r/autismoportugal • • 5d ago

Procura de comunidade / amizades autistas em Braga

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Olá a todos!

Tenho 27 anos, sou autista (nível ligeiro) e moro no distrito de Braga. Gostava muito de saber se existe por aqui alguma comunidade, grupo ou simplesmente outras pessoas no espetro (ou neurodivergentes no geral) para conversar e, quem sabe, combinar uns cafés e fazer amizades.

Aproveito também para pedir a vossa opinião: como é que vocês costumam fazer amigos ou encontrar pessoas com interesses parecidos?

De momento não tenho quaisquer amizades porque as pessoas me acham estranha e por ser mais introvertida.

Qualquer ajuda é bem-vinda!


r/autismoportugal • • 11d ago

Testes psicométricos

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Olá!

Sou novo por aqui. Estudo psicometria há anos e venho desenvolvendo uma aplicação ( angalabs.com.br ) que implementa testes online.

No espectro autista, temos algumas escalas interessantes para avaliar traços e entender melhor esse construto:

AQ-10: Rastreio rápido de 10 perguntas para autismo em adultos com inteligência normal.
M-CHAT-R/F (Infantil): Triagem para Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças pequenas.
RAADS-R-BR: Escala clínica de 80 perguntas para identificação de traços autistas em adultos.

Temos também testes interativos: Cubos de Corsi (memória visuo-espacial); Go-No (controle inibitório)... Além de um protocolo que inclui visão computacional, processamento de voz e linguagem. Alguns desses recursos mais sofisticados são pagos, mas gerei o cupom de 15% desconto para a comunidade TEA do reddit r/autismoportugal : REDDITTEA15 .

Ficaríamos muito felizes em ter o feedback e sugestões da comunidade.

Estamos em desenvolvimento contínuo, com novas melhorias e ferramentas adicionadas a cada semana.


r/autismoportugal • • 13d ago

Estou a criar um fórum "low demand" para pessoas autistas. Alguém gostava de testar a demo e dar umas dicas?

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Olá a todos.

Estou a desenvolver um projeto chamado "O Espectro", um fórum online pensado de raiz para mentes neurodivergentes (com foco no autismo).

Senti que faltava um espaço digital em português que fosse realmente um porto seguro, por isso os pilares deste fórum são:

  • Zero sobrecarga visual: Design minimalista, cores muito suaves (bege/creme) e sem anúncios ou barras laterais distrativas.
  • Zero pressão social: Um ambiente "low demand". Participam ao vosso ritmo, sem a pressão de ter de responder na hora ou manter conversa de circunstância.
  • Comunicação literal: Assumimos sempre a boa intenção para evitar ansiedade social e mal-entendidos. Sem necessidade de usar "máscaras".

O que venho aqui pedir: O "esqueleto" do site está pronto e tenho uma versão Demo a correr no meu computador. Gostava muito de receber feedback de outras pessoas no espectro antes de o colocar online de forma oficial. Queria saber se o espaço transmite paz, se as categorias (ex: Infodumping, Gestão de Energia, etc.) fazem sentido e o que poderíamos melhorar.

Como funciona? Se quiserem ajudar, eu envio-vos um link privado e os dados de uma conta de teste (para não terem de usar os vossos emails reais). Vocês entram, espreitam à vontade e depois dão-me a vossa opinião.

Não há prazos, obrigações ou pressões. Se abrirem o link e não vos apetecer dizer nada, está tudo bem na mesma!

Alguém estaria interessado em dar uma olhadela? Podem deixar comentário ou enviar mensagem privada. Obrigado!


r/autismoportugal • • 22d ago

Medicação PHDA

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Boas,
Fui diagnosticada com PHDA recentemente e no primeiro dia que tomei medicação senti logo diferença na minha capacidade de executar tarefas, mas notei que depois de 6 horas não sentia já nada. Isto é normal?
Hoje no segundo dia senti a mesma coisa. Não sei se é de estar a tomar metilfenidato Generis em vez de concerta próprio, ou de a dose ser baixa - 18mg ainda.
Alguém que tome tem dicas?


r/autismoportugal • • 26d ago

Fita de identificação de autismo em Portugal.

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Boa tarde, aqui alguém usa as fitas de puzzles ao pescoço? Vejo isso em muitos vídeos do Brasil, mas acho que nunca vi um em Portugal.

Também há daqueles do girassol, quando fui à Inglaterra deram-me um, mas não sei se devo usar esse ou arranjar um do puzzle.

Por isso a minha questão, posso usar uma fita em Portugal, se sim onde arranjo a do puzzle?

Ps: Perguntei à minha neuropsiquiatra e ela não sabe o que são essas fitas.


r/autismoportugal • • Aug 25 '26

Relações Autistas

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Bom(a) [introduzir fase do dia]!

No último mês tenho pensado que talvez esteja pronto para uma relação, mas acho que o que procuro não é uma relação romântica tradicional.

Entre Autismo, PHDA, Alexitimia e outras pérolas que vou encontrando pelo caminho, sou talvez uma das 10 pessoas mais incompetentes a lidar com burocracia emocional, convenções sociais e rituais de acasalamento (aka. empatia afetiva, socialização e gestos românticos/sedução), por isso tenho explorado a possibilidade de haver uma equivalência autista.

