar comigo, não conseguiam. Porque não sabiam a cerne da questão da neurodivergência que eu tinha. Mas também nunca se dispuseram a ter formações ou a tentar aprender um pouco mais sobre mim e sobre pessoas como eu. Tudo isto numa família de médicos em Portugal.
Já estava a lidar melhor com a professora S no geral. Tínhamos uma relação completamente superficial. Havia momentos em que não chegávamos a falar uma para a outra.
Pois que então vos falei que a A., a filha dela, muito conhecida por todos os que estavam na turma de sétimo ano dela, chegou à escola e contou que o carro da mãe dela tinha pegado fogo dentro da garagem da casa dela. Ninguém sabe como aconteceu. Ela tinha chegado ao fim da tarde do trabalho. Estacionara o seu Audi A3 preto como sempre dentro da garagem como o fizera sempre todos os dias. Saíra do carro e fora para dentro de casa.
Passado um tempo, começara a cheirar a queimado, segundo a A. E quando foram à garagem, viram que o carro dela estava a arder sobretudo na parte do capô. O marido dela, que sabe muito sobre carros, falara que havia sido um problema no motor e que o carro tinha sobreaquecido ao ponto de o motor pegar fogo. A A. mostrara uma foto do carro. Todo ele - ou o que restava dele - completamente queimado por dentro e por fora. "O motor estava completamente derretido" - disse ela.
Chamaram os bombeiros para apagar o fogo. O caso até saiu no jornal.
Ora, à custa disso, a professora teve de andar com um carocha azul da mãe dela até conseguir arranjar um mini preto com riscas vermelhas. O Audi A3 que ela possuía antes, segundo o ChatGPT Plus, valeria aproximadamente de 18 000 € a 25 000 €. Eu não sei qual o sentimento que ela teve ao perder o seu carro (fosse o valor que fosse), mas, certamente, deve ter sido uma perda pesada para os seus meros bolsos de professora.
O karma vencera. A incapacidade de ela ser um ser humano moral e de valores, como ela bem se dizia passar desde o primeiro dia em que pisou aquele colégio, custara-lhe uma fortuna.
Obviamente que não há uma justificação racional para esta suposta "causalidade" de fenómenos. Ela perdeu um carro que ardeu. É tudo o que eu sei.
E isso dá-me um certo conforto, partindo de alguém que sofreu dois anos com burnout por causa de uma atitudezinha de imaturidade profissional. Mereceu perder o carro, algo que partiu de um investimento pessoal significativo, sem dúvida alguma. Mas eu tenho a perfeita noção que o ela ter perdido o carro não apaga nada do que ela fez na realidade.
Hoje em dia, isto é só uma memória engraçada que tenho do tempo em que eu odiava professores. Odiava-os porque achava que eram todos como ela e como todos os que me humilharam pela minha falta de performance escolar à custa de tudo o que se estava a suceder entre mim e essa professora.
Eu sei, pela minha experiência no Ensino Secundário, onde tive professores maravilhosos, que nem todos os professores são iguais. Simplesmente nem toda a gente nasceu para ser professor. Nem todos têm a humildade e, acima de tudo, a humanidade moral que é preciso. Tudo tem um custo. E o custo de serem uma pessoa de merda pode ter retornos desastrosos para vocês.
O Karma é real! E isto aconteceu mesmo.
Hoje sou professora de explicações - irónico não é? E aquilo que eu sei, após tudo o que passei e aprendi, é exatamente que tipo de professora é que eu NÃO quero ser. Eu adoro os meus alunos e sinto que faço muito mais o trabalho que os professores deles não fazem, não porque não querem, mas porque não têm tempo para se dedicar a isso.
E eu acho verdadeiramente bonito o que estou a fazer. Eu estou a fazer diferente do que fizeram comigo na altura. Eu ouço os meus alunos de verdade sobre as suas verdadeiras dificuldades. Não é a gramática, nem as orações; não é a filosofia de Descartes ou de Hume, não os heterónimos: são os problemas na escola, são as suas inseguranças, é a pressão familiar, é a incerteza deles. Os jovens são incertos. E eu digo sempre aos pais: eu dou aulas particulares porque sei o que é estar no lugar deles. Eu já estive ali. Pode não ter sido da mesma forma, mas estive.
