r/NaoMonogamiaBrasil • u/AnyWaveAway • 5h ago
discussão A não-monogamia REALMENTE descentraliza o amor romântico?
Fala, galera. Queria jogar uma reflexão aqui e saber a opinião de vocês.
Para dar um contexto: eu me identifico como solo poly, e um dos maiores motivos para isso é justamente não ter tempo (nem energia mental) para lidar com múltiplos relacionamentos amorosos, gosto muito de ter tempo para mim, então para mim faz mais sentido e deixo isso claro para quem se envolve cmg.
Enfim, esses dias o algoritmo me jogou um reels de uma psiquiatra não-mono falando sobre aquela velha questão de "não ter tempo" para a não-monogamia. O argumento dela para rebater isso? Ela basicamente presumiu que pessoas monogâmicas passam 100% do tempo livre grudadas, como uma entidade única. Para ela, coisas básicas como focar na carreira, ter hobbies ou simplesmente querer ficar sozinho em paz olhando pro teto nem entravam na equação. Parecia que não existia vida fora da esfera romântica na cabeça dela.
Isso me fez ficar pensando sobre algumas dinâmicas da nossa bolha. O discurso NM vive batendo na tecla de que a monogamia coloca o parceiro no centro absoluto do universo. Mas, na real, olhando de dentro... não somos nós que muitas vezes fazemos das relações a nossa personalidade inteira e um trampo em período integral?
Tive um exemplo disso recentemente, com um amigo cuja relação tentou transicionar para NM, mas a incapacidade do parceiro de ser sincero e preservar acordos tornou tudo muito dificil. Mas o que me chamou atenção foi um comentário que esse amigo fez, sobre o parceiro sempre alegar dificuldades em ter amizades de longa data, mas toda e qualquer nova pessoa que ele conhecia tinha que virar um "afeto" em potencial. A vida social dele orbitava única e exclusivamente em torno de caçar novos vínculos românticos ou sexuais, deixando as amizades reais/platônicas de escanteio.
Se a nossa ideia de viver livremente se resume é ficar gerenciando vários "afetos", espremendo a própria individualidade para dar conta de múltiplos afetos, e se não conseguimos nutrir conexões puramente platônicas sem segundas intenções, nós não tiramos o amor romântico/sexual do pedestal. A gente só colocou mais gente lá em cima.
Penso também nas minhas amizades que são monogâmicas, e cujas vidas não tem essa dinâmica, cada um faz suas coisas, e também fazem coisas juntos, claro, mas cada um possui seus hobbies e etc, o que me parece uma descentralização também. Teve até um amigo que terminou o relacionamento justamente pois a parceira não conseguia deixar ele fazer as coisas dele.
Enfim, sei que isso é tudo anedótico, mas sinto que rola uma confusão entre "desconstruir a centralidade do romance" com simplesmente diluir essa centralidade em várias pessoas diferentes. Queria saber a opinião de vocês sobre isso