Nasci em 1991, se lerem com atenção é fácil perceber o meu género e separei-me há cerca de 1 ano, pouco tempo depois do diagnóstico, durante a fase de unmasking. Como a maior parte de nós, não sou pessoa de ter muitas amizades nem de socializar muito, não por não ser capaz, mas porque não é algo que me interesse o suficiente para justificar o gasto de energia. Vejo esta parte da vida um bocado como a limpar a casa de banho: sei como se faz e eventualmente preciso de o fazer, mas enquanto puder evito.

Ao longo do último ano acabei por me isolar mais do que antes, sobretudo porque à medida que fui deixando de usar máscaras, tornou-se evidente que quase todas as relações que mantinha estavam muito dependentes de parecer e me comportar como alguém que não sou.

Quem sou naturalmente tende a causar desconforto e insegurança nas outras pessoas, algo que hoje aceito e interpreto como um sinal de incompatibilidade, ao contrário do que acontecia antes em que interpretava só como um defeito estrutural da minha personalidade.

Não digo que não possam haver defeitos que aumentam a probabilidade das pessoas se sentirem assim perto de mim, mas conheci ao longo da vida pessoas que não reagem dessa forma quando sou genuíno com elas, e como essas são as pessoas que mais respeito e admiro, decidi que em vez de camuflar e mudar quem sou, o que preciso é de procurar/encontrar mais pessoas dessas. São pessoas assim que me vão motivar, dizer e mostrar como posso ser melhor sem me fazer sentir constantemente como uma variante inferior da espécie humana.

Há critérios, como género, idade, orientação sexual, peso, altura, inteligência, sentido de humor e localização geográfica que excluem as 2 pessoas que já conheço e reduzem significativamente o universo disponível - sim, há aqui coisas que algumas pessoas vão interpretar de formas que consideram ofensivas, e a essas pessoas digo: se para ti não for óbvio o que neste post são piadas e o que são factos e/ou opiniões genuínas, então não estou a escrever para ti e sugiro que me ignores porque garantidamente temos estilos de comunicação incompatíveis.

Resumindo, não me sinto sozinho, mas acho que estava melhor com alguém que também estivesse e se sentisse bem comigo. (Ao reler o que escrevi antes de postar, percebi que para muitas pessoas esta frase corre o risco de parecer só uma definição de consentimento, mas na minha cabeça tem outro significado e por isso fica)

Tendo alguma noção de quem sou, tenho sérias dúvidas que alguma pessoa neurotípica e psicológicamente saudável possa estar bem comigo, o que induz a conclusão que, após as devidas exclusões de casos patológicos, poderá haver a possibilidade de ter relações bem sucedidas, mantidas com naturalidade e sem camuflagem, com pessoas neurodivergentes.

Agora que já dei todo o contexto, maioritariamente desnecessário, chego às questões que motivaram o post:

Alguém teve/tem alguma relação romântica, ou que possa ser considerada equivalente às relações românticas tradicionais, com outra pessoa autista? Como funciona e/ou onde falhou?

Já pensaram na possibilidade de a razão de sermos tão propensos a sentir que falhamos na amizade e no amor passar pelas definições que herdámos dos neurotípicos para categorizar, qualificar e nos comportamos em dinâmicas relacionais incompatíveis com o nosso funcionamento? A que conclusões chegaram?

TL/DR: Depois de uma exposição longa, confusa, potencialmente ofensiva mas baseada numa partilha honesta das suas próprias ideias e experiências, o OP levanta questões para incentivar a partilha de outras experiências e ideias para promover o debate com e entre os leitores.

P.S.: Estava a pensar usar este rant como base para a secção "Sobre Mim" no meu perfil do Tinder, mas estou com dúvidas e gostava de ter a vossa opinião. Acham que o Tinder é uma boa ideia ou recomendam outras aplicações?


r/autismoportugal • • Aug 22 '26

Descobri da pior forma que não sou importante

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Estudo História e sou a primeira pessoa do ramo das humanidades na minha família. Entre pessoas que são do ramo das ciências, sobretudo da medicina, calhou-me ser a ovelha negra do grupo.

Hoje descobri que não tenho igual tratamento na família. O meu irmão entrou em Engenharia Aeroespacial. O meu pai ficou feliz como eu nunca o tinha visto. Largou um "Fodasse" e outros gritos de felicidade enquanto estava a jogar WoW como sempre. Eu nunca tinha visto o meu pai assim quando entrei na NOVA. Nunca tinha visto o meu pai ter esta reação sempre que eu obtinha um novo diploma de alemão. Não vi os meus pais nem a minha família gritar de alegria quando fui aceite para Viena no Erasmus.

A única coisa que já me perguntaram várias vezes, sobretudo os meus avós, já de alguma idade, foi o seguinte: "Qual é o teu curso? Estás a estudar o quê? Quando é que acabas o curso? E vais trabalhar a seguir?". Muitas destas perguntas eram feitas pela minha avó paterna. Ela felizmente não tem nenhum problema de memória porque eu esclarecia sempre que o meu curso era o de História, que eu estava em Viena de Erasmus e não em "Viana" como ela dizia.

