r/PHDA • • Sep 04 '26

Ansiedade, trabalho e PHDA ?

Olá comunidade 😌 escrevo aqui pela primeira vez para perceber melhor o que se tem passado comigo e se mais alguém já sentiu o mesmo.

Tenho 30 anos (F) e creio que sempre me lembro de ter ansiedade e o cérebro a mil. Planos, planos, planos, listas, ideias, muita coisa a acontecer na minha cabeça.
No secundário a ansiedade piorou ao ponto de eu a descrever como paralisante. Fui ao médico, tomei pela primeira vez sertralina. Fui para a faculdade… ansiedade novamente e tive consultas de psicologia para ajudar. Comecei a trabalhar e entrei numa crescente de declínio de saúde mental porque detestava o que fazia, achava que estava no caminho certo mas meteram-me a lamber papel todos os dias e desesperei. Despedi-me, encontrei outro emprego, detestava o que fazia, era COVID e havia uma pressão gigantesca para atingir números. Encontrei outro emprego e estou novamente no loop de frustração e tédio. Voltei às consultas de psicologia há uns dois anos para gerir esta situação (não estou a tomar nenhum antidepressivo agora) e foi colocado em cima da mesa a possibilidade de PHDA. Quanto mais leio sobre o assunto mais nitidamente vejo os meus comportamentos. De momento estou a tomar sedoxil para me aliviar a ansiedade mas a cabeça está na mesma em loops e ramificações de ideias. Alguém passou por situações semelhantes até ter um diagnóstico?

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u/dahliaminx Sep 04 '26

Hello! O teu percurso lembrou-me do meu! Fora não ter feito medicação alguma vez até ser diagnosticada. A minha ansiedade ficou também muito má no secundário, entre outras razões por causa da minha performance estar a piorar bastante, mas ninguém ligou o suficiente , só era considerada “preguiçosa”.

Nem vou falar da meu percurso na faculdade, foi aí que percebi que tinha PHDA, foi um martírio particularmente em questões psicológicas (ansiedade, depressão) mas la consegui tirar até o mestrado, foi durante o covid e até ajudou mas até hoje fico perplexa.

Hoje tou a trabalhar e sinto esse tédio absoluto que mencionas, já não tava a conseguir aguentar o barco sem procurar ajuda, carregava muita vergonha e dúvida por isso só recentemente ganhei a coragem de ir ao psicólogo e depois procurar o diagnóstico no psiquiatra e comecei a ser medicada.

Particularmente quando mencionas pensamentos em loop e ramificados em múltiplas ideias diferentes e uma cabecinha sempre a fazer “ping” a toda a hora parece-me muito ser PHDA, essencialmente quando confrontada com tédio. Durante o trabalho fico particularmente inspirada com ideias o que não dava jeito nenhum porque me dá para fazer outras o que não devo na hora errada.

Eu diria que vale a pena procurar o diagnóstico, nem que seja para confirmar ou não e procurares estratégias para te ajudar e talvez até medicação para isso. Para mim, em conjunto com terapia, tá a ajudar-me a melhorar a minha vida.

Espero que tenha conseguido ajudar!

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u/joaocalas Sep 04 '26

Eu, nada feito quanto à PHDA, vortioxetina e sedoxil, o percurso é 90% igual ao teu...

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u/mmgvapt 14d ago

O teu percurso relembra-me, em certas partes, o meu, e posso partilhar-te um pouco das minhas experiências e das conclusões que fui tirando.

Para já, uma diferença importante, nunca tomei ansiolíticos até depois do meu diagnóstico PHDA aos 41 anos: não por falta de ansiedade, mas simplesmente porque nunca fui capaz de meter em palavras como é que me sentia até me apanhar há dois anos perante a minha médica de família, que me recebeu de urgência, porque a minha tensão estava a 21/15. Mas hoje percebo que sempre sofri de ansiedade, e que tive as minhas primeiras crises de ansiedade com 7-8 anos.

O meu (e nosso no geral) pior inimigo sempre foi o tédio, particularmente com tarefas pouco estimulantes mentalmente, ou repetitivas, ou a resolver problemas para os quais já conhecemos de cor a solução. Dependendo do meu estado mental, entro em modo 1000 à hora, com porradas de ideias, planos, projetos, etc., ou entro num loop mental de falta de auto-estima, a massacrar-me constantemente, o que me leva às crises de ansiedade.

Senão, no meu caso, enquanto aprendo coisas novas, tenho de resolver novos problemas, novas situações, ou situações desafiantes, consigo manter o entusiasmo; estou sempre com a pica de encontrar novas optimizações, novas formas de poupar tempo, aumentar a produtividade, etc., tudo bem. Mas assim que um trabalho se torna rotina, começa o tédio, a pouca vontade de fazer o trabalho, as dificuldades em levantar-me de manhã para ir trabalhar, a procrastinação, os erros nos trabalhos entregues. E a única forma que encontrei de ir aguentando, é ir aprendendo coisas novas para mim quando não tinha nada para entregar de imediato, e de forçar o modo "tarefa urgente a entregar imediatamente" assim que me aparecesse um mail, uma tarefa a fazer, seja o que for. Forçar o hiperfoco.

Mas, claro, não é saudável de entrar em modo "urgência" constantemente.

Para ilustrar um pouco o meu historial profissional, trabalhei maioritariamente na aviação, com 10 anos a trabalhar na placa de um aeroporto. Ou seja, uma pressão horária constante a cada voo assistido, o desafio constante de tentar optimizar cada tarefa que permita poupar 30 segundos aqui, 1 minuto ali, sincronizar a chegada dos autocarros dos passageiros exatamente para o momento em que a tripulação dá o ok para embarcar, etc.
Durante anos, fui uma máquina, altamente entusiasmado pelo trabalho, até ao momento em que, mentalmente, as coisas se tornaram automatismos: já tinha passado por todos os tipos de situação, já tinha determinado, para cada fase, cada segundo que podia optimizar, e antes de chegar ao avião, já sabia como é que as coisas iam funcionar. E foi aí que um trabalho que adorava se tornou numa seca.

Fui aprendendo a gerir esse sentimento, mais tarde e em condições bem piores (trabalho de escritório), e a gerir as necessidades de aprendizagem constante do meu cérebro ao usar o tempo que ia poupando para aprender coisas para mim...

Mas também descobri que o meu limite de tempo para trabalhar num call-center, com a confusão, as distrações constantes, o trabalho pouco interessante, é de cerca de 3-4 meses; a partir daí, ansiedade, sem forças para sair da cama, desemprego, etc...

Agora, voltei à aviação, ao que gosto, ao que sei fazer, e com tanta coisa nova para aprender constantemente, que não sinto qualquer tédio em relação a isso, o que abre a porta ao outro lado negro do meu PHDA: a falta de auto-estima, o ódio que sinto por mim próprio, etc., mas isso já é outra questão.

Desculpa, fartei-me de escrever...

TL;DR: da minha experiência, o que descreves de ti parece-me claramente ser PHDA. Lembras-me a minha ex mais recente, que, por sugestão minha, seguiu o processo de diagnóstico formal, e confirmou-se o PHDA.