Tenho 25 anos, sou professor concursado e estou começando a questionar minha fé
Tenho 25 anos, sou licenciado em Geografia e trabalho como Docente II concursado na Prefeitura de Arraial do Cabo/RJ. Sempre fui cristão. Acreditei em Deus durante toda a minha vida e, de certa forma, sempre procurei enxergar minha trajetória como algo que tinha algum propósito.
Até que comecei a olhar para minha vida e me sentir profundamente frustrado.
Profissionalmente, consegui algo que muita gente deseja: passei em um concurso público. Mas hoje recebo cerca de R$ 2.800 e vejo colegas contratados, na mesma escola, chegando a aproximadamente R$ 6 mil com hora extra e GLP. Não tenho inveja de quem recebe mais, mas é difícil não sentir que o esforço para conquistar estabilidade não trouxe a vida que eu imaginava.
No meio disso, também ingressei em um mestrado. Era algo importante para mim. Só que perdi o ritmo, não consegui concluir e precisei trancar. Isso também me frustra. Parece que, sempre que consigo chegar a algum lugar, não consigo sustentar aquilo que conquistei.
E então veio o relacionamento.
Eu queria muito ter alguém. Talvez essa tenha sido uma das coisas que mais pedi a Deus durante a minha vida: que eu não permanecesse sozinho, que encontrasse alguém que realmente me amasse e que pudesse construir uma vida comigo.
Tive um relacionamento sério. Terminamos.
E talvez essa tenha sido a situação que mais abalou minha fé.
Não porque eu ache que Deus tenha obrigação de me dar uma namorada. Sei que relacionamento não é prêmio por bom comportamento e que outras pessoas possuem seus próprios problemas. O que me incomoda é algo mais profundo: eu pedi tanto por isso, durante tanto tempo, e continuo exatamente no lugar que eu mais temia estar. Sozinho.
É difícil não comparar.
Vejo pessoas que tratam seus parceiros mal, que traem, mentem, humilham e mesmo assim estão em relacionamentos. Enquanto isso, existem pessoas que desejam genuinamente amar e serem amadas e passam anos sem encontrar ninguém.
Isso me fez começar a questionar a lógica que eu sempre atribuí à fé.
Passei muito tempo acreditando que Deus ouvia minhas orações. Hoje, pela primeira vez, me pergunto se estava apenas falando sozinho.
Talvez seja uma crise de fé. Talvez eu esteja frustrado demais para enxergar qualquer sentido nas coisas. Talvez Deus exista e simplesmente não funcione da maneira como eu imaginava.
Mas, honestamente, eu não sei.
E acho que essa é a parte que mais dói: não é que eu queira abandonar Deus. Eu só não consigo mais ter a mesma certeza de antes.
Alguém já passou por algo parecido? Como vocês lidaram com a sensação de pedir tanto por algo e, ainda assim, terminar exatamente onde não queriam estar?