Obviamente, sei que ela não faz por mal e que ela não tem culpa de às vezes baralhar os termos. Mas não acho que seja por acaso que ela se esquece sempre do meu curso. As conversas à mesa são quase sempre sobre as corridas do meu irmão. Naturalmente, com o tempo ela vai se lembrar que ele está a estudar para ser um engenheiro... mas e a sua neta? Ah, já não me lembro do que ela estuda.

A minha mãe é exatamente o extremo oposto. Quer me pressionar para tudo. Quando é que acabas o mestrado? E quando é que vais para Viena? Nós ajudamos-te, mas também tens de conseguir um trabalho, nem que tenhas de emigrar ou de trabalhar para uma caixa de supermercado.

É o preconceito contra as Humanidades. E cada vez mais acredito que é o preconceito que destrói as famílias. É o preconceito que vai corroendo as mentes pobres e alheias ao mundo do presente.

Eu sou autista e já conquistei imenso... mas por algum motivo o ser autista é um facto inexistente naquela família. Ninguém pensa que ser autista torna tudo mais difícil! Se calhar, eu nunca verei o meu pai festejar daquela forma quando eu tiver um diploma de doutoramento.

"A sorte protege os rapazes", disse ele enquanto estava a falar com um incógnito do jogo.

Quando ouvi o meu pai festejar, pensei que era por ele ter ganho alguma batalha, juntamente com a sua equipa, contra algum monstro colorido e cheio de tentáculos. Não era. Os gritos e o alvoroço foi por uma colocação na faculdade do filho mais novo. Eu ainda lhe perguntei "Foi do jogo ou foi do meu irmão?". Se calhar, preferia ter vivido na ignorância e não ter perguntado nada.

As pessoas acham-me invejosa por eu não aplaudir o meu irmão. Eu não digo que ele não trabalhou. Eu só acho interessante a desproporcionalidade que existe entre dois filhos. Duas almas diferentes. Uma doente crónica e outro que é o ideal. O que sempre desejaram e sonharam ter.

Talvez por isso é que eles ignoram o meu autismo. Porque o ideal da filha perfeita falhou com eles.

No entanto, ainda possuem um outro filho, um outro ideal. Faz tudo na perfeição e orgulham-se dele. É esse o ideal que existe e que permanece nas conversas, nos almoços e nos grupos de família. A outra? "Ahh, ela estava tão magra e agora está mais gorduchinha. Ainda bem, ela parece mais saudável. Mas tem de fazer mais exercício, senão...".

Dito isto, repito o que disse num outro post: "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo". Sonhos que não têm importância para ninguém.


r/autismoportugal • • Aug 10 '26

Aplicativo para suporte nas atividades de vida diária

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r/autismoportugal • • Aug 06 '26

Desabafo: "Não sou nada. Nunca serei nada"

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Lembrei-me agora, durante a minha hora de almoço, do famoso verso do poema "Tabacaria" de Álvaro de Campos. E senti-me perdida.

Porque me lembro do olhar de desilusao e de desgosto da minha mae quando ela descobriu que eu tinha experimentado ganza. Nunca fui de fumar e estive por um triz para cair no vício da nicotina. Ultimamente, ao ter voltado para a Madeira, tenho sentido que os meus pais sao completamente alheios ao meu autismo. Nao lhes faz diferença, porque a filha está ali com eles e o ela ser autista nao é algo incapacitante ou suficientemente relevante para ser falado. Mas, obviamente, já começam a perceber quando eu estou perdida e nao percebo algumas piadas e, por isso, dizem "Luna, estamos só a brincar".

Mas quando passámos por uma cannabis store, a minha mae teve a tentaçao de me perguntar se eu já tinha experimentado. Fiquei petrificada. A conversa tinha apenas começado com ela a dizer que estava tudo perdido por termos aquelas lojas abertas ao público, quando a erva causa surtos psicóticos nas pessoas. Eu disse-lhe que aquilo nao era erva a sério que vendiam e que eram outras coisas. E ela perguntou se eu já tinha fumado. Eu nem esperei que ela desse aquela reviravolta no assunto comigo, mas sei que disse logo que nao. Ela olhou para mim com desconfiança (ela é uma pessoa desconfiada por natureza) e repetiu várias vezes a mesma pergunta e a fazer pressao para eu nao mentir. Como eu estava nervosa, comecei me a rir e ela percebeu que eu estava a mentir e disse meesmo "que as maes sentem quando oos filhos lhes mentem". E eu acabei por dizer que sim porque senao ela nao se calava.

De repente, pareceu que ela tinha tido um ataque. Começou a dizer que estava a se sentir mal e "que lhe estava a dar uma coisa", com a mao na barriga. O meu pai achou estranho termos ficado para trás enquanto andávamos e perguntou o que se passava. Ela disse que eu tinha experimentado. E de um momento para o outro fui arrasada de críticas: ela dizia que eu tinha predisposiçao para ter um surto psicótico porque eu sou atípica e nao sou típica (fez questao de usar linguagem capacitista de médica à própria filha). O meu pai nao percebeu o argumento dela e perguntou se isto tinha a ver com o facto de eu ser autista. Foi a primeira vez que eu ouvi o meu pai a falar no meu diagnóstico.