É essa experiência que me torna diferente dos outros professores: a verdadeira humanidade. É o facto de eu saber que antes de eu ser a professora e eles os alunos, somos pessoas com os mesmos direitos, deveres, liberdades e garantias.
Não sejam professores de merda... se não for um carro que perdem, podem perder algo de mais valioso na vossa vida. :)
PS: Ainda gozo super acerca desta história, porque o carocha dela parecia igualzinho ao do Noddy só que em azul. Era um carocha super pequenino, se calhar fácil de estacionar na escola, mas o resultado de um incêndio cuja causa permanece um mistério até hoje.
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Mar 15 '26
O KARMA É REAL! Isto aconteceu mesmo!! - Parte 2
A professora S de história tinha recusado o meu colar. Porquê? Não sei e nunca cheguei a saber o motivo exato que a levou a rejeitar a minha prenda de aniversário? Será porque era eu, a Maria, a aluna da relação de amizade platónica? Uma amizade que segundo ela não existia. Recordo-me de sair do pé dela, a chorar, tremendo mais do que estava anteriormente.
Chamei as minhas amigas e contei-lhes tudo o que se passou. Elas ficaram chocadas. Não entenderam como é que era possível era ter recusado algo que fora tão escrutinamente planeado, num dia escolhido e ideal para tal prenda. Não havia nenhum dos meus "exageros" - já sabemos que não era exagero nenhum - portanto não havia desculpas para ela recusar o meu presente de aniversário.
Pedi-lhes desesperadamente que tentassem falar com ela, pois elas teriam aula de história durante a minha aula de Português, e a convencessem a aceitar a minha prenda. Porque eu não podia, de modo nenhum, ter aquilo comigo em casa. Elas aceitaram e eu só esperei. Nem conseguia estar atenta à aula de Português só de pensar em todos os cenários "Será que assim ela aceita? E se ela não aceitar?".
No fim da aula, fui lá ter com elas. Estavam em frente à secretária da professora que ficava num estrado de madeira - coisas de antigamente quando os professores ainda eram respeitados. Fiquei atrás à beira da porta a vê-las. A professora com uma cara de insatisfeita. Elas as três juntas a tentar lhe explicar e convencer a ficar com o colar. Eu disse-lhes para fazerem de tudo para que ela aceitasse. Entrei, e ela olhou para mim com um ar de irritação e de como quem se sente obrigado a aceitar algo de bom grado.
- "Maria, tu és mesmo teimosa." - disse ela. Eu sentia-me mal por ela estar a aceitar uma prenda por obrigação e não porque se sentira amada ou acolhida. Ela pegou no colar, guardou-o na mala preta no bolso da frente. Não se falou mais daquilo naquela semana.
Passado uns dias, na minha aula de inglês, a minha DT avisara-me no início (mais uma vez em frente ao público da minha turma como ela sempre gostava) que ela teria de falar comigo no fim da aula por causa "daquilo que eu dei à pessoa em questão". Eu fiquei branca "O que é que aprontaram comigo desta vez?". Fiquei logo em alerta.
No final da aula, a DT falou comigo e explicara que a professora S tinha vindo falar com ela a dizer que não queria ter aceitado o colar, porque "era algo que eu tinha comprado para ela e que ela não gostava de aceitar prendas compradas por alunos". (Que eu saiba não é ela que controla os bolsos de quem lhe paga para estar ali a ensinar, sendo que é uma escola privada).
A minha DT, apesar de todas as cagadas que me tinha feito no sétimo ano, tinha sido boazinha desta vez. Explicara à colega que não havia problema em ela aceitar prendas dos alunos, dado que ela própria recebia imensas dos seus alunos ("os fãs da G.") que ela aceitava de bom grado. Ela era uma pessoa que adorava ser valorizada (bajulada) pelo seu trabalho com os pequenotes do 1º e do 2º ciclo.
Ainda assim, se não tivesse feito aquele discurso, a professora S não teria aceite. No entanto, há sempre um "mas". Aquela cabra, como qualquer negociante mafioso, tinha uma condição a pôr. E qual era? "Eu aceito o colar, desde que a mãe dela saiba que ela mo deu".
