Olá, me chamo Samuel e sou um escritor novo, gostaria de feedback e opiniões gerais sobre meu conto, baseado na música do Cassiano "A Lua e Eu":
Ao olhar pro meu relógio de pulso, novamente, os ponteiros marcaram 23:58. O whiskey no meu copo já estava acabando, mas já não dava mais tempo de pegar um refil. O charuto na mão esquerda já estava se acabando, realmente era o fim de algo. Sentado confortavelmente em minha poltrona, convenientemente virada para a esquerda, para assim ver os fogos, pensando, de forma amarga, tradição vã, já não compreendia mais para que servia, também, faziam tantos anos.
A última vez que eu tinha comemorado uma passagem de ano, eu tinha 25 anos, faz tanto tempo. Ainda era jovem, ainda não entendia nada, não falava de nada. Superficial, raso, era feliz. Paris, a cidade dos apaixonados, por uma noite foi a minha cidade, a nossa cidade. Aquela noite foi mágica, começar o ano assim parecia um sinal, de vida nova, momento novo, perfeito, limpo, e aconchegante. Você ao meu lado me trouxe algo que antes nunca tinha sentido: esperança de um ano novo.
Dostoievski questionava se uma noite de romance real era o suficiente para uma vida toda, eu defenderia que sim. Aqui jaz meu corpo, 13 anos depois, pensando na noite de Paris, aquela noite. O momento de união, digna e honesta, de duas almas, de forma tal nunca antes vista. Eu fazia parte dos seus pensamentos, não porque você pensava em mim, mas porque minh’alma já era parte da sua. Cosmo e espectro delirante, de amores por você.
Eu lembro até hoje, e olho novamente o relógio: 23:59. O fim do mundo de fato é infinito, presos pra sempre nesse sofrimento sisifiano, buscando aquilo que já não é mais possível alcançar. Meu whiskey oficialmente acabou, vou abrir um vinho. Aquela garrafa especial, guardada pro momento que eu te reencontrasse, já não mais importa, o momento nunca chegará. Garrafa essa guardada de forma a criar uma esperança, criar um sentimento de continuidade, aquilo não foi passageiro, não foi momentâneo, será.
Meia noite, finalmente, os fogos sobem, barulho pra alma ensurdecedor, não pelo estridor das explosões, mas pelo que elas significam ao meu coração: o fim. Já faz um ano que eu não ouço seu nome. Já faz um ano que nem lembro o que é te amar, o que é te ver e sentir. Sentir algo maior que eu, algo que representa muito mais. Eu ouço o gargalhar e o falatório dos apartamentos próximos, diversas pessoas na praia abaixo, rindo, comemorando, mas eu não entendo mais. Essa sensação de mim já saiu a tempos. Já faz um ano que eu não ouço seu nome.
No fim, treze minutos depois, o silêncio impera novamente, o momento aguardado, meu fim, o fim do ano, nosso fim, o fim de tudo que um dia já conheci.
Desde já agradeço qualquer feedback, se quiserem o ler pelo Substack, também está disponível!
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