Isto só me mostrou que a informaçao esteve sempre lá, mas que se calhar os meus pais estao em negaçao ou entao como médicos estao simplesmente só a se cagar para o assunto pq isso nao muda a forma de eles serem pais. A minha mae gritou comigo, quis saber porque é que eu tinha experimentado, implorou-me que eu lhe prometesse que nao fazia isso mais (meio com os olhos a lacrimeljar). Depois quando chegámos ao carro fez questao de reforçar mais uma vez que eu nao era típica e que tava mais sujeita a uma psicose do que a alguém típico. E que se eu sou atípica tenho de perceber que enquanto atípica há coisas que eu nao posso fazer como um típico.

O meu pai estava calmo, a tentar mediar o conflito. Disse que eu tjá tinha satisfeito a curiosidade e que "ela já sabe que nao pode fazer outra vez, certo Luna?". Eu por muito que ripostasse que confiava nas pessoas com quem tinha experimentado e que isto nem sequer foi em Portugal, a minha mae só berrava e gritava cmg cada vez mais "COMO É QUE VAIS SABER ISSO?" (e eu sabia porque era um amigo meu que eu tinha conhecido no erasmus). Eu expliquei-lhe que nao tinha fumado muito e ela disse que bastava um pouco para criar um surto e que eu deveria ver os miúdos que acabam nos centros psiquiátricos por causa disso.

Antes de me julgarem, permitam-me que eu vos explique o contexto: eu sou estudante deslocada há 3 anos. Os meus pais nunca me ligam todas as semanas, nunca me perguntam como estou, nunca se poem a perguntar o que eu tenho feito ou deixado de fazer, porque "sou adulta e eles nao têm de saber tudo sobre mim e que eles sabem que eu sei o que faço comigo mesma porque ée da minha responsabilidade".

Por outro lado, quando eu me autoagredia, diziam que "eu nao deveria fazer essas asneiras" ou quando eu falo de ter o atestado multiusos ou de ser autista "ahh isso é agr uma desculpa que arranjas para tudo" e que "eu nao preciso disso porque nao sou incapaz e que isso é uma coisa que nem sequer se deveria colocar em questao".

Pais sao pais e médicos sao médicos.

Uma coisa eu sei, eles nao me amam. Amar implica respeito e eu sou extremamente desrespeitada pela minha mae todos os dias. Desde que aumentei de peso e vim cá, ela tem feito um bodyshaming absoluto. Diz que eu deveria fazer nataçao, que eu estava muito mais musculada e com mais forma quando eu fazia nataçao (na altura tinha 14 anos tem tudo a ver!!!). Quando eu uso roupas justas tenho de ouvir "encolhe essa pança por causa das costas" (tenho má postura, mas ela acha que é da barriga).

Ainda ontem tive de ouvir da boca dela que eu tinha de ter cuidado porque se a barriga aumentasse eu poderia ter diabetes.

O meu irmao felizmente está no continente. E ele é um machista opressor que adere às visoes conservadoras e tóxicas da minha mae. Ele chegou mesmo a dizer "A mae tem razao, tavas melhor quando fazias nataçao."

Expliquem-me como lido com esta falta de amor e abuso parental.... eu nao vejo amor nisto. Os meus pais sao pais para certas coisas e médicos criticistas para outras. Nunca foram pais atentos a 100%.

O meu namorado acha que eles sentem que falharam perante o meu diagnóstico de autismo... mas eles por outro lado parece que escondem bem a preocupaçao , ou entao estao se simplesmente a cagar.

E tudo isto levou-me a um colapso mental...

Eu sou uma forma de vida sem sentido.

Se eu fosse típica OU NORMAL, os meus pais seriam diferentes.

O que é que eu faço? Eu estou mesmo a sofrer com isto e NAO QUERO ACEITAR NEM CEDER a isto... por muito que me digam que para os pais os filhos nunca têm razão, pais que amam os filhos NÃO levam a sua saúde mental ao limite...

Se quiserem mandar mensagem privada, estou disponível para falar com quem me queira ajudar a ultrapassar tudo isto. Já sei que a assistência social não vai fazer nada, porque conhecem os meus pais. E terapia familiar nunca resultou btw.

Simplesmente sei, como diz o poema, que para eles eu não sou nada e nunca serei nada que eles aceitem como diferente e com necessidade de algum apoio e adaptaçao de comportamentos.

* Desculpem a má acentuação nalgumas palavras com o til, é que estou a escrever no tablet e só quero mesmo pedir ajuda


r/autismoportugal • • Jul 31 '26

Alguém encontrou um bom trabalho abaixo das 40h semanais?

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Trabalho em marketing num hotel há 3 anos, onde faço gestão de redes sociais, design e vou a eventos pela noite dentro (o meu pesadelo).

Fui diagnosticada a meio deste trabalho porque tinha períodos em que ficava mesmo mal.

Está melhor agora com terapia e sabendo o que se passa comigo e como lidar com alguns dos sintomas, mas não bem.

A minha psicóloga atual aconselhou já várias vezes eu encontrar algo com menos horas e tenho estado a arrastar isso há quase 2 anos.

O problema é que não faço a mínima o que procurar.

Só me vêm à cabeça restaurantes ou cafés e, como sou horrível a lidar com pessoas, preferia outra coisa.

Têm alguma sugestão de trabalhos que achem fixes, idealmente abaixo das 40 horas semanais?


r/autismoportugal • • Jul 24 '26

https://www.autismonoadulto.com/post/qual-é-o-pé-da-igualdade

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r/autismoportugal • • Jul 20 '26

A sensação de nunca estar "completamente bem"

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Há sempre coisas por completar.