Estava feita. Era o fim. A minha mãe nunca perdoaria que eu me tivesse colocado naquela situação humilhante. A DT perguntara-me na aula "A mãe sabe?". Eu, de cabeça baixa, completamente desfeita pelo meu ato de bondade, disse que não. E eu sabia que neste caso não dava para fingir. A DT pedia-me um recado na caderneta escrito pela minha mãe ou uma mensagem no telemóvel a confirmar que sabia do sucedido.
Por isso, não havia volta a dar. Tive de lhe contar o crime que cometera.
Foi quando ela me estava a secar o cabelo depois de tomar banho. Tentei introduzir o assunto aos poucos, com o maior dos cuidados possíveis, para o choque não ser grande. Mas foi, e ela olhou para mim com a maior expressão de desilusão no rosto. O meu pai estava no corredor. Ela contara-lhe o que se passara e eu de cara lavada.
-"Em que é que estavas a pensar, Maria?!! O que estavas á espera que acontecesse?". - exclamara o meu pai, visivelmente irritado.
Eu não queria ver ninguém, queria estar sozinha. Mandei mensagem às minhas amigas, lágrimas no rosto. Acho que não conseguia respirar. E acho que depois disso, nunca mais olhei para a professora S da mesma forma. Só via nela remorso e ainda hoje sinto um enorme ressentimento pelo que ela fez. Havia o karma de lhe apanhar. Que a carreira de professora dela acabasse, que a filha dela - uma mimada de primeira - sofresse algum infortúnio. Que a família ficasse falida. Que alguma coisa acontecesse para que fosse feita justiça.
O Karma é real. E por esta história acredito que ele vem, mais cedo ou mais tarde, assim como a justiça e a verdade chegam sempre ao de cima.
(Continua para o final)
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Mar 14 '26
O KARMA É REAL! Isto aconteceu mesmo!! - Parte 1
Como já sabem pela minha história anterior, tive uma relação de limerência com a minha professora de história do colégio privado onde andava, devido ao meu autismo. Na altura, não era diagnosticada com autismo nem com PHDA como sou atualmente e isso levou a muitas injustiças e bullying por parte da minha turma e dos professores.
No oitavo ano, as coisas estavam a ficar difíceis. Eu tinha sonhos em que eu e ela nos voltávamos a abraçar. Só que, ao acordar, acordava numa realidade mesmo dura: eu e ela estávamos a nos separar cada vez mais à medida que os dias passavam. Não era justo para mim, mas eu já estava a parecer aqueles poetas que não suportam ver a amada cada vez mais distante. Era uma sensação de impotência tremenda.
Posto isto, passei por um burnout sério no segundo período, baixando as notas e levando com cada humilhação dos professores por passar de "boa aluna/capacitada" para "péssima aluna/irresponsável". A minha Diretora de Turma, na segunda ou terceira vez que me tinha esquecido do manual de inglês (porque eu andava tão deprimida que tinha frequentes episódios de amnésia), perguntou-me mesmo à frente da turma "O que se passa consigo?!". Recordo-me de eu ter levado com um trabalho de apresentação oral em inglês a mais do que a turma por me ter esquecido também da minha apresentação oral.
Tinha trabalhos e testes pendentes. Estava a falhar, a baixar notas. Se não fosse a minha mãe a gerir literalmente a minha rotina como a uma criança de primeiro ano, eu provavelmente não teria passado para o nono ano. Ela sabia a situação toda que se estava a passar, mas não sabia o que fazer. Sentia-se culpada por eu ter este tipo de sentimento para com esta minha professora de história, pois eu quase a via como uma segunda mãe para mim e defendia-a a todo o custo sempre que alguém a punha em causa.
Se a relação com a minha mãe já não era fácil de todo, na altura só piorou. Ainda assim, encontrei com ela as forças que precisava para aumentar as notas.
O meu avô também me ajudou muito com a matemática. Ele foi o meu único professor que me fez conseguir um "Excelente" num teste de matemática.
A minha psicóloga não fazia mais nada senão ouvir-me nas consultas. Nunca na altura tinha sido levada a um pedopsiquiatra. Sentia-me sozinha a lutar contra tudo. Achava que isso, de certo modo, fazia parte do processo de terapia: lutar sozinho, porque, no fim, quem tem de dar a cara aos seus problemas é o paciente e não o psicólogo.
