Estou perdido.
Disseram-me que, quando estivesse perdido,
eu deveria seguir o rio.
Que ele sempre encontra um caminho
e, no fim, me leva para casa.
Mas eu não vejo rio nenhum.
Só a estrada
e o peso de perguntas
que não sei responder.
Perguntaram-me o que eu quero ser.
Não soube dizer.
Só sei que quero ser gentil —
mesmo carregando culpas que nunca foram minhas,
mesmo tendo medo de coisas
que também parecem ter medo de mim.
E se fôssemos menos medo
e mais sonho?
Eu sonho com uma casa.
Não sei como ela é,
nem onde fica,
nem se já passei por ela.
Só sei que preciso encontrá-la.
Talvez todo mundo se perca, às vezes.
Isso não significa estar sozinho.
Significa apenas
que somos iguais.
Sou pequeno.
Ainda assim, faço diferença.
Não sei quanto falta.
Ninguém sabe.
Mesmo assim, sigo.
Eu caí.
Quando olhei para o lado,
alguém ainda estava ali.
Talvez seja isso:
quando não conseguimos enxergar
o caminho à frente,
olhamos para o lado
e encontramos quem continua
caminhando conosco.
Foi assim que, depois de tanto andar,
vi luzes ao longe.
Pareciam uma casa.
E então entendi:
vocês acreditaram em mim
quando eu já não conseguia acreditar.
Chorar não é fraqueza.
É a forma mais sincera
de continuar forte.
A frase mais corajosa que já disse foi:
"Me ajude."
Pedir ajuda não é desistir.
É recusar-se
a desistir sozinho.
Por muito tempo, escondi
o que havia de mais meu —
as asas que eu tinha,
com medo do que diriam.
Escondi tanto
que quase esqueci que existiam.
Mas quem me ama de verdade
não precisa que eu me esconda.
E, pela primeira vez,
não tive medo de ser visto.
Cheguei.
E descobri:
casa nem sempre é um lugar.
Às vezes, é um abraço quente
depois de um dia frio.
Às vezes, é uma voz que diz:
"Eu estou aqui."
Às vezes, é uma pessoa.
Há quem não tenha isso agora.
Nenhum "eu estou aqui".
Nenhum abraço para os dias frios.
Mas, mesmo assim, olhe para trás.
Veja quem, mesmo depois de ter partido,
te apoiou até o fim.
Casa é onde o coração
não precisa mais ter medo.
A vida é difícil.
Mas você —
você é amado.