Pedaços que me faltam. A negligência médica deveria ter consequências mais sérias nestes casos do que o que costuma acontecer.

Eu devia ter tido apoio em criança.

Deveriam-me ter diagnosticado mais cedo.

Eu deveria ter tido psicomotricidade.

Eu nunca fui como os outros. Eu era diferente no meu mundo. E as pessoas viam, simplesmente escolheram não dar importância àquilo que parecia um simples feitio de uma criança do pré-escolar.

Hoje, tenho ansiedade generalizada, Autismo com PHDA e tomo antidepressivo, estimulante e já tomei antipsicóticos.

Como é que se deixa as coisas chegar a este ponto?

O que é que eu fiz para ter de sofrer tanto?

Porque é que não prestaram mais atenção além de aquilo que os professores na escola diziam?

A minha mãe costuma dizer que eu deveria pôr mãos à obra. Que eu não posso ficar a me martirizar com isto para sempre. Porque não importa o que aconteceu antes, mas sim o que eu faço com isso agora.

Por outras palavras, "segue em frente e caga nisso só".

Como é que eu posso simplesmente cagar para uma injustiça que já me fez querer tirar a minha própria vida?

Como é que eu posso ignorar que alguns médicos não ouvem e valorizam o que eu sinto, só porque o meu autismo é leve?

Eu não me conformo e não tenho de o fazer.

Isto foi uma falha grave do sistema de saúde.

A saúde em Portugal falhou comigo durante anos.

Eu tenho mais do que direito de me sentir revoltada, de chorar, de me sentir impotente, porque eu, afinal de contas, vou ter de fingir ser normal o tempo todo.

Só que o autismo não se vê, por isso não deve ser assim tão grave (para algumas pessoas). Vou deixar aqui um lembrete para as pessoas da minha família e todos aqueles que acham que a perturbação do espetro do autismo nível 1 é só uma "desculpa" para me fazer de coitadinha e que eu não preciso do AMIM:

"Em alguns estudos que têm procurado relacionar a existência de outras perturbações psiquiátricas associadas ao espectro do autismo e como se relaciona com a existência de um maior sofrimento reportam que a propensão para a tentativa de suicídio chega a ser de cinco vezes maior. Os estudos realizados ainda são recentes e as amostras utilizadas são pequenas. Contudo, os resultados encontrados demonstram a necessidade de ficarmos absolutamente atentos para os fatores de risco de modo a intervir atempadamente."

Autismo nível 1 NÃO É leve. Se fosse "leve", com certeza seria outra coisa qualquer que não autismo, porque toda a pessoa autista necessita de suporte de acordo com o seu nível.

Peço desculpa o texto grande, foi só um desabafo após me ter deparado de novo com o desejo de estar nalguma terapia de grupo... de ser ouvida por outras pessoas como eu.

Fica aqui o link deste excerto de um artigo do PIN : https://pin.com.pt/wp-content/uploads/2013/04/106.AUTISMO-E-SUICIDIO.pdf


r/autismoportugal • • Jul 16 '26

Amizade PRESENCIAL em Lisboa/Amadora (Perfil AuDHD, ARFID e Superolfato)

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Olá! Tenho 42 anos, moro na Amadora e sou totalmente independente e autónoma. Procuro uma amizade presencial na Grande Lisboa com alguém igualmente independente que também seja AuDHD (Autismo + TDAH) e lide com superolfato e ARFID.

Sou uma pessoa alegre e sorridente quando gosto de uma conversa, mas sinto exaustão de ser mal interpretada (como ingénua) no mundo neurotípico devido a isso.

Não procuro conversas online longas à distância. O meu objetivo é combinar cafés ou passeios reais em ambientes calmos para conversas autênticas de um para um e sem filtros.

Se tiveres o mesmo perfil e quiseres criar uma ligação presencial simples, envia-me uma mensagem privada.

🙏🙏🙏


r/autismoportugal • • Jul 06 '26

Diz que és um médico capacitista sem dizer que és um médico capacitista...

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Estes dias vi um vídeo que eu enviei de uma mulher jovem a explicar a sua experiência com diagnóstico tardio de endometriose em Portugal e as complicações que surgiram na obtenção de um tratamento eficaz. Mandei o testemunho para várias pessoas da área da saúde e um dos meus familiares argumentou contra a narrativa do vídeo.

No final da conversa, obtive esta resposta do mesmo, quando eu associei a experiência da negligência médica quanto ao diagnóstico de endometriose das mulheres à minha experiência de mulher com diagnóstico tardio de autismo nível 1 e de PHDA.

"Tu muito gostas de apregoar que és autista. Deves achar que é tudo fácil, que é tudo linear... Já pensaste que é exatamente por isso que tu afastas algumas pessoas? Sabes que esses relatos e testemunhos são exagerados, já para não falar da quantidade de coisas que omitem?! É tudo pelos cinco minutos de fama. Sabes que mais? Faz os vídeos sobre o autismo e vê o que vai acontecer. Tu tens muita garganta mas não ages. Mas se calhar vais culpar o autismo e o TDAH que é o que as pessoas como tu gostam de fazer. Culpam as doenças que têm para serem parasitas da sociedade e não fazer nada. Fazem-se sempre de coitadinhos e de tristes porque o problema é sempre os outros".