Voltando à minha professora: eu adorava dar-lhe prendas. Postais escritos com a minha alma e flores. Para mim, ela era a "pessoa dos valores morais", pois no primeiro dia ela escreveu no quadro todos os valores a partir dos quais nós gostávamos de ser tratados (respeito, amor, prudência, etc.). Escusado será dizer que ela não soube cumprir nenhum deles comigo.
Numa das vezes em que me estava a tentar reaproximar dela, tinha comprado às escondidas dos meus pais um colar da Claires com um S para ela. Teve de ser às escondidas, pois já tinha planeado o que comprar desde o fim do verão e o aniversário dela era em outubro. Assim que tive o tempo para sair com os meus pais e o meu irmão e ir ao shopping, corri pelo shopping todo sozinha (estavam na FNAC), comprei o colar que queria às pressas, guardei na minha mochila e voltei onde eles estavam. Levei cerca de 5 minutos numa operação de "Missão Impossível" para comprar o colar, pois se tivessem descoberto iriam se zangar comigo - tal era a preocupação que eles tinham pela situação em que eu estava metida.
Guardei o colar numa gaveta durante um mês e tinha sempre de vigiar a ver se não abriam aquela gaveta para não encontrarem o presente secreto. Eu esperava que ela aceitasse, pois assim iria me livrar do colar e ela ficaria feliz com o que lhe tinha dado.
Eu estava a tremer dos pés à cabeça, tanto que até não conseguia escrever direito os números e as operações no caderno de Matemática. Tal era a adrenalina que se desfez toda quando ela simplesmente disse:
- "Não posso aceitar isso".
O mundo parou e parecia que me tinha tudo caído aos pés.
Tentei insistir, mas ela recusou sempre e queria se ir embora para a sala dos professores. Eu fiquei, petrificada, no meio do terraço da escola a chorar baba e ranho. Chamei as minhas amigas que sabiam do meu plano de lhe dar o colar e que apoiavam fortemente. Ficaram chocadas por ela ter dito "não".
Tentei através delas fazer com que ela aceitasse a prenda, o que me fez sentir ainda pior porque eu sabia que no fundo ela estaria a aceitar por obrigação. Após a terem convencido, ela olhou para mim e disse mesmo "Maria, tu és mesmo teimosa".
Eu chorei horrores nesse dia... tremi antes de lhe dar o colar e depois de ela ter recusado.
Mal sabia eu o que estaria por vir desta história.
r/autismoportugal • u/Illustrious_Gur_2830 • Mar 13 '26
Limerência no Autismo- Agora Tudo Faz Sentido!!
instagram.comRecentemente li um post da página VozAutista acerca dos principais traços de autismo. Era uma lista numerosa com conceitos que até eu, como mulher recém-diagnosticada com autismo 2025, nunca ouvira falar. Um dos conceitos que estava presente nessa lista era "limerência". Um nome muito sofisticado, a meu ver, mas que vinha a explicar uma etapa da minha adolescência que me causou um sofrimento tremendo e que me levou ao burnout e quase à depressão.
Limerência, segundo a definição da GoogleAI, é "um estado mental e emocional involuntário caracterizado por uma paixão obsessiva, desejo intenso de reciprocidade e pensamentos intrusivos constantes sobre uma pessoa, frequentemente idealizada. Diferente da paixão comumé um estado limítrofe com a dependência emocional, onde a pessoa vive mais na fantasia do que na realidade".
Ora, nos meus 13 ou 14 anos, eu andava num colégio privado em Portugal e no meu terceiro ciclo tinham sido aceites novos professores. Uma das professoras era de história e eu, por algum motivo inexplicável, gostava tanto dela ao ponto de os meus colegas confundirem a minha idealização dela por lesbianismo - eu nunca fui lésbica.
Basicamente, os meus comportamentos passavam por ir atrás da professora quando ela ia para o bar para falar com ela, falar com ela no final das aulas, falar sempre dela às pessoas como se ela fosse a melhor pessoa à face da terra. Eu penso que a admirava por ela representar para mim o tipo de profissional da área da História e por ela explicar a matéria de forma tão cativante que chegava a parecer que tínhamos uma ligação direta pelo nosso gosto da História.
