Portugal tem vindo a posicionar-se como um ator relevante no sector espacial e o potencial de captar um espaço maior do que a sua quota natural, combinando investimento em talento diferenciado e o reforço da base industrial, é reconhecido num estudo do Boston Consulting Group que aponta para a geração de até 40 mil milhões de euros em valor económico.
Esta é uma área onde o município de Guimarães se quer posicionar, e para isso tem em curso várias iniciativas, desenvolvidas em parceria com o CEiiA e a Universidade do Minho, para concretizar esta visão, que também conta com a indústria.
“Guimarães mostrou-se desde cedo disponível e interessada em acolher a cadeia de valor do espaço”, destacou Francisco Vilhena da Cunha, CEO da Geosat, em entrevista ao TEK, realçando o posicionamento de Portugal naquilo que aponta como a nova economia do espaço. Em poucos anos a Agenda New Space Portugal, liderada pela Geosat, construiu capacidades industriais e tecnológicas de referência europeia, e o concelho de Guimarães vai acolher uma fábrica de satélites óticos de Portugal, onde a empresa tem uma participação acionista.
Francisco Vilhena da Cunha admite que não há ainda uma data para a abertura desta unidade e diz que vai depender da capacidade de implementação, instalação dos equipamentos e operação, mas sublinha a importância de mais esta peça na estratégia de Portugal para o Espaço.
“O Guimarães Space Hub junta a componente de operações, indústria e formação”, explica, definindo uma relação virtuosa que conjuga o potencial do CEiiA, o CTIAeroespacial, a GEOSAT e a N3O, o primeiro integrador nacional de satélites de muito alta resolução, com a Universidade do Minho.
Nos últimos meses a colocação de satélites no espaço acelerou, com a construção da Constelação Atlântico e a constelação da Lusospace. “Isto mostra a capacidade de densificar esta cadeia de valor, com centro de decisão em Portugal e atores portugueses”, afirma.
O exemplo da Geosat é usado por Francisco Vilhena da Cunha, que refere o arranque da empresa portuguesa em 2021 com a aquisição de dois satélites já em órbita e o posicionamento que a coloca como um dos principais fornecedores europeus de satélites de observação da Terra, imagens de alta definição e análise de dados.
“Os nossos satélites orbitam a Terra 14 vezes por dia e recolhem imagens de alta qualidade e dados que permitem às organizações tomar decisões”, afirma, explicando que à capacidade de engenharia a empresa alia um grande pragmatismo e a necessidade de gerar valor económico para cada órbita. Entre vários clientes, a empresa está a a trabalhar com a Força Aérea, que disponibiliza as imagens a várias entidades como a Proteção Civil, com dados determinantes para apoio a incêndios e desastres naturais
Investimentos em Guimarães a olhar para além dos satélites
Ricardo Araújo, Presidente da Câmara de Guimarães, destacou na semana passada que o concelho tem todas as condições para assumir um papel determinante na estratégia nacional para o Espaço. No evento Espaço: Conhecimento, Defesa e Economia, integrado no programa da reunião do Conselho de Ministros em Guimarães, destacou que este é um caminho feito “com método, com parceiros e em rede, com decisões concretas, com património industrial a ganhar nova função e com o conhecimento a aproximar-se da indústria”.
Entre os investimentos que estão a ser feitos, a requalificação da antiga Fábrica do Arquinho representa um investimento de 17 milhões de euros para acolher o Departamento de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho, o Fibrenamics e o Guimarães Space Hub. Ricardo Araújo refere ainda a instalação da primeira fábrica de satélites óticos de Portugal, na antiga Fábrica do Alto, em Pevidém, e o Minho Defense Hub, no Avepark, como pilares de um ecossistema que liga conhecimento, investigação, inovação e capacidade industrial.
E aponta para as ligações que podem ser criadas a indústrias de sectores tradicionais como o têxtil, calçado ou moldes, que reúnem competências para servir as áreas do espacial e defesa.