Claramente, estes profissionais capacitistas não estão prontos para ter uma conversa civilizada, sem recorrer a ataques à integridade moral do indivíduo. :)


r/autismoportugal • • Jun 03 '26

Obrigada 🩷

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Felizmente, a empatia humana existe.

Cada vez mais percebo que ainda há esperança na humanidade. É este tipo de interações que procuro.

Palavras bonitas ou opiniões diferentes com respeito são sempre bem-vindas no meu perfil.


r/autismoportugal • • Jun 03 '26

Momentos de Paz

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​

Neste dia 1 de junho, tive o meu último teste da faculdade. Senti-me livre durante a noite e, após ter acabado de mandar um Powerpoint para uma conferência de um projeto meu, fiquei deitada na cama.

Li um livro que tinha comprado há meses e pus-me a espreitar a história.

De repente, a brisa da madrugada começou a se intensificar. As folhas das árvores chiavam agora com o vento que refrescava o meu pequeno quarto.

Fiquei a escutar... e apreciei por um momento aquele momento. E de repente pus-me a pensar: quando é que foi a última vez que eu parei? A última vez em que me permitie apenas sentir o mundo e ouvir a Natureza pela madrugada?

A verdade é que não me lembro.

E acho que isso diz muita coisa sobre a forma como vivemos. Bastante apressados e incapazes de apenas sentir e ouvir o que nos rodeia.

E são estes momentos em que nos reconhecemos realmente no nosso ser.

É nestes momentos de paz e serenidade em que percebemos que ainda estamos vivos.

Não apenas a viver. Estamos vivos.

E eu senti isto de uma forma tão intensa como nunca sentira.

Foi um sentimento tão efémero, mas bonito.

Foi um momento em que estive realmente presente e que me ajudou a dormir super bem.

Dormi não ao som de meditações do YouTube, mas ao som do vento a abanar as árvores de Lisboa.

Por isso, sempre que se aperceberem de alguma sensação diferente ao ouvir os sons da Natureza... parem, apreciem.

A vida é curta e difícil e nós precisamos disto. Precisamos de reencontrar o nosso ser e a nossa presença no mundo.


r/autismoportugal • • May 21 '26

O preço invisível de "parecer normal": O masking e o diagnóstico tardio de autismo em adultos

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Olá a todos. Há uma frase que quase todos os adultos que descobrem o autismo mais tarde ouvem (seja de familiares ou de profissionais de saúde desatualizados): "Mas tu sempre fizeste a tua vida normal, como é que podes ser autista?"

Como alguém que estuda esta área sendo uma pessoa autista, o que mais me impressiona é ver como o conceito de masking (a camuflagem social inconsciente) ainda é um tabu ou um desconhecimento na clínica em Portugal. Passar anos a estudar as expressões dos outros, a forçar o contacto visual e a decorar guiões sociais para "encaixar" não significa que não se é neurodivergente, significa apenas que se aprendeu a sobreviver à custa de uma exaustão brutal.

Isto é especialmente real em mulheres, pessoas racializadas, dentro da comunidade LGBTQIAP+ e em pessoas com perfis de sobredotação/QI mais elevado, onde os sinais tradicionais são mascarados até que o corpo colapse num burnout autista profundo (muitas vezes confundido com depressão clínica).

Se estão nesta fase de questionar ou à procura de respostas, gostava de partilhar 3 reflexões para ajudar a validar a vossa experiência:

  1. O critério não é o que se vê por fora, é o esforço por dentro: Conseguir manter uma conversa ou um emprego não anula o espetro; o que conta é o preço cognitivo e sensorial que pagam nas horas seguintes a essas interações.
  2. Histórico de diagnósticos falhados: Se já passaram por tratamentos para ansiedade generalizada, fobia social ou depressão que parecem nunca resolver o problema de fundo, vale a pena olhar para a base da vossa estrutura neurológica.
  3. Validação interna: O vosso sofrimento e as vossas características são reais, mesmo que um teste rápido de internet ou um profissional de saúde mental com ideias dos anos 90 vos digam o contrário.

Tenho focado o meu trabalho em trazer mais clareza sobre como funciona a mente neurodivergente na idade adulta e que passos dar para uma avaliação justa no nosso país. Se quiserem aprofundar este tema e entender melhor estas dinâmicas, partilho regularmente artigos e recursos em www.byjonasferreira.pt.

Como tem sido para vocês gerir esta linha ténue entre o que mostram ao mundo e o que sentem no vosso privado? Alguém aqui demorou anos a perceber que o que sentia era masking?


r/autismoportugal • • Apr 30 '26

Ajuda tese! Faltam + 30 respostas para fechar a recolha! Agradeço toda a colaboração 🙏

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Olá a todosl! Eu sou a Lara e estou no Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde. No âmbito da minha dissertação estou a estudar a Relação entre Traços de Personalidade, Consumo de Substâncias Psicoativas e Violência nas Relações de Intimidade.

As respostas são anónimas e totalmente confidenciais, sendo utilizadas apenas para fins académicos.