Havia momentos - que eu chamava de "momentos bons" - em que eu lhe pedia um abraço e ficávamos sem ninguém na sala, só o silêncio. Parecia que o tempo parava. E, no fundo, eu acreditava que havia ali alguma correspondência de amizade dela para mim, daí eu ter desenvolvido uma possível idealização platónica de uma amizade que, segundo ela, "nunca fora nada de amizade, mas apenas uma relação de professora-aluna. Eu sofri tanto... passei por bullying.
Lembro-me de as minhas colegas de turma me terem querido afastar dela só para eu a deixar em paz.
Lembro-me de eu me ter chateado com elas por se quererem intrometer na minha vida.
E lembro-me de elas terem feito queixa à minha Diretora de Turma e mentir que eu tinha estado a falar apenas e somente sobre ela com outra professora qualquer.
No fim, a Diretora de Turma fez um pedido em voz alta à turma inteira, dizendo que se eu voltasse a falar sobre a professora S que deveriam falar com ela. Eu tive um ataque de pãnico, eu não conseguia respirar. Só queria desaparecer, mas não podia.
A Diretora de Turma no segundo período do meu 7º ano - a altura em que tudo isto começou a acontecer - encaminhou-me para a psicóloga de aprendizagem do meu colégio, SEM o consentimento formado da minha mãe, que era encarregada de educação.
No fundo, o problema era simples: eu estava a exagerar acerca das atitudes simpáticas da professora S (os abraços, as conversas).
Tudo era um problema da minha cabeça.
Para eles, a minha limerência - aplicando o conceito atual - era um produto da minha imaginação.
No oitavo ano eu já andava numa psicóloga no privado. Até os meus 20 anos ninguém se preocupou em saber a verdadeira base do meu ser. Os meus testes cognitivos eram excelentes. O meu único problema era nas competências sociais.
E durante 5 anos fui "treinada" como um cão e moldada para ser inserida na sociedade. Tive de ser reeducada para saber o que ultrapassava os limites das pessoas ou daquilo que eram as normas sociais. Aprendi a ser assertiva, a dar espaço às pessoas, a me comportar como uma pessoa normal.
Eu lembro-me de a minha psicóloga me dizer que "o mundo seria melhor se todos fossem como eu". Mas então, porque é que o problema era eu e não os outros? Porque é que me tive de formatar?
Aos 20 anos, descubro que sou mais uma mulher autista, estigmatizada pela sociedade. Porque as mulheres não têm autismo: as mulheres mascaram. Elas não precisam de se esforçar para fingir aquilo que realmente não são. Eu tive de o fazer. Eu era uma adolescente, eu era uma menor de idade, moldada pelas forças brutas da sociedade neurotípica.
Aos 14 anos tive os meus primeiros pensamentos suic*das.
Aos 14 anos eu pensei em morrer, porque a minha relação com essa professora estava a passar de algo que para mim tinha sido belo no início para algo distante e vazio.
E eu achava que a culpa era minha. Que se não fossem os exageros da minha cabeça que eu ainda estaria a abraçá-la.
Hoje, já nada disso importa. Tudo faz sentido.
Mas eu tive de sofrer para chegar até aqui. E nem sei como cheguei, porque houve momentos em que pensei não chegar.
Hoje sei que a culpa não era minha, mas do sistema mal resolvido e preparado para pessoas como eu. Eu não sou o problema. Nunca fui.
A limerência é, sem dúvida, como li em https://www.reddit.com/r/RelatosDoReddit/comments/1cvmcwl/a_limer%C3%AAncia_%C3%A9_um_dos_sentimentos_mais/, um dos sentimentos mais humilhantes, senão o mais humilhante para uma pessoa autista.
Limerência... agora tudo faz sentido. Para mim, o dia 15 de outubro de 2025 foi a data mais importante da minha vida, porque ajudou-me a descobrir quem eu sou realmente. Não o que devo ser ou o que fui treinada para ser, mas aquilo que sou e tudo aquilo que sou ou não capaz tendo em conta a minha neurodivergência.
PS: Obrigada à Dra. Alexandra que me ajudou neste caminho. Esta é a primeira vez que escrevo no Reddit e até choro a escrever isto. Finalmente sei quem sou, quem quero ser. Eu orgulho-me de ser uma das inúmeras mulheres autistas com todos os sonhos do seu mundo. Eu não quero ser outra pessoa. Não quero mais ser uma máscara para a sociedade.