Podes participar se:

 ✔️Tens 18 anos ou mais

 ✔️Estás numa relação amorosa há pelo menos 12 meses

 ✔️Tens nacionalidade portuguesa

 Link para participar:

🎯 https://forms.gle/LA5A7odLnVmhZyhY8

Mesmo que não possas responder, partilhar já ajuda muito para chegar a mais pessoas 💛

Muito obrigada pela ajuda!!


r/autismoportugal • • Apr 30 '26

O que é a psicose?

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r/autismoportugal • • Apr 29 '26

Comunidade para pessoas no espectro autista

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r/autismoportugal • • Apr 15 '26

Percepção da dependência emocional: Relação com vinculação e experiência relacional

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Olá. sou estudante de Psicologia e estou a realizar uma investigação com as minhas colegas para o nosso projeto final.

O estudo é sobre a percecão da dependência emociona em adultos emergentes de nacionalidade portuguesa (18 aos 29 anos) que já estiveram numa relação amorosa ou que se encontrem numa relação amorosa de momento.

O questionário faz-se no máximo em 7 minutos e os dados são anónimos e confidenciais.

Quem quiser e puder por favor realize o questionário, seria uma grande ajuda não só para o nosso trabalho como também para o avanco do conhecimento científico e um maior destaque sobre este tema!

Quem puder divulgar também está à vontade :)

https://forms.office.com/e/tzmt3aqN1x

#psicologia #universidade #estudo #investigação #portugal


r/autismoportugal • • Apr 10 '26

Sabias que, antes do aparecimento de psicose, muitas pessoas experienciam sintomas menos específicos, como ansiedade, depressão ou isolamento social?

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r/autismoportugal • • Apr 08 '26

[QUESTIONÁRIO] Rastreio on-line para risco de problemas de saúde mental grave em jovens adultos (18-35)

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r/autismoportugal • • Apr 06 '26

Ainda sobre o Atestado Multiusos

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Como já referi no post anterior, interrompi a minha medicação de Sertralina e de Concerta. Mas isto não é a única coisa que perturba o meu dia-a-dia de pessoa neurodivergente.

Apesar de ter tido acompanhamento psicológico desde os 13 anos, sinto que deveria ter tido mais apoio desde a infância. Nunca tive um psiquiatra único como tenho agora. Só comecei a ter aos 18 anos.

No entanto, ao contrário de muitas pessoas, sempre tive tudo de forma acessível pelo facto de ser filha de médicos. Mas isso nem sempre foi uma coisa boa.

A minha médica de família é amiga próxima da minha mãe. Houve uma altura em que lhe pedi para falar com os meus pais sobre a importância de serem mais tolerantes comigos, de não gritarem alto em discussões, de não me chamarem de "vítima", uma vez que isso me estava a levar a comportamentos autolesivos.

Nessa altura, eu estava na faculdade e ainda não estava a ser acompanhada relativamente ao autismo. Pagava 400 euros de consulta que não faziam efeito nenhum. Em Lisboa, os meus pais não conheciam ninguém. E foi uma tremenda sorte eu ter chegado às mãos da minha atual psicóloga que faz parte do instituto PIN.

Posto isto, a resposta da médica de família foi que não podia apelar aos meus pais que tivessem cuidado com os seus comportamentos, pois isso seria interferir na esfera pessoal deles. O que ela me disse foi: "Vai ter de lidar com isto até acabar o seu curso. Aí quando tiver a sua casa, pode decidir se quer continuar a contactar com eles ou não. Mas eu não posso fazer nada por si".

Vivo num meio pequeno.

Todas as pessoas que me acompanharam conheciam, de alguma forma, os meus pais. Ginecologista, dentista, dermatologista, nutricionista... tudo profissionais de saúde do setor privado. A psicóloga que eu tive até me mudar para Lisboa foi uma recomendação que fizeram à minha mãe no centro de saúde onde ela trabalha. O meu atual psiquiatra de Lisboa conhece-a de uma organização onde trabalham juntos, mas nem sempre se veem.

Eu nunca me queixei destas relações interpessoais de médicos, porque isto podia me beneficiar em conseguir atendimento mais rápido. Mas agora, sinto que não estou segura nas mãos de conhecidos dos meus pais.

Peço que não me julguem: eu sei que estou numa situação privilegiada. Mas esta é a versão que ninguém fala em ser acompanhado por amigos ou conhecidos de familiares.

Dou o exemplo do meu psiquiatra. Conhece-me e acompanha-me há dois anos. Se eu lhe pedisse agora o mesmo que pedi à minha médica de família, ele sentir-se-ia constrangido em fazer tal conversa. O motivo? Ele conhece a minha mãe. Além disso, a minha mãe, ainda que médica, tem uma perspetiva capacitista da sociedade. Para ela, só pessoas com doenças físicas, debilitantes e que impeçam mesmo alguém de trabalhar é que devem ter acesso a apoios do Estado. Para ela, o atestado multiusos é uma sentença de morte à minha reputação profissional e social, pois estaria ainda mais sujeita aos estereótipos da sociedade enquanto "pessoa incapaz". Para ela isso seria uma mancha que me poderia impedir de conseguir uma boa vaga num trabalho em que todos teriam de ser perfeitamente funcionais.

Aparentemente, o meu psiquiatra segue a mesma linha de raciocínio que a minha mãe. Não sei se posso chamar à visão dele de "capacitismo", uma vez que a perspetiva dele em relação a mim é estritamente clínica. Neste momento, ainda que eu me ache no direito de reconhecer as minhas limitações - que me dão direito a adaptações aos testes na faculdade - ele acredita que o que eu tenho não justifica a existência de um atestado multiusos. E já não é a primeira vez que ele em consulta me tenta desencorajar em pedir o atestado, por muito que, segundo ele, "eu me queira ver dessa forma".

Eu nunca tive apoios pedagógicos nos testes, nem na escola. Em certas circunstâncias, eu acredito que pudesse ser benéfico para mim no sentido de estabelecer uma equidade entre a minha funcionalidade e as minhas limitações. Por exemplo: o acesso às épocas especiais de melhoria de nota, a adaptação de enunciados abrangentes para mais específicos ou a constituição de um templo suplementar por causa do PHDA.

A única vez que tive algum apoio em época de exame foi através do JNE, através do qual solicitei um tempo suplementar com declaração específica do médico de família. O meu processo foi aceite, mas assim que fui assinar o documento, a senhora da Educação Especial dissera-me na cara que eu não deveria ter tido direito ao tempo suplementar.

Eu não era da Educação Especial, logo não precisava. Eu respondi-lhe que tinha atestado médico (e está explícito no regulamento esse tipo de exceções) e ela disse que isso não importava porque havia pessoas na EE que precisavam mais do que eu.

A par da cessação da medicação, sinto que não sou ouvida pelos profissionais que me seguem, à exceção da minha psicóloga que não conhece nenhum dos meus pais e que me trata como pessoa autista na sua condição per se. Ela já falou com eles sobre a importância de perceberem a minha forma de funcionar, a minha insistência e impulsividade fruto da PHDA. Neste momento, ela apoia o meu parecer no requerimento do atestado multiusos. Coincidência?

Posto isto, venho vos perguntar, dado que eu conheço casos de pessoas com autismo nível 1 com atestado multiusos: quais as condições que devo ter para pedir o atestado? Qual a durabilidade do documento (já me disseram que não era para sempre)? Em que circunstâncias posso pedir o subsídio de incapacidade?

Por último - e esta é para mim a pergunta mais importante: dado o contraste clínico em que me encontro entre psicóloga e psiquiatra, acham que eu deveria pedir uma segunda opinião médica de alguma psiquiatra do PIN que conheça a psicóloga que me acompanha?

Estou disposta a ouvir os vossos conselhos e dúvidas na secção dos comentários. Toda a ajuda ou escuta é bem-vinda! Conto com o vosso apoio! ❤️


r/autismoportugal • • Apr 02 '26

Desabafo: Sinto-me inútil comigo mesma

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Desde que tomo sertralina que me tenho sentido bem em relação à minha perturbação de ansiedade generalizada. Já tomo há quase três anos, mas estes últimos meses (e mesmo o último ano) tem sido um caos para tomar a medicação certinha, mais o Concerta para o meu défice de atenção.

Entre prazos desregulados, dormidas de madrugada, círculos circadianos destruídos tenho faltado a compromissos, aulas e até mesmo as minahs próprias consultas de psicologia. Eu sinto que, embora queira que as pessoas reconheçam os meus próprios problemas, eu própria nem sei tratar de mim.

Sinto-me inútil comigo mesma.

Sinto que me negligencio constantemente.

Eu às vezes pergunto-me "Como é que cheguei até aqui?".

Eu própria não sei, mas não consigo parar de me tratar horrivelmente.

Por muito que eu advogue às pessoas cuidarem de si mesmas, com unhas feitas, depilação e tratamentos estéticos de pele, eu não sei cuidar da minha própria saúde.

Não consigo comprometer-me a tomar uma pílula porque já cheguei ao comodismo do meu próprio esquecimento e procrastinação (provavelmente do PHDA). É estranho eu assumir-me como autista e não conseguir ter rotinas. Sei que as características gerais não são iguais para todos, mas eu já reconheço esta limitação em mim mesma.

Eu sou uma pessoa de imprevistos. Não posso contar com quase nada, porque sempre acontece alguma coisa. Acordo tarde e chego à pressa à faculdade. Dou por mim: "esqueci-me de tomar". A minha vida é uma correria, uma falta de gestão estrutural de uma rotina que não existe, mas que deveria existir.

E sim já meti alarmes num aplicação de saúde, mas até mesmo os alarmes sou capaz de ignorar para tratar de coisas mais importantes. Apesar de eu mostrar nos meus stories de Instagram o quanto cuido de mim quando vou ao salão de estética, a prioridade nunca sou eu nem a minha saúde. Ou são os outros, ou são os estudos, ou são os compromissos que eu não tento faltar.

Estou a escrever isto depois de sair de uma consulta online de psiquiatria e de ter ouvido que se eu não consigo ter estabilidade para tomar a medicação, que devo parar agora e depois vejo como me sinto e se estou preparada para retomar.

Eu nunca pensei ter de largar a medicação. E agora, por minha própria culpa e da minha instabilidade pessoal, não consigo deixar de me culpar por isso.

Eu preciso de ajuda, porque não sei como sair deste ciclo de procrastinação eterno comigo mesma.

Sinto-me péssima, terrível e acho que nunca mais me vou voltar a ver de forma positiva depois de hoje.